A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e o governador de Sergipe, Fábio Mitidieri, assinaram, nesta sexta-feira, 27, um protocolo de intenções que viabiliza a comercialização do gás do Projeto Sergipe Águas Profundas (Seap), considerado um dos maiores investimentos da estatal no país, com início previsto para 2030. O evento aconteceu no Palácio dos Despachos, sede do governo estadual. A presidente da estatal não falou com a imprensa.
O Seap prevê início da produção a partir de 2030 e tem potencial de impacto estimado em até R$ 37,8 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) estadual, além da geração de cerca de 200 mil empregos ao longo das fases de implantação e operação.

Segundo o governador, o encontro foi produtivo e reforçou a estratégia de transformar Sergipe em um polo energético nacional. “Recebemos a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e sua vinda demonstra o compromisso da estatal em nos oferecer uma excelente oportunidade. Firmamos o protocolo de intenções para a comercialização do gás a ser produzido pelo Seap, com previsão de início em 2030”, declarou.
Durante a reunião, foram discutidos temas como o desenvolvimento do Seap, a geopolítica energética, o descomissionamento de plataformas e a capacitação de mão de obra local. Também entraram na pauta questões estratégicas, como a fase final de contratação das unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência (FPSOs) e o cenário internacional, incluindo tensões envolvendo o Irã, que reforçam a urgência do projeto para o Brasil.
De acordo com o secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia, Valmor Barbosa, o projeto pode elevar significativamente a participação sergipana na produção nacional de gás. “Essas pautas foram importantes, porque o governador deixou claro que tem certeza de que no futuro, por meio do Seap, Sergipe produzirá de 15% a 20% do gás natural do país”, afirmou.
Estratégia de mercado
Um dos principais pontos discutidos foi a necessidade de estruturar o mercado consumidor de gás em paralelo à produção. Apesar do potencial de oferta de até 18 milhões de metros cúbicos por dia, o consumo de gás natural no Brasil tem apresentado estagnação nos últimos anos.
Nesse cenário, o protocolo de intenções prevê a atração de indústrias e consumidores para o estado, garantindo demanda quando o gás estiver disponível. A estratégia considera que o tempo de instalação de novos empreendimentos é semelhante ao cronograma de chegada do gás, permitindo um planejamento integrado entre oferta e consumo.
Detalhes do Seap
O Projeto Sergipe Águas Profundas representa uma nova fronteira de exploração de petróleo e gás no país. A expectativa é de produção de aproximadamente 240 mil barris de petróleo por dia, além do volume de gás natural, quando duas plataformas estiverem em operação. O projeto também inclui a implantação de um gasoduto para escoamento da produção.

Localizado na Bacia Sergipe-Alagoas, o Seap é dividido em duas etapas. O Seap 1 reúne jazidas como Agulhinha, Agulhinha Oeste, Cavala e Palombeta. Já o Seap 2 contempla campos como Budião, Budião Noroeste e Budião Sudeste. Após adiamentos, a licitação das plataformas FPSO foi concluída em novo modelo, e o projeto segue mantido no Plano Estratégico 2026–2030 da Petrobras.
Além do Seap, o governador apresentou outras demandas consideradas estratégicas para o estado, como a importância da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) para a cadeia produtiva local. Também foram discutidas a elaboração de um plano diretor para o Terminal Marítimo Inácio Barbosa, a inclusão de Sergipe no programa Autonomia e Renda da Petrobras, a realização de leilão de gás natural para instalação de uma planta de liquefação de grande porte e a implantação de um corredor verde voltado ao transporte de cargas.
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