Por Cleomir Santos, consultor de marketing digital (*)
Durante muito tempo, redes sociais foram sinônimo de alcance gratuito. Bastava postar com frequência, entender minimamente o algoritmo e pronto: o público aparecia. Esse cenário mudou. E mudou rápido.
Agora, com o avanço dos modelos de assinatura no WhatsApp e no Instagram, surge uma pergunta legítima para quem vive do digital: estamos diante de uma nova oportunidade de receita ou de mais uma barreira entre marcas e pessoas?
No artigo de hoje, a proposta é clara: menos hype, mais realidade.
O que são as assinaturas no WhatsApp e no Instagram?
As assinaturas são recursos que permitem a criadores e empresas oferecerem conteúdos exclusivos mediante pagamento mensal. Na prática, funcionam como clubes fechados dentro das próprias plataformas.
No Instagram, isso pode incluir:
- Stories exclusivos para assinantes
- Lives fechadas
- Selos visuais para membros pagantes
- Conteúdos que não aparecem para o público geral
No WhatsApp, o modelo caminha para:
- Canais ou comunidades com acesso pago
- Conteúdos premium entregues diretamente no app
- Comunicação mais direta, sem depender tanto do feed ou do algoritmo
O discurso oficial é simples: mais controle, mais proximidade e novas fontes de receita.
Por que as plataformas estão apostando nesse modelo?
Porque o modelo tradicional de anúncios está saturado.
O custo de mídia aumenta, o alcance orgânico diminui e o usuário está cada vez mais seletivo. As plataformas perceberam que precisam diversificar receitas, e quem paga essa conta, direta ou indiretamente, são criadores, marcas e pequenos negócios.
Além disso, há um movimento claro de privatização da atenção. Em vez de disputar likes no feed, a ideia é criar microambientes pagos, com menos ruído e mais previsibilidade financeira para as plataformas.
Tendência ou armadilha para negócios digitais?
A resposta curta é: depende do seu modelo de negócio.
Quando faz sentido apostar em assinaturas
Assinaturas funcionam melhor quando:
- Você já tem uma audiência engajada
- Existe uma percepção clara de valor no que você entrega
- Seu conteúdo resolve um problema específico ou recorrente
- Você consegue manter constância e profundidade
Exemplos práticos:
- Consultores, educadores e especialistas
- Criadores de conteúdo nichados
- Marcas com comunidades muito bem definidas
Nesses casos, a assinatura não é um atalho, mas uma extensão natural da relação com o público.
Quando vira armadilha
O problema começa quando a assinatura vira uma tentativa de monetizar atenção rasa.
Alguns sinais de alerta:
- Criar conteúdo pago sem ter validado o gratuito
- Apostar na assinatura como solução para baixo engajamento
- Repetir o mesmo conteúdo aberto, só que atrás de um paywall
- Ignorar que o usuário já paga por muitos serviços
Para pequenos empreendedores, o risco é claro: investir tempo e energia em um formato que não se sustenta e ainda afasta quem estava começando a se relacionar com a marca.
O impacto real para pequenos negócios
Para quem empreende no digital, especialmente sozinho ou com equipes enxutas, a pergunta não deveria ser “como ativar a assinatura”, mas sim:
Meu negócio está pronto para isso?
Assinaturas exigem:
- Planejamento de conteúdo
- Clareza de proposta
- Entrega contínua de valor
- Relacionamento próximo
Sem isso, o modelo se torna mais um canal abandonado, gerando frustração tanto para quem cria quanto para quem paga.
O que observar antes de decidir
Antes de entrar nessa tendência, vale refletir sobre três pontos simples:
- O que só eu posso entregar?
Se o conteúdo é facilmente encontrado em outros lugares, dificilmente alguém vai pagar. - Meu público pediu isso ou eu estou supondo?
Escutar vem antes de vender. - Isso fortalece ou enfraquece minha marca no longo prazo?
Nem toda novidade precisa ser adotada imediatamente.
Marketing descomplicado é sobre escolha, não sobre modismo
Assinaturas no WhatsApp e no Instagram não são vilãs. Mas também estão longe de ser solução mágica.
Para alguns negócios, podem representar previsibilidade e proximidade. Para outros, apenas mais uma distração em um cenário já complexo.
No fim das contas, marketing continua sendo sobre entender pessoas, entregar valor real e construir confiança. A ferramenta muda. O princípio, não.
E talvez essa seja a pergunta mais importante de todas: sua estratégia está acompanhando a tecnologia ou apenas reagindo a ela?
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