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	<title>Arquivo para MPB - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
	<lastBuildDate>Sat, 27 Sep 2025 12:39:51 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Eu acredito é na rapaziada — Gonzaguinha, 80</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/eu-acredito-e-na-rapaziada-gonzaguinha-80/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Sep 2025 12:32:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outras palavras]]></category>
		<category><![CDATA[80 anos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Não é a primeira vez que escrevo sobre Gonzaguinha. Já o fiz por ocasião da pandemia de COVID-19[1]. Revisitar o tema se faz necessário por dois motivos. Primeiramente, em razão da celebração da memória de seus 80 anos de nascimento (22 de setembro de 1945), momento sempre &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/eu-acredito-e-na-rapaziada-gonzaguinha-80/">Eu acredito é na rapaziada — Gonzaguinha, 80</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Feu-acredito-e-na-rapaziada-gonzaguinha-80%2F&amp;linkname=Eu%20acredito%20%C3%A9%20na%20rapaziada%20%E2%80%94%20Gonzaguinha%2C%2080" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Feu-acredito-e-na-rapaziada-gonzaguinha-80%2F&amp;linkname=Eu%20acredito%20%C3%A9%20na%20rapaziada%20%E2%80%94%20Gonzaguinha%2C%2080" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Feu-acredito-e-na-rapaziada-gonzaguinha-80%2F&amp;linkname=Eu%20acredito%20%C3%A9%20na%20rapaziada%20%E2%80%94%20Gonzaguinha%2C%2080" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Feu-acredito-e-na-rapaziada-gonzaguinha-80%2F&amp;linkname=Eu%20acredito%20%C3%A9%20na%20rapaziada%20%E2%80%94%20Gonzaguinha%2C%2080" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Feu-acredito-e-na-rapaziada-gonzaguinha-80%2F&#038;title=Eu%20acredito%20%C3%A9%20na%20rapaziada%20%E2%80%94%20Gonzaguinha%2C%2080" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/eu-acredito-e-na-rapaziada-gonzaguinha-80/" data-a2a-title="Eu acredito é na rapaziada — Gonzaguinha, 80"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">N</span>ão é a primeira vez que escrevo sobre Gonzaguinha. Já o fiz por ocasião da pandemia de COVID-19<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a></span>. Revisitar o tema se faz necessário por dois motivos. Primeiramente, em razão da <strong>celebração da memória de seus 80 anos de nascimento</strong> (22 de setembro de 1945), momento sempre oportuno que a cultura nos oferece para manter vivo o legado de um artista ou personalidade. E, claro, por conta do <strong>momento político que estamos vivendo, em que à democracia brasileira têm sido impostos grandes desafios</strong>.</p>
<p>Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, para além de ser filho de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, conseguiu imprimir uma carreira própria, e um estilo específico também, transitando entre a MPB e o Samba. Teve seu primeiro trabalho fonográfico publicado no momento mais duro do regime militar brasileiro, em 1968, com o LP “Luiz Gonzaga Jr (Gonzaguinha)”. O primeiro sucesso, entretanto, só veio no segundo trabalho, em 1973, com a canção “Comportamento Geral”. Um dos hits que procuraram dar recados para os autoritários que governavam o Brasil, com mãos de ferro. Veja este verso:</p>
<blockquote><p>“<em>Você deve aprender a baixar a cabeça / E dizer sempre muito obrigado / São palavras que ainda te deixam dizer / Por ser homem bem disciplinado</em>”.</p></blockquote>
<p>Em 1976, mais duas canções caíram no gosto popular e passaram a dar, cada vez mais, notoriedade a Gonzaguinha. A primeira, numa pegada mais romântica e regional, “Espere por mim morena”. Ainda assim, de alguma forma, também tem uma conotação política, se levarmos em consideração que pode ser um homem apaixonado (certamente exilado) pedindo para a sua amada pensar nele, que um dia ele vai chegar. A outra é “Começaria tudo outra vez”, famosa na voz de Maria Bethânia.</p>
<p>A partir de 1977, ele começa a assinar como Gonzaguinha, nos seus novos trabalhos. No ano seguinte, três mais novos sucessos: “De lá. Coração” / “O preto que satisfaz” (música tema da novela “Feijão Maravilha”, de 1979) / e “Explode Coração”, também famosa na voz de Maria Bethânia e música tema da novela de mesmo nome, em 1995). Há quem diga que a canção simula uma relação sexual, um orgasmo. Vale destacar que nesse mesmo ano, divide uma canção com o pai, no clássico “Vida de viajante”.</p>
<p>Do LP “Recado” (1978), destaque para canção “O que foi feito devera”, grande sucesso na voz de Elis Regina. No LP “De volta ao começo” ele já era um artista consagrado, superando, inclusive, a “sombra” do pai. Todo mundo queria gravar e interpretar suas canções, principalmente as mulheres. Deste trabalho, um dos melhores de sua carreira, destaco as canções: “Grito de alerta” (novamente famosa na voz de Bethânia); “Sangrando” (regravada por Ana Carolina); “De volta ao começo” (com participações originais de Milton Nascimento e Luiz Gonzaga e, também, famosa na voz de Nana Caymmi). Além, claro, de “E vamos à luta”, canção que foi um dos temas de um programa de rádio (Relicário Cultural) e de extensão universitária da UFS na rádio comunitária Juventude FM, que conduzi entre os anos 2010 e 2013, em Lagarto-SE.</p>
<p>Em 1982, ele emplacou aquele que foi, talvez, um dos seus maiores sucessos. Daquele que se tornam atemporais e marcantes: “O que é o que é”. Aquele ano, para Regina Echeverria (Gonzaguinha e Gonzagão – uma história brasileira, 2012), foi de grande virada artística e pessoal para Gonzaguinha. Depois de relações amorosas inconstantes, de um repensar na carreira e de reaproximação com o pai, que estava querendo se aposentar, ele se dedicou ao LP “Caminhos do coração”, um trabalho intimista que traz canções como “Maravida”, outra música famosa na voz de Bethânia e também regravada por Gal Costa, Caetano Veloso, Fagner e Daniel.</p>
<p>No LP “Alô, Alô Brasil” (1983), destaque para “Um homem também chora” e “Feliz”. Em “Grávido” (1984), outros dois sucessos icônicos: “Nunca pare de sonhar”, do qual se sobressaem os versos “Fé na vida, fé no homem, fé no que virá / Nós podemos tudo, nós podemos mais / Vamo&#8217; lá fazer o que será”; e “Lindo lago do amor”, também interpretada por Tim Maia.</p>
<p>Antes do trágico acidente de carro que lhe tirou a vida no dia 29 de abril de 1991, aos 45 anos de idade, lançou ainda os LPs “Olho de lince – trabalho de parto” (1985), “Corações marginais” (1985) e “Luizinho de Gonzagão, Gonzaga Gonzaguinha” / “É”, ambos de 1990. Postumamente, destaque para o álbum “Cavaleiro Solitário” (1993), com destaque para a música tema do disco, que marca a sua trajetória artística.</p>
<p>Por fim, quero ainda destacar uma canção que passa despercebida de sua trajetória e que é muita oportuna para refletirmos nosso tempo. Refiro-me a “Amanhã ou depois/Achados e perdidos”, de 1980, em parceria com Marília Medalha e MPB4. Na verdade, é uma canção, originalmente conhecida como “Pequena memória para um tempo sem memória”, de 1974, cuja letra, faço especial menção aos versos:</p>
<blockquote><p>“<em>São cruzes sem nomes / Sem corpos, sem datas / Memória de um tempo / Onde lutar por seu direito / É um defeito que mata / </em></p>
<p><em>E tantos são os homens por debaixo das manchetes / São braços esquecidos que fizeram os heróis / São forças, são suores que levantam as vedetes / Do teatro de revistas, que é o país de todos nós</em>”</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>____________________</p>
<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> </span>SANTOS, Claudefranklin Monteiro. Gonzaguinha – um grito de alerta para o vazio da vida. Agência Jornal de Notícias. Aracaju-SE, 29 de janeiro de 2021. Disponível em <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://api.ajn1.com.br/type_blogs/gonzaguinha-um-grito-de-alerta-para-o-vazio-da-vida/">https://api.ajn1.com.br/type_blogs/gonzaguinha-um-grito-de-alerta-para-o-vazio-da-vida/</a></span>. Acessado em 23 de setembro de 2025.</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Uma boa semana, enfim</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/uma-boa-semana-enfim/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luciano Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Sep 2025 12:20:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mídia, Cultura e Ebulições]]></category>
		<category><![CDATA[“Diretas Já”]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luciano Correia (*) &#160; O mês de setembro, convenhamos saiu fora da curva dos últimos anos, com suas manchetes maravilhosas. O domingo que antecedeu as cores da primavera devolveu em nós uma esperança que vinha murchando mais e mais, sem conseguir ver uma luz no fim do túnel escuro em que o Brasil &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luciano Correia (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">O</span> mês de setembro, convenhamos saiu fora da curva dos últimos anos, com suas manchetes maravilhosas. O domingo que antecedeu as cores da primavera devolveu em nós uma esperança que vinha murchando mais e mais, sem conseguir ver uma luz no fim do túnel escuro em que o Brasil foi jogado pela pior escória que nos dominou nesses 525 anos. Os nossos ídolos ainda são os mesmos. Que bom que seguem os mesmos, como em 1968, quando foram às ruas na passeata dos Cem Mil, ou em 1983, pelas Diretas Já. Caetano, Chico, Gil, Djavan, Paulinho da Viola e tantos outros largaram um pouco seus batentes e subiram num trio elétrico pela democracia, pelo resto de dignidade que se pode lutar nesse país.</p>
<p>A força dos atos de domingo consiste primeiramente nisso: na certeza de que havíamos chegado no fundo do poço. A essa altura, é viver ou morrer. Esse cansaço e desespero enxergado pela antena fina dos nossos artistas é o mesmo fastio que contaminou a todos, as pessoas decentes que vivem honestamente suas vidas e não aguentam mais tanta bandalheira. A presença desse primeiro time da MPB foi fundamental, não pela música, evidentemente, mas pelo apelo dramático dirigido a um país atônito. E o povo atendeu ao chamado. Lavou nossa honra nas praças públicas das capitais.</p>
<p>O efeito foi imediato: logo nas primeiras horas já tinha deputado fazendo mea culpa, desembarcando da criminosa PEC da Bandidagem. Não há termo melhor pra definir essa infâmia. A Câmara dos Deputados, desgraçadamente, se converteu num extrato de podridão do que há de pior no Brasil atual, contaminado já algum tempo por estranhas relações com o narcotráfico, evangélicos tarados e pedófilos, milícias e policiais dos esquadrões da morte. Quem deu o voto nessa monstruosidade, perca as esperanças de uma morte feliz, de uma vida eterna em paz.</p>
<p>Alguém que vota numa coisa dessas não conseguirá olhar para um filho pequeno sem se constranger. Terá agora que pedir perdão eternamente, ou, como canta o próprio Gil: “Gasta um dia da vida/ tratando a ferida/ do teu coração. / Faz o espírito obeso correr, perder peso, ficar são”. Para o nobre deputado e deputada que marcaram o vergonhoso “sim” na PEC da legalização do crime, nem precisa expurgar seus pecados nas chapas quentes do purgatório, afinal, ainda na canção de Gil, “basta ver-te em teu mundo interno/ pra sacar teu inferno/ teu inferno é aqui”.</p>
<p>E a safra de boas notícias se completou com uma estupenda colheita, plantada por um simples discurso político. Lula, em quem eu votei várias vezes e devo votar novamente, com minhas inegociáveis ressalvas, foi maior que o Lula de todos os tempos. Lembrei do meu amigo Marcelo Déda encantado com a eleição de Barack Obama, a quem chamou de “um César negro”. Naquela quadra eu também concordei com ele, que, tristemente, não está mais aqui para ver que errou na análise. Mas ficaria maravilhado com a fala cortante, potente e responsável de seu compadre Lula.</p>
<figure id="attachment_93661" aria-describedby="caption-attachment-93661" style="width: 1170px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/09/lula-na-ONU.webp"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-93661 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/09/lula-na-ONU.webp" alt="Lula na ONU" width="1170" height="700" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/09/lula-na-ONU.webp 1170w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/09/lula-na-ONU-300x179.webp 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/09/lula-na-ONU-1024x613.webp 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/09/lula-na-ONU-768x459.webp 768w" sizes="(max-width: 1170px) 100vw, 1170px" /></a><figcaption id="caption-attachment-93661" class="wp-caption-text">Lula: discurso cirúrgico na ONU Foto: Ricardo Stuckert/PR</figcaption></figure>
<p>Lula foi cirúrgico num discurso que surpreendeu sua xoxa política externa, executada por diplomatas medíocres. Quem tiver dúvidas dessa equipe meia boca, leia o grande <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.nogueirabatista.com.br/" target="_blank" rel="noopener">Paulo Nogueira Batista Júnior.</a></span> Foi corajoso e conferiu relevância a um evento que vinha definhando a cada reunião, fruto da falência geral da própria <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.un.org/" target="_blank" rel="noopener">ONU</a></span>. Pareceu jogo da seleção, quando a seleção jogava e ganhava. Lembrei de amigos espanhóis da minha temporada em Madrid, discutindo a crise de 2010 nos bares, encantados com as medidas que Lula tomara para que o Brasil atravessasse o terremoto econômico sem maiores danos à nossa economia. A esquerda espanhola citava a disposição do presidente brasileiro para cobrar atitudes de seu acovardado governo socialista.</p>
<p>Por fim, o abraço e a química. O velho Ulisses Guimarães dizia que política é namoro de homem. Não há dúvida. E Lula sempre entendeu isso, despejando seu charme por cima de quem encontra pela frente, seja de direita ou esquerda. O doidão laranja caiu no chaveco e agora os dois vão se sentar. Só fiquei pensando no presidiário, com aquelas obstruções intestinais, depois de ver as matérias nas TVs do mundo inteiro, indo dormir, literalmente, com a bosta presa.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Ainda estou aqui, there and everywhere</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/ainda-estou-aqui-there-and-everywhere/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Dec 2024 11:00:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por  Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; C om raiva e lágrimas. Assim saí da sessão do filme “Ainda Estou aqui”. Como pai de família, me coloquei no lugar de Eunice e de seus filhos com Rubens Paiva (1929-1971): Vera, Eliana, Ana Lúcia, Maria Beatriz e Marcelo. Seus dramas, a dor da ausência, as dificuldades &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por  Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
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<span class="dropcap ">C</span> om raiva e lágrimas. Assim saí da sessão do filme “Ainda Estou aqui”. Como pai de família, me coloquei no lugar de Eunice e de seus filhos com Rubens Paiva (1929-1971): Vera, Eliana, Ana Lúcia, Maria Beatriz e Marcelo. Seus dramas, a dor da ausência, as dificuldades para seguirem em frente, as injustiças e a falta de respostas e de um corpo para velar, portanto, um luto inconcluso, uma ferida sempre aberta. Enfim, algumas de uma série de sequelas das atrocidades de um regime de governo as quais não se pode passar a mão, esquecer e sequer anistiar, nem de ontem e nem tão pouco do passado recente.</p>
<p>Embalado por grandes sucessos da Música Popular Brasileira, o filme “Ainda Estou aqui” (2024), de Walter Sales, é, sem sombras de dúvidas, um dos maiores do cinema nacional de todos os tempos. Se não alcançar os loiros do Oscar (a meu ver, mais do que merecedor), para além dos recordes de crítica e de bilheteria, ficará imortalizado na memória, geração após geração, deixando um legado importante e reflexões que, certamente, farão diferença na formação da consciência de uma juventude ainda ávida por transformações, liberdade e respeito.</p>
<p>Afinal, “É preciso [SEMPRE] dar um jeito, meu amigo” (Erasmo e Roberto, 1971), canção-tema do filme. Ainda há fumaça de satanás fungando em nosso cangote: aqui, ali e acolá. “Ainda estou aqui” nos lembra isso: que os fantasmas da ditadura militar (1964-1985) não foram devidamente despachados para o inferno. Generais, capitães e soldados (civis, também) ainda sonham com o poder, subvertendo a democracia, pervertendo-a com um nacionalismo caduco, enodoando a verdade com relativismos de uma retórica rasa e com uma massa encefálica doente e burra.</p>
<p>“Ainda estou aqui” é um filme adaptado do romance autobiográfico e histórico, homônimo, de autoria de Marcelo Rubens Paiva, lançado pela editora Alfaguara, em 2015. Estrelam a película um trio de atores extraordinários: Fernanda Torres (Eunice mais jovem), Fernanda Montenegro (Eunice idosa) e Selton Mello (Rubens Paiva). Ambientado entre o Rio de Janeiro e São Paulo no final dos anos 1970 e início de 1971, conta a história da família do ex-deputado e engenheiro civil, Rubens Beyrodt Paiva, às voltas com sua prisão pelos agentes da ditadura e seu “misterioso” desaparecimento, anos depois, confirmado na forma de tortura e assassinato. O filme retrata ainda dois outros tempos: 1996, quando Rubens teve sua certidão de óbito concedida pela justiça; e, 2014, quando do ocaso da advogada Maria Lucrécia Eunice Facciolla Paiva (1929), falecida em 2018, em decorrência das complicações do Alzheimer, que a maltratou por quinze anos.</p>
<p>O filme, por fim, nos ajuda a pensar e a repensar essa questão da anistia no país. Se por um lado a Lei de Anistia de 1979 concedeu o perdão político para figuras como Gabeira, Henfil e Miguel Arraes, permitindo que eles, uma vez exilados, retornassem ao Brasil, tendo se apresentado como “ampla, geral e irrestrita”, também passou panos quentes em torturadores e agentes do regime que ficaram impunes. Nesse sentido, muito significativa foi a fala do ministro Flávio Dino desta semana, no sentido de propor que a Lei da Anistia não valha para casos que tenha havido a ocultação de cadáver, “desaparecidos” para a ditadura militar:</p>
<p>“Manifesto-me no sentido de reconhecer o caráter constitucional e a repercussão geral do seguinte tema: possibilidade, ou não, de reconhecimento de anistia a crime de ocultação de cadáver (crime permanente), cujo início da execução ocorreu antes da vigência da Lei da Anistia, mas continuou de modo ininterrupto a ser executado após a sua vigência, à luz da Emenda Constitucional 26/85 e da Lei nº. 6.683/79”.</p>
<p>O fato é que a impunidade não pode mais reinar nos livros, nos tribunais e na História do Brasil. Quem tem com o quê pagar, que não morra devendo! Afora o direito à presunção de inocência, também o peso da lei e da justiça. As lições de um tempo não se apagam e as feridas não fecham. Aos que ainda morrem de saudades dos tempos de chumbo (zumbis de um lixo chamado ditadura militar), meu mais veemente protesto e indignação. Qualquer tipo de regime autoritário, sobretudo o impingido pela ditadura militar, é um veneno para a alma brasileira e um desserviço para a história da humanidade.</p>
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		<title>Deixe-me outro dia</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/deixe-me-outro-dia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Nov 2024 14:04:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; O tema do presente artigo foi inspirado na canção de Erasmo Carlos/Roberto Carlos (1968), sucesso na voz de Agnaldo Timóteo (1936-2021). Aquele ano, incrivelmente o de acirramento da linha dura do regime militar no Brasil, também foi um dos mais prósperos, com “Última canção”, “Sabiá”, “Para não &#8230;</p>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
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<span class="dropcap ">O</span> tema do presente artigo foi inspirado na canção de Erasmo Carlos/Roberto Carlos (1968), sucesso na voz de Agnaldo Timóteo (1936-2021). Aquele ano, incrivelmente o de acirramento da linha dura do regime militar no Brasil, também foi um dos mais prósperos, com “Última canção”, “Sabiá”, “Para não dizer que não falei das flores”, “É proibido proibir”. Surgimento da “Tropicália” e intensificação dos Festivais de Música da TV.</p>
<p>Para o advogado e radialista, André Luiz da Silva (2019), “Deixe-me outro dia, menos hoje”: “<em>É uma canção de amor que fala da tentati­va de evitar uma partida, que pode ser definitiva</em>”. Essa era a tônica de boa parte das canções até aquela virada dos anos 60 para os anos 70. Até então, e por algum tempo ainda, vozes masculinas, com impostação, cadência, ritmo poético e romântico, de melodia tristonha, vão dando espaço a outras mais agitadas, frenéticas, rebeldes (de fato), mas não mais, necessariamente, vozes do tipo tenor. O rádio dá espaço para a TV. A produção musical pedia de seus artistas que fossem cada vez mais midiáticos, que respondessem, por exemplo, às demandas da juventude, daí novos sucessos como os da “Jovem Guarda”.</p>
<p>Com o falecimento de um outro Agnaldo, o Rayol (86 anos), no último dia 4 de novembro, vítima de complicações de um acidente doméstico (queda no banheiro), me pus a pensar que, certamente, estamos vivendo o fim de uma era. A era das grandes vozes masculinas do Brasil. É bem verdade que ainda temos grandes intérpretes, compositores e músicos, a exemplo do próprio Roberto Carlos ou mesmo Ney Matogrosso, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, todos eles, ainda, vivos, longevos e na ativa; e Milton Nascimento, claro (curtindo sua aposentadoria dos palcos). Mas estes, em que pesem as suas importâncias históricas e musicais, não estão no patamar que eu aqui entendo como grandes vozes masculinas, tal qual foram Agnaldo Timóteo, Agnaldo Rayol, Antônio Marcos, Altemar Dutra, Paulo Sérgio, Noite Ilustrada, Nelson Gonçalves, Cauby Peixoto, Nelson Ned, Vicente Celestino&#8230; e tantos outros que já partiram para a eternidade que a minha memória consegue alcançar no momento.</p>
<p>Veja bem. Não estou tratando de empobrecimento da música brasileira. Mas de mudança de gênero e de formas de produzir a música nacional. É bem verdade que, com o tempo, essa última turma foi relegada à categoria pejorativa de brega ou mesmo de cafona, antigo, ultrapassado. Os arranjos mais bem elaborados, com orquestras, e a voz impostada e firme já não mais foram encontrando espaço nas décadas seguintes, embora seguissem sendo ouvidas e executadas, em menor escala.</p>
