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As flores do jardim de nossa casa

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Claudefranklin Monteiro (*)

Nunca fui dado a admirar flores ou ficar absorto apreciando árvores. Com o tempo, não sei ao certo a partir de quando, tornei-me um entusiasta, nunca um poeta. Sim, porque este tem em si a expertise do verso e eu apenas a sutileza da sensibilidade. Quanto aos versos com que inicio o presente artigo, pura ousadia de quem apenas faz do pouco talento que resta um amontoado de palavras, nem sempre textos rebuscados, inspirados e longos, mas com intensão e vontade: de tentar perpetuar a agonia de meus pensamentos.

Durante a adolescência e início da fase adulta, chamava a minha atenção, mas sem maiores rompantes emotivos, um vasto pé de jasmim que tomava quase todo o espaço da área de ventilação do quarto de meu saudoso irmão, José Cláudio Monteiro Santos (1954-2005), no primeiro andar de uma casa de esquina, entre a Travessa Municipal e a Rua Senhor do Bonfim, 33, Lagarto-SE. Com seu falecimento, no dia 11 de julho de 2005, tal qual a canção de Roberto Carlos (1969), “as flores do jardim de nossa casa/ morreram todas de saudade de você”. Sucesso que também mereceu a interpretação de outros grandes nomes da música brasileira, a exemplo de Altemar Dutra (1940-1983) e de Aguinaldo Timóteo (1936-2021).

As flores também estão presentes em outras canções importantes, tais como: “As rosas não falam” (Cartola, 1976); “Flor de Lis” (Djavan, 1976); “Pra não dizer que não falei das flores” (Geraldo Vandré, 1979); “Flores” (Titãs, 1984); “Girassol” (Cidade Negra, 2002); “Choram as rosas” (Bruno e Marrone, 2005); e “Amores e Flores” (Melim, 2021). Só para citar algumas, apenas. Sem falar numa de minhas bandas de rock internacional favoritas (depois do Beatles, claro), cujo nome é “Guns N’ Roses”, cuja tradução é “armas e rosas”.

Campos verdejantes e jardins floridos talvez sempre habitaram meu subconsciente, mas ainda não haviam se apaixonado por minha consciência, descortinando para mim muito mais do que belezas. Também palavras e sentidos. Sim, sou do tipo que conversa com os animais, particularmente com nosso gato, o Che. E como ele me entende! E também o faço com as flores, mais de perto com um simples pé de rosas vermelhas intensas e aveludadas, que cultivo e cativo em minha casa, também em Lagarto. Todas as manhãs, me ponho de cócoras, e com um leve toque em suas folhas, botões ou flores, lhes dirigindo uma saudação de bom dia. Às sextas-feiras, no final da tarde, deposito em seu vaso, partículas da Sagrada Comunhão Eucarística, dissolvidas em água.

Do tempo em que esteve conosco até a presente data, aquela simples roseira sempre brota a me dizer, e também aos meus filhos e esposa, inúmeras coisas (isto mesmo, as rosas falam, Cartola!). Para além de minha imaginação ou mesmo do desejo que elas falem comigo, penso eu serem formas sutis de comunicação entre nós e Santa Teresinha e também com Nossa Senhora, ambas insignes intercessoras junto a Deus Nosso Pai e Senhor. Ele que é o sublime autor das flores do jardim de nossa casa, enquanto eu feneço aguardando também o momento de minha poda e coleta.

 

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Claudefranklin Monteiro

Professor doutor do Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe.

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