Produção de motocicleta em Manaus Fotos: Ascom/Abraciclo
O Nordeste se consolidou como o maior mercado consumidor de motocicletas do Brasil nos nove primeiros meses de 2026. Entre janeiro e setembro, foram emplacadas 592,5 mil unidades na região, o equivalente a 33,2% das vendas nacionais. O resultado colocou os estados nordestinos à frente do Sudeste, que registrou 580,7 mil motocicletas, ou 32,6% do total. Os números integram o levantamento divulgado nesta terça-feira (13) pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo).
A liderança nordestina ocorre em um ano de expansão do mercado brasileiro de duas rodas. De janeiro a setembro, o país registrou 1.783.972 motocicletas emplacadas, crescimento de 10,5% em relação ao mesmo período de 2025. Foram 169.776 unidades adicionais, desempenho que estabeleceu um novo recorde de vendas para os nove primeiros meses do ano.
O avanço da demanda levou a Abraciclo a revisar suas expectativas para 2026. A entidade elevou de 2,07 milhões para 2,1 milhões de unidades a previsão de produção nacional, crescimento de 6% sobre 2025. Também aumentou de 2,3 milhões para 2,35 milhões a estimativa de motocicletas comercializadas no mercado interno, volume 6,9% superior ao registrado no ano passado.
Na distribuição regional das vendas, o Sul aparece na terceira posição, com 233,1 mil motocicletas emplacadas e participação de 13%. O Norte responde por 214 mil unidades, ou 12% do mercado, enquanto o Centro-Oeste registra 163,7 mil motocicletas, correspondentes a 9,2%. As informações têm como base os registros do Renavam, compilados pela Abraciclo.
Enquanto o Nordeste concentra a maior parcela das vendas, a fabricação brasileira de motocicletas permanece praticamente toda instalada no Polo Industrial de Manaus (PIM), no Amazonas. As montadoras produziram 1.645.034 unidades de janeiro a setembro, alta de 9,9% sobre o mesmo intervalo de 2025.
O resultado é o melhor para os nove primeiros meses do ano desde 2008. Somente em setembro, saíram das linhas de montagem 186.758 motocicletas, o maior volume registrado para esse mês desde 2011. Na comparação com setembro do ano passado, houve crescimento de 10,4%. Em relação a agosto de 2026, a produção recuou 8,5%.
O Brasil figura entre os seis maiores produtores mundiais de motocicletas. Segundo a Abraciclo, as empresas do setor de duas rodas mantêm mais de 21,9 mil empregos diretos em Manaus e mais de 154 mil em todo o país. A associação reúne 15 fabricantes.
Para o presidente da Abraciclo, Marcos Bento, o desempenho industrial acompanha as transformações na procura por motocicletas.
“O mercado atravessa um momento favorável, impulsionado por lançamentos e pelo crescimento da demanda. A motocicleta ganha espaço como alternativa de mobilidade ágil, econômica e acessível, reduzindo custos, tempos de deslocamento e contribuindo para a geração de renda de milhões de brasileiros”, afirma.
O crescimento acumulado do varejo contrasta com a estabilidade observada em setembro. No mês, foram emplacadas 205.120 motocicletas em todo o país, resultado 0,4% inferior ao registrado em setembro de 2025 e 0,1% abaixo do volume de agosto.
Considerando os 21 dias úteis, a média diária de vendas chegou a 9.768 motocicletas.
Apesar da pequena retração mensal, o resultado acumulado levou a Abraciclo a elevar sua projeção de emplacamentos para 2,35 milhões de unidades até dezembro, ante os aproximadamente 2,2 milhões comercializados em 2025.
As motocicletas da categoria Street, utilizadas principalmente nos deslocamentos urbanos, representam mais da metade da produção nacional. Entre janeiro e setembro, foram fabricadas 842.150 unidades, participação de 51,2% no total.
A segunda maior categoria é a Trail, com 328.636 motocicletas e 20% da fabricação. As motonetas aparecem em seguida, com 214.200 unidades e participação de 13%. Os scooters somam aproximadamente 150,4 mil unidades, equivalentes a 9%.
Em setembro, a produção de modelos Street chegou a 97.298 motocicletas, alta de 16,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Na comparação com agosto, houve redução de 5,2%.
As Trail registraram 36.946 unidades, crescimento anual de 5,1% e queda mensal de 14,2%. Já as motonetas somaram 24.400 unidades, aumento de 0,8% em relação a setembro de 2025 e recuo de 11,9% diante de agosto.
Outros segmentos apresentaram variações expressivas. A produção da categoria Naked alcançou 3.474 unidades em setembro, crescimento de 34,4% na comparação anual. Os modelos Sport somaram 1.917 unidades, avanço de 37%, enquanto as Super Sport chegaram a 356 unidades, alta de 84,5%.
O maior crescimento percentual anual foi registrado na categoria Sport Touring, cuja produção passou para 430 unidades em setembro, expansão de 388,6%. Na comparação com agosto, o aumento foi de 26,5%.
As demais categorias produziram, em setembro, 3.068 motocicletas Off-Road, 1.158 Big Trail, 1.608 Crossover, 739 Classic, 362 Cruiser e 131 Touring.
Embora as motocicletas menores continuem predominantes, a fabricação de modelos de alta cilindrada apresentou crescimento de 19,7% entre janeiro e setembro.
Nesse período, foram produzidas 46.543 motocicletas com motores acima de 450 cm³, equivalentes a 2,8% do total nacional.
As motocicletas de baixa cilindrada, com motores de até 160 cm³, responderam por 1.295.499 unidades, ou 78,8% da produção. Na faixa intermediária, de 161 a 449 cm³, foram fabricadas 302.992 motocicletas, correspondentes a 18,4%.
A mesma distribuição foi observada em setembro. Os modelos de baixa cilindrada somaram 145.418 unidades, participação de 77,9%. Os de média cilindrada alcançaram 36.566 motocicletas, ou 19,6%, enquanto os de alta cilindrada registraram 4.774 unidades, equivalentes a 2,5%.
Marcos Bento chama a atenção para a procura crescente por motocicletas de maior porte.
“Há um movimento crescente por modelos de maior desempenho, conforto e tecnologia. É um público que busca uma experiência de pilotagem diferenciada”, explica.
Os modelos equipados com motores flex, que permitem utilizar etanol ou gasolina, responderam por 62% da fabricação nacional de janeiro a setembro, com aproximadamente 1,02 milhão de unidades.
As motocicletas movidas exclusivamente a gasolina somaram 625,8 mil unidades, participação de 38%.
Embora representem a menor parcela da produção, os modelos a gasolina tiveram crescimento de 15,4% no período, superior aos 6,9% registrados pelas motocicletas flex.
O mercado externo acompanha a expansão da indústria brasileira. Nos nove primeiros meses de 2026, as fabricantes associadas à Abraciclo exportaram 36.489 motocicletas, crescimento de 23,7% em relação ao mesmo período do ano passado.
Em setembro, foram embarcadas 4.826 unidades. O volume representa queda de 8,2% na comparação com setembro de 2025, mas crescimento de 12,5% em relação a agosto.
Diante desses resultados, a Abraciclo aumentou de 45 mil para 48 mil unidades sua previsão de exportações para 2026. A nova estimativa representa expansão de 11,3% sobre o desempenho de 2025, acima dos 4,4% projetados anteriormente.
Com a revisão, a associação passou a trabalhar com expectativas mais elevadas para os três principais indicadores do setor: produção, vendas internas e exportações.
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