<p>Não se trata aqui, pois, de saudosismo e se o fosse, penso que não estaria cometendo uma heresia. Mas de uma reflexão em torno daquilo que constitui o rico repertório da música produzida no Brasil no século XX, tendo vozes masculinas como mote. Se eu fosse escrever sobre as vozes femininas, essa análise iria ainda mais longe, sobretudo se eu principiasse por nomes como Núbia Lafayette, Elis Regina, Maria Betânia e Alcione.</p>
<p>Ainda bem que suas vozes [grandes vozes da música brasileira] não morrem, sobretudo com os registros fonográficos de outrora e atuais, pelo menos enquanto forem lembradas, executadas, estudadas e revisitadas, sejam em regravações ou mesmo em novas interpretações, e até mesmo compondo trilhas sonoras de novelas de época, por exemplo. Tornar a ouvi-las ou fazê-lo numa primeira oportunidade faz bem ao coração e à alma, nesses tempos apressados e de pouca criatividade e novidade musicais. Nesse sentido, peço que não nos deixem agora em que tanto precisamos de sentimento e de poesia. “Deixe-me [nos] outro dia sim, porém hoje não”.</p>
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		<title>Carolina e o universo feminino nas canções de Luiz Gonzaga</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/carolina-e-o-universo-feminino-nas-cancoes-de-luiz-gonzaga/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Jun 2024 11:00:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Nascido em Exu, interior de Pernambuco, aos 13 de dezembro de 1912, Luiz Gonzaga do Nascimento, o Rei do Baião, tornou-se uma das figuras mais emblemáticas da música popular brasileiro. Porta-voz do Nordeste, foi também alguém que além de fazer arte da melhor qualidade, retratou a vida simples &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">N</span>ascido em Exu, interior de Pernambuco, aos 13 de dezembro de 1912, Luiz Gonzaga do Nascimento, o Rei do Baião, tornou-se uma das figuras mais emblemáticas da música popular brasileiro. Porta-voz do Nordeste, foi também alguém que além de fazer arte da melhor qualidade, retratou a vida simples do homem e da mulher do campo, fazendo de suas canções um ato político em favor das causas mais urgentes do país de seu tempo e também do nosso, como a preocupação ecológica, a denúncia da seca e da fome.</p>
<p>Ao longo de sua existência (76 anos – 2 de agosto de 1989), foi casado com Odaléia Guedes dos Santos (falecida em 1947, mãe de Gonzaguinha) e Helena Neves Cavalcanti (1948-1989). Com Helena, adotou Rosa Gonzaga. Essas foram as mulheres do filho de Januário. Outras tantas, além da inseparável sanfona, frequentaram o imaginário de suas canções, sejam de sua autoria, sejam em parceria com Zé Dantas e tantos outros. Afora as participações em gravações diversas, a exemplo de Elba Ramalho, Gal Gosta, Alcione, Marinês, Emilinha Borba, Guadalupe, Marlene.</p>
<p>Entre 1956 e 2006, foram gravados cerca de 76 álbuns, alguns deles coletâneas póstumas. Implícita ou explicitamente, nominal ou genericamente, elas estão presentes, jamais tratadas com desprezo ou desrespeito, como nas canções “de forró” de hoje, na maioria das vezes, empoderadas, cheirosas, dengosa, forrozeira, conselheiras, companheiras, o tesouro do vaqueiro, faceiras, a rainha das flores, moreninhas, tristonhas, valentes, gloriosas, minha rainha, moças bonitas, mãezinhas, milagrosa, belas, lábios de mel, de olhos claros e mulher moça, de cintura fina e de pilão, mulherada animada, as garotas do Leblon, marrom, loira sofisticadinha,  coladinha, formosa, jeitosa, gostosa, moça do terreiro, favo de mel, mulher que é Juíza, mulherzona, beata, de barriga vazia, mulherão, mãe de muitos filhos, de pote na cabeça, a filha do patrão, gauchinha, moça rica, linda moça em flor, flor da pele morena, moça nova, festeira, cangaceira, santas, moçada, com coração e sem coração, mulher macho, dama, mulher de Ouricuri, mulher pra ninguém botar defeito, todas elas donas de seu nariz e protagonistas de suas histórias de vida.</p>
<p>A “mulé” que deixou o boiadeiro apaixonado, que o fez chorar de paixão, o amor de sua vida, “a bichinha gostosinha” (1956). Neste mesmo ano, a estreia de Carolina, a sem K. Aquela que foi para o samba para dançar o “xenhenhém”, exalando seu cheiro inebriante pelo salão. “A paraíba masculina, muié macho, sim sinhô!” (1956), firme e forte, como toda sertaneja, ao mesmo tempo pequenina e princesa. Sem falar, ainda naquele ano, da menina que enjoou da boneca e que só pensava em namorar (Xote das Meninas). Em 1957, a moça de feira no Pilar, e o “Xote das Moças”. A “Dança da Mariquinha”, ao som da “mazurquinha” (dança de origem polaca), o “Xamego da Guiomar”, e “O Torrado da Lili”, todas elas de 1959. A “Creuza Morena”, a morena do sertão, e “Rosinha”, a rainha do vassalo cantador, de 1961. A mulher de Zé Maria (Calango da Lacraia), de 1962. A moça rica do “Faz força, Zé” (1963).</p>
<p>A Joana do “Lascando o Cano” (1965). “Adeus, Iracema”, de 1965, uma homenagem a Fortaleza. A morena da “Cintura Fina” (1965), para quem se fecha os olhos quando sente seu calor. “Verônica” (faixa instrumental, um bailado de falsa nordestina), 1965. A “Mariá” (1965), a marvada por quem ele chorava e sofria, mas que cabia bem direitinho em seu coração. Também daquele ano, toda a religiosidade sertaneja de Gonzaga ao Padre Cícero, em “Beata Mocinha”. Maricota, que quer desmantelar o coração, em “Tu quer mingabelá” e a “Garota Todeschini”, ambas de 1967. Ainda deste ano, no álbum “O sanfoneiro do povo de Deus”, a belíssima “Ave Maria Sertaneja”, que até hoje é usada em programas de rádio, às 18 horas, “hora bendita e santa”.</p>
<p>Sem falar nas canções “A Rainha do Mundo”, uma súplica à Nossa Senhora, “Padroeira do Brasil”, em parceira com Raymundo Granjeiro, e “Bença Mãe”, também, uma saudação à Mãe de Jesus, a quem pede intercessão junto a Deus pela paz no Sertão. “Saudades de Helena” (uma referência à sua segunda esposa), em 1968, com quem passa as noites sonhado e o dia chorando. Em “Já vou, mãe” (1970), a velha sina de quem vai embora do Nordeste para o Sul. A “Morena Bela”, de 1971, a quem convida para arrumar as trouxas e ir embora depois de um arrasta-pé. O benzinho para quem todo tempo que houver é pouco para dançar “Numa sala de reboco” (1972). “Ana Rosa”, a doce amada, do álbum “Aquilo bom” (1972). Bastiana da canção “Facilita” (1973), às voltas com sua blusa que começa muito cedo e sua saia que termina tarde.</p>
<p>E os vários tipos de mulher, do mesmo ano, na canção “Mulher de hoje” (atentar-se para o contexto da década de 70, no Brasil): companheira, que nos deu o Criador, de medo de barata, que corava com as piadas de salão, sensata, não dizia palavrão, com susto, desmaiava, obediente ao marido, como se fosse ao patrão, mas também danada, solteira ou casada, manda até em cabra mole, atrevida (armada, então), com muito amor para dar. “A mulher de meu patrão” (1974). “Moreninha, Moreninha”, do LP “São Paulo QG Baião” (1974). A famosa “Karolina com K” (1977), bagunceira, cangaceira, cabelo comprido, que manga dos matutos, bonita, trigueira, danada, boa linha de lombo, serena, que toma cerveja e tem cangote cheiroso.</p>
<p>“A serena do mar” (1978). A ode de “Samarica Parteira”, de 1979. A Virgem Santa da “Casa do Caboclo” (1983). A miudinha, “Tamborete de Forró” (1983). As mulheres de rabichola nas cadeiras, em “Deixa a tanga voar” (1985). A que chegou contando as horas e foi simbora, em “Nem se despediu de mim” (1987), em parceira com João Silva. “Mariana”, a garota pirritota (1987), com Gozaguinha. O homem de uma mulher só em “Pra que mais mulher”, de 1988. A Felomena da “Rede Véia” (1989). Mulher para todo tipo e jeito e ao mesmo tempo ideal, em “Quero uma mulher” (1989).</p>
<p>Na perspectiva da semântica genérica, nada mais emblemática que a canção “Asa Branca” (1956), toda ela feminina, em todas os versos e estrofes: judiação, fornalha, plantação, falta d´água, sede, asas, Rosinha, solidão, chuva. Assim também, em outras situações, como na bebida – uma Pitú ou Chica Boa com limão, cachaça; nas cidades e os lugares – praça e pracinha, Matriz, Iputinga, Arruda, Encruzilhada, Água Fria, Quixadá, casa portuguesa, Paraíba, Taboca, Rancharia, pé-de-serra, subida do lameiro (Crato), Cariri, Vila Bela, Amaralina, Ribeira, Vitória, Guanabara, Várzea Alegre, Penha, Madre de Deus, Canaã, Campina Grande, Alagoas, Valentina, Malhada Caiçara, Massangana, Macaparana, Nossa Senhora da Serra da Raiz, Feira de Caruaru, Pesqueira, Cabriúva , Cacimba Nova, Fazenda Angico, Borborema, Brasília,  Bahia, Minas, Nova Jerusalém, Goiânia (a princesinha bela).</p>
<p>Em expressões como:  saudade, minha dor, perenização, divina inspiração, a mãe da lua, madrugadinha, farinha crua, seca lascada, escangaia, engabela, luz de candeia, minha sina, umbigada, madrinha de fogueira, aquarela nordestina, robadinha, quadrilha chorona, ciranda, miadeira, puxada, a felicidade, rezar uma novena, noites tão brasileiras, filharada, invernada, mãos calejadas, sorte cega, redenção, viuvez, festa animada, santa família, lezera, beleza, alvorada, baixa da égua, benzedura, derradeira, véia farrista, minha fia, presepada, vaquejada,  manhãzinha, pureza do cristão, ciranda, lua nova.</p>
<p>Na fauna e na flora, em florzinha de Muçambê, Acauã, aroeira, jacarandá, erva rasteira, árvore traiçoeira, humilde palhoça, folha seca, arara, flor do lírio, roseira, baraúna, algaroba, balieira, ribaçã, açucena, acácia amarela, mula preta, cigarra vadia, araponga, jaçanã, cabroeira (coletivo de cabra), jararaca, rolinha fogo pagou, onça pintada, eguinha e bestinha, mula, “sereia” e piaba. Além de objetos e iguarias, como a baldrana macia (tecido de couro sobre o lombo do animal de monta), concertina, argolinha, priquitinha, zabumba, gaiola, ferradura, calça Lee, garupa, camisa de nata, chuculatera, fivelas de paçoca, jaquetão, ceroula de soro, meias de angu, louvas de toucin, tripa assada, moela, gravata de tripa, pulseira de queijo, bengala de linguiça, relógio de rapadura, mandioca, farinha do cariri, pamonha, canjica, carpa, farofa de tatu, jabá, macaxeira, coalhada, buchada, farinhada, mangaba e manga, jaboticaba, graviola, pitomba, cana e birita (cachaça), pinha e pitanga, água de coco e cana caiana, meladinha.</p>
<p>O amor, meu amor, amô, amorzinho, meu bem, minha nega, a menina, xodó, bichinha (sem conotação homofóbica), pequenina, miudinha, mocinha, minha fia, muié, mulé, também trazem em seu bojo criativo a mulher, como também , expressamente, em nomes como: Neném, Nazaré, Dalva, Luzia, Dina, Grela, Emília Doceira, Rita, Isabé, Sazefinha, Lariquinha,  Samariquinha, Gerolina, Zefa, Sá Marquinha, Juvina, Juvita, Maria Doida, Mariquita, Marion, Rosa, Bete, Bia, Zabé, Zabezinha, Yaiá, Sinhá, Raqué, Maria, Margarida Florisbela, Juventina, Maria Baiana, Samarica, Lili, Dona Cota, Mariquinha, Perpétua, Chiquinha, Rute, Sá Firmina, Aurora, Maria Rita, Santana, Guiomar, Sinhá, Ceça, Sabina, Sianinha, Zefinha. E nessa toada, já dizia Gonzaga em 1965, todo homem quer mesmo é “dinheiro, saúde e mulher”.</p>
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		<title>Diogo Nogueira apresenta seu novo show em Aracaju</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/diogo-nogueira-apresenta-seu-novo-show-em-aracaju/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Só Sergipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Apr 2024 12:53:39 +0000</pubDate>
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<span class="dropcap ">D</span>iogo Nogueira desembarca em Aracaju, para apresentar o seu novo show que vem rodando todo o Brasil. O Festival 35, ação que comemora o aniversário do RioMar Aracaju, foi o evento escolhido pelo artista para celebrar a música brasileira com o espetáculo. Diogo irá participar do Festival, no dia 9 de maio, a partir das 19h, na área externa do shopping.</p>
<p>Além de novas leituras para os sucessos de sua carreira, como “Pé na Areia”, “Alma Boêmia”, &#8220;Clareou” e “Sou Eu”, Diogo traz o samba de roda da Bahia para o palco e o melhor do cancioneiro popular brasileiro. Indo de Arlindo Cruz a Chico Buarque, de Zeca Pagodinho a Tim Maia, tudo começa e acaba em samba!</p>
<p>O repertório do novo espetáculo de Diogo Nogueira abraça e aproxima o público da diversidade dos estilos musicais e sonoridades brasileiras. O artista traz homenagens a mestres da música brasileira com novos arranjos para “Espelho” (João Nogueira e Paulo César Pinheiro), “O Meu Lugar” (Arlindo Cruz e Mauro Diniz), “Primavera” (Cassiano e Silvio Rochael), “Andança” (Danilo Caymmi, Paulinho Tapajós e Edmundo Souto) e “Aquele Abraço” (Gilberto Gil), entre outras. Também estarão presentes as canções de seu recente lançamento, o álbum de inéditas “Sagrado”, resgatando as raízes do samba e do cantor.</p>
<p>O set list não será o único ponto forte do evento! Diogo traz de volta a dança. Sempre muito presente em seus shows, dentro e fora dos palcos, a dança será celebrada com coreografias inéditas do balé da companhia Leandro Azevedo – ator, dançarino, coreógrafo e professor. Além de já ter composto a equipe que representou o Brasil nas Olimpíadas de 2008, ele foi tricampeão da Super Dança dos Famosos ao lado de Paolla Oliveira.</p>
<p>O show do Festival 35 ganhará ainda mais brilho com diversas surpresas que serão reveladas durante a apresentação no painel de LED do cenário e com a banda formada por onze músicos: Rafael dos Anjos (Violão e Direção Musical), Henrique Garcia (Cavaco), Julio Florindo (Contrabaixo), Paulo Bonfim (Bateria), Rafael Delgado (Banjo e coro), Gabi D’paula (Coro), Alisson Maninho (Percussão), Wilsinho Baltazar (Percussão), J. Chiclete (Percussão), Marechal (Percussão) e Fabiano Segalote (Trombone).</p>
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<h3>Sobre Diogo Nogueira</h3>
<p>Diogo Nogueira é um dos maiores nomes da música brasileira da atualidade. Filho do lendário João Nogueira, ele canta o samba, a música pulsante, popular e alegre, sinônimo da cultura brasileira. Artista multifacetado, Diogo é cantor, compositor, instrumentista e também personalidade da TV e do rádio. Foi indicado ao LATIN GRAMMY por TODOS os seus álbuns e foi vencedor na categoria “Melhor Álbum de Samba” e “melhor canção brasileira” em diferentes anos.</p>
<p>Sua discografia rendeu mais de dois milhões de álbuns vendidos, sendo seis CDs de Ouro, três DVDs de Ouro, dois DVDs de Platina e um de Platina Dupla. Completando 15 anos de carreira, Diogo lançou no final do ano passado um álbum gravado ao vivo no Rio de Janeiro, no icônico Pão de Açúcar, chamado “Ao Vivo no Noites Cariocas”, com sucessos populares e clássicos do samba. O trabalho foi amplamente elogiado pelo público, artistas e críticos, confirmando seu lugar como uma grande estrela da música brasileira. Agora, Diogo lançou seu oitavo álbum de estúdio, “Sagrado”, com músicas inéditas e vem rodando o Brasil com esse novo show.</p>

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		<title>As coisas do mundo no vai e vem do mar (I)</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/as-coisas-do-mundo-no-vai-e-vem-do-mar-i/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luciano Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Jun 2023 20:20:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Garrafas ao mar, cantava João Bosco num dos melhores discos da MPB. Por elas e pelas águas onde rolaram correram muitas histórias, de amor aos negócios, de guerras e conquistas. O mar foi a primeira grande free way do mundo, autobans lineares, sem buracos nem pedágio, sem barreiras de fronteiras, pelo contrário, ligando mundos distintos &#8230;</p>
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<p>Garrafas ao mar, cantava João Bosco num dos melhores discos da MPB. Por elas e pelas águas onde rolaram correram muitas histórias, de amor aos negócios, de guerras e conquistas. O mar foi a primeira grande free way do mundo, autobans lineares, sem buracos nem pedágio, sem barreiras de fronteiras, pelo contrário, ligando mundos distintos e remotos. Os portugueses foram grandes dominadores de suas regras e mistérios, que legaram ao país dos patrícios um império e a extensão de seus tentáculos para vários continentes. E fez a primeira grande operação da globalização, trocando culturas e comidas, modos de ver e falar, de sorrir e cantar, de construir e destruir.</p>
<p>Essa lembrança do mar, como estrada primeira da globalização, sempre me assalta nas caminhadas que faço há mais de três décadas, como contei na coluna passada, desde que decidi vir morar ouvindo seu marulho. E os motivos são os mais prosaicos, pois que a partir de coisas trazidas de outros cantos, quinquilharias as mais curiosas, desde embalagens de sorvetes, refrigerantes, belas garrafas de uísque, latas de iguarias que mais parecem obras de arte. Os objetos navegam mares distantes e trazem notícias de lá, de culturas distintas, seus utensílios e modos de lidar com a arte de viver.</p>
<p>Em minhas caminhadas há mensagens de terras do Oriente, com seus desenhos mágicos que devem conter expressões como “modo de usar” ou “consumir em até 48 horas”, banalidades que tais, para meus olhos de criança curiosa, soam como poesia concreta, modernismos gráficos de gentes mais desenvolvidas. Mas chegam tesouros páticos, que têm muita serventia para os que precisam e até para quem não se acha, como eu, que já levei baldes, tablados de madeira e vasilhames que minha mulher trata de jogá-los no lixo, tão logo eu desapareça de sua vista.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Design-sem-nome-84.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-67837 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Design-sem-nome-84.png" alt="" width="136" height="136" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Design-sem-nome-84.png 1080w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Design-sem-nome-84-300x300.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Design-sem-nome-84-1024x1024.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Design-sem-nome-84-150x150.png 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Design-sem-nome-84-768x768.png 768w" sizes="auto, (max-width: 136px) 100vw, 136px" /></a>Além de coisas largadas por navios, há também pedaços mesmo de embarcações, como gradeados de madeira, suportes e caixões mais pesados, sempre úteis a qualquer ser humano que professa a fé de que “quem guarda o que não presta, sempre tem o que precisa”. Nesse inventário de tolices, não vale citar o ramerrão, o lixo trivial que carimba nossa má educação por esses nossos litorais. Cascas de laranja, abacaxis inteiros, tomates e melancias dão na praia sem que a gente saiba, neste caso, se são frutos da incúria local, nacional ou internacional.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Design-sem-nome-86.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-67840 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Design-sem-nome-86.png" alt="" width="229" height="229" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Design-sem-nome-86.png 1080w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Design-sem-nome-86-300x300.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Design-sem-nome-86-1024x1024.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Design-sem-nome-86-150x150.png 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Design-sem-nome-86-768x768.png 768w" sizes="auto, (max-width: 229px) 100vw, 229px" /></a>Assim, excluam de minha lista essa basura sem aura nenhuma, embora, vá lá, já topei com tantos alimentos que dariam poderosas sopas ou sortidos cozidos. Óculos de grau, então, já apanhei dezenas, alguns entregues a meu amigo Mané Veneno, que usa em desfiles pelas ruas do seu amado conjunto Augusto Franco. Me refiro aqui a peças que carregam em si algumas histórias mais fortes ou simbólicas, algo que ensejam o culto à Yemanjá ou a uma noite de amor febril, deixando, no primeiro caso, frasquinhos cheirosos de alfazema ou, no segundo, calcinhas abandonadas a propósito de uma fuga ligeira. Quantas mulheres lindas já imaginei ao topar com essas provas do sexo rápido entre, possivelmente, dois fortuitos amantes!?</p>
<p>Se as montanhas encontradas na areia diariamente são, para a limpeza pública, a mesma matéria que abarrota os carros da empresa coletora, medida em toneladas e reais, para mim passa por esse filtro prévio, essa curadoria muito particular que representa meu olhar sobre o que o mar quer dizer com cada tralha que aporta no meu pequeno pedaço que me cabe.</p>
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<p>(*) Jornalista e presidente da Fundação Cultural Cidade de Aracaju (Funcaju).</p>
<style></style><div class="wplp_outside wplp_widget_64841" style="max-width:100%;"><span class="wpcu_block_title">Mídia, Cultura e Ebulições</span><div id="wplp_widget_64841" class="wplp_widget_default wplp_container vertical swiper wplp-swiper default cols3" data-theme="default" data-post="64841" style="" data-max-elts="30" data-per-page="10"><div class="wplp_listposts swiper-wrapper" id="default_64841" style="width: 100%;" ><div class="swiper-slide" style=""><div class="insideframe"><div id="wplp_box_top_64841_98042" class="wpcu-front-box top equalHeightImg" ><div class="wplp-box-item"><a href="https://www.sosergipe.com.br/nao-e-facil-nem-dificil-muito-pelo-contrario/"  class="thumbnail"><span class="img_cropper" style="margin-right:4px;margin-bottom:4px;max-width:100%;"><img decoding="async" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Design-sem-nome-6-300x149.jpg" style="aspect-ratio:4/3;" srcset="" alt="Não é fácil, nem difícil, muito pelo contrário" class="wplp_thumb" /></span></a><a href="https://www.sosergipe.com.br/nao-e-facil-nem-dificil-muito-pelo-contrario/"  class="title">Não é fácil, nem difícil, muito pelo contrário</a></div></div><div id="wplp_box_left_64841_98042" class="wpcu-front-box left wpcu-custom-position" ><div class="wplp-box-item"></div></div><div id="wplp_box_right_64841_98042" class="wpcu-front-box right wpcu-custom-position" ><div class="wplp-box-item"></div></div><div id="wplp_box_bottom_64841_98042" class="wpcu-front-box bottom " ><div class="wplp-box-item"><span class="date">9 09America/Fortaleza abril 09America/Fortaleza 2026</span><span class="text"><span style="max-height:2.8em" class="line_limit">&nbsp;
Por Luciano Correia (*)
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s vencedores despertam sentimentos múltiplos. Quando se trata de branco, geralmente bem nascido, alguns com sobrenomes europeus, altos, bonitos e glamurosos, o sentimento vai da admiração até a chamada inveja positiva. Essa última deriva de uma pontinha de ressentimento ante o sucesso alheio: por que não comigo?
