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	<title>Arquivo para Aristóteles - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 11 Sep 2026 15:22:42 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Razão e Sensibilidade — A propósito do ato de explicar e do comover-se ante a arte literária</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Sep 2026 15:08:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Incidental — Considerações Estéticas a Qualquer Momento]]></category>
		<category><![CDATA[Aristóteles]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
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		<category><![CDATA[literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Léo Mittaraquis (*) &#160; Para Tiago Nascimento, com maior gratidão &#160; Este artiguete, mais um a compor a prateleira dos desimportantes escritos meus, saltou-me do pensamento após profícua e agradabilíssima conversa com o amigo dotado do mais alto calibre intelectual, Tiago Nascimento. O &#8216;amico e fratello&#8217; questionou-me, com acerto e mestria, se, ao &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/razao-e-sensibilidade-a-proposito-do-ato-de-explicar-e-do-comover-se-ante-a-arte-literaria/">Razão e Sensibilidade — A propósito do ato de explicar e do comover-se ante a arte literária</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>Para Tiago Nascimento, com maior gratidão</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">E</span>ste artiguete, mais um a compor a prateleira dos desimportantes escritos meus, saltou-me do pensamento após profícua e agradabilíssima conversa com o amigo dotado do mais alto calibre intelectual, Tiago Nascimento.</p>
<p>O &#8216;amico e fratello&#8217; questionou-me, com acerto e mestria, se, ao pôr-me a explicar o poema que concebo, estaria ou não comprometendo o livre fluxo emotivo, passional [favorável ou desfavorável] reconhecido por direito no leitor, quando da leitura e interpretação deste ante lira da minha lavra. Algo como dar um “spoiler&#8221; da história, antes que o ouvinte e legente chegasse às suas próprias conclusões.</p>
<p>Ou seja: valer-se da razão, da realidade operatória relacionada à produção poética [verso e/ou prosa], elimina a possibilidade de sentimento, de empatia, de exercício da subjetividade espiritual quanto à obra?</p>
<p>A resposta direta e que apresentei ao nobilíssimo companheiro foi: não, não elimina, não compromete. Explicar o escrito não significa negar os efeitos subjetivos, de ordem pessoal, de acordo com o perfil do leitor.</p>
<p>Contudo, mantendo-me, em meio ao espectro das tremendas possibilidades da palavra dita e escrita, na raia da honestidade, após insone noite a refletir sobre o tema fermentado entre taças de vinho, passei a concordar que o &#8220;risco”, ainda que mínimo, de se revestir de aridez, mediante o dissecar do poema [ou do conto, ou do romance…] é potencial, e há, sim, como diria Aristóteles, possibilidade de o risco tornar-se ato.</p>
<p>Existe, creio, uma, por assim dizer, oposição aparentemente inevitável entre duas maneiras de aproximar-se de uma obra de arte, seja de qual gênero for; seja de que subcampo for; sejam quais forem os agentes estruturantes envolvidos — a parafrasear Pierre Bourdieu.</p>
<p>De um lado, entendo que está o leitor passional, este que se abandona à obra.</p>
<p>Qual o perfil deste leitor? Ele lê, sente, imagina, sofre, admira, rejeita, identifica-se, odeia, estranha, emociona-se. Nem de longe se interroga [ou questiona o autor] pela estrutura narrativa, pelo procedimento retórico, pela construção do personagem, pelo regime temporal, pela função do narrador ou pela arquitetura simbólica. Ele simplesmente lê.</p>
<p>De outro lado está o leitor que deseja compreender.</p>
<p>Este segundo leitor sente-se à vontade ao interrogar a obra e o autor.</p>
<p>Chega, até mesmo, a questionar, de modo fundamentado, seu próprio ato de ler esta ou aquela produção. Inquire como foi elaborada, quais procedimentos foram utilizados, quais relações foram estabelecidas entre as partes do dado objeto, qual tradição [isto é, o processo dinâmico de transmissão, recepção e reinterpretação crítica de valores, formas e textos que fundam e transformam o cânone cultural] incorpora, quais recursos formais decide por mobilizar, como passa a organizar seus efeitos e por que determinada configuração produz determinado resultado.</p>
<p>O primeiro parece experimentar.</p>
<p>O segundo parece investigar.</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>A partir daí surge uma questão aparentemente simples: se eu compreendo racionalmente como uma obra produz seus efeitos, ainda posso ser afetado por ela?</p>
<p>Ou, formulada em termos mais radicais: o conhecimento técnico da produção do efeito estético destrói o próprio efeito estético?</p>

			</div></div>
<p>Esta questão, penso, contém um problema filosófico de considerável alcance: se a resposta for afirmativa, toda educação estética possuiria um paradoxo fundamental: quanto mais o indivíduo compreender o fenômeno arte, menos será capaz de experimentá-lo, de usufruí-lo mediante a inclinação pura e simples de gostar ou não gostar.</p>
