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Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)

 

Sexta-feira. Acordo! Vejo pela janela o dia chuvoso. Gosto de dias chuvosos. Lembram minha infância. No outono da vida me descubro cheio de memórias. Sinto saudade da terra molhada, da manga que caía da árvore no amplo quintal da casa do meu avô Agripino Nunes, em Rosário, Maranhão. Lembro da algazarra dos passarinhos nas mangueiras. Ouço o cântico dos pássaros.

Mudou o tempo. Fiquei adulto, envelheci. O tempo seguiu seu curso. Hoje vivo tempos corridos. Um dia como hoje me faz voltar no tempo.

Porque tudo o que existe carrega em si a necessidade inerente de mudança, de transformação. Assim são as pessoas, todos os seres viventes — inclusive nossos sentimentos e a nossa maneira de pensar, ver e sentir.

Da mesma forma acontece com a natureza, que vive em constante processo de metamorfose. Há o tempo de preparar a terra, o tempo de semear, o tempo de germinar, o tempo de crescer, o tempo de o fruto amadurecer e, por fim, o tempo da colheita, ensinam as Sagradas Escrituras.

E há também o tempo do “adormecer”. Tempo de as folhas amarelecerem e caírem. Tempo que pode ser visto como um convite ao recolhimento, à reflexão, à preparação. Tempo de aguardar o renascimento vigoroso das plantas e das árvores que, por ora, se despem. Tempo de renovar tudo aquilo que for necessário.

Sem dúvida, é isso que faz o ciclo da vida acontecer continuamente, dia após dia, desde os primórdios da humanidade.

Enfim, estou no outono da vida— estação que é um convite à introspecção, à leitura de mim mesmo. Tempo de cuidar com mais delicadeza do que importa, de desacelerar, de pausar, de repousar. Tempo de olhar para a alma e reconhecer aquilo que é essencial.

Com a certeza de que nada renasce sem antes perecer, compreender que todo recomeço nasce da capacidade de mudar — de nos conectarmos com as forças interiores que, generosamente, a natureza nos oferece.

Então, se me permite um conselho, permita-se outonar. Faça as coisas que lhe dão prazer. Reserve um tempo só para você.

Tomo meu café devagar, degustando cada momento mágico que a vida me oferece. Sabendo que a vida é movimento, e tudo passa. Eu também passarei.

Chove lá fora!

 

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Luiz Thadeu Nunes

Engenheiro Agrônomo, jornalista, escritor e globetrotter. Autor do livro “Das muletas fiz asas”. E-mail: luiz.thadeu@uol.com.br

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