Outras palavras

Do Festival da Mandioca à Sombra da Jaqueira – marcos identitários do povo lagartense

Compartilhe:

 

Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)

 

Quando publiquei meu primeiro livro, Centrifugação (poema), em 1999, afora o poeta Assuero Cardoso, somente haviam enveredado por esta seara, até aquela presente data, os grandes nomes da cultura lagartense de tempos remotos e de tempos recentes, a exemplo de Sílvio Romero, Laudelino Freire, Abelardo Romero, Luiz Antonio Barreto, Aglaé d´Ávila e Beatriz Gois Dantas. De lá para cá, a cultura livresca e os lançamentos de livros se tornaram comuns na cidade de Lagarto. Embora, ainda precisemos melhorar muito no que diz respeito à cultura da leitura e, também, na frequência e participação nesse tipo de evento.

Diante disso, pode-se hoje falar, sem sombra de dúvidas, da existência de uma historiografia lagartense consolidada, bem como de uma literatura do mesmo gênero, seja em profusão, seja em qualidade e compromisso com a cultura local. Isto, particularmente, me alegra, pois não me sinto mais sozinho e cheguei à grata conclusão de que estamos num bom caminho, sobretudo no que se refere ao nosso amadurecimento intelectual, artístico, educacional e cultural, além da promoção do saber e do saber fazer. Que a máxima do livro que diz que, na estante de um lagartense, livro só serve para decorar ou para juntar poeira caia por terra, em definitivo.

Autores e organizador do livro Na Sombra da Jaqueira: da esquerda para a direita, Jean Francisco, José Canoa, Roberta, Yasmin, Catarina, André e Rita

 

Dito isto, na última sexta-feira, dia 17 de julho, no Rotary Club de Lagarto, foram lançados dois livros de uma só vez: Na sombra da jaqueira e Festival da Mandioca (Lagarto-SE), uma ideia que ficou na história. O primeiro foi organizado pela Profª Drª Rita de Cássia Barcellos Bittencourt, docente da Universidade Federal de Sergipe (Campus Lagarto). A obra reúne textos de seis autores, a saber: André Barbosa de Santana, Catarina da Costa Santos de Alexandria, José Canoa dos Santos, Roberta Amaral de Jesus Santos, Jean Francisco Oliveira Souza e Yasmim Carvalho Freitas de Figueiredo.

Fiquei lisonjeado com as referências feitas à minha pesquisa histórica local nos textos de Rita de Cássia Barcellos Bittencourt (Uma breve história de Lagarto) e de Catarina da Costa de Alexandria (Lagarto: coração do centro sul sergipano).  Na sombra da jaqueira discorre, ainda, sobre temáticas como o termo “papa-jaca” (alcunha identitária do povo lagartense), a presença da África em Lagarto (Quilombolas e outros), Taieira, Parafusos e outras manifestações folclóricas, iguarias (a exemplo da maniçoba), musicalidade, silibrina e quadrilhas e festas juninas. Como se vê, notadamente, uma análise sobre a cultura popular local, em seus aspectos diversos.

Há algum tempo, venho sendo acionado e provocado para discorrer sobre o Festival da Mandioca, como em reportagem recente feita pelos alunos do curso de Jornalismo da UFS, intitulada Cultura local ou tradição inventada?; e, entre tantos escritos a respeito, destaco um artigo que publiquei no portal Lagarto Notícias para pontuar a importância do saudoso José Valmir Monteiro para este evento  – Festival da Mandioca – Para Lagarto-SE, a Valmir Monteiro o que é de Valmir Monteiro. Na ocasião, faço, inclusive, um apanhado histórico do festival.

Pedro Ivo Luís de Andrade, fotógrafo profissional da Impact Formaturas e Fotografias (Lagarto-SE) é organizador da segunda obra que cito neste texto: Festival da Mandioca (Lagarto-SE), uma ideia que ficou na história. Obra que conta com as participações e textos de André Barbosa de Santana e Catarina da Costa Santos de Alexandria, responsáveis, também, pela pesquisa histórica. O livro é um primor visual, contendo imagens marcantes do festival e com fotografias, em estúdio, das Rainhas da Mandioca, incluindo um portfólio biográfico para cada uma delas. Vale destacar que o festival surgiu em 2008, graças a iniciativa dos jovens André Barbosa, George da Colosso e do empresário Charles Brício, estes últimos estiveram presentes ao evento, quando puderam dar seu testemunho e estimular a continuidade e valorização do evento, independentemente da cor político-partidária que esteja à frente da gestão municipal. Dado que, o Festival da Mandioca, hoje, além de ser apartidário, é um marco identitário significativo de nossa gente.

Entre as inúmeras pessoas presentes ao lançamento das obras, num evento bastante concorrido, além deste que vos escreve, destaco o professor Rusel Barroso, o empresário Charles Brício (como já disse) e sua esposa, Elciane, o vereador Josivaldo da Equoterapia, Matheus Corrêa e a ex-prefeita de Lagarto, Hilda Ribeiro. Foi uma noite muito intensa e movimentada, na qual pudemos, além de prestigiar as novas publicações e seus autores e autoras, também as apresentações da Banda Arrasta Pé, do Grupo Folclórico Parafusos e da Quadrilha Unidos em Arrasta Pé, além da abertura da exposição fotográfica Rainhas, de Érica Karem e curadoria de André Barbosa.

Reitero meus cumprimentos a todos os envolvidos nestes projetos, de igual modo aos familiares, parceiros e colaboradores, e ressalto, como última observação, que as publicações destas obras só foram possíveis em razão do financiamento público da cultura brasileira, por meio de recursos federais disponibilizados pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Projeto este, que só em Lagarto, nos últimos dois anos, promoveu lançamentos de outras obras, peças teatrais, audiovisuais, performances musicais, entre outros produtos culturais que tornam a cidade de Lagarto ainda mais pujante no cenário sergipano e nacional.

 

Compartilhe:
Claudefranklin Monteiro

Professor doutor do Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe.

Posts Recentes

Petrobras inicia implantação dos gasodutos do SEAP em Sergipe em 2027

Diretora da Petrobras confirma início da infraestrutura do SEAP em 2027; projeto pode transformar Sergipe…

18 horas atrás

Banese entra para seleto grupo do Bacen composto por apenas 65 conglomerados financeiros

Banco Central reenquadrou banco sergipano no Segmento S3 após crescimento sustentado; mudança reconhece novo porte…

22 horas atrás

1° Fórum Meio Ambiente e Tecnologias de Sergipe acontece nesta quinta-feira, 30 de julho

Evento será realizado no auditório da Federação das Indústrias, em Aracaju, e contará com a…

23 horas atrás

Quando o Instagram para, o seu negócio para também?

  Por Cleomir Santos, consultor de marketing digital (*)   as últimas semanas, usuários do…

1 dia atrás

Fundo do mar de Sergipe atrai disputa de R$ 3 bi por árvores de Natal molhadas

  OneSubsea, Baker Hughes e TechnipFMC disputam fornecimento de 32 equipamentos submarinos para o projeto…

1 dia atrás

O futuro do petróleo e do gás brasileiro passa por Sergipe

  Hoje o nono maior produtor do país, Sergipe aposta no Projeto Águas Profundas para…

2 dias atrás