Quando o vitorioso não corresponde exatamente a esse modelo, acrescente-se outros temperos: a inveja pura e simples, sem adjetivações, raiva, agouro ou injúria. Na semana passada, em Itabaiana, tivemos um caso digno de divã de psicanalista, não pelo personagem que vai entrar em cena no próximo parágrafo, mas pelos que o denegriram, invejaram e ironizaram de variadas formas.
No curtíssimo discurso de posse, menos de cinco minutos, disse que a missão de comandar a partir de agora os destinos dessa locomotiva que move a economia do estado não será fácil, mas, também, não será tão difícil. Pronto. Foi o estopim para acionar o gatilho de inteligências preguiçosas, quase todas entretidas no ramerrão estéril das redes, para esquadrinhar, letra por letra, a primeira fala do novo prefeito serrano. Foi um deus-nos-acuda de estrepitosas gargalhadas, ouvidas do bar do meu amigo Camilo a um endereço elegante da avenida Adélia Franco. Quá-quá-quá!!! Mas que coisa engraçada! Quer dizer que o que não é fácil também não é difícil? Fez-se o festim dos homens cultos dos palácios e da militância virtual.
Não que a burrice deva deixar de ser cogitada, pelo que conheço dos críticos postos em plantão, à falta do que fazer. O mais provável mesmo é o velho e rançoso choro de perdedores, gente que simplesmente patina na vida no seu mar de mediocridade e irrelevância. Como pode o anônimo Zequinha das Cenouras, pequenininho, acanhado nos modos e curto nas palavras, se tornar prefeito de uma cidade que é pujante na história, cultura e economia sergipanas? E ainda mais um vencedor, alguém que deu certo na vida, com o agravante de não ter nenhum agravante contra sua moral de homem de família, correto e honesto? É muito para o circo das igrejinhas ociosas que sujam o espaço público das redes e mídias com o cocô de suas mentes alugadas por compradores oficiais.
Mais do que a expressão do preconceito, tratou-se de uma missa encomendada por endereços conhecidos. Todos entenderam o que o modesto Zequinha quis dizer ao se referir ao novo desafio na gestão pública. Sergipe é pequeno, pequenininho, e não estamos dando um mote para fazer versos com a suposta grandeza do estado. A Itabaiana de Zequinha ostenta números grandiosos na sua economia privada, traduzidos num padrão de vida muito superior à media dos sergipanos, nos seus carros de luxo e na arquitetura moderníssima do bairro Chiara Lubich, onde estão algumas das mais belas casas do estado.
O êxito dos empreendedores serranos é completado, pelo menos nos últimos anos, pelas gestões transformadoras do prefeito Valmir, que soube aproveitar a energia criativa dos seus moradores para mudar os índices da saúde, educação e das políticas sociais, além de um portentoso volume de obras que vai da cidade aos povoados. Já o estado, em cuja capital se encontram os detratores caracterizados acima, é um cortejo ladeira abaixo, com os piores índices da educação, uma saúde representada pela falência do Ipes Saúde, estradas esburacadas e torneiras vazias. Aqui só prospera a vida fácil das festas públicas e seus cachês milionários. De fato, para os bobos dessa corte triste, não dá pra chorar com essa tragédia. Só resta à jagunçagem elegante e culta do jornalismo aracajuano rir com a simplicidade verdadeira do autêntico Zequinha.
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Por Luciano Correia (*)
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 filme iraniano &#8220;Foi Apenas um Acidente&#8221;, diferente de &#8220;O Agente Secreto&#8221;, tinha tudo pra ganhar o Oscar 2026 de melhor filme internacional, até porque preenchia um critério não muito utilizado pelos julgadores, o de ser excelente. Mas o motivo principal, claro, jamais teria sido este. Se levasse a estatueta, seria porque é um trabalho contra o regime iraniano, justamente quando explodiu a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o país persa. Funcionaria como mais um instrumento de propaganda contra o governo dos aiatolás.
O diretor Jafar Panahi já esteve preso e usa referências de sua história pessoal para tecer a trama, na qual dá voz a perseguidos pela repressão do regime. Uma produção artística pode cumprir uma função de denúncia social. Não é esse, portanto, o problema. Mas como discurso político, existem muitos pesos e medidas a considerar, começando por ser o Irã um país submetido a um boicote brutal durante 50 anos, com sanções que estrangulam a vida, a esperança e a paciência de todos.
O Irã, então, não é uma democracia? Mas o filme foi realizado no país, com atores, técnicos e equipamentos iranianos. O diretor disse que usou estratégias de disfarce para conseguir filmar. Mas conseguiu. Fez as filmagens, concluiu e distribuiu para o mundo. E os Estados Unidos, com sua nova polícia fascista criada exclusivamente para prender e torturar imigrantes, o ICE? Que matou à queima roupa, indefesos, dois cidadãos americanos inocentes? E o que dizer de Israel, que censurou totalmente o noticiário da guerra no país, para não divulgar baixas nem os grandes estragos, prendendo e atacando jornalistas?
Por essas coisas é que não entendi por que os donos de Hollywood, totalmente afinados com o pensamento de Donald Trump, não fizeram de &#8220;Foi Apenas um Acidente&#8221; o grande vencedor. Mas foi bom assim. Empoderar ainda mais um filme detrator do Irã numa guerra em que a batalha de versões é crucial, nos livra de mais uma ferramenta ideológica para vitaminar o discurso mentiroso do Império, tão carente de tábuas de salvação num confronto em que ele perde feio justamente pela sucessão de versões mentirosas. Mas o filme é bom, sim: enredo, roteiro, produção, direção, atores etc etc.
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Por Luciano Correia (*)
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om a possibilidade de O Agente Secreto ganhar o Oscar de melhor filme e filme internacional, a torcida brasileira se transformou no clássico Fla X Flu nacional, a apaixonada adesão a dois lados de uma questão, supondo, evidentemente, que o debate de qualquer tema envolve apenas dois lados. É o que ocorre com a política, reduzida à acirrada disputa Lula X Bolsonaro, que praticamente não deixa espaço para nenhuma outra proposta alternativa. Aliás, por retratar uma história vivida na ditadura militar, o FlaFlu da política nacional fez com que gente considerada de esquerda tivesse quase que a obrigação de aderir à campanha pela premiação do longa de Kleber Mendonça Filho.
A recíproca, idem: todo bolsonarista inveterado odiou o filme a priori, sem precisar sequer assisti-lo. Ambos equivocados. O festival de equívocos ocorreu em todos os lados, até que a gente chegue à noite da premiação. No domingo da festa, por exemplo, a Folha de S. Paulo escalou um “crítico” entre muitas aspas para falar sobre a produção pernambucana e, entre tantas coisas a dizer, disse que, por algumas deficiências evidentes, o diretor Kleber Mendonça não deveria ter amigos, mas bajuladores. Inaugurou, pois, novos critérios para analisar um produto cultural.
Mesmo supondo que o filme se revele problemático em alguns aspectos, a Folha também deveria se preocupar muito com o risco evidente da própria obsolescência, afinal, pela qualidade da análise realizada, parece que o jornal, na falta de gente séria e competente, encomendou uma peroração eivada de bobagens ao motorista da casa, ou vá lá, ao estagiário. De Psicologia ou de qualquer outra área, nunca de cinema ou jornalismo. A resposta “nordestina” foi pior: toda crítica, por menor que fosse, era obra do puro preconceito sul-sudestino contra Pernambuco e a região Nordeste.
Li uma matéria que invocava o clássico Amarcord, de Fellini, cheio de memórias pessoais do diretor na Itália fascista de Mussolini, justificando as referências de Kleber Mendonça Filho com sua Recife dos anos 70. A isso devemos prestar atenção. Talvez aí esteja uma saída honrosa para um roteiro desamarrado de uma história que se arrasta por 2 horas e 40 minutos, quando tudo poderia ser dito numa duração de 100 a 120 minutos. Não deixei de pensar em Bacurau, outra paixão nacional adotada pela mesma lógica do FlaFlu. Talvez eu seja um dos poucos brasileiros que não gostou desse outro grande sucesso de Mendonça.
Cheguei a rever Bacurau em DVD, pausando e anotando ponto por ponto, algo como umas três dezenas de observações para arriscar uma resenha. Os deveres da vida me chamaram para coisas mais urgentes e abandonei a ideia pelo caminho, mas insisto que Bacurau, com aquelas imagens e paisagens incríveis, com um roteiro que indicava uma trama forte e de muito suspense, perdeu-se na finalização. Talvez o “problema” de Bacurau, com perdão da vaidade do diretor, fosse de montagem e edição. Quem sabe se um belo mergulho no copião do filme, rasgando o roteiro original e tecendo outras narrativas possíveis, não resultasse na grandeza cinematográfica que imaginei nos primeiros minutos quando fui vê-lo no cinema?
Com O Agente Secreto se passou o mesmo. Uma história que poderia prometer tanta coisa, mas, no fim, não chega a lugar nenhum. E já que falamos em vaidade, é difícil crer que Wagner Moura, vendo o filme depois e, particularmente, sua atuação, inflasse o ego ao ponto de sair pelo mundo almejando os maiores prêmios. E se alguns desses louros vieram, aí não temos exatamente uma boa notícia, mas a confirmação tragicômica do nível do cinema produzido atualmente, inclusive na Europa. A análise fílmica é, evidentemente, muito mais pretensiosa do que essas ligeiras e mal traçadas linhas, portanto muitos aspectos devem ser levantados, com referências estéticas, da história do cinema e das várias linguagens, tanto as praticadas quanto as possíveis, afinal esse é o papel da arte. Aqui, cedo à tentação de descer a detalhes quase prosaicos, coisas que talvez não constassem na resenha de grandes críticos, até mesmo do Gustavinho da Folha, como o longo plano sequência do matador de aluguel Bob caminhando pelo centro do Recife com a camisa estufada por um 38 tamanho família, em alguns momentos, inclusive, sacando a arma no meio da multidão.
Ou ainda os diálogos na casa de Sebastiana, com brincadeiras sobre nomes reais e fictícios, uma roda de conversa sem contexto, solta, como, aliás, tudo parece solto para dar um fechamento da história. E os saltos de época, do ano de 1977 para os dias atuais, com aquelas duas meninas ouvindo gravações e comentando obviedades? Terá sido este o “truque” de Mendonça Filho para mostrar já na fase adulta o filho do perseguido Armando/Marcelo, Fernando, vivido na contemporaneidade pelo próprio Wagner Moura? Hummmm. A impressão é que se gasta pólvora à toa, razão pela qual o longa se esparrama para quase três horas.
Sem esse esmero para entregar ao público um trabalho que passou por sucessivos polimentos, lapidado, a história se esvai, não cria liga com o público, e escorrega para a banalidade pura e simples. Mendonça, antes de ser o bem sucedido diretor que é, dos mais consagrados do cinema brasileiro atual, é um cinéfilo apaixonado, cheio de referências, como as que traz do começo ao fim de O Agente Secreto, mas elas precisam ser melhor inseridas, para que não resultem em bobagens como a tal lenda da perna cabeluda, caída de paraquedas, meio forçada, numa história que seria (seria?) sobre um caso de repressão e assassinato do período da ditadura. Não bastasse a lenda, ele coloca uma perna doida saltando nas calçadas e distribuindo sopapos a torto e a granel. Parecia as blagues do antigo Pânico na TV, o festival semanal de baixarias da TV brasileira.
Cinéfilo com vasta cultura cinematográfica, Kleber nem precisava buscar Fellini, Tarantino, Scorcese ou Coppola. O Brasil mesmo já foi bom nisso. Bastava rever O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, Palma de Ouro em Cannes em 1962. E pra não dizer que isso soa nostálgico, como a dizer que não se fazem mais filmes como antigamente, veja o magistral Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert, um roteiro denso, bem construído, todo amarrado numa história envolvente, seguramente uma das produções mais políticas dos últimos anos no cinema nacional. Batemos na trave do Oscar porque Kleber vem batendo sempre na trave com seus trabalhos mais recentes. Mas um dia ele faz o gol. Sério.
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Por Luciano Correia (*)
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s jornais Folha de S. Paulo e O Estado de São Paulo são notórios alvos dos críticos do mau jornalismo, tendencioso, desonesto quase todos os dias. Curiosamente, vem do Estadão, desde meus tempos de faculdade, a repetição da falácia da imparcialidade. De tanto repetir, o jornal dos barões paulistanos parece crer no mito defendido por eles para assacar contra a verdade. Ou não. Quem conhece os Mesquitas sabe que sua suposta decência não chega na esquina. Pelo manual da Folha e Estadão, o bom jornalismo tem que ouvir os dois lados da notícia, como se os fatos pudessem ser relatados somente por duas visões. E eles sabem que estão mentindo.
A imparcialidade é um mito, porque quem pauta, apura, cobre, escreve, edita e publica são pessoas inseridas nos seus mundos, em contextos que favorecem esta ou aquela visão de mundo. A começar pela decisão do que vai ser notícia e o que não merece ser publicizado. E quem teria a balança da relevância dos fatos para decidir essas questões? Qualquer um que mergulhe sério na tarefa de produzir jornalismo teria métricas apropriadas. Menos os jornalões da burguesia paulista, porta-vozes de uma extrema direita carcomida e atrasada, as tais elites brasileiras.
A cobertura da guerra no Oriente Médio é um primor de desserviço à boa causa do jornalismo, essa instituição tão fundamental, que Estadão e Folha tanto desprezam. No domingo, o vergonhoso panfleto da família Mesquita publicou a manchete: “Ninguém vai chorar pelo Irã”. Nem na Alemanha nazista qualquer veículo de imprensa se arvorou a publicar uma peça tão nojenta, um escárnio que só aprofunda a decadência de uma elite com DNA nazista, entreguista, sabujos de um imperialismo cuja ruína, se fosse obra de Deus, seria, sem dúvidas, do Deus de Alá.
E o que acontece com a Rede Globo, artífice de todas as patifarias ao longo de décadas, que somente neste quarto parágrafo comparece a esse inventário de vilanias servidas ao público pelas empresas e seus afoitos empregados? A Rede Globo, ora, está sendo a Rede Globo de sempre. Precisa ter estômago e paciência para assistir seus “especialistas” em política internacional se desdobrarem em malabarismos para distorcer os fatos e emitir opinião como sendo informação. No caso, a opinião dos patrões, claro. O pior, por incrível, não é a sabujice demonstrada por todos, mas o descarado despreparo exibido, sem que isso constranja qualquer um deles.
A internet, que não é só o território sem lei e o campo vasto para a expressão dos idiotas, mais uma vez se mostra útil neste aspecto: a possibilidade de sairmos dessas bolhas de desinformação e acessarmos canais e, aí sim, especialistas do mundo inteiro oferecendo uma visão multipolar, aprofundada e rica em fatos e dados, comprovados não por bruxarias ou preferências, mas pelos protocolos do jornalismo. Vale dizer: não existe jornalismo bom ou ruim, existe jornalismo puro e simples, coisas que o Estadão e a Folha, para suas desgraças, já deixaram de fazer há muito tempo.
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Por Luciano Correia (*)
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uando Moraes Moreira lançou o contagiante suingue Descendo a Ladeira, em 1979, o Brasil ainda vivia sob os eflúvios da ditadura militar. Na verdade, desde que Geisel anunciou na época a chamada “distensão”, o regime já agonizava. Seu sucessor, o general Figueiredo, fez o possível para manter a linha dura, mas a essa altura o carro alegre e desgovernado da História, como cantou Chico Buarque, já atropelava indiferente quem se recusasse a aceitar seu infalível veredicto. E a sentença da velha História, com agazão maiúsculo, venceu a ditadura.
Mas se ainda assim a sensibilidade poética e política de um compositor como Moraes enxergava um país descambando para o buraco, imagine se ele vivesse para assistir os dias atuais. A nova crise brasileira, batizada de escândalo do Banco Master, não é marolinha que termina com o verão. Pelo tamanho do rombo e da lista de celebridades que morderam uns trocados na mais nova atração da roubalheira nacional, o furdúncio deve botar de pernas pro ar a classe política de um lado a outro da régua ideológica, todos viciados em um presentinho, concedido, sem dúvidas, sob a desculpa cosmética da “ajuda para a campanha”.
O outro mundo em polvorosa é a Justiça e seus representantes locais e nacionais, dos grandes aos pequenos tribunais, de juiz a desembargador, de ministro a procurador. Uma das leituras feitas do enorme caos que se avizinha é do experiente e bem informado Luís Nassif, que vê no roteiro agendado pela grande mídia, Rede Globo à frente, pra variar, uma repetição da infame Operação Lava-Jato, aquela podridão urdida no setor mais podre do Judiciário, sob a batuta de Sérgio Moro e Deltan Dalagnol. A nova trama teria a eficaz participação da ministra Cármen Lúcia, a velhinha ternurinha de Minas que, naquele tom de vovó fazendo uma advertência, dá as cartas e a senha para o clima do novo golpe.
Ainda no roteiro, a essencial atuação de delegados da PF e juízes que atuaram na primeira operação, encarregados, até agora, dos estranhos vazamentos seletivos para explodir autoridades envolvidas nas tais listas do “banqueiro” Daniel Vorcaro. As aspas se devem ao fato de ele não ser do clube, um Faria Lima raiz, como Itaú, Unibanco e Bradesco. Vorcaro é um outsider, um Silvio Santos moderno, vendedor de pirâmides financeiras que jogou iscas em altas somas para comprometer a República praticamente inteira.
Todo mundo agora está refém de sua filantropia. Menos os verdadeiros donos do país e de todos nós, os que têm presidentes, ministros, supremos e parlamentos no bolso do colete. E esses não toleram um vigarista de modos grosseiros se imiscuir no clube, ainda mais criando uma conta de 55  bilhões de reais para eles, os da Faria Lima, cobrirem através do Fundo Garantidor de Créditos. Como nas leis da bandidagem e do narcotráfico, até na malandragem tem regras.
É possível que tudo se resuma, como a Lava-Jato 1, numa estratégia para impedir a reeleição de Lula. Mas é possível também que o script saia do roteiro traçado e imploda o próprio sistema político e jurídico do país, gerando uma convulsão que sabe-se-lá-onde-vai-dar. Nesse caso, é escolher entre o medo do escuro e torcer pela briga, como faz o gato Tom, um inteligente bichano machista e leninista que mora lá em casa e que não quer nem saber da velha tradição nacional da conciliação. Para Tom, meu indefectível gato de extrema esquerda, quanto pior, melhor.
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Por Luciano Correia (*)
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i um jornalista sério, muito preparado, a quem acompanho no seu canal do YouTube, lamentar a extraordinária atenção para com a morte do cão Orelha e a indiferença contínua e cruel contra seres humanos que são tratados de forma igual ou pior no país. Essa segunda parte não só é verdade, mas dói em gente como eu, que, depois de velho e calejado, passei a carregar comigo as dores do mundo. Uma criança criada nas ruas, dormindo em cima de papelão e comendo restos, sem ter onde tomar um banho nem uma roupinha limpa, é uma cena há décadas normalizada pela chamada gente de bem, ratos de variadas igrejas, padres e pastores, ao gosto do freguês.
As madames modernas, moças bombadas nas academias, e seus cães-de-guarda expertos em fazer dinheiro por quaisquer meios, principalmente os ilegais, nem se dão ao trabalho de olhar e dizer não para um pedido de ajuda. E ali está, sob quaisquer condições, a inocência de uma criança. Ali está uma criança jogada no esgoto por um país rico, mas governado por ladrões desde que Cabral pisou aqui com sua corja. As mazelas brasileiras, como o sofrimento de crianças e velhos e a facilidade com que homens matam suas companheiras, precisam ser removidas urgentemente.
A urgência de nossa miséria, no entanto, não transforma em questão menor outro sofrimento absurdo que convive silenciosamente neste país bárbaro: a violência pública ou velada desfechada todos os dias contra várias espécies de animais. O caso do cão Orelha, ocorrido no lastimável estado de Santa Catarina, lastimável pelos seus homens e mulheres públicos e, sobretudo, pelos seus eleitores, entrou na agenda da mídia. E que bom que tenha entrado, afinal, só assim ficamos sabendo de um quarteto de delinquentes almofadinhas mimados por parentes escrotos, esses mesmos que logo após o crime foram ameaçar o porteiro que assistira ao bárbaro espancamento.
As matérias subsequentes à morte de Orelha não interrompem o cortejo diário de escândalos e desgraças que fazem o noticiário de um país descendo a ladeira. Que o sacrifício do infeliz Orelha seja pedagógico ao passar a mensagem para o resto de um Brasil bestializado. E que os adolescentes delinquentes, tornados famosos pelo imprevisível tribunal das redes, experimentem na pele quando saírem às ruas o mesmo sofrimento invisível de criancinhas inocentes. Isto, se o braço da lei não impor castigos que lhes sirvam para sempre. Esse é mais difícil crer, em se tratando das mulheres e dos homens públicos de Santa Catarina. A propósito: quantos desses programas justiceiros do rádio e TV usaram a morte do cão Orelha para pedir a redução da maioridade penal?