<p>Aceito, e mais ainda após vigília noturna em torno do problema, que não existe, necessariamente, de um lado, uma faculdade racional absolutamente pura e, de outro, uma faculdade emocional absolutamente pura. A perspectiva distanciadora durkheimiana, calcada no binômio &#8220;exterioridade-coercitividade, apesar de sólida e pertinente, não funciona satisfatoriamente aqui. A percepção humana é muito mais complexa.</p>
<p>Afirmo, então, que quando o leitor/espectador acompanha/lê, por exemplo, uma tragédia, ele, provavelmente e simultaneamente, caso tenha capital intelectual para tanto, irá assimilar a estrutura; irá reconhecer a técnica;</p>
<p>Irá interpretar os símbolos; irá</p>
<p>perceber a construção dos personagens; irá</p>
<p>antecipar procedimentos narrativos e, ainda assim, sofrer diante do destino da personagem.</p>
<p>A consciência do mecanismo não implica necessariamente a interrupção da experiência espiritual.</p>
<p>Diria, então, improbabilíssimo leitor, que a questão não é:</p>
<blockquote><p>“Ou sinto ou compreendo.”</p></blockquote>
<p>A questão verdadeiramente estética é:</p>
<blockquote><p>“O que acontece, em mim, quando compreendo aquilo que sinto e sinto aquilo que compreendo? Como as coisas se dão neste âmbito?&#8221;</p></blockquote>
<p>Defendo que essa formulação vem a deslocar a estética de uma oposição simplista entre racionalismo e sentimentalismo para uma concepção integrada da experiência.</p>
<p>A obra não precisa ser estupidamente imprensada entre o compreender e o sentir. Aqueles que criam, que leem, que assistem, que ouvem, que tocam, também não.</p>
<p>Não temos que nos obrigar a bater o martelo e encerrar a disquisição, virando as costas para a oportunidade de envidar salutar discussão.</p>
<p>Quem sabe, a maturidade estética venha a consistir, em resumo, justamente, na capacidade de conservarmos a sensibilidade depois da aquisição do conhecimento.</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Conservadores, a lei e política na escola</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/conservadores-a-lei-e-politica-na-escola/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Valtenio Paes de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jul 2026 12:45:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Aristóteles]]></category>
		<category><![CDATA[condomínios]]></category>
		<category><![CDATA[conservadores]]></category>
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		<category><![CDATA[social]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Valtênio Paes de Oliveira (*) &#160; Na sua origem, a Lei de Diretrizes e Bases do ensino brasileiro já estabelecia a necessidade de abordar política como conteúdo nas escolas. Em matérias como história, sociologia e filosofia, a abordagem, pelas próprias características dos conteúdos, já era recorrente, em que pese que educadores e familiares &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fconservadores-a-lei-e-politica-na-escola%2F&amp;linkname=Conservadores%2C%20a%20lei%C2%A0e%C2%A0pol%C3%ADtica%20na%20escola" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fconservadores-a-lei-e-politica-na-escola%2F&amp;linkname=Conservadores%2C%20a%20lei%C2%A0e%C2%A0pol%C3%ADtica%20na%20escola" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fconservadores-a-lei-e-politica-na-escola%2F&amp;linkname=Conservadores%2C%20a%20lei%C2%A0e%C2%A0pol%C3%ADtica%20na%20escola" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fconservadores-a-lei-e-politica-na-escola%2F&amp;linkname=Conservadores%2C%20a%20lei%C2%A0e%C2%A0pol%C3%ADtica%20na%20escola" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fconservadores-a-lei-e-politica-na-escola%2F&#038;title=Conservadores%2C%20a%20lei%C2%A0e%C2%A0pol%C3%ADtica%20na%20escola" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/conservadores-a-lei-e-politica-na-escola/" data-a2a-title="Conservadores, a lei e política na escola"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Valtênio Paes de Oliveira (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">N</span>a sua origem, a <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm" target="_blank" rel="noopener">Lei de Diretrizes e Bases</a></span> do ensino brasileiro já estabelecia a necessidade de abordar política como conteúdo nas escolas. Em matérias como história, sociologia e filosofia, a abordagem, pelas próprias características dos conteúdos, já era recorrente, em que pese que educadores e familiares conservadores de todos os matizes rejeitassem a prática.</p>
<p>Os artigos 1º, 3º, 14, 22, 27, 32, 35 –D, 43 e tantos outros do mencionado diploma, expõem a necessidade de abordagens sobre política em sala de aula. Agora, a Lei nº15468/26,  alterou o  artigo 26 da lei 93994/96, mentora das  Diretrizes e Bases da educação brasileira reafirmando  expressamente: § 9º-B. “Educação política e direitos da cidadania constituirão componente curricular obrigatório no âmbito do estudo da realidade social e política a que se refere o § 1º deste artigo”.</p>
