quinta-feira, 17/09/2026
Seminario Energisa El Nino
A Energisa mostra as principais providências diante do El Nino Foto: Ascom/Energisa

Energisa reforça rede elétrica em Sergipe para enfrentar El Niño

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Distribuidora intensifica ações preventivas e usa drones e tecnologias de monitoramento diante da previsão de um El Niño muito forte

 

A Energisa Sergipe intensificou inspeções na rede elétrica, mobilizou drones, realizou milhares de serviços com a rede energizada, ampliou o monitoramento termográfico, limpou mais de 290 quilômetros de faixas de servidão e inspecionou preventivamente quase 49 mil postes para preparar o sistema elétrico para os possíveis impactos do El Niño. As ações foram apresentadas pelo gerente de Operações da empresa, Thyago Tanouss, nesta quarta-feira (16), durante o Seminário Estadual de Mitigação dos Efeitos do El Niño em Sergipe, realizado no auditório da Biblioteca Pública Estadual Epiphanio Dória, em Aracaju.

Promovido pela Subsecretaria Estadual de Proteção e Defesa Civil (SPDEC), vinculada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano e Infraestrutura (Sedurbi), o encontro reuniu especialistas, gestores públicos e representantes de instituições ligadas às áreas de energia, recursos hídricos, agricultura, meio ambiente, assistência social, saúde e Defesa Civil para discutir medidas de prevenção, preparação e resposta aos possíveis impactos do fenômeno climático em Sergipe.

Além das inspeções e manutenções preventivas, a Energisa informou que realizou melhorias e substituições em 116 transformadores, dos quais 50 foram contemplados especificamente pelas ações preparatórias para o enfrentamento dos impactos associados ao El Niño. A distribuidora também mantém ferramentas capazes de acompanhar as condições meteorológicas e o comportamento da rede elétrica em tempo real.

As medidas ganham importância diante da rápida intensificação do fenômeno climático. O boletim mais recente do Climate Prediction Center (CPC), da NOAA, divulgado em 10 de setembro, aponta que o El Niño está se fortalecendo e estima probabilidade superior a 90% de atingir intensidade muito forte durante o outono e o inverno do Hemisfério Norte de 2026/2027. Em agosto, a anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 chegou a +1,8°C.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) também considera o El Niño firmemente estabelecido e prevê que ele continuará se intensificando nos próximos meses, com probabilidade próxima de 100% de persistir até fevereiro de 2027. A organização alerta que um episódio muito forte pode provocar alterações significativas nos padrões de temperatura e chuva e ampliar riscos de eventos extremos.

Plano de contingência

É diante desse cenário que a Energisa colocou em prática seu Plano de Contingência em Sergipe. Entre as ações preventivas informadas pela distribuidora estão a inspeção de mais de 14.485 estruturas com drones, 7.674 serviços em linha viva — realizados sem necessidade de interromper o fornecimento —, monitoramento termográfico de 71.833 estruturas, limpeza de mais de 290 quilômetros de faixas de servidão e inspeção preventiva de 48.821 postes em áreas urbanas.

“Para enfrentar esses momentos e restabelecer o fornecimento de energia o mais rápido possível, a Energisa vem aplicando seu Plano de Contingência. São ações que vão desde a manutenção da rede elétrica até investimentos em modernização e tecnologias que permitem uma resposta mais ágil em situações de emergência. A atuação integrada com os órgãos públicos é muito importante para mitigar impactos e atuar de forma rápida”, afirmou Thyago Tanouss.

Dos 116 transformadores que passaram por melhorias ou substituições, 50 foram incluídos especificamente nas ações de preparação para os possíveis impactos associados ao fenômeno climático.

As iniciativas, segundo a distribuidora, integram um conjunto de investimentos contínuos para fortalecer a confiabilidade do sistema elétrico, ampliar a capacidade de resposta em situações de contingência e reduzir os impactos de eventos climáticos severos para a população sergipana.

Tecnologia acompanha rede 24 horas

Outra frente da estratégia é tecnológica. A empresa utiliza o NetClima, ferramenta que permite acompanhar as condições meteorológicas em tempo real no Centro de Operações Integradas, e o ADMS (Advanced Distribution Management System), sistema avançado utilizado para a gestão da rede de distribuição.

Segundo a Energisa, as informações permitem avaliar cenários e antecipar a mobilização de equipes e recursos diante de situações meteorológicas de maior risco. O Centro de Operações Integradas funciona 24 horas por dia, com profissionais especializados acompanhando continuamente o desempenho da rede.

“Temos acesso a dados em tempo real que auxiliam nossas equipes na avaliação de cenários e na mobilização de recursos. O Centro de Operação Integrado funciona 24 horas por dia, com profissionais especializados acompanhando continuamente o desempenho da rede e atuando de forma imediata para restaurar o fornecimento em caso de ocorrências”, explicou Tanouss.

O que é o El Niño

O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e integra o chamado El Niño-Oscilação Sul (Enos). Essas alterações no oceano e na atmosfera interferem na circulação atmosférica e podem modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.

No Brasil, o fenômeno costuma favorecer redução das chuvas em áreas do Norte e Nordeste e aumento da precipitação no Sul, embora seus efeitos variem de um episódio para outro e também dependam das condições dos oceanos Atlântico e Índico.

