Outras palavras

Por uma igreja sinodal e missionária

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Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)

 

Encerra hoje a 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A primeira edição aconteceu em 1953. A partir de 1967, o evento passou a ser anual. Até o ano de 1974, o local da reunião era o Centro de Estudos do Sumaré (RJ) e, posteriormente, Itaici, município de Indaiatuba (ambos, no interior do Estado de São Paulo). E, desde 2011, é sediada no Santuário Nacional de Aparecida (SP). De quatro em quatro anos, são definidas as diretrizes pastorais, ocorre a eleição de líderes da instituição e também são discutidos temas de interesse da Igreja e da sociedade brasileira.

Na 62ª Assembleia Geral da CNBB, acontece a aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), com o foco em uma “Igreja peregrina e sinodal”. Para tanto, antes de nos debruçarmos sobre as principais decisões que irão nortear o próximo sexênio (2026-2032), precisamos compreender e refletir sobre algumas questões de ordem histórica e teológica.

Entre as muitas frases atribuídas a Tertuliano (século III), uma chama a minha atenção no que se refere aos primeiros tempos do Cristianismo: Vide, inquint, ut invicem se diligant (veja como se amam). É dessa época e à luz desta sua assertiva a origem do “sínodo”. Embora, enquanto Igreja Católica, modernamente, os chamados Sínodos dos Bispos passem a acontecer oficialmente a partir de 1965, com o papa Paulo VI, vale ressaltar que a prática já ocorria entre aqueles primeiros cristãos, na perspectiva etimológica do grego synodos (“caminhar juntos”). Muito comum na chamada Igreja Primitiva (dos primeiros tempos de Jesus, após a sua crucificação e ressurreição) – ver Atos 2,44-45; 4,32.

Seu significado atual é o de uma assembleia ou reunião eclesiástica, convocada por autoridades religiosas (como o papa ou bispos), com o objetivo de discutir, consultar e tomar decisões sobre temas doutrinários, pastorais ou administrativos. Que é diferente de Concílio, do latim concilium (assembleia, reunião), que passa, necessariamente, pela ideia e necessidade, dentro da Igreja, de se buscar conciliar algo, como fora no Concílio Vaticano II (1962-1965).

Coube ao Papa Francisco (2013-2025) a iniciativa de revisitar, teológica e pastoralmente, a ideia de sínodo da Igreja Antiga. Esta ressignificação passa pela ideia e reflexão do tipo de “Caminho que Deus espera da Igreja no terceiro milênio”. Foca na comunhão, corresponsabilidade e participação de todos os batizados na missão evangelizadora, com ênfase na escuta recíproca e no diálogo, superando lógicas autoritárias e o clericalismo. Pensamento que começou em 2021 com o Sínodo da Sinodalidade e foi amadurecido, sobretudo em documentos, em 2024, à luz da temática: “Por uma Igreja Sinodal: comunhão, participação e missão”.

No que se refere às Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) para 2026-2029, o foco é, portanto, na sinodalidade, na missão em um contexto urbano e digital, e na transformação social através da cultura da paz e da defesa da vida, tendo como pontos chave: Ação Evangelizadora (não apenas Pastoral) / Proposta, não imposição / fortalecimento das Comunidades Eclesiais Missionárias / Cultura da Paz e Defesa da Vida / e Proteção aos Vulneráveis. Entre os Caminhos da Missão: Iniciação à Vida Cristã / Comunidades de Discípulos Missionários / Liturgia e Piedade Popular / Cuidado das fragilidades: das pessoas e da Casa Comum.

Tendo a Eucaristia como fonte, os católicos são convidados a uma ação missionária concreta (missionariedade) à luz de uma Igreja Sinodal, a assumirmos uma postura apostólica e profética num tempo marcado pela injustiça social, pela polaridade e pelo egoísmo. Lutarmos para recuperar a dignidade humana que Deus nos legou na Criação e caminharmos juntos, como os primeiros discípulos e apóstolos de Jesus, somando esforços e colocando os nossos talentos em comum.

Nesse sentido e já nessa expectativa pela concretização das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, animamos a fala do Papa Francisco, em 2001, que diz:  “O Espírito nos guiará e concederá a graça de avançarmos em conjunto, de nos ouvirmos mutuamente e iniciarmos um discernimento no nosso tempo, tornando-nos solidários com as fadigas e os anseios da humanidade”.

 

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Claudefranklin Monteiro

Professor doutor do Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe.

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