<p>Política deve ser vista como processo de organização, tomada de decisões e resolução de conflitos em uma sociedade. Ela envolve a distribuição de poder e a definição de regras que afetam a vida coletiva, buscando harmonizar interesses diferentes, para o bem-estar nas instituições sociais.</p>
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<p><strong>Aristóteles,</strong> desde a antiguidade grega, já dissera: “o homem é um animal político”. <strong>Platão</strong> via a política como busca da justiça social.  Para <strong>Maquiavel</strong>, política é a busca pelo poder, “vontade geral”; para <strong>Marx,</strong> política é instrumento de dominação de classe. O tema é amplo, estende-se por cursos, pesquisas e teorias e não será nossa pretensão aprofundá-lo neste momento. Rapidamente, direcionamos o foco para quem foge de abordá-lo na escola.</p>

			</div></div>
<p>A bem da verdade científica, cabe em qualquer matéria de ensino, porque todos os conteúdos curriculares têm vinculação com alguma realidade humana. Como se vive em sociedade, torna-se impossível isolar a conexão. Muito se escuta: “não gosto de política&#8230; não falo sobre política&#8230;”, porém a própria afirmação já é um ato político.  Quem se omite, participa a favor do vencedor, facilitando a vitória pela omissão. Quem não vota, não se posiciona, não interage, contribui sempre para o mais poderoso ganhar e imperar.</p>
<p>Nas relações de poder entre líderes e liderados, na família, associações, sindicatos, escolas, condomínios, esportes, cultura, empresas, igrejas, clubes e demais instituições, a política rege toda vivência humana. Enfim, como todo processo de organização da sociedade envolve tomada de decisões e resolução de conflitos, assim, exige distribuição de poder conectada à ação política. A vivência coletiva impõe a harmonização de interesses diferentes para o bem-estar comum.</p>
<p>Dentro da família, nas agremiações esportivas, nos partidos políticos, na igreja, no sindicato, nas atividades sócio-recreativas, nos parlamentos, nos colegiados ou no trabalho em geral, sempre poder e política comandam a liga da convivência. A opção pela democracia é e será conduta virtuosa.  A opção  pela rejeição beneficia o atraso no saber  e na política, ao mesmo tempo que reforça o conservadorismo, descaracterizando a função da escola.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>É loucura ou inteligência?</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/e-loucura-ou-inteligencia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rocelito Paulo Pinto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 May 2023 08:59:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
		<category><![CDATA[Aristóteles]]></category>
		<category><![CDATA[conselheiro]]></category>
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		<category><![CDATA[Tranquilidade da Alma]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Nunca existiu uma grande inteligência sem uma veia de loucura.” Aristóteles (Citado por Sêneca, em Tranquilidade) José Barba Longa era um bom sujeito, e como tal, morava na praia, com vista privilegiada para o mar. Sua moradia ficava em um morro que despenca sobre as ondas do oceano, seu domicílio era uma brecha entre as &#8230;</p>
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<figure id="attachment_64150" aria-describedby="caption-attachment-64150" style="width: 137px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Design-sem-nome-2023-03-10T111107.898.png"><img decoding="async" class=" wp-image-64150" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Design-sem-nome-2023-03-10T111107.898.png" alt="Rocelito Paulo Pinto" width="137" height="191" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Design-sem-nome-2023-03-10T111107.898.png 1080w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Design-sem-nome-2023-03-10T111107.898-216x300.png 216w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Design-sem-nome-2023-03-10T111107.898-737x1024.png 737w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Design-sem-nome-2023-03-10T111107.898-768x1067.png 768w" sizes="(max-width: 137px) 100vw, 137px" /></a><figcaption id="caption-attachment-64150" class="wp-caption-text">Rocelito Paulo Pinto (*)</figcaption></figure>
<p>José Barba Longa era um bom sujeito, e como tal, morava na praia, com vista privilegiada para o mar. Sua moradia ficava em um morro que despenca sobre as ondas do oceano, seu domicílio era uma brecha entre as pedras, abrigada das águas marinhas e pluviais.</p>
<p>Sua refeição eventual vinha ora da pesca, quando o mar compassivo lhe permitia um agrado písceo, ora do restaurante, quando ele ficava de butuca nos carros dos clientes, ou da sopa doada uma vez por semana pelo pessoal da Igreja que ele ia buscar muito mais pelo sorriso que recebia do que pela refeição, afinal, eram meninas bonitas, perfumadas, bem-vestidas e de boa família, e que educadamente lhe falavam “boa noite!”, “que Deus o proteja!”, “até semana que vem, seu José!”</p>
