Os escritores Degenal da Silva e Claudefranklin Monteiro
Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)
São 512 páginas muito bem escritas, cirurgicamente fundamentadas e ricas em informações sobre um dos períodos históricos mais estudados no campo da historiografia brasileira, sobretudo quando o assunto é instrução escolar, notadamente, pública. Em seu novo livro, A PRIMEIRA REPÚBLICA E SEUS INVISÍVEIS, o Prof. Dr. Degenal de Jesus da Silva foca a sua atenção, desta feita, nos trabalhadores e em outros grupos sociais na busca por reconhecimento nas festas cívicas do Brasil (1890-1930).
Natural de Aracaju (em 18 de dezembro de 1982), é filho de Reinaldo Gomes da Silva (in memoriam) e Rita Francisca de Jesus. Fez toda a sua formação básica em Lagarto, como aluno da rede pública municipal e do antigo CEFET (atualmente, Instituto Federal de Sergipe – IFS). Notabilizou-se por sua dedicação aos estudos, dono de uma lhaneza sem igual e de uma capacidade toda singular de se comunicar e de expressar suas ideias, seja oralmente, seja por escrito.
Tive a satisfação de ser seu professor em três oportunidades diferentes. Primeiro, no Ensino Fundamental, em Lagarto, no Colégio Municipal Frei Cristóvão de Santo Hilário. Depois, no Curso de Licenciatura em História da Faculdade José Augusto Vieira, entre os anos de 2004 e 2009, também em Lagarto. Ali, pude testemunhar seu crescimento e amadurecimento intelectual. Na FJAV, esteve aos cuidados do Prof. Dr. Magno Francisco de Jesus, que o encaminhou à pesquisa sobre História da Educação.
Aliás, em 2024, Magno Francisco, eu, Degenal e o professor João Paulo Gama, organizamos e publicamos o livro “Temas de História da Educação no Brasil”, que além de contar com textos de nossa autoria, teve a participação de inúmeros pesquisadores de algumas partes do país, a exemplo de São Paulo, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Pernambuco e Pará. É comercializado nacionalmente pelas principais plataformas.
É especialista em História do Brasil pela Faculdade PIO X (2012) e doutor em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora (2025), tendo sido orientado pela Profª Drª Cláudia Viscari. Nesta instituição, esteve plenamente envolvido nas atividades do grupo de pesquisa do Laboratório de História e Política Social, sob a coordenação do Prof. Dr. Odilon Caldeira Neto. Foi ali que ele gestou o livro que ora apresento, mote da apresentação do presente texto.
Dividido em sete capítulos, A PRIMEIRA REPÚBLICA E SEUS INVISÍVEIS se propõe a analisar a dinâmica social que emergiu com a Proclamação da República no Brasil, tendo como aporte investigativo e lugar de investigação as festas institucionalizadas pelo novo regime, de modo particular as festas cívicas (de que ele já havia tratado tão bem no primeiro livro). Para tanto, vale-se de um conceito muito importante, qual seja o da invisibilidade social dos grupos subalternos e alijados pelo Estado da noção e projeto de pátria, nação, sociedade, entre outros.
Polígrafo, sem ser divagante, erudido sem ser chato e enfadonho, ou mesmo cabotino, Degenal de Jesus da Silva atravessa o período que vai do ano de 1890 a 1930, em seu A PRIMEIRA REPÚBLICA E SEUS INVISÍVEIS, dando conta de deslindar seu objeto de pesquisa de forma muito pertinente e eficiente, valendo-se da discussão sobre as festas cívicas daquele Brasil, das festas cívicas em Sergipe, apurando a sua lente para os grupos escolares da época de Graccho Cardoso.
O livro é um deleite para quem se aventura a lê-lo, pois há que se ter fôlego para a empreitada. Mas, Degenal colabora em muito, com uma escrita objetiva, analítica é bem verdade, e ao mesmo tempo fluida, capaz de prender a atenção do leitor, seja ele interessado na temática, acadêmico ou até mesmo não necessariamente desse matiz. A obra é ilustrada com imagens, fontes jornalísticas e também tabelas, que ajudam em sua compreensão.
Nós agradecemos ao jovem Prof. Dr. Degenal de Jesus da Silva, que de forma tão honrosa nos representa muito bem na seara dos estudos sobre História da Educação no Brasil e em Sergipe. Seu novo livro, sem sombra de dúvidas, não demorará muito para estar entre os mais importantes dos últimos anos, sobre o assunto ao qual ele se propôs a debater e provocar novas investidas.
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