Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)
No próximo domingo, 20, o Ministério da Educação irá realizar uma nova edição do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE). Criado em 14 de abril de 2004, substituiu o chamado Provão. Entre as suas finalidades está a de avaliar e acompanhar o processo de aprendizagem e o desempenho acadêmico dos estudantes em relação aos conteúdos de sua graduação. Trata-se de um programa governamental consolidado, o qual tem surtido valiosos efeitos para o Ensino Superior no Brasil.
No que se refere ao Curso de Licenciatura em História, em Sergipe, há pelo menos vinte anos sou detentor de uma série de experiências no campo da formação de professores que me garantem perceber como o ENADE vem influenciando na busca pela qualidade dos nossos futuros professores. Trabalhando mais de perto com disciplinas como Prática de Ensino de História, Fundamentos de Estágio e Estágio Supervisionado em Ensino de História, tanto na modalidade presencial como na modalidade EAD, noto uma preocupação maior de nossos alunos naquilo que deve ser a essência dos cursos de licenciatura: o alto nível de transposição didática. Geralmente, saber e ser capaz de transmitir o que sabe com alegria, entusiasmo e compromisso social.
Ao longo desses anos, lido basicamente com intelectuais e especialistas que lançam luzes sobre o desafio de formar o professor de história. Dentre os quais, destaco Circe Maria Bittencourt (81 anos), com importantes obras publicadas nesta seara, a exemplo de “Ensino de História: fundamentos e métodos”; “O saber histórico na sala de aula”. No que diz respeito ao Ensino de História de nosso tempo, ela afirma e adverte:
“A avaliação do ensino torna-se uma tarefa externa à sala de aula a ser exercida por intermédio de materiais didáticos majoritariamente tecnológicos produzidos também por empresas internacionais e por sistemas avaliativos que limitam a atuação e o poder dos professores” (2018, p. 144).
Isto, na outra ponta, já com o profissional formado. E na ponta de cá, quando se forma o professor para encarar esta realidade destacada por Bittencourt, como podemos avaliar e refletir, à luz da realização do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes? Este, em grande medida, tem sido o desafio dos cursos de licenciatura no país, notadamente de História, do qual, como já disse, falo de cátedra e, sobretudo, do chão da escola de nível superior. Em linhas gerais, a ideia é mostrar que melhoramos consideravelmente, mas que ainda podemos avançar muito mais, frente aos novos desafios do tempo presente, como o avanço da Inteligência Artificial, em vários aspectos, não sendo diferente na sala de aula e no seu entorno, como também na sociedade.
No que diz respeito à formação, para além das teorias, didáticas e psicologias, entendo que a prática é a melhor maneira. No meu caso, em particular, meus alunos têm pelo menos duas oportunidades, que eles podem fazer ao mesmo tempo (no semestre letivo). Na experiência de estágio, propriamente dita, quando eles vão a campo para enfrentar a realidade de uma sala de aula (pública ou privada) e dar seus primeiros passos como professores. E, por meio de simulações de aula, feitas para mim e para seus colegas. Aqui, a vivência laboratorial é ainda mais interessante, porque o formando tem o retorno imediato das suas necessidades de melhora, como trabalhar o domínio de conteúdo, a transmissão, as técnicas de ensino, a impostação da voz, a postura e o uso adequado dos recursos didáticos. Digo sempre para eles nestes momentos:
“ousem ousar”; não se limitem à prática pela prática, ou à fórmula “cuspe e giz” e conteudista.
Vale salientar que, em ambas as situações, o formando deve pensar, elaborar e praticar à luz do que preconiza a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), sem que, para tanto, ele renuncie a fatores cruciais como autonomia, criatividade, foco na história local, criticidade e leveza. Sim, leveza. A meu ver, não se pode lecionar, sobretudo História, com sofrimento. Lecionar, em que pese encarar e enfrentar coisas como a desvalorização da profissão do professor, deve ser um ato de amor e, portanto, de alegria e de realização pessoal. Pelo menos é o que eu penso e vivo há mais de trinta e dois anos.
Fato é que todo este esforço tem se transformado em resultados satisfatórios. Numa primeira instância, ao nível de concursos de seleções para pós-graduação e concursos públicos para docência. Neste último, em particular, como nossos alunos se sentem mais seguros e à vontade na parte prática das seleções, notadamente no saber e saber fazer um plano de aula e até mesmo no seu desempenho de docência, efetivamente. E, no que se refere ao ENADE, de igual modo. Entre os fatores que colaboraram para que, recentemente, o Curso de Licenciatura em História da UFS alcançasse o conceito 5, junto ao MEC, esteve o excelente desempenho de nossos alunos egressos na prova do ENADE.
Entre novos tempos, novas demandas, nós, professores de História (e futuros), seguimos naquela toada de Lecy Brandão, na canção “Anjos de Guarda”, que diz:
“Professores, protetores / Das crianças do meu país / Eu queria, gostaria / De um discurso bem mais feliz / Porque tudo é educação / É matéria de todo tempo / Ensinem a quem sabe de tudo / A entregar o conhecimento”.
Só Sergipe Notícias de Sergipe levadas a sério.



