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Lula defende soberania após decisão dos EUA sobre facções: “Não somos moleques”

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“Não aceitamos ser tratados como moleques”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (29), em evento em Sergipe, ao rejeitar a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. Foi a primeira reação pública de Lula ao anúncio feito na quinta-feira (28) pelo Departamento de Estado, chefiado pelo secretário Marco Rubio.

O presidente defendeu a soberania nacional e afirmou que o Brasil não é “uma republiqueta”. Em evento de anúncios de investimentos da Petrobras em Sergipe, disse estar “muito decepcionado” com a decisão norte-americana e garantiu que o combate às facções será conduzido internamente, com base na legislação brasileira.

Em resposta direta, Lula cobrou dos EUA a extradição de foragidos brasileiros residentes em território norte-americano. Citou nominalmente o ex-deputado Alexandre Ramagem — condenado por envolvimento em tentativa de golpe de Estado e residente nos EUA enquanto aguarda processo de asilo — e o empresário Ricardo Magro, dono do Grupo Refit, apontado pela Polícia Federal como um dos maiores devedores tributários do país e foragido em Miami. “Eu entreguei para o Trump o nome dele e a fotografia da casa dele”, disse o presidente.

Lula também apontou o estado norte-americano de Delaware como paraíso fiscal utilizado por criminosos brasileiros para lavar recursos e reintroduzi-los no país, com base em monitoramento da Polícia Federal, da Receita Federal e do Ministério da Fazenda. “Quer combater o crime organizado? Me entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos“, afirmou.

O presidente criticou ainda a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Washington, onde se reuniu com Trump na terça-feira (26) e com Rubio na quarta-feira (27). “Não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria, de ir nos Estados Unidos pedir intervenção norte-americana no Brasil“, disse Lula.

Nota do Planalto

Palácio do Planalto divulgou nota antes do discurso presidencial, na qual afirma que medidas unilaterais não negociadas “podem enfraquecer o combate aos criminosos”, “reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias” e “afetar o sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX“.

Íntegra da nota oficial:

“O governo brasileiro reforça as ações que vem tomando no combate ao crime organizado. É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram com o tarifaço.

Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros.

Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país.

A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança.”

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