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Por Antônio Carlos Garcia (*)

 

No final da década de 80, quando eu era repórter da sucursal da Tribuna da Bahia, em Feira de Santana, gostava muito de escrever numa coluna daquele diário chamada “Espaço Livre”. Cada jornalista dava asas aos verbos e deixava lá seus pontos de vista para a comunidade baiana. Lembro que, certa vez, soltei meus verbos, sinônimos, eufemismos e tudo mais, num texto chamado “Os brasileiros têm esperança”, no qual falava da esperança que esse povo tinha por dias melhores e suas contradições: se aboletava na sala para se alegrar com vitórias no esporte, como se o amanhã não existisse;  e parecia não se incomodar ao passar horas nas filas do INSS tentando atendimento médico que, às vezes, era agendado para depois da morte do moribundo.

Relendo na memória o texto escrito há décadas, é óbvio que as coisas mudaram bastante, mas algo continua ocorrendo da mesma maneira: os brasileiros continuam tendo esperança. E ai deles, se não fosse a esperança. Mas o que está fazendo para que esses dias cheguem? Na política, o brasileiro não acerta nas urnas. Os líderes que surgiram não tiveram luz. E tudo ficou no mesmo da mesmice. Ao longo deste anos, o que se viu foi uma sucessão de trapalhadas, com honrosas exceções. Algumas coisas foram boas. O Collor disse, certa vez, que aqui não havia carros, mas carroças. Isso feriu os brios das montadoras e hoje há carros maravilhosos por aqui, só para citar um dado positivo.

Mas certas mazelas nos perseguem. E vem lá do Planalto Central. O brasileiro preocupado com o Brasil tem a esperança de acabar com essa novela dantesca estrelada por dois ilustres protagonistas: Bolsonaro e Lula. Um transformou o Brasil em chacota mundial, diante do seu irascível comportamento de menino mimado, uma espécie de “enfant terrible”, com negacionismo e tudo o mais de ruim, enquanto que o outro acabou de piorar. O Brasil é um pária no mundo e dificilmente Lula será chamado novamente de “o cara”.

Os brasileiros esperam por dias melhores, não há dúvida. Mas como se, no país, desde a sua “descoberta” até os dias de hoje, reina a corrupção? Dom João VI fez escola ao criar o Banco do Brasil e depois raspar o cofre e levar todo o dinheiro para Portugal. De Dom João até agora, muitos rasparam o cofre.  Para completar, uns sei lá o que saem apoiando ditaduras pelo mundo afora. Os empedernidos sindicalistas, que se acham o último vestígio de moralidade, estão a pressionar o demiurgo a reconhecer o “companheiro” Nicolas Maduro como presidente eleito democraticamente na Venezuela. E também apoiar o grupo terrorista Hamas; ovacionar Putin, que invadiu a Ucrânia, dentre outras bizarrices. Como bem disse o jornalista e empresário baiano Joaci Góes, dono da Tribuna da Bahia, num artigo recente,  “País afora, a sensação é que o Governo Lula 3 acabou, de tal modo é dominante o sentimento do “quem ficar por último, apague a luz e feche a porta”.

As luzes de 2024 estão se apagando lentamente e a chegada de um ano novo tem o poder de renovar as esperanças. E o brasileiro, esse sujeito resiliente que ri da própria miséria, sabe muito bem o que é ter esperança. Para completar, o sábio que dividiu o tempo em anos, certamente o fez para que todos ganhássemos fôlego para recomeçar mais uma etapa. Com a fé de que dias melhores virão, sigamos na esperança. Não escutemos a dor e nem o medo, pois eles não nos levam a nada.

Com esperança, eu vou para onde tenha sol. É para lá que eu vou.

E você?

 

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