Outras palavras

Paulinho da Costa – o ritmo por trás do ritmo

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Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)

 

Earth Wind and Fire, Madonna, Miles Davis, Whitney Houston, Andrea Bocelli, Celine Dion, Nazareth, Toto, Lionel Ritchie, Bob Dylan, Eric Clapton, Eton John, Ella Fitzgerald, Aretha Franklin, Barbara Streisand, Roberto Carlos, Alice Cooper, The Jackson Five, Quincy Jones (de quem foi muito amigo), outra centena de artistas e bandas e, claro, Michael Jackson. Este último disse, certa feita, ao seu respeito: “O melhor percussionista do mundo”. Com Michael, participou de todos os seus álbuns solo a partir de Off The Wall, incluindo a criação da percussão de Thriller e do hino We Are the World.

Esta introdução já seria por si só suficiente para definir a importância do carioca Paulo Roberto da Costa para a música instrumental, de modo particular, a percussão, para a história da música universal. Não é à toa que é o único brasileiro a ocupar e receber uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood, em Los Angeles, onde mora há mais de cinquenta anos, com sua esposa, Arice da Costa, com quem é casado desde o início dos anos 70, pais de dois filhos.

Nascido em Irajá, bairro da Zona Norte do município do Rio de Janeiro, aos 31 de maio de 1948, Paulo da Costa cresceu em ambiente pobre, mas às voltas com a musicalidade típica desta parte do país, onde também nasceu e cresceu Zeca Pagodinho. Logo cedo, despertou interesse pelo pandeiro, tornando-se um dedicado estudioso da arte percussionista. Aos 15 anos de idade, fez sua primeira viagem internacional para a Rússia. A cada nova apresentação, seu talento evoluía, se diversificava e se consolidava, despertando a atenção de diversas pessoas da área musical.

A partir de 1972, sua vida mudou completamente após o convite do músico e pianista brasileiro, Sérgio Mendes (1941-2024), para compor seu grupo. Àquela altura, Mendes já era alguém muito conhecido e querido nos Estados Unidos da América, de modo particular, em Los Angeles. Daquela data em diante, Paulinho passou a ser disputado por grandes artistas e bandas, com inúmeros e intermináveis convites para gravar com ele em espetáculos e álbuns.

Tornou-se amigo de grandes nomes, a exemplo do jazzista Dizzy Gillespie (1917-1993), Norman Granz (1918-2001), grande produtor musical, e Quincy Jones (1933-2024), produtor musical, compositor, empresário, arranjador e produtor cinematográfico, grande responsável pelo sucesso de Michael Jackson. Amizades responsáveis por abrir inúmeras portas para Paulinho da Costa que, ano após ano, foi firmando seu nome entre os grandes, sobrevivendo, inclusive, a invasão dos chamados grooves sintéticos e eletrônicos.

Estas e outras informações sobre Paulinho da Costa podem ser conferidas no genial documentário “The Groove Under the Groove: Os Filhos de Paulinho da Costa – 2026” (1h e 29 min.), dirigido por Oscar Rodrigues Alves e roteirizado também por este em parceria com Bob Makela. O filme faz parte da programação atual da Netflix, que conta com depoimentos marcantes, a exemplo de Roberto Carlos, Alcione, Zeca Pagodinho, Ivete Sangalo, Carlinhos Brown, Gerson Benson, Ray Parker Jr., entre outros. Chama a atenção, logo de sua primeira cena, uma belíssima história sobre as origens africanas da percussão, notadamente do tambor, e de sua relação com a fome.

Fico muito feliz, nessa onda de redescoberta e revisita ao legado de Michael Jackson, de saber da contribuição singular do brasileiro Paulinho da Costa, um dos grandes representantes do talento do povo negro de nosso país, que, a exemplo de Pelé, faz o mundo se render aos seus encantos. Vale a pena conferir essa história de grande sucesso, que também teve as suas agruras.

Vida longa e saudável para o portelense Paulinho da Costa!

 

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Claudefranklin Monteiro

Professor doutor do Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe.

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