Incidental — Considerações Estéticas a Qualquer Momento

Dança e fusão cósmica do amor — A propósito de “Lua e Vênus”, de Gentil Monteiro

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Por Léo Mittaraquis (*)

 

O compositor Gentil Monteiro traz ao público mais uma bem elaborada composição. E esta encerra algo dum clima, de uma atmosfera que evoca o que há de mais lírico, no autor, ao contemplar aquela a quem ama.

Entretanto, não se deixa levar pelo lirismo barato, piegas. Este cuidado já fica patente pela escolha do gênero no qual interpreta a letra: o rock. Um rock bem pensado, bem elaborado, com forte conteúdo Bluesístico, o que é mais do que justificado: afinal, é uma história de amor.

Ao mesmo tempo, demonstra a mestria em trabalhar a proporção, sem incorrer nos clichês ruidosos. É rock sim, inclusive, também direcionado à celebração, no Dia Internacional do Rock, 13 de julho.

Gentil Monteiro transforma poesia, rock e sensibilidade em uma composição que leva o amor a uma dimensão quase cósmica

Porém, sem peso e nem dureza. A narrativa ergue um cenário musical e dramático, com Gentil travando diálogo sincero com a sensibilidade.

Há, também, uma cadência na letra que evoca o estilo das composições comuns nos anos 60 e 70. É nostalgia, porém sem tornar melancólica. Gentil sabe equilibrar os valores subjetivos.

Quanto à analogia central de “Lua e Vênus”, a proposta sugere, na minha leitura, um encontro que, sob a tensão corporal, transcende os limites terrestres.

Os amantes não apenas como pessoas, mas como corpos celestes que se aproximam e se fundem. Gentil desloca o amor do cotidiano e o coloca em uma dimensão épica, quase mitológica.

A composição infere que a união descrita não acontece por mera coincidência, mas por uma, digamos, inevitabilidade universal.

A ideia de que “um novo amor vai surgir” e “na retaguarda convém ficar” reforça a percepção de uma coreografia cósmica, a qual atua sob misteriosas leis que ditam o ritmo desse encontro.

Gentil explora, com habilidade estética, a intensidade do contato entre os corpos através de um termo que remete à física estelar, isto é, vale-se da ideia de “fusão”, e não apenas mera união.

A narrativa e o clima do arranjo musical sugerem, com propriedade, uma transformação alquímica, onde dois corpos, duas almas, dois corações, saltam de suas formas originais e criam algo novo e luminoso.

O compositor e intérprete sabe usar palavras, melodia, ritmo, harmonia muito bem.
Eis pois um produto cuidadoso com o qual, generosa e gentilmente, ele, no Dia do Rock, 13 de Julho, brinda aos amantes da boa música.

 

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Leo Mittaraquis

Léo Mittaraquis é graduado em Filosofia, crítico literário, mestre em Educação. Bodegário da empresa Adega 7 Instagram: @adega7winebar

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