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Por Luciano Correia (*)
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ão sei exatamente quando o jornalismo entrou na minha vida, pelo menos como leitor de revistas e jornais. Papai comprava revistas sem capa a um rapaz  chamado João de Holanda, que trabalhava na distribuidora de Zé Queiroz e as entregava semanalmente na Exatoria de Itabaiana as edições semanais de Manchete, Fatos e Fotos, Capricho, Amiga, Contigo e as famosas Seleções de Reader’s Digest. Antigamente, edições da semana anterior eram vendidas sem o frontispício da marca por um valor muito abaixo do exibido na capa. Foi na Fatos e Fotos que tive o privilégio de ler semanalmente as colunas de Nelson Rodrigues e de Carlos Castelo Branco. Pouco depois, já iniciado na juventude, me acostumei a ler jornais e, quando ingressei na UFS para estudar Engenharia Química, me tornei um fã do irreverente semanário Pasquim.
O Pasquim não foi o único, mas era o principal veículo da imprensa alternativa que desafiava a ditadura e, em termos de mídia impressa, um contumaz crítico da imprensa corporativa careta e covarde, os jornalões Folha, Globo, Estadão e outros. Aqui mesmo tivemos a inusitada experiência da Folha da Praia, liderada por Amaral Cavalcante, onde batuquei minhas primeiras mal traçadas linhas em letra impressa. Foi lendo dois dos muitos grandes jornalistas do Pasquim que aprendi a escrever, se é que aprendi.
Dos jornalistas que mais me influenciaram, destacam-se o brilhante Tarso de Castro e o touro indomável Fausto Wolff. O terceiro foi, sem dúvidas, o alagoano-sergipano Fernando Sávio. E um quarto, Charles Bukowski, este da literatura, mas uma literatura tão carregada de realismo que parecia saltar das páginas dos jornais.  As 569 páginas de “A mão esquerda de Deus” constituem um esboço de autobiografia de Fausto Wolff, gaúcho de Santo Ângelo, misto de brigão e playboy, um homenzarrão de quase dois metros, tão valente quanto propenso a se derramar em lágrimas diante do sofrimento de uma criança. Sempre ligado à esquerda, exilado durante a ditadura militar e brizolista quando voltou ao país após a anistia, Wolff carregava em si as dores do mundo.
Em A mão esquerda&#8230; ele, como é típico nesses casos, se refugia em nomes fictícios para proteger pessoas reais, ele próprio escondido na alcunha de Percival von Traurigzeit, o Pérsio, um paralelo claro com seu nome de batismo, Faustin von Wolffenbüttel, transformado no polêmico e explosivo Fausto. O livro é um vai e vem no tempo e na história de uma família que, garante Fausto, tem origem em príncipes aristocráticos da Alemanha do século XIV. Conhecendo o personagem autor, é possível que aí esteja um dos momentos em que o texto é pura ficção. Ou não. Das remotas origens em guerras sangrentas entre povos bárbaros, chega-se aos imigrantes que aportaram no Rio Grande do Sul no século XIX, onde a família que um dia foi nobre e rica inicia uma saga de muito trabalho e luta contra a pobreza.
No Rio do Pasquim e dos jornais e revistas por onde passou, Wolff passeia pelas dezenas, quiçá centenas de lindas mulheres que foram parar em sua cama, algumas socialites ricas fascinadas por um jornalista romântico e sem tostão. Em certo momento ele proclama: “tudo que tenho são um punhado de livros e algumas roupas”. E certamente foi assim durante toda a sua vida, desde os trepidantes anos na Dinamarca, onde teve mulheres e fez uma filha, até os últimos dias, quando morreu no Rio de Janeiro, em 2008, aos 68 anos, vítima de uma hemorragia digestiva, não por acaso relacionada com os anos de muito uísque, chope e cigarros. Além do excelente jornalista que foi, crítico mordaz dos colegas mais apaixonados pelos patrões do que pela causa do jornalismo, foi também um escritor de peças teatrais e vários romances, dentre eles Sandra na terra do antes, escrito para resgatar as saudades da infância da primeira filha, nascida no Brasil.
Como jornalista, ele tem outro livro bastante lido nos anos de 1980: Os palestinos: judeus da 3ª Guerra Mundial, onde traça um paralelo entre a perseguição e exílio sofridos historicamente pelo povo judeu e a condição dos palestinos, vítimas do Estado sionista desde que este foi criado, em 1948, passando pela Guerra dos Seis Dias, em 1967, pela nova guerra do Yon Kippur, 1973, o massacre dos assentamentos de Sabra e Chatila, em 1982, até chegar aos horripilantes dias que correm em Gaza.
As farras, amores e a bebida em fartura talvez tenham sido o modo encontrado por um gigante de olhos azuis que nunca suportou as injustiças, fazendo daqueles expedientes sua válvula de escape. Como seu colega Tarso de Castro, também gaúcho e de texto ainda mais cáustico, Fausto Wolff encarnava um jornalismo cujo autor misturava-se com sua obra, o chamado jornalismo gonzo, assumidamente subjetivo e livre dessa bobagem chamada objetividade. Depois de Fausto, não houve mais ninguém que encarnasse esse personagem no jornalismo brasileiro.
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Por Luciano Correia (*)
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m 1981, o escritor peruano Mario Vargas Llosa publicou uma obra-prima da literatura universal, o livro “A Guerra do Fim do Mundo”, na qual faz uma reconstituição ficcional do massacre de Canudos, cometido pelo Exército brasileiro. A historiografia oficial chama o evento de “guerra”, mas se tratou do massacre de milhares – mais de 25 mil pessoas – de seguidores do líder religioso Antônio Conselheiro. A historiografia e seus indefectíveis historiadores, novamente, tratam o beato como “fanático”, outra forma de desqualificá-lo.
O livro de Vargas Llosa é um trabalho espantoso, sobretudo se considerarmos que foi realizado por um estrangeiro. Até então, a principal referência literária do famigerado massacre era o clássico “Os Sertões”, de Euclides da Cunha. Ao escavar a história e as histórias enterradas junto com os mortos, o Nobel peruano de alguma forma produziu vergonha alheia nas centenas de autores nacionais, principalmente os do Nordeste brasileiro, que não tiveram a ideia ou a disposição de produzir um trabalho de tamanho fôlego.
Canudos até hoje segue sendo um dos episódios mais importantes da história brasileira, pela capacidade de revelar, num movimento de miseráveis contra as duras condições de sobrevivência, o modus operandi de nossas elites para lidar com revoltas populares. Serviu ainda para exibir o verdadeiro caráter do nosso Exército: golpista, saqueador, corrupto e assassino, desde Canudos, passando pelo golpe que implantou a República, a ditadura militar instalada em 1964 e o papelão mais recente, chefiado por um capitão bandido ligado a milícias e rachadinhas.
Há décadas, sindicatos de trabalhadores rurais, entidades de classe e militantes de causas sociais realizam no mês de outubro uma celebração em memória dos mártires de Canudos, evento que ocorre à revelia de uma Igreja Católica que historicamente se omitiu diante dessa vergonha nacional. Há vinte anos, em 1996, fui com uma equipe de TV fazer o registro desse evento, que celebrava na época os 99 anos do final da guerra, ocorrido em 1897. O resultado foi o documentário “Canudos, Sol e Pó”, exibido na antiga TVE do Rio de Janeiro e em algumas emissoras estaduais que compunham a rede liderada pela emissora pública carioca.
O filme tem duração de 24 minutos e sua realização envolveu uma operação peculiar, desde o processo para conseguir um ônibus da Secretaria da Educação de Sergipe para transportar a equipe e equipamentos, além de estudantes, estagiários da TV Aperipê, além de poetas e músicos sergipanos que se integraram à caravana rumo a Bendegó, Canudos, açude de Cocorobó, Euclides da Cunha, Tucano e Monte Santo. Foi uma epopeia que incluiu constantes quebras do velho ônibus nas estradas empoeiradas do sertão baiano, as dezenas de defeitos apresentados pela única câmera U-Matic disponível para as filmagens e o alojamento precário numa velha casa de farinha em Bendegó.
Como então diretor da TV Aperipê na gestão do pesquisador e jornalista Luiz Antônio Barreto na Secretaria de Estado da Educação, utilizei um método empírico, intuitivo, para recolher o mais farto material disponível numa programação diversificada e distribuída por todas as localidades citadas, nos três dias do evento. Estagiários funcionaram como produtores garimpando fontes e colhendo informações que seriam usadas na narração “on” (presente nas falas dos entrevistados ou no texto do narrador) ou em “off”, servindo de base para perguntas e para o próprio texto. Além de realizar as entrevistas e comandar gravações in loco, mergulhei depois em uma ilha de edição da produtora Univídeo para decupar, estabelecer uma narrativa (argumento) e produzir sentido a partir das 20 fitas gravadas, de 30 minutos cada.
Além da gravação de vários depoimentos, foi fundamental o registro de algumas das apresentações que faziam parte da programação oficial e outras produzidas especialmente para o documentário, como a interpretação do sergipano Muskito, de uma velha canção daqueles sertões sofridos. Como elementos lúdicos para  enriquecer a linguagem audiovisual pretendida, incluímos a performance de um ventríloquo na feira de Monte Santo, uma toada de aboio e a tradicional banda de pífanos. Também há citações do filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha, filmado na região em 1964.
“Canudos, Sol e Pó” apresenta problemas técnicos que em alguns momentos dificultam sua compreensão, fenômeno normal em se tratando de imagens gravadas numa velha câmera do sistema U-Matic, digitalizadas depois para DVD e hoje guardadas em nuvem. As sucessivas conversões, somadas à precariedade original do trabalho, por outro lado, produz um efeito de antiguidade, do cinema de muitos anos atrás, que confere certo fetiche retrô à obra. Os poucos textos narrados em off ainda traz outra raridade: a voz do jornalista baiano-sergipano Cleomar Brandi, que também escreve uma crônica sobre o homem sertanejo fechando a narrativa. Exibido numa praça pública de Bendegó no ano seguinte, o filme foi uma contribuição sergipana à programação dos 100 anos do final de uma guerra que até hoje envergonha nosso povo, mas que inscreveu o sertão de Canudos na história da resistência popular aos desmandos que seguem irremovíveis no Brasil contemporâneo.
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Por Luciano Correia (*)
  
uando da aproximação dos 200 anos da independência de Sergipe, intelectuais, entidades culturais e setores dos poderes públicos se reuniram numa sala apertada do Palácio-Museu Olímpio Campos para uma discussão preparatória de um cronograma de comemorações dessa que é, de fato, nossa mais importante efeméride. Como secretário municipal de Comunicação Social, participei representando a prefeitura de Aracaju. Apesar da presença de gente séria e competente, a reunião foi a melhor definição do caos. Um samba do crioulo doido em matéria de delírios sem pé nem cabeça. Em vinte minutos, vi que aquilo não ia dar em nada. E não deu.  
Se nada foi promovido além da patuscada tradicional improvisada nessas horas para tentar justificar alguma ação, pelo menos a republicação de um livro nos salvou da vergonha total. Refiro-me ao Inventário Cultural de Maruim, publicado originalmente em 1994 e reeditado agora em versão ampliada pela professora Maria Lúcia Marques Cruz e Silva. Não me recordo se a professora estava presente na fatídica reunião do nada-com-coisa-nenhuma, já que é uma dessas incansáveis pesquisadoras que milita em tempo integral nos campos da história e da cultura. 
Talvez não tenha sido lembrada para aquela reunião de figurões da cultura oficial, afinal, alguém com esse perfil, evidentemente, não interessa aos convescotes regados por finos acepipes e sucos tropicais variados. O livro, portanto, é uma edição comemorativa de uma data que, para espanto geral, passou praticamente em branco. Quisera que todo município sergipano contasse com uma obra de tamanho fôlego escavando sua história a partir de seu desenvolvimento econômico e social, sua história política, incluindo a das gentes do andar inferior, sobretudo os escravos. 
É claro que um mergulho na vida econômica arrasta consigo a história do poder e da dominação, elencando a casta de seus principais políticos e o papel que desempenharam não só no âmbito da cidade, mas da província. E assim encontramos personagens como Gonçallo Rollemberg do Prado e a Usina das Pedras, a importância econômica do algodão, do calcário e da cana-de-açúcar. O inventário percorre outras áreas da vida maruinense desde a fundação da cidade, revivendo as festas de seu calendário cultural, o desenvolvimento da educação, da saúde e do esporte. 
No capítulo dedicado ao esporte, traz raras informações até então desconhecidas do grande público, mostrando como Maruim não só foi pioneira no futebol em Sergipe, como seus clubes tiveram papel relevante no estado, mas este, seguramente, é fonte para um artigo só sobre isso. A publicação exibe ainda um quadro da representação dos poderes municipais desde épocas remotas até a atualidade, com relação de vereadores, presidentes da câmara e prefeitos.  
Berço da economia e da política na província de Sergipe, Maruim foi uma das cidades contempladas com a visita do Imperador Dom Pedro II, em 1860, onde aportou na margem esquerda do rio Ganhamoroba acompanhado da Imperatriz Tereza Cristina. Na passagem de um dia, caminhou pelas ruas da cidade, visitou escolas, inaugurou obras e assistiu à missa. No quartel da polícia, fazendo a inspeção das armas, questionou a razão de uma palmatória pendurada numa parede. A resposta do comandante: era para castigar escravos encontrados fora de hora vagando pelas ruas. Dom Pedro reagiu de forma enérgica, ordenando que a punição fosse imediatamente extinta das práticas da polícia. 
Discreta, quase obscurecida no isolamento de um município que perdeu importância e hoje é praticamente ignorado dos órgãos culturais do estado, a obra da professora Maria Lúcia acende uma faísca de esperança na mediocridade das políticas culturais focadas somente nos practuns e pracatás juninos e carnavalescos, espelho e expressão dos gestores maiores, todos eles avessos, senão ignorantes mesmo, à pesquisa histórica que repõe a grandeza de nossa historiografia. 
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Por Luciano Correia (*)
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ossa classe média é a melhor encarnação daquele ditado que dizia: “Calça de veludo, ou bunda de fora”. Há muito que os governos, de direita ou esquerda, empreendem medidas que só aumentam o arrocho contra essa outrora garbosa categoria. Hoje ela vive espremida por um orçamento que não cabe no salário, mas, para seguir a tradição de uma gente de nariz empinado, mantém a pose como se fossem filhos da nobreza. De certo mesmo é sua capacidade de furar filas, arrumar jeitinhos bem brasileiros e praticar a indecorosa Lei de Gerson: o importante é levar vantagem.
Para essa classe média, experta, pela esperteza, em furar os bloqueios da administração pública para traficar seus interesses, algumas mudanças reais não significam nada, sobretudo se o bolso aliviado não for o seu. A isenção do desconto de Imposto de Renda na faixa que vai até 5 mil reais de salário é um exemplo. A classe média da qual tratamos aqui não faz parte dessa massa, portanto, está fora do alcance do benefício.
Mas o grosso da população assalariada sabe a delícia que representa esse pequeno alívio, de 200 ou 300 pilas por mês, uma festa no orçamento de um povo pobre.
Há dias vi o depoimento de uma mulher dizendo das facilidades para tirar a habilitação para dirigir veículos. Num país cartorialmente escroto, pelo menos essa raspinha de dignidade o governo Lula pôde propiciar, um governo de centro com ligeiras tintas de esquerda. A elite brasileira, totalmente cartorial, e hoje estreando no negócio das drogas, não permite mais que uma raspinha aqui ou acolá. Na verdade, a antiga regra para a habilitação de motoristas era exercida por máfias organizadas, que iam dos mentirosos exames médicos ao teste prático de habilitação: tudo fake. Fábrica de dinheiro sob o comando dos Detrans estaduais, esses antros de corrupção tão genuinamente brasileiros, uma corrupção tão velha como a posição de fazer o número 2.
A fala da moça me impressionou pela simplicidade para resumir a questão: com um decreto governamental, uma antiga safadeza é retirada do cardápio nacional de safadezas historicamente entranhadas no fabulário geral de nossas safadezas normalizadas. É pouco ainda, mas é importante, porque é dessa matéria que vivem as pequenas transformações do cotidiano, as coisas que realmente importam. Sim, importam porque se referem à vida prática e real das pessoas. O resto é peroração pseudoideológica, como essa palhaçada em torno das sandálias Havaianas, hoje o tema principal do programa teórico do Psol e outros quejandos da esquerda identitária.
Que novas pequenas causas venham no horizonte próximo e se transformem em novas bandeiras de ganhos e conquistas. Uma a uma, melhorando efetivamente a vida dos que mais precisam. Que comecem a reduzir a vergonha da pior distribuição de renda do mundo. Isso não virá nunca da esquerdinha identitária nem da direita troglodita, com suas políticas parlamentares semelhantes, apenas com sinal trocado. São iguais em desgraças. Como disse alguém outro dia, o parlamento brasileiro é uma casa de negócios tocada por 513 empreendedores, cuja diferença entre si é basicamente a cor das camisetas que usam nos rolês dos fins de semana.
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Por Luciano Correia (*)
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argareth Menezes não é o que se pode chamar de uma grande gestora. O cargo de ministra está centímetros acima de seu talento como cantora. Boa nos palcos, pífia nos gabinetes. Só está na fila do pão porque tem madrinha forte, a primeira-dama Janja. Mas, como diria o líder do governo no senado, Randolfe Rodrigues, é o que temos. De perto ninguém é normal. O próprio Randolfe, em suas andanças cata-votos pela sua terra Amapá, se faz acompanhar dessa iniquidade chamada Davi Alcolumbre. Mas essa semana ele pôs o dedo numa ferida.
Tudo começou com uma fala do ator global Wagner Moura (não do globo terrestre, se me entendem, mas da Rede Globo) reclamando cotas e verbas para o que ele chama de “setor do audiovisual”. Os pequenos produtores do audiovisual talvez comprem esse gato como lebre, como se o discurso de Wagner fosse comum à sua luta por espaços, verbas e reconhecimento. Calma lá, que aí tem tubarão grande no jogo. Wagner Moura, em matéria de cinema, é o que melhor representa hoje no Brasil a indústria cultural, o cinema do mainstream, dos grandes negócios.
O ator reclamou do que considera a baixa taxação das plataformas de streaming no projeto que o governo Lula está concluindo. Talvez tenha razão na defesa de uma contribuição maior por parte dessas grandes operadoras, mas não disse para onde e nem para quem seriam destinados esses recursos. Daí, engatou uma crítica dura ao governo, culpando-o por não aprovar uma lei mais generosa para o audiovisual nacional e atacando, por fim, o saco-de-pancadas da hora, nosso famigerado Congresso Nacional.
O líder Randolfe saiu de uma covardia tácita e mordeu a isca da fala marxista-leninista do nosso Guevara do Jardim Botânico. É que Moura, segundo ele, por não ter o telefone de Margareth Menezes, resolveu mandar seu inflamado discurso para a eminência parda da cultura brasileira, a mulher de Caetano Veloso, Paula Lavigne. Isso em público, pelo Instagram. Lavigne, como os artistas situados fora do bilionário eixo Rio-São Paulo da cultura nacional sabem, é uma mulher de negócios. Sabe abrir portas para ela e seus caetanos. Está em todas, a começar pela Lei Rouanet, um instrumento formidável de fomento à cultura, mas com o pequeno defeito de não funcionar de forma justa e democrática. Lavigne é quem mais conhece o significado daquele ditado que diz que o rio só corre para o mar.
E o melhor da história vem agora. Talvez cansado de apanhar de todo lado, inclusive no interior de um governo que ele mesmo lidera, Randolfe Rodrigues revelou uma coisinha de bastidores que é uma joia do caráter “cidadão” dessa turma platinada: foi a mesma Paula Lavigne quem percorreu gabinetes brasilienses em poderoso lobby para emplacar no Ministério da Cultura o gestor da Ancine, a Agência Nacional de Cinema. Ou seja, em público as lavignes e mouras jogam para as cordas um governo que apanha de todo lado, sangrando a cada dia sob as ameaças do golpismo permanente de uma direita que impede a democracia desde a Primeira República.
Do outro lado, o secreto, igual ao orçamento infame, também secreto, os comunistas-boys do doutor Roberto Marinho atuam na disputa dos cargos. Chamar isso de fogo amigo é não compreender o que é amizade, não? Nordestino como nós aqui, Wagner Moura adora nossa culinária típica. Não é à toa que exerce com rigor e satisfação a máxima de que “farinha pouca, meu pirão primeiro”.
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Por Luciano Correia (*)
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gora é lei: a linguagem neutra na elaboração de textos de órgãos e entidades da administração pública e de todos os entes federativos está proibida. Sua abrangência, portanto, está circunscrita aos ambientes públicos acima mencionados. O resto do mundo, leia-se as bolhas dos minúsculos grupelhos adeptos dessa forma degenerada de uso da língua, segue normal com sua patacoada. Ponto para Lula, que teve coragem de enfrentar essa idiotice a partir de sua cozinha, onde a primeira-dama Janja e “todes” os seus “discípules” professam essa péssima cartilha da outrora bela flor do Lácio.
Lula, como dizem, é um animal político. Preferiu a coerência e a concordância com a maioria absoluta do que os trinta votos das bolhas identitárias. Lula ama as maiorias, até porque vive delas e não pensa em outra coisa senão ir ao encontro do seu abraço. Já o identitarismo, como já se sabe amplamente, são correntes originárias dos Estados Unidos, exportadas por instituições como a Fundação Ford, conservadoras e reacionárias, mas vestidas de um pseudo progressismo. Não vieram para somar nada, senão para aprofundar disrupções, substituindo as velhas bandeiras políticas e ideológicas da verdadeira esquerda pelos seus chavões, o politicamente correto e outras iniquidades.
Não mais a luta contra a desigualdade, por saúde e educação universais, mas as bandeiras fragmentárias. A clássica luta pela emancipação da mulher, representada por gigantes como Alexandra Kollontai ou o reconhecimento do lugar do negro na sociedade, não como escravo, mas como protagonista de sua própria história, é produto de outra política de esquerda, baseada nos grandes teóricos socialistas. Fruto do heroísmo de homens como Martin Luther King, mas não só ele, um americano conformado nos limites de sua democracia liberal, mas negros do Brasil, da América Central e da própria África, como Agostinho Neto, Amílcar Cabral e Samora Machel. Desses, só o midiático Luther King atende os critérios da esquerda made in USA.
