Luiz Thadeu no Café Martinho da Arcada, em Lisboa, à mesa onde Fernando Pessoa escreveu muitos de seus poemas Foto: Acervo pessoal
Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)
Desembarquei em Lisboa em uma tarde fria. Deixei a caliente Ilha do Amor, onde os termômetros acusavam 32°. Vim no voo inaugural da TAP de São Luís a Lisboa. O voo começou no aeroporto Cunha Machado, em São Luís, nas primeiras horas do dia 27/10, com uma escala de trinta minutos no aeroporto Salgado Pinto, em Fortaleza. Deixei para trás um Brasil em ebulição, após a eleição presidencial no segundo turno. Um país polarizado e dividido.
Como sempre faço, cheguei cedo ao aeroporto, um costume adquirido após perder um voo no longínquo ano de 1989. No aeroporto, autoridades e convidados estavam presentes para dar as boas-vindas aos passageiros que chegavam de Lisboa e aos que embarcavam no voo que já fez história. Muitos conhecidos estavam cruzando o Atlântico com destino às terras lusitanas.
Enquanto aguardava o início do check-in, na fila, um senhor passou por mim e citou meu nome. Olhei-o, tentando lembrar de onde o conhecia. “Leio suas crônicas todas as semanas no Jornal Pequeno. Gosto muito da sua forma de escrever”, disse ele. Citou inclusive os nomes dos meus filhos, Rodrigo e Frederico, algumas vezes citados nas crônicas. “Muito obrigado”, respondi. Fui o primeiro a fazer check-in, e ele e a esposa, os segundos.
Com tempo livre, entabulamos uma conversa. “Sou Carlos Armando, médico ortopedista”, apresentou-se. “Luiz Thadeu. Prazer em conhecê-los”, respondi. Já na sala de embarque, soube que eles estavam indo para Portugal visitar o filho e os netos. Acompanhado da esposa Eloísa, veio visitar o filho Carlos Armando, que tem o mesmo nome do pai. O filho é um globetrotter como eu, gosta de viajar pelo mundo e já morou em diferentes países.
Devido ao meu acidente e às consultas com diversos ortopedistas, passamos em revista vários deles que conhecemos. Despedimo-nos no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. Como preciso de assistência, não demorou a chegar Cipriano Luís, um angolano que me buscou na porta da aeronave e que reside em Lisboa há três anos. Ele transporta pessoas em cadeiras de rodas.
Ele fala com entusiasmo sobre os brasileiros, especialmente as brasileiras, a quem ele chama de “as minas mais belas do mundo”, citando gíria carioca. Em dezembro, ele embarca para o Brasil. Vai para o Nordeste; quer conhecer uma brasileira “com fogo na saia”, diz sorrindo. “As moças daqui são muito frias; gosto do jeito caliente das brasileiras. Aqui as moças não têm sal”, no que concordo plenamente. Se tem uma coisa que nos distingue em todo o mundo, são as mulheres.
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