<p>Sua alcunha já o descrevia, seus longos cabelos brancos desgrenhados lhe ditavam a idade, não precisava detalhá-lo em mais nada, mas nem sempre foi assim&#8230;</p>
<p>José Barba Longa começou a vida vendendo livros de porta em porta, numa época em que não tinha barbas, época em que comprar livros era expressão social de cultura e economia, e toda casa de gente importante tinha uma estante repleta de livros; época em que o vendedor de livros não era confundido com político, religioso, pedinte, defensor intransigente da natureza ou consultor de cosméticos.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Design-sem-nome-13.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-66489 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Design-sem-nome-13.png" alt="" width="224" height="224" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Design-sem-nome-13.png 1080w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Design-sem-nome-13-300x300.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Design-sem-nome-13-1024x1024.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Design-sem-nome-13-150x150.png 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Design-sem-nome-13-768x768.png 768w" sizes="auto, (max-width: 224px) 100vw, 224px" /></a>José era até um bom vendedor de livros, mas era muito melhor na resenha, pois sabia sintetizar o conteúdo sem contar a história, e na maior parte das vezes sua versão era melhor do que a do próprio livro e, assim, José valorizava as obras que vendia. Muitas pessoas compravam livros do José, não pelo livro, mas pela pessoa que era José.</p>
<p>Um dia disseram a José que ele venderia muito mais se, ao invés de caminhar com os livros até os clientes, ele fizesse com que os clientes caminhassem até os livros que ele vendia, porque assim ele teria mais livros para vender e as pessoas teriam mais obras para comprar, e ele, por sua vez, ganharia mais dinheiro&#8230;</p>
<p>José pensou “que mal tem em ganhar mais dinheiro?”. Então José alugou uma porta, e ali estacionou seus livros, mas os antigos clientes ainda pediam que José continuasse a levar os livros em seus domicílios, porque assim eles não perderiam tempo escolhendo títulos quando José já poderia levá-los escolhidos. E José passou a vender livros de dia em sua pequena porta, e no final da tarde corria para vender livros nas portas dos clientes.</p>
<p>Um dia o cansaço tomou conta de José, e percebendo que já tinha barba por fazer, também viu que não dava mais conta de vender e levar livros, e assim contratou um auxiliar para entregá-los, mas não demorou muito e os antigos clientes que recebiam livros em casa, passaram a caminhar até a sua minúscula livraria, com a desculpa de que o auxiliar que entregava livros não era o José, pois só ele sabia ser aquela pessoa inteligente com quem os clientes adoravam conversar.</p>
<p>O movimento cresceu, José quase não lia mais os livros que vendia e já se perdia entre os volumes amontoados, até que, um dia, um cliente vestido de fiscal lacrou o pequeno estabelecimento por falta de alvará e de um livro de contabilidade do qual José não tinha conhecimento.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Design-sem-nome-16.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-66497 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Design-sem-nome-16.png" alt="" width="188" height="188" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Design-sem-nome-16.png 1080w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Design-sem-nome-16-300x300.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Design-sem-nome-16-1024x1024.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Design-sem-nome-16-150x150.png 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Design-sem-nome-16-768x768.png 768w" sizes="auto, (max-width: 188px) 100vw, 188px" /></a>Então, José indignado, e precisando vender livros, contratou um despachante, abriu uma firma, alugou um ponto maior num prédio histórico no centro da cidade. Agora José, com barba desenhada, alvará, conta em banco, seis auxiliares de venda, descobriu que, para vender livros, precisaria de contador, de emitir nota fiscal e que teria um inusitado sócio chamado Governo.</p>
<p>Foi assim que José se acostumou a um mezanino, de onde, ocasionalmente, postava-se sobre uma poltrona, alisava a barba que passou a cultivar com estilo, observava o movimento da livraria, analisava como seus colaboradores lidavam com os livros e só assim percebeu que entre eles havia uma mulher que não vendia quase nada. Então, um otimista José virou patrão, estabeleceu metas e filosofia de empresa, mas nem isso fez com que aquela mulher vendesse um montante que fosse digno e, enfim, o paciente José demitiu aquela funcionária, com todos os direitos que o contador julgara que ela tinha.</p>