Foi nesse contexto, dominando os partidos de esquerda e acuando socialistas clássicos, que os identitários criaram sua perspectiva política, entre a matriz conservadora do Partido Democrata americano e o aparente discurso progressista que arrebatou a juventude das universidades públicas, corporificada sobretudo no PSOL e nas franjas esquerdizadas do Partido dos Trabalhadores, de cuja costela surgiu o PSOL, uma espécie de puxadinho envergonhado do PT. Sem interesse em aprofundar mudanças efetivas, e atuando apenas na borda da retórica parlamentar, foram construindo uma ambiência cultural para sobreviver eleitoralmente. A linguagem neutra é uma dessas ferramentas na busca de hegemonia e de impor uma visão de mundo particular.
Se o decreto de Lula leva em conta as maiorias, em desfavor da barulhenta bolha identitária, revela também uma tendência, farejada, aliás, por um mestre em saber para onde sopram os ventos. Trata-se do começo de uma decadência inevitável, fato já consolidado na politicamente correta Europa, neste momento preocupada, como cantava Belchior, com coisas reais. Em Sergipe, a deputada estadual Linda Brasil trocou a fase preocupada com “mandata” e tonterias similares para cair na realidade como ela é. O resultado: saiu do terreno da ficção e hoje exerce um dos mandatos mais consistentes na Assembleia estadual, cumprindo com rigor a função parlamentar, de fiscalizar o poder executivo, mirando os interesses da população. Vai salvar seu mandato (e não me venha com “mandata”, faz favor!) encampando as lutas de uma esquerda que sua agremiação partidária um dia considerou ultrapassadas.
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Por Luciano Correia (*)
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 cidade se prepara para uma das maiores festas: o Pré-Caju privado, vendido pela mídia como uma festa pública, paraíso dos axés &amp; arrochas para consumar o gozo musical da nossa gente. Acontecia na Beira Mar, com muito mais gente e glamour, até ser expulsa por quem manda no pedaço: juízes, promotores, procuradores e outras patentes de autoridades para quem a cidadania funciona, até porque a caneta que ordena é a deles mesmos. E vou dizer: se eu morasse ali no ápice dos pracatuns fabiânicos, também ia dar queixa ao bispo.
Foi para a orla, encolheu, perdeu público, mas segue sendo uma grande festa. Os organizadores falam em milhões deixados aqui nos três dias de baticuns, mas nunca disseram para onde vão esses zilhões. Para a cidade ou o estado é que não é. Pelo contrário, esses despejam fortunas em patrocínio, segurança e cessão gratuita de tantos outros serviços prestados pelo poder público. Sob a mesma desculpa, nunca provada, de que o evento espalha desenvolvimento econômico.
Na área dos economistas e planejadores, ninguém jamais informou até hoje quanto a festa movimenta e para onde vai cada real gasto. É um mistério que conforta os organizadores, desobrigados de prestar contas de verbas públicas empregadas em evento fechado. Como “contrapartida”, uma gotinha de “cunho social” no oceano dos lucros privados: manda aí umas 50 cestas básicas para o Lar de Zizi, que tamos conversados. E os camarotes tremem de alegria com governantes e familiares saracoteando lá de cima, reluzindo em camisetas-abadás tropicais e embalados no uísque 15 anos, sem metanol.
Na mídia animal, vegetal e mineral da província, um consenso raro em torno da grandeza da festa, dos tais milhões gerados na economia, da lenda de abrir o Carnaval do Brasil — vejam só, que pretensão! — e coisas que tais. Não sei se os promotores do evento despejam uma ruela de publicidade além dos tradicionais filmes nas TVs abertas. Talvez o pagamento seja em “serviço”, a famigerada e deselegante fila do abadá-grátis.
Aprendi de menino com Papai que ser ximão é um dos poucos pecados capitais. Talvez por isso nunca tive coragem de cogitar ir para a fila. Quando passei pela prefeitura, seja na Comunicação ou na Cultura, há poucos anos, nunca recebi um só abadá, nem que fosse do bloco de Tonho Leite. Não sei se filtravam pelo caminho, mas foi melhor assim. Mesmo quando desapontava um amigo ou uma amiga que pedia um jeitinho para conseguir a cortesia de um bloco.
Não existe abadá grátis. Se eu já carregava comigo o alerta de Papai, firmei minhas certezas quando nos anos 80 um prefeito de Aracaju, apreciador do bom copo, disse numa entrevista que jornalista em Sergipe se comprava com uma dose de uísque. Fiquei ofendido, em solidariedade à classe, mas há muito eu já decidira: o uísque que bebo, pago eu!
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Por Luciano Correia (*)
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 extrema direita brasileira tem uma característica diferente da direita tradicional, conservadora, crente em seus princípios liberais e em costumes antigos associados à ideia de família. Os radicais de direita brasileiros não creem em nada, além de uma esperança de impunidade para cometer seus crimes, aí incluídos tentativas de golpe de Estado, associação com milícias e narcotráfico, pra ficar nos mais visíveis. Essa turma, ou gangue de pitbulls, pensou, concebeu e realizou um massacre de 121 pessoas para construir uma pauta política. Voltaram a respirar na política, depois da acuação em que se encontravam depois que a opinião pública brasileira começou a se manifestar sobre o lodento Congresso Nacional infestado por essa mesma extrema direita.
Para executar seu plano, contou com um militante fiel, uma figura improvável, desqualificada e incompetente que só no Brasil chegaria ao cargo de governador de estado, e o mais grave, de um estado grande como o Rio de Janeiro. Se bem que&#8230; pensando bem, o Rio teve todos seus últimos governantes presos por delinquência e corrupção: Sérgio Cabral, Pezão, Witzel e Garotinho. Cabral pegou 400 e poucos anos. Ficou preso seis. É o padrão da justiça mais cara do mundo. Cabral indicou Fux (we trust) para o STF. Conversando eles se entendem. É o Brasil, zil, zil.
O atual governador, Cláudio Castro, dispensa acareação. Se Cesare Lombroso, o famoso criminalista italiano fosse vivo, não hesitaria nem dois segundos: esse é lombrosiano. A teoria dele é que a criminalidade é herdada por características físicas. Em se tratando do cavernoso Castro: tá na cara. Os 117 mortos eram, na maioria, gente envolvida com o crime. Mas um só morto inocente seria suficiente para fazer da operação um crime. E tem inocentes chorando esse horror patrocinado por um governador suspeito de ligação com as organizações que alega combater.
A operação é uma monstruosidade, mas fez a bandidagem da extrema direita surfar numa onda de aprovação popular. O povo não é burro, sempre faz o que é melhor para ele, conforme sua visão racional do mundo. O ladrãozinho que toma um celular ou uma moto de um classe média como eu e vocês, às vezes tem um gesto de compreensão e perdão. Mas o sujeito fodido desde o nascimento, que ganha salário-mínimo e se vira em sacrifícios pra ter uma moto cinquentinha ou dar um celular a uma filha, carrega um ódio compreensível contra essa pequena delinquência.
A pergunta que alguns fizeram no dia seguinte à tragédia foi essa, fundamental: e a operação Faria Lima, começa quando? Essa pergunta resume o Brasil atual e a raiz da criminalidade que contaminou quase todas as instituições. Ou alguém acha que esses negrinhos pobres, esquálidos, carregando fuzis maiores do que eles, são os que movem o tráfico de drogas e roubo de cargas? Não, são aviõezinhos do tráfico, vendedores de papelotes de cinco gramas e miudezas afins. A Polícia Federal já começou a mostrar que o cérebro de todas as bandidagens, incluindo Bets, moedas digitais e lavagem em postos de combustíveis, está na elegante avenida Faria Lima.
A última vez que fui a São Paulo foi há dois anos, cidade que conheci em 1981 e voltei dezenas de vezes para seus programas culturais, o riquíssimo circuito alternativo de cinema, literatura e os bares da vida. Para fazer meu périplo pelas suas feiras de antiguidade, da Benedito Calixto ou da praça Don Orione. São Paulo sempre me fascinou como uma metrópole cosmopolita, de 1000 povos, mais intensa e febril do que Nova Iorque. Nessa última vez tentaram me roubar duas vezes enquanto eu buscava um carro de aplicativo para minha pousada favorita no Bixiga. Molecotes de bicicleta travestidos de iFood meteram a mão no celular, sem sucesso. Na terceira tentativa, perdi meu Iphone. Não foi na temida região do Centro ou qualquer outra boca de inferninho: eu andava pacificamente pela avenida Paulista, templo do capitalismo brasileiro, como a famigerada Faria Lima.
Roubado sob as fortes luzes da Paulista, justamente em frente a uma viatura da polícia paulista. Os caras não mexeram uma pálpebra. Os puliças do Tarcísio, matadores de pretos e pobres. O silêncio cúmplice dos falsos funcionários da segurança pública do estado de São Paulo contrastou com a solidariedade da população. Na hora, me cercaram de todos os cuidados, atenções e apoios. Um taxista, possivelmente exausto de tanta impunidade, jogou seu instrumento de trabalho por cima do delinquente, que caiu da bicicleta, patinou uns metros pelo chão, mas com habilidade para recolher o celular e desaparecer nas alamedas escuras do lado menos glamuroso da Paulista, na direção do Centro.
Maior do que perdas e riscos, foi o susto de quem nunca tinha sido vítima de um roubo dessa natureza. Dentre as providências inúteis, ainda tentaram me oferecer a bici do ladrão. “Ele te roubou mesmo, então ela agora é sua”. Agradeci a oferta e adverti: “Pode ficar pra você, mas cuidado com a polícia. Ela pode te acusar de roubo”. Essa é a São Paulo de um governador que pretende exportar seu modelo de gestão para o resto do país. Essa é a “nova” São Paulo de Tarcísio e sua polícia capturada para seu ideário fascista. Meu amigo dono da pousada na rua dos Ingleses sempre pergunta quando volto para a velha Paulicéia Desvairada. Fico enrolando com respostas vagas. Sampa Midnight agora só vive nas minhas lembranças.
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Luciano Correia (*)
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 saída do ministro Márcio Macêdo deixa o pequenino Sergipe ainda mais encolhido nos espaços no governo Lula. Se já não tava bom com ele, pior sem ele. A presença de um ministro sergipano num governo federal é comemorada como final de campeonato. Mesmo os que não remam a favor concordam que é importante para o estado, independente das paixões partidárias. Foi assim quando João Alves Filho se tornou ministro de José Sarney, no chamado governo da Nova República. João foi um dissidente do governista PDS, partido de sustentação da ditadura, um dos fundadores da Frente Liberal, movimento que resultou no PFL e que, junto com o PMDB, formaram a Aliança Democrática que elegeu Tancredo Neves, após 20 anos de presidentes militares.
Antes disso tivemos o poderoso Lourival Fontes como ministro da Propaganda de Getúlio Vargas. Tivemos ainda a discreta passagem de Leonor Franco pelo ministério da Ação Social de Itamar Franco, nos anos 90. No caso de João Alves, tido como grande obreiro e planejador, sua gestão não legou ao nosso estado mais do que as obrigações protocolares de um ministério. Foi o que ocorreu com Márcio Macêdo. Sempre recebido festivamente quando vinha a Sergipe e também recebendo sergipanos em Brasília com deferência — quer dizer: sergipanos da esfera política — não deixou nenhuma realização marcante que fizesse crer que valeu a pena.
Ainda sobre João Alves, tinha fama de sonhador, e um desses sonhos era o famigerado Canal do Xingó. Eu mesmo, como jornalista, cobri inúmeras solenidades no palácio Olímpio Campos sobre “a retomada do canal do Xingó” ou o anúncio dos recursos para finalmente iniciar a redentora obra. Isso desde antes de João ser ministro. O sonho atravessou vários governos estaduais e federais e jamais se realizou: segue sendo uma quimera. Quando dizemos que Sergipe é muito pequeno para exigir benefícios dos governos federais, é o mesmo que dizer que nossos políticos não têm, nunca tiveram, prestígio nacional para trazer obras que representem mais que o ordinário contido nos orçamentos.
Se aqui ou ali tivemos o risonho João Alves gozando da intimidade de Sarney, ou o loquaz Déda encantando os salões da corte brasiliense, nada disso se traduziu em prestígio propriamente dito. Vejamos um exemplo. Nos quase cinco anos que vivi no Rio Grande do Sul, me impressionava a capacidade do governo gaúcho arrancar grandes obras da União. Na época era governadora a senhora Yeda Crusius, tucana de baixa plumagem, portanto oposição ao presidente Lula. Mas essa diferença jamais foi obstáculo para que ela conseguisse constantemente recursos para grandes obras. A BR-116, no trecho que liga o Vale do Rio dos Sinos a Porto Alegre, vivia em estado de obras permanentes, com tantos e novos viadutos a cada semestre.
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Por Luciano Correia (*)
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á virou lugar comum repetir um comentário feito em 1992 pela equipe de marketing da campanha de eleição de Bill Clinton à presidência dos Estados Unidos. Quando se debatiam estratégias eleitorais para um discurso do candidato, alguém lembrou de forma peremptória que nada daquilo que se discutia tinha relevância no presente momento da política norte-americana. O que importava na cabeça do eleitor, de fato, era a economia e a forma como ela poderia melhorar ou piorar sua vida.
Aqui em terras de Pindorama, a mesma constatação pode ser atribuída a um segmento da sociedade brasileira que se tem revelado, dia após dia, ato após ato, um verdadeiro inimigo do povo. A população já percebeu isso e deu uma enfática resposta no dia 21 de setembro, quando voltou às ruas depois de muito tempo para dizer que cansou de um congresso feito majoritariamente de bandidos, incluindo gente envolvida com o crime organizado e o narcotráfico.
A canalhada que compõe hoje o Congresso Nacional compreendeu o recado e fez um recuo estratégico, em nome da salvação de sua intocável pele. Tanto que assistimos, ainda no domingo da virada, a uma série de deputados fazendo publicamente um mea-culpa, mesmo contrariados por dentro, mas pensando nos seus emputecidos eleitores. Mas a docilidade exibida não chegou à esquina: na noite da última quarta-feira (as patifarias sempre na madrugada!), por maioria folgada, esse Congresso de reputação duvidosa derrubou medidas de compensação tributária para garantir benefícios para a população. Por pirraça? Não: por dinheiro.
Quando uma tentativa pequena é submetida ao parlamento, mínima que seja, de arrancar um tiquinho de impostos para financiar serviços para a sociedade, a reação é o que se viu: o mugido grosso de uma gente desonesta que trabalha diariamente contra a população na base da mentira sistemática. Dessa vez, a mentira foi dizer que o projeto que eles derrubaram aumentava impostos para o povo. Mentira, mentira, mentira! A medida tirava um naquinho das Bets e dos bilionários bancos. Uma mentira inclusive repetida pela velha e venal mídia corporativa.
Quinze dias depois de uma lição dada nas ruas, a canalhada não só mostra que não aprendeu nada, como volta sua fúria contra o país e o povo. A trama da madrugada dessa quarta mostra também o descompromisso de um congresso de costas para as funções de um parlamento, desprezando todas as pautas do interesse da sociedade para antecipar uma eleição que só vai acontecer daqui a doze meses. Uns irresponsáveis que confiam eternamente na impunidade.
Pelo conjunto da obra nefasta de um congresso desses, não sobram muitas alternativas aos que lutam por um país decente, de modo que na discussão sobre medidas para resolver os problemas do país, já não importam algumas causas que neste momento soam como paliativos diante do estrago feito por um poder apodrecido. O centro dos problemas do país está aí, nessa casa tornada espúria por deputados-bandidos. Não que seja a única fonte dos problemas, mas é o principal, que deve ser combatido com igual fúria, pelo voto, nas eleições do próximo ano. Essa é a prioridade zero da gente de bem, independente de partidos ou tendências políticas.
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Por Luciano Correia (*)
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 mês de setembro, convenhamos saiu fora da curva dos últimos anos, com suas manchetes maravilhosas. O domingo que antecedeu as cores da primavera devolveu em nós uma esperança que vinha murchando mais e mais, sem conseguir ver uma luz no fim do túnel escuro em que o Brasil foi jogado pela pior escória que nos dominou nesses 525 anos. Os nossos ídolos ainda são os mesmos. Que bom que seguem os mesmos, como em 1968, quando foram às ruas na passeata dos Cem Mil, ou em 1983, pelas Diretas Já. Caetano, Chico, Gil, Djavan, Paulinho da Viola e tantos outros largaram um pouco seus batentes e subiram num trio elétrico pela democracia, pelo resto de dignidade que se pode lutar nesse país.
A força dos atos de domingo consiste primeiramente nisso: na certeza de que havíamos chegado no fundo do poço. A essa altura, é viver ou morrer. Esse cansaço e desespero enxergado pela antena fina dos nossos artistas é o mesmo fastio que contaminou a todos, as pessoas decentes que vivem honestamente suas vidas e não aguentam mais tanta bandalheira. A presença desse primeiro time da MPB foi fundamental, não pela música, evidentemente, mas pelo apelo dramático dirigido a um país atônito. E o povo atendeu ao chamado. Lavou nossa honra nas praças públicas das capitais.
O efeito foi imediato: logo nas primeiras horas já tinha deputado fazendo mea culpa, desembarcando da criminosa PEC da Bandidagem. Não há termo melhor pra definir essa infâmia. A Câmara dos Deputados, desgraçadamente, se converteu num extrato de podridão do que há de pior no Brasil atual, contaminado já algum tempo por estranhas relações com o narcotráfico, evangélicos tarados e pedófilos, milícias e policiais dos esquadrões da morte. Quem deu o voto nessa monstruosidade, perca as esperanças de uma morte feliz, de uma vida eterna em paz.
Alguém que vota numa coisa dessas não conseguirá olhar para um filho pequeno sem se constranger. Terá agora que pedir perdão eternamente, ou, como canta o próprio Gil: “Gasta um dia da vida/ tratando a ferida/ do teu coração. / Faz o espírito obeso correr, perder peso, ficar são”. Para o nobre deputado e deputada que marcaram o vergonhoso “sim” na PEC da legalização do crime, nem precisa expurgar seus pecados nas chapas quentes do purgatório, afinal, ainda na canção de Gil, “basta ver-te em teu mundo interno/ pra sacar teu inferno/ teu inferno é aqui”.
E a safra de boas notícias se completou com uma estupenda colheita, plantada por um simples discurso político. Lula, em quem eu votei várias vezes e devo votar novamente, com minhas inegociáveis ressalvas, foi maior que o Lula de todos os tempos. Lembrei do meu amigo Marcelo Déda encantado com a eleição de Barack Obama, a quem chamou de “um César negro”. Naquela quadra eu também concordei com ele, que, tristemente, não está mais aqui para ver que errou na análise. Mas ficaria maravilhado com a fala cortante, potente e responsável de seu compadre Lula.
Lula foi cirúrgico num discurso que surpreendeu sua xoxa política externa, executada por diplomatas medíocres. Quem tiver dúvidas dessa equipe meia boca, leia o grande Paulo Nogueira Batista Júnior. Foi corajoso e conferiu relevância a um evento que vinha definhando a cada reunião, fruto da falência geral da própria ONU. Pareceu jogo da seleção, quando a seleção jogava e ganhava. Lembrei de amigos espanhóis da minha temporada em Madrid, discutindo a crise de 2010 nos bares, encantados com as medidas que Lula tomara para que o Brasil atravessasse o terremoto econômico sem maiores danos à nossa economia. A esquerda espanhola citava a disposição do presidente brasileiro para cobrar atitudes de seu acovardado governo socialista.
Por fim, o abraço e a química. O velho Ulisses Guimarães dizia que política é namoro de homem. Não há dúvida. E Lula sempre entendeu isso, despejando seu charme por cima de quem encontra pela frente, seja de direita ou esquerda. O doidão laranja caiu no chaveco e agora os dois vão se sentar. Só fiquei pensando no presidiário, com aquelas obstruções intestinais, depois de ver as matérias nas TVs do mundo inteiro, indo dormir, literalmente, com a bosta presa.
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Por Luciano Correia (*)
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elo seu voto cabuloso no julgamento da tentativa de golpe de 8 de janeiro, o ministro Fux é a bola da vez para sangrar na praça pública do povo, essa disforme massa acrítica e às vezes crítica que opera sem modos ou pruridos, fazendo as vezes do que um dia chamou-se de opinião pública, ou esfera pública midiática, como se diz nos bancos acadêmicos. Alguma coisa errada com isso? Não. Absolutamente dentro das novas lógicas de disputas em que o campo tradicional do debate na mídia e nos parlamentos foi substituído pelo ringue digital das redes, sujeito inclusive ao seu detestável tribunal da internet.
Mas é assim que é, de modo que o pimpão do pomposo Fux vai ter que se acostumar, afinal, em matéria de procedimentos profanos, muito mais pra mundanos, ele não é tão neófito. A ver só por um dos exemplos pinçados para ilustrar essa assertiva, o rumoroso processo de nomeação da advogada Marianna Fux, filha do prestigiado topete jurídico, para o cargo de desembargadora no Rio de Janeiro. Não vou perorar aqui sobre a polêmica. Quem quiser detalhes, o Google tá farto em matérias sobre o caso. Tem um discurso do deputado Paulo Ramos, do PSOL do Rio, denunciando no Congresso uma trama suspeita no processo de privatização da Cedae, a companhia de águas e esgotos daquele estado, onde Luiz Fux, já então ministro, não aparece muito bem na foto.
A escalação do notável para a lista nacional do cancelamento, pois, era o previsível, dentro de um mercado de torpedeamentos full time daqueles que, no entender dos soldados dessa guerra, fizeram por merecer. E Fux fez das suas. A transcrição das conversas dele com o a dupla do mal Deltan-Moro daria, no mínimo, em demissão. Isso num país que não fosse nossa Pindorama, até um Haiti, quem sabe? Mas Fux segue fagueiro, ele e seu penteado (ou peruca?), como se esse rosário de imposturas não fosse com ele. E ainda com o topete (eitha, olhe ele aí de novo!) de dar lições e fazer alertas. Um dos grandes problemas desse moinho das redes digitais é que ele, como se disse lá atrás, opera sem pruridos. E sem compromisso com a verdade e a transparência.
