Negócios

Investimento de R$ 60 bilhões fará Sergipe liderar produção de petróleo no Nordeste

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A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou nesta sexta-feira (29) investimentos de cerca de R$ 60 bilhões em projetos de exploração e produção de petróleo e gás em águas profundas no litoral de Sergipe. O anúncio foi feito durante evento realizado na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen), em Laranjeiras, que marcou a retomada das atividades da unidade e contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os recursos integram o plano de negócios da Petrobras para os próximos cinco anos, que prevê investimentos globais de US$ 109 bilhões. Os aportes fazem parte do projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), considerado uma das principais apostas da estatal para ampliar a produção de petróleo e gás no país.

A solenidade também marcou a assinatura dos contratos para construção das plataformas que serão utilizadas nos projetos SEAP I e SEAP II. Segundo o superintendente executivo da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia (Sedetec), Marcelo Menezes, a formalização dos contratos representa um passo decisivo para a implantação do empreendimento. “Antes nós tínhamos uma perspectiva do projeto. Agora temos uma garantia de que ele vai acontecer, com cronograma e data para entrar em produção”, afirmou.

Magda Chambriard assina contratos Foto: Arthur Soares

Magda Chambriard detalhou que serão implantadas duas plataformas em águas ultraprofundas, cada uma com capacidade para produzir 120 mil barris de petróleo por dia. Juntas, as unidades deverão alcançar uma produção de 240 mil barris diários e processar 22 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. “Isso transforma Sergipe no maior estado produtor do Nordeste”, afirmou a presidente da Petrobras.

De acordo com a executiva, apenas os projetos ligados à produção deverão gerar cerca de 25 mil empregos diretos e indiretos. Os investimentos incluem ainda a construção de um gasoduto para transportar o gás produzido no mar até o território sergipano, além da implantação de toda a infraestrutura necessária para o escoamento da produção.

Para Marcelo Menezes, a consolidação do projeto cria um novo ambiente para atração de investimentos privados. Segundo ele, a segurança proporcionada pela assinatura dos contratos permitirá ao Estado intensificar as negociações com empresas interessadas em utilizar o gás natural como insumo industrial. A expectativa é atrair novos empreendimentos para setores como fertilizantes, química, petroquímica e transformação industrial.

Considerado um dos maiores projetos energéticos em implantação no país, o Sergipe Águas Profundas deverá gerar impacto estimado de R$ 75,5 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) sergipano ao longo dos próximos 30 anos, segundo projeções da Fundação Getulio Vargas (FGV). O empreendimento também poderá resultar na criação de cerca de 397 mil empregos ao longo de sua cadeia produtiva.

Tecnologia inédita

Durante o pronunciamento, Magda Chambriard destacou que as plataformas previstas para Sergipe contarão com uma solução tecnológica considerada inédita na indústria offshore. Cada unidade terá uma planta embarcada de processamento de gás natural.

“A gente tem pelo mundo plataformas que produzem petróleo e plataformas que produzem gás. Mas eu desconheço, e tenho mais de 40 anos nessa indústria, uma plataforma que tenha embarcada uma unidade de processamento de gás natural. E nós vamos ter uma unidade de processamento de gás natural em cada uma dessas duas plataformas”, afirmou.

Ela também defendeu que a ampliação da produção é o principal caminho para reduzir o preço do gás natural no país.

“O que abaixa o preço do gás natural não é trocar o gás natural de mãos. O que abaixa o preço do gás natural é investir com seriedade, aumentar esforço de produção, de compressão e de busca desse gás natural”, declarou.

Fafen e fertilizantes

Durante o evento, a presidente da Petrobras destacou a retomada das operações da Fafen Sergipe, considerada estratégica para ampliar a produção nacional de fertilizantes nitrogenados.

Lula com o governador Fábio Mitidieri e servidores da Fafen Foto: Arthur Soares

Segundo Magda Chambriard, a unidade deverá responder por cerca de 7% da demanda brasileira de fertilizantes nitrogenados. Ela informou ainda que a Petrobras avalia ampliar a capacidade produtiva das plantas localizadas em Sergipe, Bahia e Mato Grosso do Sul, aproveitando o aumento da oferta de gás natural proporcionado pelos novos investimentos.

De acordo com a executiva, os estudos apontam para a possibilidade de elevar a participação nacional na produção de fertilizantes nitrogenados para algo entre 70% e 75% da demanda do país.

“Nossa meta vai ser buscar a autossuficiência de fertilizantes nitrogenados”, afirmou.

Potássio e minerais críticos

Magda Chambriard também mencionou o potencial mineral de Sergipe e defendeu a discussão sobre uma eventual atuação da Petrobras na exploração de potássio, matéria-prima estratégica para a produção de fertilizantes.

“Aqui em Sergipe a gente tem também potássio. Eu gosto da ideia de explorar potássio. Gosto da ideia de explorar minerais críticos”, declarou.

Segundo ela, uma eventual participação da companhia no setor dependerá de alterações em seu objeto social e de uma discussão mais ampla com a sociedade brasileira.

Descomissionamento

Além dos investimentos em produção, a Petrobras anunciou a continuidade do programa de descomissionamento das plataformas de águas rasas localizadas em Sergipe. O processo envolve a retirada gradual de estruturas que já encerraram seu ciclo produtivo e deverá mobilizar investimentos de aproximadamente R$ 2,5 bilhões.

Plataformas da Petrobras estão hibernando Foto: Petrobras

Segundo a estatal, a iniciativa será conduzida com foco na recuperação ambiental das áreas exploradas e na geração de empregos durante as etapas de desmontagem, reciclagem e destinação dos equipamentos.

Com previsão de início da produção de petróleo em 2030 e de escoamento de gás a partir de 2031, o projeto Sergipe Águas Profundas deverá consolidar o estado como uma das principais fronteiras energéticas do país, ampliando a oferta nacional de gás natural, fortalecendo a indústria de fertilizantes e atraindo novos investimentos para a economia sergipana.

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Antonio Carlos Garcia

Editor do Portal Só Sergipe

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