<p>Decorrido alguns dias, José foi intimado e precisou de advogado. A ex-colaboradora denunciou José, que só então percebeu que, ao lado dos livros que narravam histórias, havia outros que descreviam regras que ele não leu. José foi multado impiedosamente porque havia funcionários e funcionárias, mas não havia banheiros distintos para eles e elas, o que teria prejudicado a dignidade daquela funcionária, que se via obrigada a dividir um espaço tão íntimo com quem ela não teria a menor intimidade.</p>
<p>José não compreendeu nada, mesmo assim seguiu fielmente a orientação de seu advogado, pagou multa, honorários advocatícios, indenização da funcionária, e ainda leu um livro sobre organização das estruturas do ambiente de trabalho. Agora só faltava cumprir a determinação extrajudicial com prazo determinado para construir um banheiro feminino em sua livraria.</p>
<p>Entretanto, havia outro livro com regras para prédios históricos. José não poderia mexer na estrutura do prédio sem contratar arquiteto, engenheiro, especialista em preservação de ambientes históricos, empresa de construção, autorização no patrimônio histórico, licença na prefeitura.</p>
<p>José pensou: as mulheres eram em menor número, melhor demiti-las e substituí-las por homens até que conseguisse resolver o complicado problema do banheiro feminino.</p>
<p>José foi intimado pela segunda vez e novamente precisou de advogado. José foi denunciado pelo grupo de ex-funcionárias, acusado de preconceito contra mulheres, por recusar-lhes a preservação do emprego sob a desculpa de não ter banheiro feminino, dissimulando sua vingança em face de justa demanda adotada anteriormente, manifestando evidentes indícios de sua opinião sobre a incompetência feminina para vender livros. José foi exemplarmente multado e dessa vez precisou do Banco.</p>
<p>Depois que pagou a multa, com o coração descompassado, José se pôs a ler as múltiplas e infinitas folhas de diminutas letras do contrato do empréstimo bancário. José lia, mas não entendia por que ao solicitar simples socorro financeiro, e arcar com juros tão ofensivos, precisaria contrair seguro de vida e seguro contra perda do emprego.</p>
<p>José percebeu que, ao assinar o reconhecimento da taxa de administração, também contribuiu para a campanha de combate à pesca predatória das baleias-azuis, proteção dos macacos pregos da Amazônia, preservação do farol tricentenário de São Francisco do Tatuí Pequeno e vigilância da nascente do Rio Vaza Barris.</p>
<p>A multa estava paga, todavia, reformas num prédio histórico que nem era seu, financeiramente nem pensar, então José pensou, e transferiu sua livraria para um Shopping: lá teria ar-condicionado, segurança, estacionamento para clientes e cento e dez banheiros para todo mundo, e sem o menor problema de dignidade.</p>
<p>Porém, os clientes do Shopping não eram clientes de José e nem gostavam tanto assim de livros! E agora José tinha alvará, vinte e sete colaboradores e colaboradoras, contador, advogado, empréstimo em banco, sócio com nome de governo, impostos, condomínio, aluguel, taxa de manutenção de ar condicionado, ticket alimentação, auxílio transporte&#8230;</p>
<p>A livraria faliu!</p>
<p>Mês passado a Prefeitura teve que despejar José Barba Longa de sua fenda na encosta, pois alguém demandou ação judicial em defesa do morro como área de preservação ambiental. Em face do tamanho da barba do Barba Longa, ele foi encaminhado para um abrigo psiquiátrico público, onde o diretor se recusou a interná-lo.</p>
<p>&#8211; Seu José, disse o doutor, o senhor não pode permanecer aqui! Os testes demonstram que o senhor não tem problemas mentais.</p>
<p>&#8211; Eu, Doutor, problemas mentais? Não senhor, de maneira alguma! Mas se o senhor puder observar melhor, vai verificar que lá fora todo mundo tem, e como tem! Está todo mundo ficando louco, Doutor! Pode ter certeza, e por isso é melhor para todo mundo que eu permaneça aqui.</p>
<figure id="attachment_66482" aria-describedby="caption-attachment-66482" style="width: 1008px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/05/incendio-em-roma.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-66482" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/05/incendio-em-roma.jpg" alt="" width="1008" height="802" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/05/incendio-em-roma.jpg 450w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/05/incendio-em-roma-300x239.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 1008px) 100vw, 1008px" /></a><figcaption id="caption-attachment-66482" class="wp-caption-text">O incêndio de Roma, 18 de julho de 64, óleo de Hubert Robert, no Museu de Arte Moderna André Malraux, em Le Havre</figcaption></figure>
<p>Vendo que o médico permanecia impassível, José relutou:</p>
<p><span class="sigijh_hlt">&#8211; Aproveitando a oportunidade, Doutor, o senhor já conheceu a obra <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Da-Tranquilidade-da-Alma.pdf" target="_blank" rel="noopener"> Tranquilidade da Alma</a></span></strong>? É do Sêneca&#8230; Filosofia pura, leitura indispensável para dias tenebrosos.</span></p>