Enquanto Fux mantinha-se distante do risco de nos impingir um arranhão, deixa ele lá, com suas mazelas e sua peruca. Quando ele, enfim, nos desacata com sua incrível infâmia, aí vamos cuspir no chão e jogá-lo aos leões. Se esse moinho, a exemplo da antiga esfera pública racional, fosse feito de ética, ou de alguma, pelo menos, o combate a um moralista sem tanta moral já deveria estar escalado há muito tempo.
Se o debate fosse pra valer, regido por regras claras, equilibradas e justas, a primeira pergunta a ser feita seria: mas quem diabos botou esse jabuti aí em cima? Ora, a farta cabeleira desse jabuti foi parar no topo graças a uma presidente eleita com meu voto e de milhões de brasileiros que vimos naquele momento a opção em Dilma Roussef contra a vagabundagem que nos rouba há 500 anos. Mas o PT tem dessas coisas, como sabemos. É um partido que nasceu de uma belíssima história, vindo do povo, mas que amadureceu no pior dos sentidos, envelhecendo e incorporando, com isso, os defeitos dos velhos.
Mas não quero tratar disso. Não me agrada fazer esse papel, nem acho justo sairmos do grande debate que interessa ao país para discutir a faxina interna de uma organização que, de todo modo, tem nas eleições a cada dois anos a oportunidade de corrigir rumos e se reenquadrar nesse mundo complexo de hoje. Se quiser, faz.
Quanto a Fux furado como um bode véio na feira do sertão de Tucano, antes tarde do que nunca. Ainda bem que a tal “militância”, de bunda já colada nos assentos das assessorias distribuídas pelos neocoronéis da nomeklatura petista, acordou para ir a uma guerra que jamais poderia ter perdido. Ruim com eles, pior sem eles. Depois que inventaram o cínico conceito de “pós-verdade”, motor espiritual das futuras fake news, vale tudo em briga de rua: areia nos olhos, chute nos quibas e dedo no furico. Joga bosta na Geni!
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Por Luciano Correia (*)
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olta e meia, novas decisões de alguma instância do poder público agitam a vidinha simples dos moradores de seis dos mais bucólicos bairros aracajuanos, chamados a um só tempo, pela burrice, presunção e descaso de planejadores urbanos de Zona de Expansão. Tom, aquele gato mal-humorado que vive lá em casa, até pigarreou: “Zona é o pântano onde repousa a moral dos excelentíssimos”, bronqueou vetusto bichano, dando o assunto por encerrado. Mosqueiro, Areia Branca, São José dos Náufragos (olha que nome bonito!), Matapuã, Gameleira e Robalo são sítios aprazíveis formados por comunidades antigas e hoje reforçadas por autoexilados como eu, que me bandeei para os lados do Mosqueiro há 31 anos.
O guarnicho onde me escondo já foi até reenquadrado pela prefeitura, que nos localizou recentemente na Gameleira, jogando por terra meu honrado título de Cidadão Mosqueirense, conferido pelo conde Jorge Lins, que, aliás, nos trocou pelas delícias de um apartamento de cinco quartos, ar-condicionado centralizado, ofurô num dos banheiros-academia e quatro vagas de garagem. Tudo isso no novoriquismo da Farolândia, nas barbas da avenida Beira Mar. Para terem uma ideia, nesses anos eu já tive quase uma dezena de CEPs, a ver pelo gosto da gestão da prefeitura da época, ou da Câmara de Vereadores, ou Correios.
No vácuo de autoridade, até o CEP virou bagunça ao gosto do freguês que manda. E tome confusão na hora de um cadastro, uma compra, um documento oficial. Isto porque, até hoje, em uma ou outra situação, meu CEP atual é negado, com insistência dos atendentes alegando que “esse código é inexistente, senhor” e recorrendo a um outro já enterrado. De fato, num país com uma burocracia remunerada em padrões suecos e funcionando com qualidade Haiti, seria demais esperar integração entre os sistemas de Correios-Câmaras-Prefeituras. Vai Emurbs e vem Emurbs, e esses putos não resolvem nada.
Após o frufru da última semana e a repetição do roteiro de sempre, é incrível que ninguém da chamada, ou ex-chamada, imprensa local, tenha tido a curiosidade e o dever jornalístico de fazer a pergunta que nunca tiveram coragem ou vontade:  São perguntas que poderiam ocupar as atenções de jornalistas, pelo menos os que não estão fazendo jornalismo chapa branca.
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ara que serve a poesia e a arte de forma geral? Essa é uma questão que acompanha a vida desde sempre, com correntes de todo tipo, dos que defendem uma arte engajada, revolucionária, aos que consideram que a arte basta em si, sem a necessidade de cumprir funções sociais. Longe de mim querer entrar nessa discussão que, ademais, não é terreno seguro para pisar. E por ser assim, me reservo o direito de exercer meu gosto sob o prisma mais simplório do mundo, o do meu gosto. Desconfio que admiro alguns dos grandes mestres da pintura, mas a coincidência com os critérios que os tornaram grandes é puramente casual, afinal, não gosto de outros tantos considerados vacas sagradas das artes plásticas e visuais.
Assim é para mim com a poesia: gosto ou não gosto, me toca ou não. Quer dizer, também não vamos depreciar minha capacidade de ver a boa poesia. É que este é um campo das artes dos mais delicados, verdadeiro pântano onde o joio se mistura ao trigo sem vergonha nem cerimônia, de maneira que os incautos compram gato por lebre. É por excelência também o campo em que lobistas com amplo acesso às mídias ou distribuidores de jabás contrabandeiam seus falsos talentos como se houvesse mérito em sonoras porcarias pretensiosas.
E há os chatos, estes em número maior, a todo momento nos importunando com uma baixa poesia, geralmente cifrada por imagens muito particulares, que só dizem respeito aos devaneios do dono do poema. São os hermetismos que, por serem herméticos, autorizam imbecis batizados trafegarem impunemente por melecosas academias disso e daquilo que de uma hora pra outra infestaram as cidades brasileiras. A produção “artística” que pulula nessas casas emboloradas de cultura e costumes é, ela mesma, a pior inimiga das artes e das letras, pelo embuste que embutem.
Saindo da frescura da cultura inútil para as delícias da poesia que nos toca os calcanhares, eis que chegamos aos “Poemas Passageiros” de Jeová Santana, um sergipano de Maruim, professor de literatura aposentado da rede estadual e em atividade na Universidade Estadual de Alagoas, onde vive atualmente, entre os sertões graciliânicos e aquele mar de doer a vista em Maceió. Jeová também apresentou durante alguns anos um programa sobre literatura na Aperipê FM, nos anos em que presidi aquela Fundação.
Os poemas de Jeová não são feitos pra virar livro, ele derrama poesia em cada boteco de esquina, ao perguntar as horas a uma moça bonita ou feia que vende amendoins nas calçadas ou nas mensagens por e-mail e WhatsApp. Sempre que troco dois ou três dedos de prosa (ou poesia?) com esse sarcástico leitor de poesia e prosa, penso que cada chiste, cada trocadilho barato, cada ironia fina caberiam nas páginas de livros, para empurrar deles, os livros, a cafonice piegas que geralmente impregnam de chatice suas páginas. Não têm esses artistas que se veem mudando o mundo? Pois vejam o que ele diz no poema A Galera:
“Depois de quatro horas detonando o sistema/ os meninos do rap foram céleres/ receber o cachê da prefeitura”.
Jeová tanto brinca quanto faz chorar. Em Oração dos Meninos do Brasil, curta e triste, ele clama:
“Bala perdida/ não ache meu pai./ Deixa ele vir pra casa/ uma vez mais”.
Da preocupação com os dramas sociais ao amor, o velho e bom amor nesses tempos de cólera, bálsamo de salvação dele e quem mergulha nos seus delírios, como em Ode ao Umbigo:
“Traço uma linha imaginária/ entre duas montanhas/ e um vale fosco./ Faço, da língua, periscópio/ e vasculho a fresta/ Por onde brotou a vida./ Desejo um córtex/ Que fosse ao cóccix/ Para desvendá-lo./ Ainda bem/ que ele anda ao sol. / Soubesse sua dona/ Do perigo que emana/ desse olho do cão/ tapava-lhe a visão./ Isso deixaria mais opacos/ os dias do poeta/ nesse mundo vão.”
Jeová já é calejado de ofício. Tem outros livros de poesia e de prosa, sobretudo no conto, onde navega com a mansidão de quem arrebatou muitos prêmios. Este seu Poemas Passageiros foi um lançamento bilingue, com tradução para o espanhol da professora Raquel La Corte, da UFS, numa noitinha simpática no complexo O Paiol, um oásis incrustado numa Atalaia que já não guarda nada de velha, senão as boas lembranças, em meio a essa modernização horrorosa da nossa tara por orlas. Foi também uma noite em que os gatos pingados da literatura da árida Aracaju puderam tomar uma cerveja e, entre um gole e outro, saborear poesia, como a que Jeová pregou na contracapa do livro:
“Um gatinho espatifado no asfalto/ Um cachorro dentro de uma bolsa plástica/ Um velório ao dobrar a esquina/ Ah, esse mundo.”
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Por Luciano Correia (*)
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uler Dantas é um jornalista já calejado de redações da Bahia, mas desconhecido na cena cultural sergipana. E o que tem a ver Sergipe, ora direis? É que esse baiano de Cícero Dantas aportou aqui ainda menino para viver, até entrar na faculdade de Jornalismo da UFBa, em Salvador. Em Aracaju, fez amigos, amores e deixa saudade sempre que vem ver os pais e retorna ao seu querido bairro de Santa Tereza, no Rio, onde vive já há alguns pares de anos. Aracaju, portanto, está sempre nos seus planos, dentre os quais se encontrar com este velho colega para traçarmos o ensopado de carneiro do Thales Ferraz.
Conheço Euler desde os primeiros dias do curso de Jornalismo na UFBa, embora de turmas diferentes. Até viajamos juntos de carona uma vez para o Enecom de Fortaleza, lá nos saudosos anos de 1984, num velho ônibus urbano improvisado para levar estudantes da UFPE, do Recife a Fortaleza. A carona terminou nas ruas do Recife antigo e, sabe-se lá como, conseguimos chegar a Aracaju, porto seguro dos dois quebrados estudantes.
Desde que trocou o jornalismo por muitas outras atividades, exercidas uma após outra, e a (sua, especialmente sua) idílica Salvador pelo charme hippie chique de Santa Tereza, continuou batucando letras nos teclados, mas não mais para a urgência dos diários impressos. E foi aos poucos tecendo sua literatura moderna, com cheiros, tons e semitons que fariam a alegria e festa de um Amaral Cavalcante. Euler, sem favor nem exagero, é um sopro raro numa área que respira por aparelhos, de tão carente de bons autores, ou infestada do bolodório identitário em moda, pra fazer business.
De passagem por Aracaju, para os tais amigos, família e o carneiro ensopado, aproveitei sua presença para um papo ligeiro sobre seu primeiro livro, desinventário (um almanaque arqueológico de rememórias), que li com o gosto da boa leitura, evidentemente, e da satisfação de vir de um velho colega de faculdade. Com vocês o baiano-sergipano-carioca Euler Dantas.
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Por Luciano Correia (*)
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 prisão domiciliar de Bolsonaro atiçou a nova paixão nacional, mais que novela e futebol: o chilique. Por alguns dias não se falou em outra coisa, com ameaças de fim de mundo para o caso de serem confirmadas as punições aos bandidos que tentaram um golpe de estado. Até a mesa da Câmara dos Deputados, essa instituição respeitável e vista com muuiitaaaa importância pela população, foi tomada por heroicos grevistas. O risco é a sociedade gostar de viver sem parlamento.
Na verdade, uma prisão domiciliar é uma punição meia boca, com o réu em casa, jogando videogame e comendo pão com leite Moça, o padrão gastronômico dessa figura improvável que só num país como o Brasil ganharia alguma importância. Mas é o Brasil, de miséria material, física e espiritual, onde político de rachadinhas apoiado por milícias criminosas é ídolo de pastores, juízes, promotores e empresários.
Trata-se de uma detenção com efeito meramente político, portanto, já que a vida real do infrator não fede mais do que já fedia. Num mundo de guerras virtuais, onde tacapes e bordoadas são desferidos a torto e a direito num tatame virtual, até o xilindró é de mentirinha. Pelo conjunto da obra realizada e pelo que está sendo julgado, Bolsonaro tem que ir para a Papuda, endereço do qual dificilmente escapará, afinal, bandido bom é bandido preso. Isto porque estamos numa democracia. A ver pelos vagabundos federais que tomaram de assalto (ops! Assalto?) a mesa da Câmara, bandido bom seria bandido morto. Mas a democracia não suja as mãos de sangue.
A barulheira diante de uma ordem de prisão que era a única medida cabível não pode ir além do furdúncio nas redes, até porque não poderíamos esperar outra coisa. São os tempos de uma interconectividade com eficácia de voo de galinha, que não abala os alicerces da vida real. Até o fato de o teatro de guerra ocorrer em palco virtual denuncia o isolamento de todos nós, que deixamos de viver a esfera pública analógica, de carne e osso, para as disputas simbólicas a troco de quase nada.
O diretor de cinema alemão Werner Herzog disse numa entrevista, ainda nos anos 90, que a solidão humana iria aumentar proporcionalmente ao avanço dos meios de comunicação de massa. Traduzindo em tempos de hoje, leia-se o poder das redes. O economista e escritor Eduardo Giannetti da Fonseca engrossa o caldo das preocupações e diz que a sociedade vive uma espécie de narcose digital, cujo efeito é o isolamento social, que afasta as pessoas e empobrece as experiências de vida, com a diminuição da capacidade cognitiva e da atenção concentrada.
As relações humanas vão se tornando cada vez mais superficiais. Quase ninguém mais lê um livro por mais de três minutos, porque para a leitura e vai ver o que está acontecendo nas redes sociais. No restaurante, as famílias esperam a comida sem se falar, com cada um clicando seu celular, disperso e envolto numa realidade distante. Até no cinema o sujeito busca o telefone para ver a timeline. O poder imantador da teleletrônica é avassalador e substitui a hegemonia da era da televisão, esta em pleno declínio. Mas a nova esfera pública digital não vai rasgar constituições e impor a força bruta dos atuais gangsters da política e das redes. Bandido bom é bandido preso.
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Por Luciano Correia (*)
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o mundo inteiro o jornalismo vive uma fase de precarização, dos salários ao faturamento das empresas, perdendo relevância com a substituição do lugar da notícia pelas narrativas, produzidas e turbinadas por gente de fora do circuito, os tais influencers. O problema aqui não é o espírito corporativista contra invasões de terceiros. Influencer, essa categoria amorfa e imprecisa, não tem compromisso com os protocolos do jornalismo, o rigor técnico na apuração dos fatos e uma moral regida pela ética. E se ética parecer um conceito abstrato, vai uma definição de corpus bem conceituado: o código de ética do jornalismo.
Influencer, de maneira geral, nem sabe o que é isso, e está menos ainda preocupado com essa conversa sobre ética, que lhe parece cosmética, perfumaria pura para dourar o discurso do jornalismo chamado de profissional. Jornalista não: pode ser raso na forma e no conteúdo, fraco no texto e medíocre na visão do mundo, mas passou pelo domínio de uma ferramenta tão fabulosa quanto o soro caseiro. Me refiro à linguagem jornalística, esse conjunto de regras simples, portanto não muito complexo, que através de um conceito chamado de lead dá conta da narração de um fato com a integridade mínima para informar num parágrafo de cinco linhas.
Isso nem todos dominam. Os advogados, por exemplo, alguns cultos, intelectuais refinados e muitas vezes oradores brilhantes, nem sempre conseguem dar conta de uma simples notícia factual. O jornalismo mais antigo, de antes do diploma, acusava dezenas e centenas de advogados em redações no país inteiro. Muitos, de fato, dominaram a linguagem objetiva do jornalismo, outros se perdiam numa peroração retórica de textos palavrosos. Ou, como dizia Caetano: demasiadas palavras, fraco impulso de vida.
Formado em jornalismo há pouco tempo, e ainda exercendo minha tola fúria na então alternativa e vibrante Folha da Praia, fiz a besteira que me acompanhou por quase toda minha vida: comprar pra mim a briga dos outros. Do nada, cutuquei a serpente com vara curta e recebi de volta um assustador bilhete, timbrado, com o poderoso nome de Joel Silveira no canto da folha, com a ternura digna da fama: “Você ainda vai engolir esta merda”. Não engoli. Beberrão, como sempre fui, mulherengo, como sempre admirei, aquele homem infinitamente maior do que eu se tornou meu amigo.
Ainda guardo fresca na memória a imagem de um Joel maestro, ouvindo Mozart às quatro da manhã e regendo uma orquestra imaginária no quintal do poeta Amaral Cavalcante. Era minha despedida para uma de minhas diásporas. Ganhei de presente uma fita K-7 de Mozart e a conversa com o maior repórter da imprensa brasileira, entre várias rodadas de uísque. Esse jornalista extraordinário, destemido e desprendido, o sujeito que fez da reportagem jornalística quase uma obra de arte.
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Por Luciano Correia (*)
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epois de 31 anos marchando todos os dias para os confins da antiga Rodovia Sarney, hoje Inácio Barbosa, dei adeus a meu pedacinho do Mosqueiro, onde busquei um exílio voluntário para realizar o sonho de um tabaréu vindo do interior: eu queria dormir ouvindo as ondas do mar. É verdade que nessas três décadas dei algumas escapadas para outras lonjuras: dois anos entre Maceió e Aracaju, cinco anos no Rio Grande do Sul e sete meses em Madrid. Mas enquanto flanava por aí, mantinha ativo meu guarnicho tropical atlântico.
A retomada de uma rotina acadêmica na UFS não foi tanto o motivo, mas as dificuldades para equilibrar meu corre com as novas necessidades do pequeno Jão Cabeça Quente, essa figura que veio ao mundo ainda ontem e hoje teve seu primeiro dia de escola. Com apenas um carro, não é fácil viver num Mosqueiro quase tão inóspito quanto há trinta anos, quando o comércio rareava, entre uma precariedade absurda e a pobreza de ofertas. O gasto com combustível também pesou na nossa decisão.
Quando fui realizar esse desejo de morar no mar, 100 por cento dos que me conheciam diziam que era longe e deserto. Era o espírito de província falando pelos moradores de uma capital acanhada, cuja diferença com Itabaiana, como diziam meus ceboleiros, era a quantidade de postes de luz e água salgada. Estavam certos. Os vinte ou trinta minutos pra chegar nos meus trabalhos no Centro eram uma viagem lúdica, à beira mar, pensando em tardes ensolaradas e sereias nas areias.
Quando pensou e construiu a Sarney, João Alves de fato abriu uma nova fronteira. E uma paisagem linda veio de bônus. Os anos passaram e o caminho do trabalho piorou mil por cento. O trânsito se emburreceu, com seus motoristas burros. Os governantes amesquinharam uma avenida que só queria ser passagem ao lado do paraíso. A última reforma na pista foi a pá de cal. Tiraram o velho asfalto original, ainda dos anos de 1980, e puseram uma borra que se desmancha com vento e chuva. Achando pouco, construíram um muro de pedras entre os dois sentidos da via, segregando os veículos em currais apertados, sem a menor condição de ultrapassar. A reforma trouxe isto: a proibição da ultrapassagem.
O discurso oficial dos governos, da redução de acidentes pela redução da velocidade, foi imposto na tora, ajudado por incontáveis radares caça níqueis que agora infestam os dois grandes corredores do litoral sul, a rodovia dos Náufragos e a própria Inácio Barbosa. Mais que o peso da gasolina no bolso, pesou o estresse de negociar ultrapassagens com motoristas-bandidos a cada 50 metros. A viagem do meu condomínio para a UFS hoje não dura menos que 50 ou 60 minutos, em céu de brigadeiro. Se chuviscar, com a tigrada que temos nos volantes, o percurso sobe para uma hora e meia. Joguei a toalha. De modo que hoje, como cantava Caetano bem lá atrás, foi o dia em que eu vim-me embora.
Deixei o Mosqueiro com a incômoda sensação de que pode ser definitivo e uma persistente dor no coração com a tristeza do gato Tom. Como se sabia amplamente, nunca gostei de animais, até que na meia idade fui arrebatado pela ternura de um bichaninho malandro, um pé-duro com ar de aristocrata que fez mudar minha visão da vida. Me ensinou o sentimento da compaixão e melhorou meu passeio pelo mundo. Ele me tem como pai, e eu o tenho rigorosamente como um filho. Foi quando conheci o tal amor incondicional, carinho sem taxas e tarifas a pagar.
Hoje, enquanto arrumávamos malas e sacolas e recolhíamos tralhas que seguiriam para a nova morada, Tom espreitava silencioso, de longe, num canto cabisbaixo. Tenho certeza de que intuiu nosso movimento lá dentro de sua pequena alma nobre. Olhava, só olhava, sem miar nem pedir nada. A única coisa que vinha dele era uma infinita melancolia.
Tom não quis ser como o cachorro que caiu da mudança. Ele é amor puro e sincero, mas é também território. Aquela é a sua casa e lá seguirá, ajudado agora pelos meus amigos no condomínio, vigias e jardineiros que, afinal, já eram os tios daquele intrépido gatinho de elegância inglesa. Deixei, além da saudade, a promessa de todas as quintas fazer o caminho de volta, para um weekend com você, Tom. Como aquele canto de Maria saudando o anjo Gabriel, tão belo e tão doce, no Evangelho de Lucas: você fez em mim maravilhas. Papainho foi ali e volta já.
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Por Luciano Correia (*)
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 golpe para emparedar o governo Lula começou há duas semanas com uma decisão inconstitucional do pior Congresso da história brasileira. Por muito menos, ou melhor, por algo que nem era ilegal nem inconstitucional, o esgoto nacional em que se transformou o parlamento brasileiro deu um golpe e derrubou o governo Dilma. Esse Hugo Motta é um somatório de tudo de ruim que passou naquela cadeira nos últimos anos, um Frankstein político feito das costelas de Michel Temer, Eduardo Cunha, Arthur Lira et caterva.
