Outras palavras

Há muito tempo em uma galáxia não muito distante

Compartilhe:

 

Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)

 

 “Os velhos cuidam dos novos e os novos cuidam dos velhos”. É sobre a importância do cuidado que a nova franquia do Star Wars está inserida. Lançada em 1977 por Steven Spielberg, ao longo de quase cinco décadas chega ao seu décimo segundo filme: O Mandaloriano e Grogu. A crítica não gostou, mas a exemplo do que aconteceu com a cinebiografia de Michael Jackson, o público está amando e os fãs da saga mais ainda, dentre os quais eu me incluo. Em linhas gerais, como se diz no popular o filme é “um fofo”. Aliás, se houve excesso nele foi exatamente o de fofura.

Recordemos a saga Star Wars até o presente momento, não necessariamente por ordem cronológica, mas de acordo com a sua sequência narrativa: A Ameaça Fantasma (1999); Ataque dos Clones (2002); A Vingança dos Sith (2005); Han Solo (2018); Rogue One (2016); Uma Nova Esperança (1977); O Império Contra-Ataca (1980); O Retorno de Jedi (1983); O Mandaloriano e Grogu (2026); O Despertar da Força (2015); Os Últimos Jedi (2017); A Ascensão Skywalker (2019).

Meu primeiro contato com a saga foi ainda no final dos anos 70, quando eu mal tinha seis anos de idade. Minha geração não teve o acesso à informação como temos hoje. Assim, a melhor maneira de saber das novidades da indústria cinematográfica que aportavam no Brasil era exatamente a sala de cinema, o espaço propriamente dito. Em Lagarto, por aquela época, uma das grandes diversões era o Cine Glória, do saudoso Édson Dória, também conhecido por Edinho do Cinema. Lembro com nitidez o impacto que deixou em minha memória o cartaz de O Retorno de Jedi, para mim um dos mais lindos de toda a série.

Muito pequenino, acho que o primeiro que assisti foi O Império Contra-Ataca. Eu era amigo de infância do dono do cinema, Édson Júnior, e, em razão disso vi a vários filmes de graça, pois o local era vizinho à sua casa, separado apenas por uma porta estreita. A sessão na tela foi algo que me marcou profundamente, pois a trilha sonora de Star Wars (composta pelo maestro John Williams e executada pela London Symphony Orchestra), bem como a sua abertura, estão entre as melhores de todos os tempos.

No que diz respeito a O Mandaloriano e Grogu, compartilho da opinião do perfil de Instagram, Multiverso Comics, que disse em publicação recente: “(…) se mostrou um excelente filme para introduzir alguém a Star Wars”. É bem verdade que neste volume não aparece o mega vilão Darth Vader, mas quem, novamente, rouba a cena é o “bebê Yoda”, assim chamado por ele fazer parte da mesma espécie do mestre jedi Yoda, mentor de Luke Skywalker (Mark Hamill). Grogu é o companheiro inseparável do caçador de recompensas mandaloriano, Din Djarin, brilhantemente interpretado por Pedro Pascal.

O filme foi possível graças ao sucesso da série de três temporadas: The Mandalorian (2019), criada por Jon Favreau, um ator, diretor, comediante e argumentista norte-americano. A história se passa entre os filmes O Retorno de Jedi e O Despertar da Força, portanto após a queda do Império e antes da criação da temida Primeira Ordem. Além de Pedro Pascal, conta com as participações de grandes estrelas do cinema universal, a exemplo de Sigourney Weaver (no papel da comandante dos rebeldes, Ward) e de Martin Scorsese, que fez a voz do alienígena Hugo, um cozinheiro símio, de quatro braços, da espécie Ardenniano.

Além dos incríveis efeitos visuais, das cenas de ação, notadamente as de luta, o filme O Mandaloriano e Grogu, tal qual a cinebiografia de Michael Jackson, é para quem é de fato fã. E, nesse sentido, não importa se ele vai “salvar a franquia” (como se ela estivesse em perigo) ou que não seja uma das melhores do todo. Importa que é Star Wars e cumpre, com dignidade e maestria, o papel de fazer as pessoas de qualquer idade se emocionar e sonhar. E, como disse, sair do cinema com a certeza de que o que vale mesmo nesta vida é cuidar de quem amamos.

 

Compartilhe:
Claudefranklin Monteiro

Professor doutor do Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe.

Posts Recentes

Obra de iluminação cênica na Ponte Construtor João Alves deixa tráfego em uma pista no sentido Aracaju/Barra

Em continuidade aos serviços de instalações elétricas e iluminação cênica da Ponte Construtor João Alves,…

15 horas atrás

A “guerra” da comunicação em Sergipe: Quem fala melhor ao coração do eleitor?

  Por Diego da Costa (*)   política moderna deixou de ser apenas disputa de…

17 horas atrás

Campanha orienta empresários sobre riscos fiscais de decisões por preço

  A escolha do domicílio fiscal de uma empresa pode representar muito mais do que…

23 horas atrás

Câmara aprova, em dois turnos, PEC pelo fim da escala 6×1

A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira (27), em dois turnos, a proposta de Emenda…

1 dia atrás

Governo de Sergipe entrega viaduto do Complexo Viário Senadora Maria do Carmo Alves

O governador Fábio Mitidieri entregou, nesta quarta-feira, 27, a primeira etapa do Complexo Viário Senadora…

2 dias atrás

São João: saiba como solicitar a ligação provisória para comércios temporários

  Com o início das festas juninas em várias regiões de Sergipe, cresce a demanda…

2 dias atrás