<p>&#8211; Deus me livre, Sêneca foi conselheiro de Nero, o louco que incendiou Roma.</p>
<p>&#8211; Foi sim senhor, mas Conselheiro era cargo de apoio, não era cargo de poder. Se Sêneca tivesse poder sobre Nero, Nero teria estudado “Tranquilidade da Alma”, e hoje seria visto como sábio, mas ele preferiu brincar com fogo, por isso entrou para a história como louco.</p>
<p>&#8211; Está vendo seu José? É exatamente por isso que eu digo que senhor não pode ficar aqui&#8230; O senhor tem muito conhecimento, o senhor é muito inteligente mas não é louco.</p>
<p>&#8211; Mas pensando bem, doutor, é melhor ser louco do que ser inteligente, não é mesmo?</p>
<p>&#8211; Como assim?</p>
<p><span class="sigijh_hlt">&#8211; Nero era louco e o senhor se lembrou dele&#8230; Sêneca era inteligente, mas o senhor usou uma referência exterior de alguém com a loucura do Nero para rejeitar a inteligência do Sêneca&#8230;</span> Se eu fosse louco como disseram que eu era, eu poderia ficar aqui sendo sustentado pelo Poder Público, com direito inclusive à sua assistência, mas se eu for inteligente como o senhor quer que eu seja, serei desalojado deste abrigo assim como a prefeitura me despejou do morro&#8230; Isso é ou não é loucura, Doutor?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>__________</p>
<p>(*)  Militar, filósofo, torcedor da Estrela Solitária, apaixonado pela vida e amante da liberdade, Fluminense por acidente, sergipano por opção.</p>
<style></style><div class="wplp_outside wplp_widget_55014" style="max-width:100%;"><span class="wpcu_block_title">Domingo em desbaste</span><div id="wplp_widget_55014" class="wplp_widget_default wplp_container vertical swiper wplp-swiper default cols3" data-theme="default" data-post="55014" style="" data-max-elts="10" data-per-page="10"><div class="wplp_listposts swiper-wrapper" id="default_55014" style="width: 100%;" ><div class="swiper-slide" style=""><div class="insideframe"><div id="wplp_box_top_55014_101541" class="wpcu-front-box top equalHeightImg" ><div class="wplp-box-item"><a href="https://www.sosergipe.com.br/o-colegio-invisivel-a-origem-da-royal-society-e-da-ciencia-moderna/"  class="thumbnail"><span class="img_cropper" style="margin-right:4px;margin-bottom:4px;margin-left:4px;max-width:100%;"><img decoding="async" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/1902-x-602-35.jpg" style="aspect-ratio:4/3;" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/1902-x-602-35.jpg 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/1902-x-602-35-300x149.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/1902-x-602-35-1024x508.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/1902-x-602-35-768x381.jpg 768w" alt="O Colégio Invisível, a origem da Royal Society  e da ciência moderna" class="wplp_thumb" /></span></a><a href="https://www.sosergipe.com.br/o-colegio-invisivel-a-origem-da-royal-society-e-da-ciencia-moderna/"  class="title">O Colégio Invisível, a origem da Royal Society  e da ciência moderna</a></div></div><div id="wplp_box_left_55014_101541" class="wpcu-front-box left wpcu-custom-position" ><div class="wplp-box-item"></div></div><div id="wplp_box_right_55014_101541" class="wpcu-front-box right wpcu-custom-position" ><div class="wplp-box-item"></div></div><div id="wplp_box_bottom_55014_101541" class="wpcu-front-box bottom " ><div class="wplp-box-item"><span class="custom_fields">
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		<title>Em tempos de mentira, onde fica a verdade?</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/em-tempos-de-mentira-onde-fica-a-verdade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Valtenio Paes de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Aug 2021 11:51:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em que pese a prática da mentira ser inerente aos humanos, ela tomou proporções incalculáveis no século XXI turbinada pelo auxílio das ferramentas das redes sociais. Enganar, ludibriar, falsificar, iludir, enganar, fraudar são atos preferenciais da pessoa mentirosa. Erasmo Carlos já cantava “Pega na mentira” por volta dos anos 80 do século XX. Luís Gonzaga, em 1956, desfilando &#8230;</p>
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<p>Em que pese a prática da mentira ser inerente aos humanos, ela tomou proporções incalculáveis no século XXI turbinada pelo auxílio das ferramentas das redes sociais. Enganar, ludibriar, falsificar, iludir, enganar, fraudar são atos preferenciais da pessoa mentirosa.</p>
<p>Erasmo Carlos já cantava “Pega na mentira” por volta dos anos 80 do século XX. Luís Gonzaga, em 1956, desfilando talento em parceria com Zé Dantas, cantava “Siri jogando bola”.  Música e artes sempre trataram da mentira. O genial Chico Anízio, em Pantaleão, perguntava: “É mentira, Terta”? que respondia: “Verdade!”. Era arte na comédia. Para o grego Aristóteles, “assim como a verdade, a mentira nada mais é do que uma construção social”. Já para Santo Agostinho , “quem mente para si mesmo e dá ouvidos à própria mentira chega a um ponto em que não distingue nenhuma verdade nem em si, nem nos outros e, portanto, passa a desrespeitar a si mesmo e aos demais”. Hoje a mentira é usada por familiares, gestores, candidatos em eleições e governos.</p>