Com Lula não vai haver impeachment. É um golpe branco, a conta-gotas, com o saco de maldades sendo aberto todos os dias sob as mais estapafúrdias desculpas. Lula sangrará em praça pública até que seu governo chegue às eleições do próximo ano exaurido de popularidade, virtualmente condenado a uma derrota. É verdade que ele, o governo, também trabalhou pra isso. Trabalhou não é bem o termo. O melhor seria: deixou de trabalhar conquistas efetivas que fizessem o pobre homem comum lembrar do 13 naquele momento solitário em que se encontrará, ele e sua consciência, diante da urna eletrônica.
Apostar em ações como estender a isenção de imposto de renda até cinco mil reais de salário é uma pechincha que não anima nem a chamada militância. O governo Lula 3 não fez nem uma cosquinha no bolso da patrãozada e quando tentaram arrancar 1 por cento de imposto da zelite econômica, a Faria Lima começou a planejar a patifada. Sem a benevolência dos ricos, o churras voltou a ser de coração de galinha e Pitu. E se algum remediado conseguir embarcar num aeroporto, a patroa faz vídeo esculachando essa infâmia. A classe C desembarcou do Paraíso.
Nunca o país precisou tanto da liderança e experiência de Lula, mas ele parece vencido pelo tempo, cansaço e pela mediocridade de seu entorno, a começar por um ministério pífio, alguma coisa da Série D, pra ficar nas metáforas futebolísticas que o presidente gosta. Ao seu lado tem uma mulher bonita, que encantou seu coração e trouxe companhia íntima no momento mais difícil de sua vida. Parabéns para o casal, e que só a morte os separe. Mas misturar vida privada com República é coisa de amadores. Janja não tem cargo nem função pública. Mas se sente tão poderosa que ignora formalidades. Interrompe uma reunião com o maior chefe de Estado do mundo, na casa dele, pra palpitar sobre Tik Tok. E Lula não faz nada!
Quando o Brasil vetou a entrada da Venezuela nos Brics, o país encolheu ainda mais no conceito internacional de uma grande nação. Vivemos a reboque de Europa e Estados Unidos, apequenados, com Lula perdendo tempo em tirar selfie com figuras abjetas como Macron. Nossa diplomacia é raquítica, de um país que optou em ser sempre uma república de bananas. Quem elegeu Lula foi a diversidade de uma frente muitíssimo maior do que o PT, gente de bem que não queria Bolsonaro nem deseja ver o país cair na mão de outras versões do infame entreguista FHC. Essa gente é quem sustenta nossa democracia. Quando a derrubada de Dilma avançou, assistimos ao rugido grosso do MST prometendo abalar céus e terra contra o golpe. Eu mesmo imaginei as ruas vermelhas tomadas de foices e martelos pela resistência. O que se viu foi o nada absoluto, a covardia cúmplice de lideranças e parlamentares que contaram seus trinta dinheiros de emendas e optaram pelo deixa-disso. Novamente, essas oligarquias das oposições permanecem de bundas sentadas nos gabinetes, enquanto a democracia definha sob um céu de nuvens pela frente. &#8220;Lá vem o Brasil descendo a ladeira.&#8221;
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Por Luciano Correia (*)
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omo se estivéssemos bem servidos de muitos e bons jornalistas, Sergipe perdeu logo dois num dia só. Dois jovens que fizeram muito pelo desenvolvimento de nosso jornalismo e que certamente tinham muito a fazer na nossa imprensa. Mônica, carioca que chegou aqui como Dantas, e depois voltou a usar o sobrenome Pinto de solteira, teve longa carreira no extinto Cinform impresso, mas passou por outros jornais e fundou revista. Foi a editora da Sergipe +, uma publicação de variedades local infelizmente também extinta.
Assessorou a Fecomércio durante anos, construindo afetuosas relações de amizade com vários empresários locais. Era editora-chefe do portal F5 News, dos empresários Fernando Carvalho e Laércio Oliveira. Sou testemunha do carinho que os dois sentiam por ela. Sempre que me encontra, o senador Laércio sequer pergunta o tradicional “Tudo bem?”. A primeira coisa que diz é sempre: “Tem visto nossa Moniquita?” Era assim que eu a chamava.
Amigo íntimo do casal Mônica-Sidnei Xambu, frequentei suas variadas casas, aqui ou em Curitiba, como também fui frequentado por eles, fora os incontáveis almoços e cervejadas por aí, por aí. Perco uma grande amiga, Sergipe perde uma grande mulher, além da profissional competente que sempre foi. À certa altura da carreira, incorporou no seu currículo a função de biógrafa, tendo feito belíssimos trabalhos sobre empreendedores como Raimundo Souza (da antiga farmácia Galeno), Raymundo Luiz e tantos outros, incluindo o próprio comércio aracajuano, personagem de uma de suas sortidas biografias.
Mônica era uma mineira-carioca que jamais perdeu o sotaque, talvez para não se sentir tão estrangeira nos lugares onde viveu. Do Rio, conservava em Aracaju um grupo só de cariocas como ela e Xambu, aqui estabelecidos há décadas. Uma confraria de amigos muito queridos que se reuniam no seu fechado clube para falar reminiscências da cidade maravilhosa, todos, como ela, puxando até hoje aquele sotaque típico dos cariocáááxxx.
Justo quando deu por encerrada sua temporada no frio e insípido Paraná e recomeçar uma nova vida em marcha lenta na sua querida Aracaju, a doença apontou os primeiros sinais. Enfrentou o câncer com um destemor que nunca vi em ninguém mais. Uma leoa rugindo o tempo todo na resistência, pela vida, em alto astral. Foram inúmeras manhãs de sol nascendo e mergulhos na praia em frente à sua casa, que ela festejou como se fossem os últimos, pois que eram mesmos.
No último aniversário, em novembro, mesmo dia em que Mamãe completa anos, ela fez questão de minha presença, com um argumento inapelável: “Porque esse é meu último aniversário, Luc”. Tomei uma pancada com tamanha coragem. E voei de Itabaiana do meio do níver de Mamãe para a lendária Atalaia Nova a tempo de pegar a cachaça e a alegria de sua festinha entre amigos. Pouco mais de seis meses depois, ela cumpriu o aviso: nos deixou de novo perplexos, tristes, sem saber o que dizer com a falta que vai nos fazer. Voa feliz, Moniquita!
André Barros nunca foi um amigo íntimo. Vivemos de relações cordiais, mas de uma cordialidade que não é dessas que rolam por aí. Um gentleman, de tão educado, coisa rara em Sergipe dos muros baixos. Trabalhamos na CBN Aracaju, na primeira fase da CBN, quando fui encarregado da implantação do jornalismo. Ele, um âncora seguro, conhecedor como poucos da linguagem de rádio e TV, excelente texto. Era, disparadamente, o melhor jornalista e apresentador de rádio da província. Sua competência, lembre-se, nunca foi obra do acaso, senão pelos anos de estrada aqui e fora de Sergipe, nas TVs Globo e Manchete de Brasília, e em jornais.
Quando âncora da CBN, eu fazia um comentário diário, num quadro chamado de Liberdade de Expressão. Ele, gentil, provocador, sempre me estimulava abrindo um ângulo novo, fazendo daquela dobradinha um raro momento criativo de jornalismo no rádio. Nos cargos públicos que exerci, sempre me entrevistou com honestidade, perguntando tudo, mas fazendo jornalismo com qualidade, sem ser chapa branca nem ser chancelado pelos pagadores de jabás públicos e privados. Estreitamos mais os laços num café em que ele batia ponto no Riomar. Outro dia, de passagem, eu comentei com ele: “Puxa, você abandonou o posto no café, rapaz? Vamos atualizar nossas conversas, fofocar um pouco”. Ele me contou de problemas de saúde, de forma apressada e superficial. Não me dei conta da gravidade. Esta semana é que vi que não vamos mais tomar nosso café.
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Por  Luciano Correia (*)
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ncelotti chegou para salvar a pátria de chuteiras. Já está se brasilizando. Foi ao Cristo Redentor pegar uma bênção com um desses padres da moda e tomou água de coco em Copacabana. Os repórteres de TV, com a intimidade que ninguém lhes conferiu, já o tratam por “Carletto”, o apelido italiano logo transplantado para a terra das palmeiras e sabiás. Corre o risco de dar certo, afinal, só a presença de alguém com autoridade no comando de uma molecada corrompida desde o berço já melhora o astral. Foi o que vimos nas duas partidas: ganhamos de meio a zero para a apatia que nos goleava há tempos.
A corrupção no futebol de Pindorama, vê-se agora, não era monopólio da cartolada. Os exemplos de Lucas Paquetá e Bruno Henrique cometendo faltas em campo para favorecer apostas de parentes longe dos gramados é só a pontinha do iceberg das Bets compradoras de resultados. Na Copa da Rússia em 2018, famílias dos jogadores não podiam passar do portão do hotel da seleção. Dos mortais comuns, me refiro. Num dos andares do hotel a famiglia Neymar, leia-se pai &amp; filho, dava festas nababescas que faziam o corredor tremer de luxúria. Ai se as garrafas vazias de Stolichnaya falassem&#8230; Talvez um dia alguém fale.
O futebol brasileiro não é melhor nem pior do que o resto do país: as igrejas católicas e, sobretudo, as evangélicas. A universidade pública e, pior ainda, as privadas. As câmaras, assembleias e o Congresso Nacional. As artes e os artistas, se não em maioria, pelo menos metade deles. Nesse país que se tornou improvável, nem a pureza das meninas de 15 anos existe mais. Tudo se degenerou na poeira da corrupção financeira ou moral, da violência verbal gratuita nas redes e da lacração. Bolsonarismos de direita e de esquerda assolam o país, só diferindo conforme a cor da bandeira, se vermelha ou auriverde.
Ancelotti não é ingênuo nem menino. Mas deixou de ganhar mais milhões do que o que ganha na Arábia e preteriu convites para os Estados Unidos porque queria justamente estar no lugar onde está, treinando uma seleção de futebol, que, no seu imaginário de pebolista, era um sonho idílico, algo que não passa mais na cabeça daqueles 11 jogadores em campo e, muito menos, da massa embrutecida nos camarotes e arquibancadas. No futebol europeu também se vê coisas que até Deus duvida, mas o ser humano às vezes age como exceção pra confirmar a regra. Ancelotti, diante dos vários Maracanãs de uma gente que só quer levar vantagem, dentro e fora das quatro linhas, é um poeta em seu transe de artista. Que São Jorge do Futebol o proteja de nossas iniquidades.
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Por Luciano Correia (*)
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omo diria Drummond, havia uma comunicação no meio do caminho. Ou há uma incomunicação nesse caminho atrapalhado por pedregulhos. O governo da atual prefeita de Aracaju consegue o mérito de a cada semana produzir feitos ainda piores do que na anterior. É um mergulho para o nada, para o caos absoluto, uma marcha da insensatez. Sempre imaginei que não daria certo. Eu e todas as torcidas do Sergipe, Confiança e Itabaiana juntas. Só o eleitor não sabia, essa figura improvável que os marketeiros chamam, quando estão entre eles e suas cachaças, de homem cabeça-de-repolho. Estes, honestos de propósitos, esperançosos de que a antipolítica seja melhor do que a velha política, só quebram a cara.
Acho que a ficha deles, dos eleitores, caiu ainda na comemoração da vitória, quando a prefeita deixou o microfone de seu palanque ser tomado por um daqueles dois inomináveis itabaianenses que há décadas corroem da pior forma a já corroída política sergipana. O ex-governador Déda sofreu o diabo na mão desses irmãos. Há quem diga, inclusive, que sua doença se agravou e abreviou muito sua vida graças aos dissabores vividos no processo de aprovação do Proinvest, um programa de obras que só passou pela Assembleia Legislativa local após a autorização desses poderosos homens das sombras.
Quando a eleita apareceu feliz e risonha na festa da vitória, mas já ali coadjuvando um espetáculo conduzido pelo presidente-dono do seu partido, o eleitor, mesmo o mais ingênuo, jogou fora suas esperanças de que alguma coisa pudesse melhorar. E aí começou o cortejo de infortúnios. O sistema de transporte, historicamente tido como péssimo, conseguiu piorar mais. A coleta de lixo, idem, com uma empresa que foram buscar sabe-se onde, sem estrutura, expertise e capacidade técnica. A cidade virou um lixão desde 1º de janeiro, mas o pior da crise sempre será o dia de amanhã, que consegue ser mais caótico do que o de hoje.
Como se não bastasse o péssimo desempenho, amador e despreparado, nós, os contribuintes, tivemos de assistir a uma briga de egos entre a dona da cadeira de prefeita e seu ególatra vice, um sujeito que toda vez que olha para o mundo só consegue enxergar a própria imagem. Daí, arranjaram um bode: é a comunicação, culpado de todas as desgraças. Logo providenciaram uma falastrona para ser o cavalo-de-troia na execução da “política de comunicação” do secretário. Depois redobraram a aposta na criação de um porta-voz estilo anos 50, a cafonice mais apropriada à gestão mais cafona de todos os tempos.
O porta-voz até modulou o tom para supor vagamente que os vereadores não deveriam, por assim dizer, botar a faca no pescoço da prefeita. Mas foi o bastante para ouvir grunhidos de pitbulls, tal a veemência dos ataques desferidos à sua possível incontinência verbal. Ele latiu manso como um pequinês, mas não importava: os torpedos tinham o endereço do gabinete da prefeita.
O velho Ulisses Guimarães dizia que política é namoro de homem, metáfora que a gente precisa adaptar quando se trata de mulheres. A prefeita não entendeu isso ainda. Parece que está numa gincana do seu grupo escolar em Lagarto, insultando adversários e jogando para a plateia. Nisso ela é mesmo uma outsider: nunca gostou da política e odeia a categoria, embora se beneficie e aposte nessa negação como jogo pra torcida, meio de vida para ganhar eleições como a que ganhou, se vendendo ao eleitor pelo que não é.
Enquanto pula de uma crise a outra, vai surfando em questões morais ainda piores do que os governos que combateu. Agora mesmo, mal a rusga com a Câmara começou a contagem de mortos, feridos e debandados, surge o estranho aluguel de um carro blindado, ao indecoroso custo de 312 mil reais por ano para o contribuinte. Mas quem, afinal, estaria propenso a disparar tiros ou rajadas contra uma prefeita eleita incontestavelmente e ainda querida de grande parte da população? O problema desse tipo de medida é que ela é sugerida por quem conhece os fornecedores do serviço, gente da mesma área, colegas de patota. Esse é, pelo menos, o grande imbróglio da prefeita no dia de hoje. Mas amanhã… bem, amanhã será outro dia — e nunca é tarde para as armações ilimitadas dessa gestão, tão farta em promover novas emoções.
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Por Luciano Correia (*)
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 Unimed me mandou uma cartinha. Pensei que era pro meu filho pequeno, usuário desta conceituada empresa em todo o Brasil, não tão conceituada em terras de Serigy. A cartinha dele, aliás, nunca teve utilidade, afinal, a conta só chega quatro ou cinco dias depois de esgotado o prazo de pagamento. É evidente que desde cedo desisti do boleto por correios e quito a mensalidade on line. Mas esta era endereçada a este locutor que vos fala. De modo que abri entre conjecturas pueris: teria por acaso esta missiva o fito de me cumprimentar pelo meu aniversário? Na verdade, essa data é em abril, mas em se tratando de Unimed, ela não mede pontualidade na hora de levar o abraço de aniversário aos seus associados.
Ainda especulando sobre o possível teor da singela cartinha, pensei com meus desconfiados botões: já sei, reduziram a mensalidade e aumentaram o leque de hospitais para nos atender naquelas horas difíceis que todo mundo passa enquanto nasce, cresce e morre. Infelizmente também não era isso. E antes que cansem vossas paciências com outras divagações, vamos logo ao ponto: a mensagem era tão somente uma certificação de pagamento em dia, atestado insofismável para quem, alegando em falso, poderia supor minha condição de velhaco.
Achei genial, em se tratando de Unimed. Só faltou algum reconhecimento pelo cumprimento de uma obrigação. Não precisavam palavras vãs, salamaleques formais, nem beijinho, nada disso. Um simples: “Parabéns por ser um bom pagador” já aliviava a ânsia deste velho coração tão carente de gentilezas. Civilizada por carta, a Unimed deve muito na vida real. Recentemente, cortou dos usuários locais o atendimento aos dois melhores hospitais de Aracaju, São Lucas e Primavera.
Se alguém de fora de Sergipe ouvir más histórias sobre a Unimed, vão ficar sem entender, afinal, a empresa é excelente prestadora do serviço no país inteiro. Vivi cinco anos no Rio Grande do Sul e sou testemunha disso. Tenho muitos outros depoimentos semelhantes. Colegas da UFS que fizeram doutorado em Minas e experimentaram um atendimento de primeira em BH. Idem para São Paulo, enfim, para o Brasil que vai dando certo. Sergipe, a exemplo do nosso futebol rumo a todos os rebaixamentos, acompanha a sina da irrelevância também no atendimento à saúde. E quem busca saída na Unimed local, saída muito cara, por sinal, vai se habituando a um serviço de quarta divisão. Do jeito que as outras coisas nesse estado estão indo, só falta a Unimed gritar a plenos pulmões: “Euuuu, sou sergipanaaaa, com muito orgulhoooo, e com eficiência nenhuma&#8230;”
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Por Luciano Correia (*)
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ais de cinco mil prefeitos se reúnem em Brasília para um convescote disfarçado de Marcha dos Prefeitos. É uma churrascada com uísque dos melhores barris pagos com meu, seu e nosso dinheiro. Nos bastidores da imprensa na corte brasiliense se diz abertamente que nesses períodos o preço da carne alugada, o serviço oferecido pela mais antiga profissão do mundo, sofre uma disparada inflacionária. A jecada berra grosso: em reunião com Lula, ainda lascaram uma estrepitosa vaia no presidente da República.
Longe o tempo em que se respeitava autoridades. Sou de uma época em que a gente se levantava quando o professor entrava na sala de aula. O presidente da nação, fosse quem fosse, seria sempre “O Presidente”. Mesmo opositores profissionais instalados em Brasília ou nos estados, se dirigiam à autoridade máxima do país com algum respeito. Agora, até os comedores de putas ousam desancá-lo em rede nacional, on line.
De todo modo, essa conta é troco, perto da farra das emendas resultada da transformação do regime político do país em parlamentarismo orçamentário, essa excrescência aprovada por um Congresso de costas para o povo. O pior é que os recursos não saem de governo nenhum, senão do nosso bolso, afinal, pagamos a maior carga tributária do mundo, para sustentar o campeão mundial da corrupção.
Nisso de pagar impostos também somos campeões, mas só nós, o povo. Num levantamento de 2023, do Banco Mundial, fomos disparadamente o país que mais trabalhou para pagar impostos, num total de 2.600 horas no ano. Isso é mais que o dobro do segundo colocado, a Bolívia, com 1.080 horas trabalhadas. No sentido contrário, as Maldivas são o país com menor carga tributária: nenhuma hora de trabalho realizada para pagar impostos. Os Emirados Árabes vêm a seguir, com 12 horas e a Suíça é o oitavo, com 63 horas. Dá para entender, afinal, nenhum desses países sustentam o Congresso mais caro do mundo ou o Judiciário mais caro do planeta.
Após as vaias ao presidente, um dos jornalões do mercado avisou: “Acende o alerta do governo”, num misto de torcida e euforia, como bem sabemos quando tentamos olhar os jornais por dentro de suas vestes. São pequenos adendos ao cortejo de desgraças que, de fato, existem, somadas às que poderiam ser evitadas. No primeiro caso, a explosão da roubalheira do INSS, concebido, administrado e captado no governo Bolsonaro, um sujeito em cuja biografia a pecha de ladrão funciona como uma gota no oceano.
O problema é que o atual governo já manda no INSS há dois anos e meio, portanto só agora, após denúncias, resolveu tomar providências, sendo que a primeira delas foi a mobilização de sua milícia digital para apontar o dedo para Bolsonaro. Para piorar o que já não vem bem, a primeira dama, em viagem à China, se mete numa conversa entre dois chefes de estado, um deles o gestor da maior economia do mundo, para reclamar do Tiktok.
Numa hora em que o silêncio valia ouro, o presidente defendeu-a publicamente, aconselhado sabe-se lá por qual tipo de marketing político. Em vez de tratar da estabilidade do próprio lar em praça pública, Lula deveria era explicar como alguém sem cargo no governo o acompanha numa caravana oficial em viagem de trabalho. Querem mais desgraça? Pois a primeira dama confirmou tudo o que foi noticiado, disse que faria de novo, ironizou, gargalhou e botou o velho fantasma da misoginia no bolo. Essas são as opções que teremos em 2026. Nessas horas sempre lembro da canção de Chico Buarque, Acorda Amor, na qual o personagem, com medo da visita da polícia na porta de casa em plena madrugada, recorre à única alternativa que restava naquela agonia: “Chame o ladrão, chame o ladrão”, cantava o grande Chico.