A evolução em 2026 foi rápida. Em março, quando o Pacífico ainda caminhava da La Niña para a neutralidade, as previsões apontavam 62% de probabilidade de estabelecimento do El Niño no trimestre junho-julho-agosto.

No trimestre março-maio, a região Niño 3.4 já registrava anomalia média de +0,5°C, chegando a +0,9°C somente em maio. Em setembro, a situação é bem diferente: boletim conjunto elaborado por INMET, INPE, ANA, Cemaden, Serviço Geológico do Brasil, Defesa Civil Nacional e Censipam apontou probabilidade superior a 90% de o fenômeno atingir intensidade muito forte no trimestre setembro-outubro-novembro.

A OMM projeta uma anomalia média de aproximadamente +3,6°C na temperatura da superfície do mar da região Niño 3.4 no trimestre setembro-novembro, com trajetória de intensificação até novembro e dezembro. Trata-se de uma projeção dos modelos, e não da temperatura já observada.

O quadro coloca o episódio de 2026/2027 sob atenção especial quando comparado aos grandes El Niños das últimas décadas. Entre os episódios historicamente mais fortes estão os de 1982/83, 1997/98 e 2015/16. O evento de 2015/16, por exemplo, atingiu índice oceânico de +2,6°C segundo a série histórica utilizada pela NOAA.

O Climate Prediction Center ressalta, porém, que a intensidade do aquecimento do Pacífico não permite determinar automaticamente a dimensão dos impactos em cada região. Mesmo episódios muito fortes podem produzir efeitos diferentes dependendo da interação com outros componentes do sistema climático.

Sergipe articula resposta

A preparação para o El Niño não está restrita ao setor elétrico. O Governo de Sergipe já havia determinado, em junho, a instalação de uma sala de situação para acompanhar o fenômeno. Foram mobilizadas as secretarias estaduais de Planejamento; Desenvolvimento Urbano e Infraestrutura; Agricultura; Meio Ambiente; Assistência Social; Saúde, além da Defesa Civil, Adema e Corpo de Bombeiros.

O Seminário Estadual de Mitigação dos Efeitos do El Niño deu continuidade a essa articulação. Na área de recursos hídricos, Luiz Felipe Bispo Viana, da Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), tratou da gestão hídrica integrada e de estratégias para preservar o abastecimento humano e a produção agrícola durante o El Niño.

Na agropecuária, Braz Melo Costa Junior, do Banco do Nordeste, abordou medidas voltadas à construção de uma agropecuária mais resiliente. A prevenção de queimadas foi tratada pelo tenente-coronel Gideão Oliveira dos Santos, do Corpo de Bombeiros Militar de Sergipe.

Tiago Molina Schnorr, do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad), da Defesa Civil Nacional, apresentou estratégias de preparação e resposta a emergências relacionadas ao El Niño. O Ministério do Meio Ambiente participou com o analista de infraestrutura Marcos Oliveira Santana, que apresentou o Sistema Estratégico sobre Desertificação e Seca (Sedes), destinado ao monitoramento, análise e alerta para gestão de riscos associados à seca e à desertificação.

No campo agropecuário, algumas medidas adotadas no estado já funcionam como instrumentos de adaptação a períodos de estiagem. A Emdagro, por exemplo, distribuiu em 2026 mais de 138 mil raquetes de palma forrageira para 144 produtores de oito municípios do semiárido. O objetivo declarado é ampliar a reserva estratégica de alimento para os rebanhos durante períodos prolongados de falta de chuva. Desde 2023, o programa acumula mais de 1,08 milhão de raquetes distribuídas a 857 produtores de 38 municípios.

Trabalho conjunto

O subsecretário estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Queiroz, destacou durante o seminário a importância da integração entre as instituições para ampliar a capacidade de resposta em situações de emergência e reforçou a parceria mantida com a Energisa.

“Sabemos da importância de manter todo o sistema integrado e preparado para reduzir os impactos do El Niño. Trata-se de um trabalho conjunto, do qual a Energisa faz parte, atuando lado a lado com a Defesa Civil e demais instituições envolvidas. Por meio de grupos de trabalho e ações coordenadas, buscamos prevenir ocorrências e minimizar possíveis impactos na rede elétrica. Por isso, essa parceria é de fundamental importância para garantir uma resposta mais rápida e eficiente à população”, afirmou.

Nordeste exige atenção

Para Sergipe e o restante do Nordeste, uma das principais preocupações é a possibilidade de redução das chuvas e aumento das temperaturas. O INMET explica que episódios de El Niño tendem a favorecer períodos mais secos na faixa norte do Nordeste, afetando a disponibilidade hídrica e atividades agrícolas, principalmente aquelas dependentes de chuva.

Para setembro de 2026, especificamente, o INMET prevê que os volumes de chuva no Nordeste permaneçam, em sua maioria, dentro da faixa climatológica do mês, embora existam setores da região com previsão de precipitação abaixo da média. Isso significa que os efeitos do El Niño não devem ser interpretados como ausência generalizada de chuva em todos os estados ou períodos.

A combinação entre o acompanhamento meteorológico, medidas preventivas na infraestrutura elétrica, gestão dos recursos hídricos, preparação da agropecuária, prevenção de queimadas e atuação da Defesa Civil forma a estratégia discutida pelas instituições para reduzir os possíveis impactos do El Niño em Sergipe.

 

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