Cotidiano

 Raiva! O adubo do ódio

Compartilhe:
Valtênio Paes (*)

A pessoa está tranquila fazendo atividade de rotina, de repente derruba um objeto causando insatisfação e, enfurecida, reage com palavrões ou violência física. Um conhecido chutou o carro porque apareceu  um defeito. Após colidir seu veículo com outro, um músico atirou seu bebê sobre o para-brisa, conforme noticiado na folha de S. Paulo, no dia 4 de fevereiro de 2003. Políticos se digladiam aos extremos chegando aos assassinatos. É a raiva chegando ao ódio. A palavra raiva é proveniente do latim rabia, de rabies, “loucura, fúria, delírio, frenesi, violência”. Já o ódio, do latim odium, significa profunda inimizade, aversão, antipatia, repugnância, rancor violento, sentimento de repulsão, horror. Variam entre as pessoas ou outros animais.

Em que pese ser sua manifestação mais amena que o ódio, a raiva pode desencadeá-lo. No trabalho, a inveja se associa à raiva que aduba o ódio, chegando uma pessoa perseguir até excluir a outra do ambiente. No esporte, chega-se a agredir e até mutilar a outra pessoa. Na pandemia rejeita-se a vacinação mesmo sabendo do risco de contaminar o semelhante, podendo levá-lo à morte. Por vezes, amantes ou cônjuges desistem do amor e transformam a raiva em ódio com a separação.

Para Buda,

“guardar raiva é como segurar um carvão em brasa com a intenção de atirá-lo em alguém; é você que se queima… A raiva, o ódio e toda a dor que estes sentimentos despertam nas pessoas podem provocar feridas difíceis de cicatrizar… por isso, reflita sobre as suas ações e palavras antes de descarregar alguma frustração ou irritação em cima das pessoas que você ama e estão próximas de ti. Praticar o bem, abster-se do mal e purificar seus pensamentos, são os mandamentos de todo iluminado”.

 

O corpo humano sente os efeitos através do estresse com a descarga de adrenalina no organismo. Aumenta a pressão e os batimentos cardíacos, surgem tonturas, vertigens, tremores, inquietação e insônia. O fígado e o cérebro podem adoecer. O estresse emocional decorrente do ódio e raiva pode estar associado às doenças cardíacas, problemas intestinais, dores de cabeça, insônia e distúrbios autoimunes. Raiva pode provocar coágulos que reduzem o fluxo de sangue ao cérebro, ensejando o derrame.

Quem deseja maldade a outra pessoa está movida pela raiva e pode chegar ao ódio, caminho curto para a prática da violência ao irracionalizar a vivência humana. De tanto exercitar a raiva pode-se estar construindo uma poupança de ódio, dificultando a presença do amor. Extravase para o bem interior.

Conte até 10, 100, perdoe, saia do ambiente, trabalhe a respiração, reconheça, escreva sobre o fato, avalie antes o sentido e a serventia do acontecimento estimulador. Faça exercícios, ore, pratique a compaixão e gratidão.  Assim, elimina-se a raiva e o ódio. Quem fortalece a raiva aduba o ódio. Rejeitemos suas práticas para que desapareçam. Deletemos do nosso dicionário emocional a raiva e o ódio. O corpo, a mente, o semelhante e o amor agradecem.

(*) Valtênio Paes de Oliveira é professor, advogado, especialista em educação, doutor em Ciências Jurídicas, autor de A LDBEN Comentada -Redes Editora, Derecho Educacional en el Mercosur- Editorial Dunken e Diálogos em 1970- J Andrade.

** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do autor.  Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.

Compartilhe:
Valtenio Paes de Oliveira

(*) Professor, advogado, especialista em educação, doutor em Ciências Jurídicas, autor de A LDBEN Comentada-Redes Editora, Derecho Educacional en el Mercosur- Editorial Dunken e Diálogos em 1970- J Andrade.

Posts Recentes

Viaduto do Complexo Maria do Carmo será entregue no dia 27 de maio

Com investimento inicial superior a R$ 318 milhões, o Complexo Viário Senadora Maria do Carmo…

12 horas atrás

Prefeitura promove curso de educação financeira na Casa Freitas Brandão

A Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Família e da Assistência Social…

16 horas atrás

Cresce oferta de milho verde na Ceasa Aracaju com proximidade das festas juninas

  Em junho, Coderse vai montar 46 bancas em espaço coberto exclusivo na Central de…

18 horas atrás

Um fato histórico da mais alta relevância para a Maçonaria

  Por Rivaldo Frias (*)   1883: A REUNIFICAÇÃO DA MAÇONARIA BRASILEIRA E a fusão…

2 dias atrás

Mãe: onde a vida começa e o amor nunca acaba

  Por Luiz Thadeu Nunes (*)   ntes de aqui aportar, foi no ventre de…

3 dias atrás

Riachão do Dantas festeja 156 anos com exposição e lançamento de livro do escritor Francisco Dantas

O município de Riachão do Dantas, a 97 quilômetros de Aracaju,  celebra neste sábado, 9…

3 dias atrás