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		<title>Eternamente Gal, atemporal, fenomenal, total</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/eternamente-gal-atemporal-fenomenal-total/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Nov 2022 14:05:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Perto do meio-dia, quarta-feira, 09, vejo uma mensagem no celular. Era Patrícia, jornalista de São Paulo, informando que Gal Costa acabara de partir. Patrícia, dileta amiga, produtora cultural, conheci em Malta. Patrícia, assim como eu, é andarilha. Paro tudo, ligo a TV, leio os jornais na internet. O anúncio de sua morte empurrou todos os &#8230;</p>
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<p>Perto do meio-dia, quarta-feira, 09, vejo uma mensagem no celular. Era Patrícia, jornalista de São Paulo, informando que Gal Costa acabara de partir. Patrícia, dileta amiga, produtora cultural, conheci em Malta. Patrícia, assim como eu, é andarilha.</p>
<p>Paro tudo, ligo a TV, leio os jornais na internet. O anúncio de sua morte empurrou todos os assuntos para segundo plano, colocando Gal em destaque. O comunicado da assessoria de imprensa dizia que Gal Costa morreu em casa, aos 77 anos, de causa não divulgada. Em setembro havia se submetido a uma cirurgia, estava reclusa, longe da mídia e dos palcos.</p>
<p>A ida do presidente eleito Lula a Brasília falar com os presidentes dos poderes, as eleições americanas, os bloqueios de protestos pelas estradas brasileiras, tudo ficou em segundo plano. A hora era de falar e reverenciar a memória e o riquíssimo legado da baiana soteropolitana Maria das Graças Costas Penna Burgos, nascida em 26 de setembro de 1945.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Cantar foi a vocação única de Gal Costa; foi o que ela fez de melhor.</span></p>
<p>Nascida no bairro da Graça, em Salvador, a pequena Gracinha, filha de Mariah e Arnaldo, seu pai ausente, levava uma panela ao banheiro para ter o retorno da própria voz. Ainda criança, estimulada pela mãe, queria ser uma estrela de rádio. Em 1958, sua técnica vocal mudaria com a experiência de ouvir João Gilberto, em &#8220;Chega de Saudade&#8221;.</p>
<p>No início da década de 1960 a sorte bateu à porta. Convocada às pressas pelo colunista social Sylvio Lamenha, Gal teve seu primeiro encontro com o ídolo João Gilberto. “Gracinha, você é a maior cantora do Brasil&#8221;.</p>
<p>Rebatizada de Gal Costa, ela não demoraria a confirmar a profecia de João: do começo na Bossa-nova, Gal adentrou o Tropicalismo ao lado de Caetano Veloso e Gilberto Gil, seguiu pelos caminhos da MPB e do pop, e se estabeleceu como uma das maiores vozes femininas em um país de enormes vozes femininas.</p>
<p>Consagrada por sua interpretação cristalina, que pôs a serviço dos maiores compositores da música brasileira (Dorival Caymmi, Ary Barroso e Tom Jobim mereceram dela álbuns inteiros).</p>
<p>Em poucos anos, a cantora que estreara em LP em 1967 (com “Domingo”, ao lado de Caetano Veloso), ainda bossanovista e comportada, soltou voz e cabelos, aderiu às guitarras elétricas e adotou o ideário hippie nas areias de Ipanema, nas Dunas do Barato, que em 1971 passaram a ser conhecidas como as “Dunas da Gal”.</p>
<p>Ao lado de Caetano, Gil, Maria Bethânia e Tom Zé, seus colegas de Salvador, Gal estreou em 1964 o espetáculo “Nós, por exemplo&#8230;”, que inaugurou o Teatro Vila Velha. Logo ela estava indo para o Rio, nos passos de Bethânia, que em 1965 assumiu o posto de Nara Leão no musical “Opinião”. A primeira gravação em disco se deu naquele ano, no LP de estreia da irmã de Caetano, no duo “Sol negro” (de Caetano. Em seguida, Gal gravou o primeiro compacto, com “Eu vim da Bahia” (de Gil) e “Sim, foi você” (de Caetano).</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Gal Costa também se destacou como um ícone da revolução comportamental.</span> No Rio de Janeiro, a cantora foi um mito devorador, namorava homens e mulheres, caía no mar e expandia as fronteiras de uma mulher liberada. Suas vivências solares, virou sex symbol para a juventude dourada de Ipanema. Época do desbunde. Sem ser ativista, ganhava expressão política.</p>
<p>Gal Costa passou por diferente gêneros musicais, gravou desde baião, com o rei Luiz Gonzaga, a samba, bossa nova, MPB. Interpretou Roberto Carlos, Rita Lee, Lupicínio Rodrigues, Ari Barroso, Cazuza, Tim Maia, Pablo Milanez e Mercedes Sosa. Além de Chico Buarque de Holanda. E, sempre inovando, gravou ‘Vapor Barato’ com Zeca Baleiro, e ultimamente Criolo, Annita, Tim Bernardes e Seu Jorge. Até sofrência ela gravou com Marília Mendonça na deliciosa “Cuidando de longe”. Por uma dessas tristes coincidências, Gal morreu exatamente um ano após a trágica e precoce morte de Marília Mendonça em 2021, aos 26 anos.</p>
<p>Ela aguardava o lançamento de um filme baseado em sua vida, &#8220;Meu Nome É Gal&#8221;, dirigido por Dandara Ferreira e Lô Politi, protagonizado pela atriz Sophie Charlotte. O longa deve ser lançado em 2023. Gal Costa deixa o filho, Gabriel, e sua companheira e empresária, Wilma Petrillo.</p>
<figure id="attachment_59676" aria-describedby="caption-attachment-59676" style="width: 318px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMG-20221110-WA0003.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-59676" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMG-20221110-WA0003-300x197.jpg" alt="Disco Índia" width="318" height="209" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMG-20221110-WA0003-300x197.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMG-20221110-WA0003-768x505.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMG-20221110-WA0003-310x205.jpg 310w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMG-20221110-WA0003.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 318px) 100vw, 318px" /></a><figcaption id="caption-attachment-59676" class="wp-caption-text">A capa do LP Índia &#8220;mexeu&#8221; com o articulista</figcaption></figure>
<p>Gal Costa tangenciou minha vida em diferentes épocas. Em 1973 com o disco “Índia” foi o primeiro que adquiri. O disco, na época LP, chamava minha atenção não só pelas músicas, mas também pela maravilhosa capa, mostrando as belas curvas e um minúsculo biquíni vermelho. <span class="sigijh_hlt">Aos 13 anos, testosterona saindo pelos ouvidos, a fotografia da capa me fazia viajar na imaginação. </span>A fotografia da capa é do falecido fotógrafo das estrelas Antônio Guerreiro.</p>
<p>Tive o prazer de assistir a um show do quarteto baiano “Doce bárbaros”, Gal no meio, no Canecão, no RJ. Um dos melhores shows a que assisti na vida.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Descanse em Paz Gal, Fatal, Legal, Tropical, Plural, enfim, Total. Seu nome é Gal. </span>Meu bem, meu mal. Atemporal, fenomenal. Na vitrola toca Gal, a voz de cristal.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>_____________</p>
<p><strong>(*) Luiz Thadeu Nunes e Silva</strong> é engenheiro agrônomo, palestrante, cronista, escritor e viajante. Autor do livro “Das muletas fiz asas”; o latino americano mais viajado do mundo com mobilidade reduzida. Visitou 151 países em todos os continentes da terra.</p>
<style></style><div class="wplp_outside wplp_widget_46433" style="max-width:100%;"><span class="wpcu_block_title">Últimas do Lá vem história</span><div id="wplp_widget_46433" class="wplp_widget_default wplp_container vertical swiper wplp-swiper default cols3" data-theme="default" data-post="46433" style="" data-max-elts="10" data-per-page="3"><div class="wplp_listposts swiper-wrapper" id="default_46433" style="width: 100%;" ><div class="swiper-slide" style=""><div class="insideframe"><div id="wplp_box_top_46433_100878" class="wpcu-front-box top equalHeightImg" ><div class="wplp-box-item"><a href="https://www.sosergipe.com.br/o-que-cabe-em-um-domingo/"  class="thumbnail"><span class="img_cropper" style="margin-right:4px;margin-bottom:4px;margin-left:4px;max-width:100%;"><img decoding="async" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome.jpg" style="aspect-ratio:4/3;" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome.jpg 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome-300x149.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome-1024x510.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome-768x382.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome-660x330.jpg 660w" alt="O que cabe em um domingo?" class="wplp_thumb" /></span></a><a href="https://www.sosergipe.com.br/o-que-cabe-em-um-domingo/"  class="title">O que cabe em um domingo?</a></div></div><div id="wplp_box_left_46433_100878" class="wpcu-front-box left wpcu-custom-position" ><div class="wplp-box-item"></div></div><div id="wplp_box_right_46433_100878" class="wpcu-front-box right wpcu-custom-position" ><div class="wplp-box-item"></div></div><div id="wplp_box_bottom_46433_100878" class="wpcu-front-box bottom " ><div class="wplp-box-item"><span class="custom_fields">
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		<title>Shoppings RioMar e Jardins promovem shows em homenagem às mães neste final de semana</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/shoppins-riomar-e-jardins-promovem-shows-em-homenagem-as-maes-neste-final-de-semana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Só Sergipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 May 2022 12:53:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Os Shoppings RioMar e Jardins promovem, neste final de semana, shows para homenagear as mães. O RioMar, por exemplo, vai reunir os covers oficiais de eternos astros da MPB e pop nacional. O Jardins terá shows com o Projetos Bacuri e Mariola, Acaciamaria, Samba de Moça Só, Mayra Félix e outros talentos sergipanos integram a &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fshoppins-riomar-e-jardins-promovem-shows-em-homenagem-as-maes-neste-final-de-semana%2F&amp;linkname=Shoppings%20RioMar%20e%20Jardins%20promovem%20shows%20em%20homenagem%20%C3%A0s%20m%C3%A3es%20neste%20final%20de%20semana" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fshoppins-riomar-e-jardins-promovem-shows-em-homenagem-as-maes-neste-final-de-semana%2F&amp;linkname=Shoppings%20RioMar%20e%20Jardins%20promovem%20shows%20em%20homenagem%20%C3%A0s%20m%C3%A3es%20neste%20final%20de%20semana" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fshoppins-riomar-e-jardins-promovem-shows-em-homenagem-as-maes-neste-final-de-semana%2F&amp;linkname=Shoppings%20RioMar%20e%20Jardins%20promovem%20shows%20em%20homenagem%20%C3%A0s%20m%C3%A3es%20neste%20final%20de%20semana" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fshoppins-riomar-e-jardins-promovem-shows-em-homenagem-as-maes-neste-final-de-semana%2F&amp;linkname=Shoppings%20RioMar%20e%20Jardins%20promovem%20shows%20em%20homenagem%20%C3%A0s%20m%C3%A3es%20neste%20final%20de%20semana" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fshoppins-riomar-e-jardins-promovem-shows-em-homenagem-as-maes-neste-final-de-semana%2F&#038;title=Shoppings%20RioMar%20e%20Jardins%20promovem%20shows%20em%20homenagem%20%C3%A0s%20m%C3%A3es%20neste%20final%20de%20semana" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/shoppins-riomar-e-jardins-promovem-shows-em-homenagem-as-maes-neste-final-de-semana/" data-a2a-title="Shoppings RioMar e Jardins promovem shows em homenagem às mães neste final de semana"></a></p><p>Os Shoppings RioMar e Jardins promovem, neste final de semana, shows para homenagear as mães. O RioMar, por exemplo, vai reunir os covers oficiais de eternos astros da MPB e pop nacional. O Jardins terá shows com o Projetos Bacuri e Mariola, Acaciamaria, Samba de Moça Só, Mayra Félix e outros talentos sergipanos integram a programação voltada a toda a família.</p>
<p>No palco do ‘Estrelas pra Sempre’, no Shopping RioMar, as músicas imortalizadas nas vozes de Cássia Eller, Tim Maia, Raul Seixas, Cazuza e Renato Russo, serão relembradas através de um tributo com os mais famosos covers brasileiros como Nathália Côrte, Djalma Sperandéo, Ayrton Ramos, Valério Araújo e Dário Aaron.</p>
<p>O show acontece na área externa shopping em frente ao deck park, a partir das 19h. Serão duas horas de um espetáculo único, que vai reunir um repertório especial para celebrar a todas as mães.  A classificação etária é livre para todos os públicos.</p>
<p>Para presentear as mães com esse encontro imperdível, até no dia 6 de maio, o cliente poderá participar da campanha promocional Minha Mãe, Minha Estrela promovida pelo shopping.</p>
<p>Até o dia 6 de maio, compras nas lojas e plataforma digital, acima de R$ 150 + R$ 30, dão direito a kit almofada Pipoca com 1 almofada, 1 balde de pipoca, dois copos e mais 2 ingressos para o show Estrelas Pra Sempre. A apresentação das notas fiscais é realizada no Posto de Trocas, localizado ao lado do RioMar Theatre, ao lado do restaurante Madero.    O regulamento da campanha poderá ser conferido no <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://riomararacajuonline.com.br/">riomararacajuonline.com.br</a></span></strong> .</p>
<p><strong>Jardins</strong></p>
<p>O Shopping Jardins, no sábados e domingos acontecem shows musicais gratuitos na Vila Tulipa, espaço temático com experiências sensoriais instalado na Praça de Eventos Ipê, em frente à loja Riachuelo.</p>
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<p>As apresentações seguem até o dia 29 de maio, sempre aos sábados e domingos, às 16h. O acesso à Vila Tulipa é gratuito.</p>
<h2>Confira as atrações:</h2>
<figure id="attachment_51457" aria-describedby="caption-attachment-51457" style="width: 338px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Design-sem-nome-42.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-51457" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Design-sem-nome-42-300x149.png" alt="The Voice+" width="338" height="168" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Design-sem-nome-42-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Design-sem-nome-42-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Design-sem-nome-42-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Design-sem-nome-42-660x330.png 660w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Design-sem-nome-42-1050x525.png 1050w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Design-sem-nome-42.png 1209w" sizes="auto, (max-width: 338px) 100vw, 338px" /></a><figcaption id="caption-attachment-51457" class="wp-caption-text">Acáciamaria, uma das atrações  Foto: Rose Garcia</figcaption></figure>
<p><strong>7/05 (sábado, 16h)</strong> – Projeto Mariola;<br />
<strong>8/05 (domingo, 16h)</strong> – Acaciamaria;</p>
<p><strong>14/05 (sábado, 16h)</strong> – Projeto Bacuri;<br />
<strong>15/05 (domingo, 16h)</strong> – Maria Milena;</p>
<p><strong>21/05 (sábado, 16h)</strong> – Celda Fontes &amp; Sany Fontes;<br />
<strong>22/05 (domingo, 16h)</strong> – Samba de Moça Só;</p>
<p><strong>28/05 (sábado, 16h)</strong> – Projeto Bacuri;<br />
<strong>29/05 (domingo, 16h)</strong> – Mayra Félix.</p>

			</div></div>
<p><strong>Vila Tulipa</strong></p>
<p>Na Praça de Eventos Ipê, o público embarca em uma instigante viagem pelo universo cervejeiro e conhece o importante papel desempenhado pelas mulheres na criação da bebida. Às terças-feiras, acontecem degustações da cervejaria Uçá e, a partir de 13 maio, serão realizados workshops com a sommelier Ana Franco.</p>
<p>Sessões fotográficas, oficinas do Senac para mães e filhos, rodas de conversa e promoção compre e ganhe kit Stella Artois também integram a programação em homenagem às mães. O roteiro completo da diversão está disponível no site <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://shoppingjardins.com.br/#novidades?novidade/1026/brinde_ao_que_te_faz_mae">shoppingjardins.com.br</a>.</span></strong></p>
<style></style><div class="wplp_outside wplp_widget_46150" style="max-width:100%;"><span class="wpcu_block_title">Últimas notícias:</span><div id="wplp_widget_46150" class="wplp_widget_default wplp_container vertical swiper wplp-swiper default cols3" data-theme="default" data-post="46150" style="" data-max-elts="10" data-per-page="3"><div class="wplp_listposts swiper-wrapper" id="default_46150" style="width: 100%;" ><div class="swiper-slide" style=""><div class="insideframe"><div id="wplp_box_top_46150_101020" class="wpcu-front-box top equalHeightImg" ><div class="wplp-box-item"><a href="https://www.sosergipe.com.br/setembro-tempo-de-esperancar/"  class="thumbnail"><span class="img_cropper" style="margin-right:4px;margin-bottom:4px;margin-left:4px;max-width:100%;"><img decoding="async" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/09/ChatGPT-Image-4-de-set.-de-2026-17_11_17.png" style="aspect-ratio:4/3;" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/09/ChatGPT-Image-4-de-set.-de-2026-17_11_17.png 1312w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/09/ChatGPT-Image-4-de-set.-de-2026-17_11_17-300x274.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/09/ChatGPT-Image-4-de-set.-de-2026-17_11_17-1024x936.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/09/ChatGPT-Image-4-de-set.-de-2026-17_11_17-768x702.png 768w" alt="Setembro, tempo de esperançar" class="swiper-lazy wplp_thumb" /><div class="swiper-lazy-preloader"></div></span></a><a href="https://www.sosergipe.com.br/setembro-tempo-de-esperancar/"  class="title">Setembro, tempo de esperançar</a></div></div><div id="wplp_box_left_46150_101020" class="wpcu-front-box left wpcu-custom-position" ><div class="wplp-box-item"></div></div><div id="wplp_box_right_46150_101020" class="wpcu-front-box right wpcu-custom-position" ><div class="wplp-box-item"></div></div><div id="wplp_box_bottom_46150_101020" class="wpcu-front-box bottom " ><div class="wplp-box-item"><span class="custom_fields">
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		<title>O grafismo de Bruno Macacore transforma o bairro Bugio, em Aracaju</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/o-grafismo-de-bruno-macacore-transforma-o-bairro-bugio-em-aracaju/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Antonio Carlos Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 May 2021 10:00:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Se você quiser ouvir o canto dos pássaros, não compre gaiola. Plante árvores!”. Essa é apenas uma das muitas mensagens espalhadas pelo bairro Bugio, em Aracaju, pelo grafiteiro e artista plástico Bruno Bezerra Santos, mais conhecido como Bruno Macacore. Há 13 anos, ele promove diversas atividades culturais no bairro desde que fundou o Movimento Macacore, &#8230;</p>
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<p style="text-align: justify;">“Se você quiser ouvir o canto dos pássaros, não compre gaiola. Plante árvores!”. Essa é apenas uma das muitas mensagens espalhadas pelo bairro Bugio, em Aracaju, pelo grafiteiro e artista plástico Bruno Bezerra Santos, mais conhecido como Bruno Macacore. Há 13 anos, ele promove diversas atividades culturais no bairro desde que fundou o Movimento Macacore, hoje incorporado ao seu nome. Mas o que é mesmo Macacore?  É a abreviatura de Movimento Ambientalista Comunicador Artístico Cultural Opositor Reformador Ecológico. Há, ainda, outro detalhe para explicar o nome do movimento. É que Bugio é o nome de uma das espécies de macacos.</p>
<p style="text-align: justify;">A pandemia da Covid-19 frustrou os planos de Bruno Macacore, mas não sua disposição. Um dos projetos é ter, no bairro, uma galeria de arte. Hoje, Bruno já tem os instrumentos necessários para uma banda, que antes da pandemia fazia apresentações em diversos bairros de Aracaju. “Já fizemos trabalhos no Incra, onde revitalizamos uma parede, fizemos  no Centro de Criatividade,  nos bairros Coroa do Meio, América e aqui no Bugio atuamos bastante”, afirmou.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Favela-do-Amor.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-40428 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Favela-do-Amor.png" alt="" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Favela-do-Amor.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Favela-do-Amor-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Favela-do-Amor-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Favela-do-Amor-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Favela-do-Amor-660x330.png 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a>Ele lembra de uma atividade na Comunidade do Amor (ou Favela do Amor), anteriormente chamado de  loteamento Anchietão.  “Foi sensacional o trabalho que fizemos ali. Grafitamos 47 barracos, chegamos junto das pessoas e levamos cestas básicas a 270 moradores. É algo que quero voltar a fazer”, deseja Bruno Macacacore.</p>
<h2 style="text-align: justify;"><strong>Inspiração</strong></h2>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Design-sem-nome-2021-05-21T165331.159.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-40438 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Design-sem-nome-2021-05-21T165331.159-300x300.png" alt="" width="142" height="142" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Design-sem-nome-2021-05-21T165331.159-300x300.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Design-sem-nome-2021-05-21T165331.159-1024x1024.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Design-sem-nome-2021-05-21T165331.159-150x150.png 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Design-sem-nome-2021-05-21T165331.159-768x768.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Design-sem-nome-2021-05-21T165331.159.png 1080w" sizes="auto, (max-width: 142px) 100vw, 142px" /></a>Desde criança que a arte segue os caminhos de Bruno Macacacore. Ele lembra que, quando tinha 8 anos de idade, sua referência foi o amigo Edilson, dono de salão de corte de cabelo e também artista plástico. Como Bruno ia sempre ao salão, começou a ter contato com a arte plástica e também ouvia MPB e rock. “Ele me incentivou e fui desenvolvendo por conta própria. Foi um toque que tive e levei para a minha vida”, disse.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Design-sem-nome-2021-05-21T163050.116.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-40432 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Design-sem-nome-2021-05-21T163050.116-300x300.png" alt="" width="157" height="157" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Design-sem-nome-2021-05-21T163050.116-300x300.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Design-sem-nome-2021-05-21T163050.116-1024x1024.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Design-sem-nome-2021-05-21T163050.116-150x150.png 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Design-sem-nome-2021-05-21T163050.116-768x768.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Design-sem-nome-2021-05-21T163050.116.png 1080w" sizes="auto, (max-width: 157px) 100vw, 157px" /></a>“Era algo que me movia e no decorrer do tempo foi acontecendo. Sempre estive ligado ao teatro, shows, enfim, à cultura como um todo. E são 13 anos nisso”, completou Bruno Macacore. Nesse tempo de estrada, ele viajou o país mostrando, não só a sua arte, mas as produzidas por outros artistas do Bugio e de Aracaju. “Fizemos um intercâmbio cultural em Curitiba, levamos o nosso forró nordestino e aprendemos sobre a bela cultura curitibana. No momento em que a pandemia passar, queremos voltar a Curitiba e, também, trazer, os artistas de lá para vivenciarem nossa cidade, nosso bairro”, afirmou.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Design-sem-nome-2021-05-21T163404.372.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-40433 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Design-sem-nome-2021-05-21T163404.372-300x300.png" alt="" width="141" height="141" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Design-sem-nome-2021-05-21T163404.372-300x300.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Design-sem-nome-2021-05-21T163404.372-1024x1024.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Design-sem-nome-2021-05-21T163404.372-150x150.png 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Design-sem-nome-2021-05-21T163404.372-768x768.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Design-sem-nome-2021-05-21T163404.372.png 1080w" sizes="auto, (max-width: 141px) 100vw, 141px" /></a>Enquanto esse dia não chega, Bruno Macacore segue, com sua arte embelezando as escolas estaduais e municipais do Bugio, afinal, como ele mesmo diz, “tem muita coisa a ser feita”. E nesse ritmo intenso de trabalho, do fazer arte, é sempre bom dar uma pequena pausa para refletir o que o poeta Fernando  Pessoa ensina num poema que pode ser lido numa das paredes do Bugio. “Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol;  ambos existem, cada um como é”.</p>
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