<p>A mentira do pescador perdeu o encanto. Candidatos mentem aos eleitores com imagens e palavras. Conseguem eleição e administram fomentando mentiras, usando as tecnologias na comunicação. Honrar a palavra e respeitar eleitores estão cada vez mais difíceis. Governantes de repúblicas usam meios oficiais com robôs para praticarem mentiras. Trump se elegeu e governou praticando a mentira. Fechou o blog meses depois do término do mandato. Será que a mentira tem “pernas curtas”? Oxalá ainda! Para o bem da verdade.</p>
<p>A explosão da mentira acontece exponencialmente em frações de segundos. Pior ainda, dispondo do “complexo vira-lata” usa-se a expressão em inglês “fake news”. O judiciário regularmente é chamado para dirimir conflitos decorrentes de mentiras. Organismos internacionais estudam o combate a tais práticas. Educadores, pais e responsáveis pelas crianças estão tendo muito trabalho para explicar o que é ou não verdade. Ante a avalanche cotidiana da prática da mentira, onde fica o respeito ao morto que teve imagens de seu corpo alteradas na divulgação? Como fica a pessoa massacrada mentirosamente pelo inimigo político? Com tais atos, o que dizer aos nossos filhos o que é mentira ou verdade nas comunicações externas? Muitos habitantes das redes sociais assumiram a mentira como rotina. O desafio é distinguir mentira de verdade, o certo do errado.</p>
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<p>Para Bertolt Brecht,</p>
<p>“aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e diz que é mentira, este é um criminoso.”</p>

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<p>Espera-se que apareça uma regulamentação universal punidora para autores desta prática, restabelecendo o império da verdade informativa. Alguma mentira pode até ajudar na busca da verdade, na medida em que estimula a dúvida, mas jamais deve ser institucionalizada como regra. Tem que ser derrotada com ação punitiva rigorosa.  Restabelecer a verdade honrada é necessário para o bem da sociedade, porque o oposto falseia qualquer sustentação dos bons costumes e padrões culturais de um povo, além de mascarar a história.</p>
<p><strong>(*)</strong> <strong>Valtênio Paes de Oliveira</strong> é professor, advogado, especialista em educação, doutor em Ciências Jurídicas, autor de A LDBEN Comentada -Redes Editora, Derecho Educacional en el Mercosur- Editorial Dunken e Diálogos em 1970- J Andrade.</p>
<p><em>** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do autor.  Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.</em></p>
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		<title>Neutralidade é ato político de conveniência</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/neutralidade-e-ato-politico-de-conveniencia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Valtenio Paes de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Jul 2021 11:40:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
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		<category><![CDATA[advogado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O exercício da democracia na sociedade contemporânea passa necessariamente pela participação da população nos destinos das instituições. Família, escola, condomínios, associações, sindicatos, partidos políticos, igreja, clubes, conselhos, etc., dependem das atuações de seus membros. Quanto maior for a ação participativa, mais robusta será a democracia. Esse ato político formaliza o exercício da cidadania, portanto, omitir-se &#8230;</p>
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<p>O exercício da democracia na sociedade contemporânea passa necessariamente pela participação da população nos destinos das instituições. Família, escola, condomínios, associações, sindicatos, partidos políticos, igreja, clubes, conselhos, etc., dependem das atuações de seus membros. Quanto maior for a ação participativa, mais robusta será a democracia. Esse ato político formaliza o exercício da cidadania, portanto, omitir-se dessa participação sob o argumento de que vai ficar neutro, também é uma prática política porque favorece a vitória do mais forte.</p>
<p>Desde o filósofo grego Aristóteles (384 &#8211; 322 a.C) convivemos com a afirmação de que a pessoa é “um animal político”. Cada uma interpreta ou busca uma significação. Fato é que, precisa-se da ação política para se estabelecer na convivência. Para tanto, organiza-se em instituições com seus interiores movidos por várias relações, dentre elas, os interesses do poder. Em todas, exigem regras de convivência.</p>
