sexta-feira, 09/01/2026
Imagem de Trump
Uma leitura crítica sobre poder, autoritarismo e seus impactos no mundo Imagem gerada a partir da IA

Uma besta chamada Trump e os EUA como flagelo do mundo

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Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)

 

Antes que eu seja taxado de esquerdopata, adianto que o que está em questão aqui não é o apoio ou defesa de um regime ditatorial levado a cabo por Maduro na Venezuela. Mas a maneira autoritária e imperialista como ele foi retirado do poder esta semana pelos Estados Unidos da América, comandados pelo excêntrico e megaempresário Donald Trump.

De longe, sabemos que não é novidade os norte-americanos fazerem uso desse expediente, sobretudo quando seus interesses estão em jogo. Nas páginas da história da humanidade, desde que esta nação foi criada no dia 2 de julho de 1776, isto se repetiu inúmeras vezes e não tem direito internacional e Nações Unidas que se sustentem ou que justifiquem as suas existências.

De tempos em tempos, os EUA se sentem, sobretudo depois da II Guerra Mundial, com o direito de regrar o mundo, os povos e as soberanias das nações, usando os argumentos mais toscos e insustentáveis possíveis. Que o diga o episódio da invasão do Iraque, em 2003. Ou ainda, as mais recentes ações promovidas por Donald Trump, seja no seu primeiro mandato, como neste atual, que em apenas um ano já fez mais estragos no mundo do que nos últimos cem anos.

Definitivamente, o povo tem o governante que merece. Tanto é verdade que trouxeram Trump de volta, ainda mais empoderado, sem filtros, sem pudores, sem limites e totalmente sem noção e sem juízo. É uma besta, seja no sentido bíblico-apocalíptico, seja no sentido pejorativo (pessoa tola, estúpida, ignorante, ou alguém grosseiro e sem humanidade) e também no sentido literal (animal irracional, quadrúpede, ou cavalgadura), neste último caso com todas as licenças poéticas possíveis.

Evidente que não se pode generalizar, pois há pessoas muito boas e de boa índole nos Estados Unidos, ainda, mas Donald Trump é um reflexo de uma sociedade e de uma nação que está com sérios problemas de saúde mental, frutos de anos de história movidos por poder e ganância, armamentismo, fanatismo religioso, preconceito social, discriminação sexual, xenofobia e soberba, muita soberba, disfarçada de bons costumes e nacionalismo. Trump, valendo-me da linguagem do educador e intelectual sergipano Manoel Bomfim (1868-1932), é o efeito de um organismo doente. É uma bolha pustulenta que estoura sobre a pressão de um antígeno agressivo.

Até o fechamento do presente texto, dois episódios reforçam os argumentos aqui apresentados sobre o perigo que os EUA e o mundo correm frente às ações inconsequentes e irresponsáveis de Donald Trump. Um agente de imigração matou, a sangue frio, uma cidadã norte-americana de Minneapolis. As autoridades alegaram legítima defesa, mas as imagens gravadas do ocorrido provam o contrário e o que se viu foi uma execução. Ontem, em Portland, agentes federais de imigração atiraram em duas pessoas, que foram levadas para o hospital.

E agora, quem poderá nos defender? Chapolim Colorado? Infelizmente, nem ele e tampouco Simón Bolívar (1783-1830). Creio em Deus, em Nossa Senhora de Guadalupe. Mais do que abertas, conforme título do famoso clássico de Eduardo Galeano (1971), as veias da América Latina, agora sagram e o povo centro e sul-americano teme o retorno do “Grande Porrete” (Big Stick) norte-americano da época de Theodore Roosevelt (1901-1909) ou mesmo da Doutrina Monroe, um zumbi histórico renascido das cinzas do inferno por Trump.

Uma coisa é certa, ou se põe freios neste “cidadão” (melhor seria para todos nós, uma reforçada camisa de força, numa cela de segurança reforçada) ou o mundo (leia-se, as nações poderosas da Europa e da Ásia) irá repetir o mesmo erro que cometeu entre o final dos anos 30 e inícios dos anos 40 do século XX, ao subestimar a sandice e as consequências nefastas e mortais de Adolf Hitler, que culminaram com a II Guerra Mundial e com o assassinato/extermínio de milhares de judeus.

 

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Sobre Claudefranklin Monteiro

Claudefranklin Monteiro Santos
Professor doutor do Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe.

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