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O QUE FIZERAM DA AGROPECUÁRIA SERGIPANA?

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O setor agropecuário adicionou à economia sergipana um total aproximado de R$ 1,73 bilhões no ano de 2016. Corrigido pelo deflator implícito do Produto Interno Bruto (PIB), um indicador que mede a variação média dos preços de um período em relação aos preços do ano anterior, isso representa uma queda de quase 8% em comparação com 2015.

Dessa forma, Sergipe voltou a ser a menor economia agropecuária do Nordeste. Algo que não acontecia desde 2005. Com o agravante de que, em 2010, o estado chegou a alcançar a marca de 6º maior produto agropecuário da região, superando Paraíba, Piauí e Rio Grande do Norte.

Isso aconteceu porque, nesses últimos seis anos, enquanto o produto agrícola nordestino decaiu a uma taxa de 1,1% ao ano, o sergipano regrediu, em média, a um nível de 6% anuais, sendo esse o pior desempenho regional. Com o agravante de que, internamente à realidade sergipana, tal desempenho foi desigual.

Dentre os cinco maiores produtores agropecuários do estado – Lagarto, Itabaiana, Estância, Riachão do Dantas e Santa Luzia do Itanhy – a proporção média de variação foi de -3,1% ao ano.

Nos outros nove municípios que, em conjunto com esses cinco, concentram metade do agregado agrícola sergipano a taxa anual média de crescimento foi de 4,2% negativos.

Por sua vez, no aglomerado das demais localidades sergipanas, ficou claro que essa queda foi bem maior, uma vez que essas 61 cidades viram o valor agregado pela agropecuária decrescer a uma média de -7,8% a cada ano.

Esse contexto expressa uma lógica perversa onde os municípios de menor peso econômico, onde a atividade agrícola tem mais importância relativa, são justamente aqueles mais afetados pela retração da agropecuária sergipana.

De fato, de 2010 a 2016, a agricultura de Sergipe perdeu força. No somatório das culturas permanentes e temporárias, foram reduzidas em 16,4% a área plantada ou destinada à plantação e a área colhida decaiu algo em torno de 38,8%. Com efeito, o valor total da produção também diminui 7,1%.

Registre-se que o estado possuía, em 2016, 3,2% do valor da produção agrícola do Nordeste. Esse patamar é semelhante ao apresentado em 2002, mas inferior ao alcançado em 2009, quando atingiu o ápice de 4,9% desse mesmo total.

Torna-se claro que, neste início de século, o desempenho da agricultura sergipana divide-se em duas fases: antes e depois de 2010. Nessa primeira fase, tendo como referencia o Brasil e o Nordeste, a tônica foi de ampliação relativa das áreas plantada e colhida bem como do valor da produção. Na segunda, a trajetória é de redução.

Em 2016, a área plantada era 5/6 e a área colhida apenas 3/5 do nível apresentado em 2010. Por sua vez, o valor total da produção agrícola foi reduzido em quase 7% nesse mesmo período. Esse último número, por sinal, aponta para um drama vivido pelo produtor agrícola sergipano.

Considerando que o IPA-DI (Índice de Preços ao Produtor Amplo – Disponibilidade Interna), indicador que calcula a evolução dos preços de produtos agrícolas e industriais no setor de atacado entre o primeiro e o último dia do mês de referência e é medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), sofreu uma variação de 45,9% entre 2010 e 2016, intui-se que os rendimentos do setor, em Sergipe, não acompanharam nem mesmo a os preços do próprio segmento.

Esse é um quadro nem um pouco auspicioso e, muito embora nada em termos de desenvolvimento econômico seja imutável, é óbvio que o problema requer ações urgentes e vontade política para ser solucionada.

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