Cultura

“Vim, vi e venci”: a estreia vitoriosa de Luis Osete no Prêmio Jabuti 2025

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Por Antônio Carlos Garcia (*)

 

“Vim, vi e venci.” A famosa frase do imperador romano Júlio César resume com precisão a jornada do jornalista, psicólogo e escritor Luis Osete, natural de Cardeal da Silva (BA), no 67º Prêmio Jabuti, o mais tradicional reconhecimento da literatura brasileira. Em sua primeira participação, Osete chegou, concorreu e venceu na categoria Escritor Estreante – Poesia com o livro Maracujá Interrompida, publicado pela Cepe Editora. A cerimônia de premiação aconteceu nesta segunda-feira (27), no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com apresentação de Marisa Orth e Silvio Guindane.

Luis Osete  explicou o sentido e a origem de sua obra vencedora:

“Para compor o livro, criei uma família fictícia, com base nas histórias de mulheres vítimas de violência que escutei durante o estágio em Psicologia numa unidade de saúde de Petrolina. Usei, por exemplo, a metáfora do corte do pé de maracujá para simbolizar a perda da mãe, por isso o nome Maracujá Interrompida. Esclareço isso com tanto cuidado porque acho importante estarem cientes. Não é uma história agradável de se ler, como não foi agradável escutar e muito menos escrever. É que, às vezes, precisamos colocar pra fora realidades que nos sufocam e que, embora pareçam distantes e chocantes, fazem parte da nossa sociedade”.

Selo do Prêmio Jabuti

De acordo com a curadoria do Jabuti, Maracujá Interrompida é “um longo poema sobre a suspensão e a elaboração do luto materno, em que o eu lírico observa a grande perda refletida na paisagem, travando um diálogo com a ausência presente”. O livro, que marcou a estreia literária de Osete, já havia sido premiado com o 8º Prêmio Hermilo Borba Filho de Literatura, promovido pela Secretaria de Cultura de Pernambuco, a Fundarpe e a própria Cepe Editora, antes de conquistar o Jabuti.

Na categoria Escritor Estreante – Poesia, Osete venceu concorrendo com as obras “Ninguém morreu naquele outono”, de Manoella Valadares (Editora Telaranha); “O sal e a sede”, de Guilherme Amorim (Editora Urutau); “Refinaria”, de Rodrigo Cabral (Editora Sophia); e “Touros e lagartos”, de Luana Bruno (Editora Urutau).

Voz sensível e inovadora

Radicado desde 2005 entre Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), Osete é uma das vozes mais sensíveis e inovadoras da nova geração literária do Sertão do São Francisco. Ele transita entre o Rio de Janeiro, onde cursa doutorado em Educação na UERJ e integra o grupo de pesquisa Kékeré, e as margens do Rio São Francisco, cenário e campo de suas investigações com crianças. Formado em Jornalismo pela UNEB e com estudos em Psicologia pela Univasf, o autor une o olhar do repórter e a escuta do pesquisador para compor uma escrita profundamente humana e social.

Com a conquista, Luis Osete reafirma o potencial literário do Vale do São Francisco, levando a poesia sertaneja e o olhar do interior nordestino para o centro da literatura brasileira contemporânea. Sua vitória traduz a essência da célebre sentença de César: ele chegou, viu e venceu — não com espadas, mas com versos que transformam em arte as vozes silenciadas do sertão.

Leia também: O escritor baiano Luis Osete é finalista do Prêmio Jabuti com Maracujá Interrompida

 

Registro do momento em que Luis Osete recebe o Prêmio Jabuti

 

 

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Antonio Carlos Garcia

Editor do Portal Só Sergipe

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