Caminho tranquilo ao entardecer Imagem feita a partir da IA
Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)
Sábado, final de tarde. Aproveito que estou sem compromissos e resolvo percorrer parte da cidade. Sou andarilho em minha aldeia e turista pelo mundo. Atravesso a ponte que liga a ilha ao continente e faço uma viagem no tempo. Cruzo a cidade para visitar lugares por onde não caminhava há anos. Lugares onde já pertenci. Hoje, não mais. Tempos da infância, da adolescência. Pululam memórias. Lembranças de pessoas que já se foram. Tenho a impressão de vê-las novamente sentadas na porta, em cadeiras de macarrão colorido, a palavrear, sem se preocuparem. Tempo manso, sem pressa.
Olho para as casas que continuam lá, mas que não se lembram de mim. Eram casas de muro baixo, sem gradil, sem alarmes. Hoje, vejo essas coisas horrendas: cercas, grades, muros altos, câmeras por todo lado; lembram fortalezas. Tempos de isolamento. Tempos de distanciamento.
O passado continua vivo na memória, mas agora tudo tão estranho. Tudo mudou. O tempo seguiu seu curso. O tempo serpenteia, calmo e elegante; quando percebo, deixou tudo para trás. Graças à memória resgato um pouco de uma época que se foi, que se alojou no passado. Me entristece a pandemia de demências que vejo no meu entorno. Quando se perde a memória, joga-se fora a vida; acabam-se as referências. Por isso a importância dos amigos. São os amigos — guardiões de nossas memórias — parte fundamental da vida para sentirmo-nos vivos e, assim, seguirmos em frente.
A vida não avisa quando vai mudar, quando vai apertar, quando vai apartar. Quando vai tirar a gente do caminho que parecia seguro. E é justamente por isso que nos sentimos perdidos… porque tentamos controlar aquilo que nunca esteve sob nosso controle.
A vida passa depressa demais. Se não paramos para olhar em volta de vez em quando, podemos perdê-la. A vida é como água que pegamos com as mãos, mas que escorre entre os dedos, sem poder segurá-la.
Tudo tão corrido. Sigo isso aqui muitas vezes. E tem dias em que a vida parece mesmo passar-nos ao lado. Parece… e passa.
Por vezes, somos nós que a deixamos passar. Sim, deixamos passar a vida quando não nos permitimos viver. Deixamos passar a vida quando nos deixamos afogar no meio dos problemas e perdemos a vontade de encontrar soluções. Deixamos passar a vida quando perdemos a esperança e deixamos de ter sonhos. Deixamos passar a vida quando não curamos as nossas dores e ficamos reféns delas.
É pena quando paramos de viver, porque deixamos de olhar para as coisas bonitas que a vida nos dá. Só temos de ver a vida com gratidão e esperança. A vida é breve. Passa depressa, sim, mas aproveitemos bem o que ela nos oferece.
“Verdadeiramente, nada em mim sinto. Há uma desolação. Enquanto eu sinto. Se vivo, parece que minto. Não sei do coração. Outrora, outrora, fui feliz, embora só hoje saiba que o fui. E este que fui e sou, à margem, tudo passou, porque flui”, escreveu Fernando Pessoa.
Ter memórias é ter vida, e isso me acalanta.
É Páscoa, tempo de renascer, de esperançar. Feliz Páscoa para todos.
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