Negócios

Tarifas de Trump: Lula sem reação; economistas de Sergipe alertam impactos

Compartilhe:

 

Até o momento, o governo Lula não apresentou oficialmente o plano de contingência para enfrentar o novo pacote de tarifas unilaterais anunciado pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump. Segundo interlocutores do Palácio do Planalto há possibilidade de as medidas serem divulgadas ainda nesta terça-feira, 12, mas a apresentação depende do avanço na revisão da medida provisória (MP) que embasa o pacote. A ideia é detalhar item por item do plano para responder às sobretaxas impostas por Washington.

Embora Sergipe não tenha sido diretamente atingido pela lista de produtos tarifados, os reflexos econômicos tendem a chegar ao estado, segundo avaliação dos economistas Josenito Oliveira e Márcio Rocha.

Josenito Oliveira: impactos indiretos

Josenito lembra que os principais produtos sergipanos exportados para os Estados Unidos — petróleo bruto e suco de laranja in natura — ficaram de fora da taxação. “Diretamente, a gente não vai sofrer esse impacto, mas indiretamente sim, assim como o Brasil como todo”, afirmou. Ele destaca que Sergipe hoje depende menos do mercado norte-americano do que no passado, tendo a China como principal parceiro comercial.

Para o economista, a escolha de Trump foi estratégica: poupou produtos cuja substituição seria difícil para os EUA, como a laranja e o petróleo brasileiros, mas aplicou tarifas a itens que podem ser obtidos de outros fornecedores, como café e carne bovina. “O tarifaço está inserido em um contexto maior: a guerra comercial entre Estados Unidos e China e o fortalecimento do BRICS, bloco do qual o Brasil faz parte. Com Lula, que se aproximou da China e da Rússia, as dificuldades aumentaram”, avaliou.

Josenito também relaciona a irritação de Trump ao Brasil à questão das chamadas big techs. “Essas empresas financiaram a campanha dele e estão sendo cobradas aqui no Brasil. O STF aprovou que elas sejam responsabilizadas caso os usuários façam publicações indevidas, e isso significa mais custo e trabalho. Como financiaram a campanha de Trump, não querem ser regulamentadas no Brasil, e o Supremo votou a favor dessa regulamentação. Esse é outro motivo para ele estar enfurecido com o Brasil”, explicou.

Ele lembra ainda que a medida recebeu críticas de nomes como Paul Krugman, Nobel de Economia, e ex-presidentes do Banco Central dos EUA, que apontam ausência de justificativa técnica ou econômica. “Nos últimos sete anos, os EUA tiveram superávit comercial com o Brasil. Quando um país adota postura protecionista, normalmente está em déficit. Aqui, não é o caso”, frisou.

Queda considerável

 

Economista Márcio Rocha: Sergipe isento de impactos diretos Imagem: Livyan Holanda

Márcio Rocha, economista do Sistema Fecomércio, reforça que Sergipe ficou praticamente isento dos impactos diretos, já que 94% a 95% dos produtos exportados para os EUA estão fora da lista de tarifação. “Nossa balança comercial com os Estados Unidos é superavitária: exportamos US$ 51 milhões contra US$ 34 milhões em importações, saldo positivo de US$ 17 milhões”, afirmou.

Dados de julho deste ano, mostram que, de forma geral, as exportações sergipanas somaram US$ 20,9 milhões, queda de 60,1% em relação ao mesmo mês de 2024 e de 47,2% frente a junho. O suco de laranja congelado liderou a pauta, com US$ 15,4 milhões (73,3% do total), seguido por sucos de abacaxi (US$ 2,5 milhões) e limoneno (US$ 686,6 mil), que juntos representaram 88,7% das vendas externas. Os principais destinos foram Países Baixos (US$ 9,2 milhões), Estados Unidos (US$ 6,9 milhões) e Bélgica (US$ 2,8 milhões).

As importações alcançaram US$ 29 milhões, puxadas por partes de turbinas a gás (US$ 8,7 milhões), ureia (US$ 7,8 milhões) e máquinas com função própria (US$ 3 milhões). Os maiores fornecedores foram Estados Unidos (US$ 9,9 milhões), Nigéria (US$ 7,8 milhões) e China (US$ 6,6 milhões). A balança comercial fechou o mês com déficit de US$ 8,1 milhões.

Para Rocha, o impacto imediato pode recair sobre nichos específicos, como componentes elétricos produzidos por indústrias locais — por exemplo, resistências para chuveiros — mas tende a ser pequeno e possivelmente revertido em negociações futuras. “Isso é mais diplomacia do que efetividade econômica. No nosso caso, não estamos sendo tão afetados como poderíamos”, disse. O economista considera provável que Trump recue em parte das medidas, como já ocorreu em outros embates comerciais. “Não acredito que a sobretaxa passe de 10%”, previu.

Ele também destacou a postura do governador Fábio Mitidieri, que em Brasília defendeu que o Nordeste “não pode pagar a conta das disputas comerciais internacionais” e pediu proteção para setores estratégicos como frutas, pescado e sal. Para ele, a fala foi “inteligente e sensata”, sinalizando compromisso com o desenvolvimento regional e nacional.

Apesar de o impacto direto em Sergipe ser mínimo, ambos os economistas alertam para possíveis efeitos indiretos, como alta da inflação, valorização do dólar e alterações na balança comercial brasileira — fatores que inevitavelmente repercutem no estado. “Mesmo numa condição confortável, Sergipe pode ser abalado pelas consequências macroeconômicas dessas medidas”, concluiu Josenito.

 

Compartilhe:
Antônio Carlos Garcia

CEO do Só Sergipe

Posts Recentes

Feriado de 7 de setembro: confira o funcionamento dos serviços estaduais, municipais e de shoppings de Aracaju

Em razão do feriado nacional da Independência do Brasil, celebrado nesta segunda-feira, 7 de setembro,…

9 horas atrás

BC proíbe publicidade em comprovantes do Pix a partir de março de 2027

Os comprovantes de pagamento do Pix não poderão incluir publicidade, ofertas comerciais, links externos nem…

17 horas atrás

Ele, João Alves Filho, descrito por eles

  Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)   m novembro de 2020, pelo jornal Correio…

21 horas atrás

Produção de petróleo recua em Sergipe, mas gás natural cresce 16,1% no ano

A produção de petróleo em Sergipe voltou a recuar em julho, enquanto a extração de…

1 dia atrás

Senado: oposição obstrui e fim da escala 6×1 não vai a plenário

Sem ter segurança sobre os votos necessários para aprovar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC)…

2 dias atrás

CCJ do Senado aprova PEC que acaba com jornada 6×1

  A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (2), por votação…

2 dias atrás