<p>No âmbito político-eleitoral, a radicalização se estabeleceu no Brasil. Conservadores e progressistas se digladiam. O embate civilizado, que deveria ser salutar, deu lugar para confrontos de ódio e violência gratuitos. Cada pessoa, passa ser a dona da “verdade” enquanto a convivência pacifica é deletada do cotidiano. Neste cenário, um segmento da população se diz “neutro”. Até que ponto existe neutralidade política?</p>
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<p>Recentemente, artistas, profissionais de relevância pública, atletas e intelectuais começaram manifestar opiniões deixando a comodidade do silêncio. Outros assumem a “neutralidade” justificando que não devem satisfação à população dos respectivos atos. Afinal, ídolos populares tÊm responsabilidade social? Se são sustentados pela vontade popular, com certeza que sim.  Não podem usar da simpatia e abusar da inocência povo. Da lavra do simãodiense, advogado Eduardo Ribeiro:</p>
<p>“Acredito que existem temas que atinjam direitos e garantias fundamentais que não permitem a neutralidade a exemplo do racismo, do preconceito, das liberdades individuais, entre outros. A estes, pede-se o combate permanente e imediato. As figuras públicas carregam essa responsabilidade com obrigação de intervenção, pois além de formadores diretos de opiniões, também, influenciam seus seguidores com os seus pensamentos e ações”.</p>

			</div></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Admiradores ou seguidores não podem ser enganados pelos ídolos. Ídolos têm responsabilidades sociais pelo que dizem, defendem ou fazem no ambiente público. Ressalve-se o mundo privado que é inviolável. Ao se esquivar, o ídolo flerta com lados opostos não permitindo transparência aos fãs. Quem é protagonista social não pode se omitir dos temas de interesse coletivo sob pena de praticar estelionato contra o imaginário popular.  Referência exemplar é o mínimo que os fãs esperam dos ídolos.</p>
<p>Se alguém está brigando com um gigante e outra pessoa, em nome da “neutralidade” passa e diz: “não me meto nesta briga”, favorece a quem? Com certeza ao gigante. Assim, aquele que se diz neutro, favorece ao mais forte com sua posição “em cima do muro” , portanto, o “neutro” fica do lado do vencedor.</p>
<p>Não votar nas eleições, votar em branco ou anular o voto para cargos públicos, no sindicato, no condomínio, na escola e demais palcos democráticos, pretextando “nem um, nem outro” favorece a vitória do suposto “mais forte”. De igual modo, em casa ou no trabalho. Logo, a neutralidade não existe porque é ação política a favor daquele que controla a relação ou lidera na votação. A ausência direta da manifestação pode incomodar as partes pelo descaso, imobilismo, espreita, benefícios pessoais e dúvida.</p>
<p>Se existe apatia atualmente, talvez por falta de boas opções, precisa-se revigorar as regras democráticas, jamais desistir, ante o perigo de ditaduras. Se as pessoas não participam, não reagem através das instituições, não propõem ou não defendem, as entidades ficam enfraquecidas, permitindo exageros de poder podendo chegar ao arbítrio. Não existem democracias fortes com instituições fracas. Família, escola, partidos, igreja, STF, parlamentos, associações, sindicatos e outras, devem ser fortalecidas para o bem coletivo da democracia.</p>
<p>A ação política é exercício de cidadania. Abdicar jamais!  Sua prática não tem receita pronta. O voto, a fiscalização, a denúncia, a manifestação, a arte, diversas formas da opinião escrita ou verbal nos meios de comunicação, são alguns caminhos. Não podemos desistir pelo temor do insucesso, importante é fazer nossa parte para a tranquilidade da consciência. Defender o fim de instituições numa democracia é alimentar a ditadura.</p>
<p>Ademais, em todas as instituições, existem atores imperfeitos, nem por isso, vamos defender os respectivos fechamentos. Seria o anarquismo social. Melhor do que defender o fechamento de instituições seria propor sugestões para o aperfeiçoamento. Eis algumas: fim dos privilégios salariais, critérios transparentes de escolha na indicação de nomes, fim de cargos vitalícios, juiz de paz, redução de número de congressistas, rigor nas licitações, regulamentação de pedidos de vistas, rigor na punição da prática de corrupção.</p>
<p>Radicalismos ilógicos são desprovidos de fundamentos científicos e de tolerância social. Deletemos para o bem de todos! A prática da neutralidade resulta em acomodação de conivências satisfatórias aos indivíduos, e como tal, é ação política pela respectiva comodidade. Por mais utópico que se imagine, devemos persistir para que o sonho humanitário não seja apagado. Participar sempre, fechar nunca, omitir-se jamais!</p>
<p><strong>(*)</strong> <strong>Valtênio Paes de Oliveira</strong> , professor, advogado, especialista em educação, doutor em Ciências Jurídicas, autor de A LDBEN Comentada -Redes Editora, Derecho Educacional en el Mercosur – Editorial Dunken e Diálogos em 1970 – J Andrade.</p>
<p><em>** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do autor.  Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.</em></p>
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