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Novo salário mínimo amplia renda, aquece consumo e reforça peso do Nordeste e Sergipe

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O reajuste do salário mínimo para R$ 1.621, a partir de 1º de janeiro de 2026, deve ter impacto significativo na economia de Sergipe, especialmente nos municípios e entre as famílias de baixa renda. Estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que, no Nordeste, a elevação do piso nacional tem efeito proporcionalmente maior sobre a massa salarial, sobretudo no setor público municipal e entre trabalhadores e beneficiários que recebem até um salário mínimo, perfil predominante na estrutura econômica do estado.

O novo valor do mínimo representa um aumento nominal de 6,79% — o equivalente a R$ 103 — em relação ao piso anterior, de R$ 1.518, e foi oficializado pelo governo federal por meio de publicação no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (24). O reajuste segue a política permanente de valorização do salário mínimo, instituída pela Lei nº 14.663/2023, que combina a reposição da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado em 12 meses até novembro, com o crescimento real da economia de dois anos antes, respeitando o limite de 2,5% imposto pelo novo arcabouço fiscal.

Para o cálculo de 2026, o INPC acumulado foi de 4,18% e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2024 atingiu 3,4%. No entanto, devido ao teto fiscal, o ganho real ficou limitado a 2,5%, resultando no reajuste total de 6,79%.

De acordo com o Dieese, cerca de 61,9 milhões de brasileiros têm rendimentos referenciados no salário mínimo. Com a elevação para R$ 1.621, o incremento de renda na economia brasileira será de aproximadamente R$ 81,7 bilhões em 2026. Esse impacto se distribui entre beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), trabalhadores formais, empregados domésticos, trabalhadores por conta própria e pequenos empregadores que recebem até um salário mínimo.

O estudo destaca que, no Nordeste, o efeito do reajuste é mais intenso nas administrações públicas municipais. Enquanto no serviço público federal e estadual a proporção de servidores que recebem até um salário mínimo é reduzida, nos municípios nordestinos esse percentual chega a cerca de 14%, o que faz com que o reajuste tenha maior repercussão sobre a folha de pagamentos e sobre a renda local.

O Dieese também chama atenção para a importância da retomada dos ganhos reais do salário mínimo após um período de estagnação. Entre 2019 e 2022, durante os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, o reajuste do mínimo ficou restrito à reposição da inflação, sem aumento real. “Esse modelo teve efeitos adversos sobre o poder de compra em contexto de inflação relativamente elevada”, afirma o departamento em nota técnica. Segundo o órgão, como os preços avançavam continuamente, a recomposição salarial ocorria apenas uma vez ao ano, o que levava à deterioração do salário mínimo real ao longo do tempo.

O impacto foi ainda mais severo sobre a alimentação. Entre 2020 e 2022, os preços dos alimentos subiram 44,3%, acima da inflação média, comprometendo de forma desproporcional o orçamento das famílias de baixa renda. Nesse contexto, a simples reposição inflacionária não foi suficiente para preservar o poder de compra do salário mínimo.

Apesar do avanço representado pelo novo reajuste, o Dieese ressalta que o valor do salário mínimo ainda está distante do necessário para garantir as condições previstas na Constituição Federal. Em novembro de 2025, o salário mínimo ideal para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.067,18 — o equivalente a 4,3 vezes o piso nacional que entra em vigor em janeiro de 2026. Esse cálculo considera gastos com moradia, alimentação, saúde, educação, transporte, lazer, vestuário e higiene.

Ainda assim, o departamento avalia que a valorização do salário mínimo continua sendo uma das políticas mais relevantes no combate à pobreza e à desigualdade no país. Parte do aumento das despesas públicas, especialmente com benefícios previdenciários, tende a retornar ao Estado por meio da arrecadação tributária, impulsionada pelo maior consumo. Em estados como Sergipe, onde a economia depende fortemente do mercado interno e da renda das famílias, o reajuste do mínimo tem papel estratégico na dinamização da atividade econômica.

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Antônio Carlos Garcia

CEO do Só Sergipe

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