Câmara Federal e sua nova composição Foto:Marcello Casal JrAgência Brasil
O Partido Liberal (PL) elegeu a maior bancada da Câmara dos Deputados nas eleições de 2026 e terá 121 dos 513 parlamentares na próxima legislatura, que começa em 1º de fevereiro de 2027. O partido conquistou 24 cadeiras a mais do que na eleição anterior e ficará à frente da Federação Brasil da Esperança (PT-PCdoB-PV), segunda maior força da Casa, com 88 deputados.
A nova composição da Câmara também terá 183 deputados federais exercendo o primeiro mandato, o equivalente a uma renovação de 35,67%. Os parlamentares eleitos no domingo (4) representarão os estados e o Distrito Federal na 58ª Legislatura, de 1º de fevereiro de 2027 a 31 de janeiro de 2031. Os resultados oficiais podem ser consultados no sistema de resultados do TSE.
Outros 301 deputados federais foram reeleitos, o que representa 58,6% do total de parlamentares eleitos titulares em outubro de 2022 ou de suplentes que foram efetivados como titulares ao longo da 57ª Legislatura.
Há ainda 29 ex-deputados federais, que exerceram mandato em legislaturas anteriores à atual e voltarão à Câmara.
De acordo com a Câmara dos Deputados, o índice de novos deputados mantém a renovação da Casa em patamar próximo ao registrado nas últimas eleições.
Com 121 deputados, o PL ocupará sozinho cerca de 23,6% das 513 cadeiras da Câmara e terá a maior bancada partidária da próxima legislatura.
A advogada e professora doutora de Direito Constitucional Damares Medina explica o peso político de ter a maior bancada da Casa.
“É importante porque cada cadeira é poder. Cada uma delas significa influência, o jogo e vetores do que vai definir como a autoridade no Congresso Nacional é distribuída”, disse Damares.
A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, terá a segunda maior bancada, com 88 deputados, seis a mais do que na eleição anterior.
Confira a distribuição das bancadas partidárias na Câmara dos Deputados eleita:
A advogada ouvida pela Rádio Nacional explica que a formação de grandes blocos partidários garante prioridades.
“Uma vez formados, esses blocos têm imenso poder na distribuição de orçamento, na distribuição de emendas parlamentares.”
Damares Medina também interpreta o recado dado pelos eleitores ao ampliar a presença de parlamentares do espectro conservador no Congresso. Para ela, esse movimento não é recente.
“Se analisarmos a série histórica, desde 1988, na Constituição [Federal], podemos identificar que, pouco a pouco, o espectro político esquerdo foi perdendo a disputa ideológica, o debate intelectual”, avaliou a advogada constitucionalista.
As eleições também ampliaram a presença feminina na Câmara. Foram eleitas 109 mulheres para a próxima legislatura, formando a maior bancada feminina da história da Casa.
O número representa crescimento de 21,1% em relação à atual bancada de 90 deputadas, com 19 cadeiras a mais. Das 109 eleitas, 59 foram reeleitas. Ainda assim, os homens ocuparão 404 das 513 cadeiras da Câmara.
Damares Medina comemora o número histórico de mulheres, mesmo que elas tenham posicionamentos políticos distintos em relação a pautas prioritárias.
“Porque não importa, cada uma a seu modo e à sua forma, traz a mensagem de que lugar de mulher é onde ela quiser. Não vou submeter uma representante popular eleita a um escrutínio hermenêutico a que o homem não é submetido.”
Os eleitos autodeclarados pretos e pardos conquistaram 135 cadeiras da Câmara dos Deputados, o equivalente a 26,3% dos 513 deputados federais da próxima legislatura.
O número representa redução de 2,9% em relação à bancada eleita em 2022, quando 139 candidatos pretos e pardos conquistaram mandato. Dos 135 eleitos em 2026, 77 são reeleitos.
No recorte de raça e cor, a base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou, ao todo, 10.206 candidaturas de pessoas negras para todos os cargos eletivos do pleito de 2026, correspondentes a 49,64% do total.
Entre os eleitos autodeclarados indígenas, três candidatos garantiram mandato de quatro anos na Câmara dos Deputados: Paulo Guedes (PT-MG), Juliana Cardoso (PT-SP) e Sônia Guajajara (PSol-SP).
Com esse número, a bancada indígena representará aproximadamente 0,58% dos 513 deputados, abaixo das cinco cadeiras conquistadas por indígenas na eleição de 2022.
Antes deles, Mário Juruna (PDT-RJ) exerceu mandato entre 1983 e 1987. Em 2018, Joenia Wapichana (Rede-RR) tornou-se a primeira mulher indígena eleita deputada federal.
Ao todo, a Justiça Eleitoral registrou 73 candidaturas de pessoas indígenas a deputado federal.
A eleição também produziu novos recordes de votação. O deputado reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG), de 30 anos, superou 3,11 milhões de votos e se tornou o deputado federal mais votado do país em 2026. O parlamentar superou a própria votação de 2022, quando recebeu 1,47 milhão de votos.
Em segundo lugar entre os candidatos à Câmara mais votados no país ficou Lucas Pavanato (PL-SP), de 28 anos, atualmente vereador de São Paulo e youtuber, com 3.038.438 votos.
A deputada Erika Hilton (PSol-SP) foi reeleita com mais de 1,5 milhão de votos e tornou-se a mulher mais votada da história para a Câmara dos Deputados. A parlamentar preside atualmente a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Casa.
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