Por Luiz Thadeu Nunes (*)
Na semana passada, a convite de Daniele Souza, participei de uma live. Daniele é jornalista, colega do curso de Jornalismo, que concluímos no final do ano passado.
Mesmo sendo colegas de turma, nunca nos vimos. Moradora de Sertãozinho, PB, somos amigos virtuais. Como o curso era EAD, à distância, não tive contato com nenhum colega, espalhado por diferentes cidades deste imenso Brasil.
Durante o período pandêmico, isolados, distantes um dos outros, fizemos nossa primeira live. Quatro anos depois, estávamos diante das telas dos smartphones falando de um novo tema: NOLT.
Já escrevi neste espaço sobre os NOLTs, retomo o tema.
O termo NOLT surgiu no fim de 2025 e ganhou grande repercussão no mundo todo graças às redes sociais. Ainda em novembro, escrevi um artigo abordando o tema.
NOLT, sigla para New Older Living Trend, é usado para pessoas 60+ que continuam ativas, com propósitos e planos de futuro.
Quem acha que pessoas com 60 anos ou mais estavam perto do fim, não entendeu nada do que está acontecendo agora. Se antes uma pessoa de 50 anos era considerada velha, agora, tudo mudou.
A maturidade deixou de ser sinônimo de pausa, perda ou invisibilidade e passou a representar um novo jeito de viver: com mais consciência, autonomia, posicionamento, positividade e interação.
NOLT não tem a ver com idade na carteira de identidade, mas com postura diante da vida. É não aceitar a ideia de que tudo diminui com o tempo, mas reconhecer que a maturidade traz valores importantes, como experiência, clareza, liberdade de escolha e presença.
Não se fala mais em idade, mas em mentalidade. Ter novos desafios a serem vencidos e conquistas muitas das vezes adiadas. Graças à ciência, à tecnologia, à indústria farmacêutica, e, principalmente, à mudança de hábitos, estamos vivendo mais. E isso impacta nas decisões que tomamos. Se antes se ficava no mesmo trabalho até a aposentadoria, hoje, se muda de trabalho com mais facilidade. Já foi o tempo em que tomar determinadas decisões era muito mais complicado.
Conheço pessoas próximas, que eram médicos, tinham bom rendimento, mas não estavam satisfeitas; largaram a medicina e enveredaram por coisas mais leves. Um amigo, outrora médico, hoje é fotógrafo e está feliz com sua escolha.
Outro amigo deixou o cargo em uma grande empresa e virou dono de sítio, onde cultiva orquídeas. Quantos estão deixando para trás projetos fracassados e saindo pelo mundo com mochila nas costas? Inúmeros. Conheci um espanhol, Juan Carlo, 69 anos, filhos criados, que encerrou um casamento de mais de 40 anos, virou motociclista e ganhou, literalmente, a estrada. Conheci-o em um hotel no Atacama, Chile.
“A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos”, cito John Lennon.
Durante a live, foram feitas algumas perguntas sobre como vejo o envelhecimento. “Estou gostando de envelhecer”, disse, “pois tenho uma segurança que não tinha quando mais jovem”. “Hoje, aos 67 anos, tenho projetos e planos de futuro, que me impulsionam a seguir em frente”. Acho que muita coisa boa ainda virá. Para isso, tenho que estar com a mente aberta. Desconstruir o velho, o que não serve mais, é construir coisas novas, que serão úteis para melhor aproveitar o tempo que ainda me resta. Estar aberto ao novo é melhor o caminho para um novo aprendizado.
Ser NOLT é cuidar do corpo sem obsessão, da mente com atenção e da passagem do tempo com propósito. É tempo de viver a maturidade como ela é: real, ativa, alegre e cheia de possibilidades. NOLT não deixa o tempo passar, faz o tempo acontecer. Os NOLTs trabalham, viajam, aprendem, investem em cursos, tecnologias e novos projetos. A experiência não é limite, é diferencial. Recomeçar não é voltar no início, é avançar com mais sabedoria. Viver após os 60 não é exceção, é tendência.
Muito melhor do que ser visto como velho, idoso, ou na terceira idade, é ser NOLT.
Porque a vida é arte, e somos nós os atores desta magnífica história!
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