Outras palavras

Aracaju pela ótica arquitetônica de Eder Donizetti e Adriana Dantas

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Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)

 

No último dia 30 de maio, na livraria Escariz do Shopping Jardins, foi lançada a segunda edição (revisada e ampliada) do livro “Arquitetura Aracajuana: A imposição do tempo”, de autoria dos professores Eder Donizeti da Silva e Adriana Dantas Nogueira, ambos do Núcleo de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Sergipe. A primeira edição, de 2018, está disponibilizada no portal da EDUFS, no formato e-book.

A nova proposta editorial da obra está belíssima, em formato de álbum 31 x 22 cm, em capa dura, ricamente ilustrada em colorido, reunindo 400 fotografias de diversos exemplares arquitetônicos do centro da capital sergipana, entre elas, a saber: Ponte do Imperador, Catedral Metropolitana, Palácio Inácio Barbosa, Palácio Olímpio Campos, Igreja da Colina do Santo Antônio, Instituto Barreira Hortas (ou que resta de seu abandono), Arquivo do Memorial do Judiciário, Sobrado da OAB, Arquivo Público do Estado de Sergipe, Centro de Turismo e Comercialização Artesanal, CULTART (antiga Faculdade de Direito), Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, entre outros.

Afora uma série de casarios, tanto os que conservam a sua originalidade como os que foram modificados e até camuflados por placas comerciais, por exemplo, alguns destes com ilustrações em aquarela, de autoria de Adriana Dantas, que ajudam a compreender a sua temporalidade e beleza fundante. Visualmente, o livro é um primor. Como também uma peça que merece ornar salas e ambientes públicos e domésticos. Enfim, um produto cultural, que dialoga com a história a partir da concretude da cidade.

O livro “Arquitetura Aracajuana: A imposição do tempo” está dividido em três capítulos, dispostos em 196 páginas. É apresentado pela Profª. Dra. Vera Lucia Alves França, uma conceituada geógrafa sergipana, que além de destacar o esmero e o compromisso científico com que a obra foi elaborada, ressalta a forma como os autores lidaram com a temática, para além da análise arquitetônica, meramente tecnicista, feita apenas para uma bolha de especialistas da área.

É nesse particular que quero parabenizar os autores. Em especial, o senso crítico da obra, o olhar de lince que lançam sobre a arquitetura sergipana, tendo o compromisso de perscrutarem a história do lugar, o espaço arquitetônico como lugar de memória, mas, sobretudo, como entes que dizem muito além da massa, do edificado, do estilo, da forma, das cores, entre outros elementos caros aos artífices da construção, seja ela funcional ou não. “Arquitetura Aracajuana: A imposição do tempo” tem robusto esteio histórico e historiográfico, que revela o agir humano, seja na “imposição do tempo”, seja no que o exemplar arquitetônico dispõe.

Professores Eder Donizeti da Silva e Adriana Dantas Nogueira, autores do livro “Arquitetura Aracajuana: A imposição do tempo”

Outra coisa que chama a minha atenção nesta obra é a preocupação com a salvaguarda da memória e com a identidade arquitetônica, histórica e patrimonial de Aracaju, uma cidade que foi pensada e planejada para ser a nova capital de Sergipe a partir de 1855. E, doravante, agregando novas demandas arquitetônicas, advindas das imposições do tempo histórico, mas também, cultural, comercial, político, religioso e social.  Sem que para isso seus autores descurassem de sua seara, na análise que fazem dos remanescentes arquitetônicos na perspectiva dos símbolos, das tradições, da estética e de seus conceitos e das significações e ressignificações (nesse particular, destaco os prédios tomados pela ânsia comercial, suas modificações, abandonos, “maquiagens”, distorções e ocultamentos).

Entre as permanências, reminiscências e resistências, o livro nos apresenta uma Aracaju arquitetônica multifacetada, que em meio a um delírio urbano deste nosso tempo, subsiste como um lugar de memória assentado num pêndulo temporal, que ora nos leva para o século XIX, ora nos lança para o futuro, margeada por rios, paisagens naturais, pelo furor econômico e comercial, pelo fazer arte e cultura, respirando gente pelos poros de sua concretude.

 

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Claudefranklin Monteiro

Professor doutor do Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe.

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