Posse do venerável mestre da Cotinguiba, Renivaldo Benigno, ocorrida no dia 20 de maio
Por Manuel Luiz Figueiroa (*)
Sob a abóbada celeste, onde os antigos sábios enxergavam as galáxias, como a geometria sagrada do Universo, timbre do Grande Arquiteto do Universo reunimo-nos nesta noite para testemunhar um dos mais elevados momentos da vida maçônica: a investidura de um Mestre Maçom ao cargo de Venerável Mestre. Não é apenas uma posse. É uma passagem simbólica. É o encontro entre o homem e a responsabilidade de conduzir outros homens na eterna construção do Templo Interior.
Desde os iniciados do Egito antigo até os filósofos pitagóricos da Grécia, os homens compreenderam que a matemática transcende os números: ela revela a ordem secreta da Criação.
Pitágoras ensinava que o Universo vibra em proporções e harmonias invisíveis. E a Maçonaria, herdeira simbólica das antigas escolas iniciáticas, preserva essa visão ao utilizar a geometria como linguagem espiritual.
O esquadro, o compasso e a régua não são apenas instrumentos operativos: São símbolos da arquitetura moral do homem: o esquadro corrige nossas imperfeições, o compasso limita nossas paixões e a régua mede nossos atos diante da eternidade.
Mas, a matemática sagrada vai além das ferramentas. Ela se manifesta em padrões que revelam a inteligência silenciosa do cosmos.
No Triângulo de Pascal, cada número nasce da união de dois outros. Nada existe isoladamente. Cada linha sustenta a próxima. Assim também é uma Loja Maçônica: cada irmão fortalece o outro, e da união das individualidades nasce a grandeza coletiva. O Triângulo de Pascal nos ensina que toda construção sólida depende da continuidade da transmissão do conhecimento, da tradição e da fraternidade.
O Aprendiz aprende com o Companheiro.
O Companheiro amadurece entre os Mestres.
E os Mestres conduzem a Luz recebida das gerações anteriores.
Da mesma forma, a Espiral de Fibonacci revela que o crescimento verdadeiro ocorre em harmonia com a natureza e com as leis universais. Presente nas galáxias, nas conchas marinhas, nas flores e nos movimentos da vida, ela demonstra que o progresso não é caos: é expansão ordenada. Assim também deve ser a caminhada do maçom.
Cada grau representa uma ampliação da consciência.
Cada experiência amplia a compreensão da Luz.
Cada desafio transforma a pedra bruta em pedra polida.
E quando contemplamos o Triângulo de Sierpiński, vemos surgir um dos mais profundos símbolos do infinito: uma estrutura aparentemente simples, mas que se repete eternamente em escalas cada vez menores, revelando que o todo está contido em cada parte.
O Triângulo de Sierpiński nos lembra que o conhecimento iniciático nunca termina. Quanto mais avançamos em direção à Luz, mais percebemos a vastidão do mistério.
O próprio Templo de Salomão simboliza essa perfeita integração entre matéria e espírito, entre ciência e transcendência, entre filosofia e esoterismo.
Hoje, ao assumir o Oriente, Vossa Venerância torna-se guardião dessa harmonia invisível.
O Oriente representa o nascer da Luz. É o ponto simbólico onde a consciência supera as trevas da ignorância. Por isso, o Venerável Mestre não assume apenas um cargo administrativo: assume a missão iniciática de irradiar equilíbrio, sabedoria e união.
O malhete que hoje recebe representa mais que autoridade. Representa ritmo. Representa cadência. Representa a pulsação harmônica da Oficina. Que Vossa gestão saiba unir: a razão da filosofia, a profundidade do esoterismo e a beleza da matemática sagrada. Que compreenda que uma Loja forte não se constrói apenas por rituais impecáveis, mas, principalmente pela harmonia entre os Irmãos, tão necessária nos tempos que vivemos.
Porque, assim como no Triângulo de Pascal cada elemento depende do outro, assim também nenhum Irmão caminha sozinho.
Assim como na Espiral de Fibonacci a expansão ocorre em perfeita ordem, também a Loja prospera quando cresce em sabedoria, equilíbrio e fraternidade.
E assim como no Triângulo de Sierpiński o infinito habita cada fractal, também a essência da Maçonaria vive em cada gesto silencioso de união, respeito e solidariedade.
Que jamais permitamos que as vaidades humanas rompam a geometria sagrada da fraternidade.
Pois quando os Irmãos vivem em harmonia, o Templo se ilumina.
Quando a tolerância supera as diferenças, as colunas se fortalecem.
Quando o amor fraternal prevalece, o Grande Arquiteto do Universo manifesta-se entre nós.
Que nossas palavras sejam precisas como a geometria.
Que nossas ações sejam equilibradas como as proporções universais.
E que nossos corações vibrem eternamente na frequência sublime da União Fraterna.
Porque a verdadeira grandeza da Maçonaria não está nas insígnias, nem nos títulos, nem nos cargos. Ela reside na harmonia entre os Irmãos. E é essa harmonia que transforma operários em condutores da Luz.
Que o Grande Arquiteto do Universo abençoe esta nova gestão, fortaleça esta Oficina e mantenha eternamente acesa entre nós a chama da Fraternidade, da Sabedoria e da Luz.
Como é bom que os irmãos convivam em união.
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