sábado, 13/06/2026
Thadeu e Mariano, em Seattle
Luiz Thadeu com o jornalista Luís Mariano, em Seattle, EUA Foto: Acervo pessoal

Sou ser de travessia, sou giramundo

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Por Luiz Thadeu Nunes (*)

 

De volta ao Brasil após dez dias de férias. Viajei pelos Estados Unidos. Desembarquei em Guarulhos, SP, o maior aeroporto da América Latina. Madrugada fria e chuvosa, o termômetro acusava 11 graus. Sou nordestino que gosta de frio. O frenesi do aeroporto mostra a movimentação de pessoas chegando e partindo. Somos seres de travessia. Vamos e viemos de todas as partes. Gosto da liberdade de andar pelo mundo, conhecendo lugares, descobrindo sabores, odores e, principalmente, pessoas.

A jornalista Sandra Coutinho, sediada em Nova York, ao escrever o prefácio do meu livro “Das muletas fiz asas” chamou-me carinhosamente de Luiz giramundo. Gostei. Gosto de andar pelo mundo. Sou frasista. Uma de minhas frases preferidas: “Terra, aproveite enquanto está em cima dela”. Vim ao mundo uma vez, e essa única vez é suficiente para usufruir do que existe de melhor, entre isso, viajar.

Sempre me perguntam: “Por que andas tanto pelo mundo?” Após anos com respostas vagas, respondo, hoje: “É promessa, pedi ao bom e maravilhoso DEUS para visitar todos os países da Terra”. Já são 162 países visitados. Meu DEUS tem me abençoado, permitido cumprir a promessa. Oxalá eu possa pisar, com minhas inseparáveis muletas, em todos os 194 países, segundo a classificação da ONU.

Os dez dias que estive na América do Norte foram suficientes para conhecer pessoas interessantes, que só conheci por que me dispus a cruzar a soleira de casa e me aventurar por esse enorme mundão de meu DEUS.
Pessoas que são verdadeiras enciclopédias de vidas, tamanha riqueza de trajetória.

No hotel onde me hospedei em Seattle, no café da manhã, conheci Luís Mariano Fernandez, espanhol, jornalista e psicólogo, residente entre as cidades de San Diego, Califórnia e Tijuana, México. Entabulamos conversa rápida e, logo, perguntou-me se seria possível uma entrevista para seu canal no YouTube e nos jornais em que trabalha. Em quinze minutos de conversas, discorri sobre viagens, visão de mundo, atualidade. Nossa conversa abordou atemporais e universais.

Somos dois Luízes, dois jornalistas, dois entusiastas das boas coisas do mundo. Luís Mariano, como psicólogo, faz um trabalho com pessoas que têm problemas mentais pós-pandemia. Tem o olhar voltado para ajudar pessoas. “Harmoso”, como dizem os espanhóis.

Também no hotel em Seattle, no final da noite, conheci o casal Sérgio Navarro e Victoria Crespo. Espanhóis, maestros, residem em Chicago há dois anos e gostam de viajar. No jantar, regado a várias taças de vinho californiano, conversamos sobre viagens, vida, arte, futuro; coisas edificantes. Convidei-os para cruzarem o Atlântico e virem conhecer o que temos de melhor em nosso território.

De Seattle voei para Orlando, meu canto preferido no mundo, depois de São Luís do Maranhão. No aeroporto, a esperar-me, José Leônidas da Silva. Potiguar de nascimento, cearense de coração, americano de adoção; são dessas pessoas que é sempre bom ter por perto. Seu José Leônidas, que completa 74 anos, no próximo 20 de junho, é um desbravador. Residente nos EUA há quarenta anos, é um entusiasta da vida. Assim como eu, é sonhador. Apaixonado por Orlando; privar da amizade de José Leônidas é um deleite.

Como hóspede de José Leônidas, conheci Fernando Carvalho. Pernambucano, cantor, cidadão do mundo. Aos 62 anos, Fernando é um aprendiz contumaz da arte de viver. Andar por esse mundão e conhecer pessoas é um privilégio, reservado a poucos. Como diz Mário Quintana, poeta gaúcho de Alegrete, “viajar é mudar a roupa da alma”. Volto para casa de alma renovada.

Cruzei a soleira de casa. A Ilha do Amor, tórrida, faz 32º à sombra. São Luís é a minha casa.

 

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