Articulistas

O que comemorar no 1° de Maio?

Compartilhe:
Gabriel Barros (*)

No dia 1° de maio é comemorado em diversos países do mundo o Dia do Trabalhador e Trabalhadora. Nesse sentido, a questão que se coloca é: temos algo a celebrar em tão importante data?

Do ponto de vista simbólico, é sempre salutar relembrar as conquistas que fizeram com que esse dia seja lembrado no mundo todo. No entanto, a realidade nos impõe um olhar que exige luta e combatividade. Digo isso por conta de todo desemprego, desvalorização, humilhação, escravização, precarização e tantas outras atrocidades colocadas aos trabalhadores. O que, infelizmente, nos dá uma perspectiva bastante desoladora sobre qualquer possibilidade de festejarmos algo.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estipula que de 61% da população empregada no mundo, 2 bilhões estão na economia informal. Aqui no Brasil, conforme nos ensina o professor Gilberto Maringoni, o golpe de 2016, as contrarreformas Trabalhista, da Previdência, do Ensino Médio e a independência do BC formam o Tratado de Versalhes que os ricos brasileiros impuseram à sociedade. O tratado original, firmado em 1919 ao fim da I Guerra Mundial, como se sabe, selou a paz punitiva dos vencedores (Grã-Bretanha e França) sobre o vencido (Alemanha), comprometendo seu desenvolvimento e bem-estar por mais de uma década. Os privilegiados estabeleceram a regra do “eu ganho, você perde”, “sem conversa mole.”

É decisivamente sobre isso que estamos lidando. A desigualdade social crescente e as infindáveis crises do capitalismo demonstram que prevalece ainda hoje essa mesma lógica de um ganha e outro perde. Obviamente, tendo os trabalhadores e trabalhadoras como as partes veementemente derrotadas. É um massacre histórico.

Expressão real dessa derrota é manifestada nos recordes que tivemos no presente ano de 2023, com pelo menos cerca de 918 pessoas resgatadas em situação análoga à escravidão. Os fatos estarrecedores (que fazem parte da dinâmica natural da sociabilidade capitalista) se dão, sobretudo, na região sul do país e em outras regiões que gozam de latifúndios controlados pelo agronegócio. Lembremos das Vinícolas Aurora, Garibaldi e Salton, no Rio Grande do Sul.

Essas tragédias humanitárias dialogam diretamente com todas essas contrarreformas citadas acima. Principalmente a reforma trabalhista e sua intensa aceleração da superexploração do trabalho. Fale-se também da lei da terceirização, que permite que esta seja feita também em atividade fim, que é indissociável desses casos de resgates de trabalho escravo, pois que vulgariza ainda mais a intermediação do trabalho entre empresas, e permitem trazer legalidade a uma prática sabidamente criminosa.

Dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) informam que a terceirização se reflete em um aumento da precarização das condições de trabalho.

Isso tudo não acontece à toa. Nesses últimos anos tivemos também a extinção do Ministério do Trabalho, o abandono à fiscalização do trabalho escravo, órgãos de fiscalização ambiental aparelhados a fim de que a tal “boiada” pudesse passar, o descaso com políticas públicas de inclusão, etc.

Sem contar os mais de 700 mil mortos durante a pandemia, que vitimaram muitas pessoas vulneráveis socialmente e que contou com participação ativa do governo da época.

No que diz respeito ao trabalho escravo, insta salientar que é permitido expropriação de propriedades de empresas que se beneficiam financeiramente desse tipo de crime. Isso sem qualquer indenização aos donos, conforme artigo 243 da Constituição Federal. O dispositivo diz que tais terras devem ser destinadas à reforma agrária e a programas de habitação popular.

Todavia, os detalhes da aplicação de tão valoroso preceito ainda não foram determinados por nenhuma norma infraconstitucional. A União entende que, enquanto isso não acontecer, não é possível implementar medidas do tipo.

Por isso é válido ressaltar que a legalidade, por si só, sem uma posição política concreta, não serve de nada, sendo mera folha de papel.

Não obstante, devemos ao menos comemorar a retomada de políticas sociais fundamentais como o Bolsa família, Minha Casa Minha Vida,reajustes para funcionários públicos, medidas de combate às mais variadas formas de preconceito, expansão das campanhas de vacinação (da qual o Brasil sempre foi referência mundial). Essas iniciativas minoram a mão pesada do Estado Burguês.

À vista disso, vale a máxima do filósofo italiano Antônio Gramsci, segundo o qual devemos ter o pessimismo da razão e o otimismo da vontade. Lutar e avançar, é preciso. Sigamos.

https://outraspalavras.net/crise-brasileira/lula-3-e-tempo-de-corrigir-trajetoria/

https://www.conjur.com.br/2023-mar-12/dpu-stf-expropriacao-terras-trabalho-escravo

 

Compartilhe:
Só Sergipe

Site de Notícias Levadas a Sério.

Posts Recentes

Feriado de 7 de setembro: confira o funcionamento dos serviços estaduais, municipais e de shoppings de Aracaju

Em razão do feriado nacional da Independência do Brasil, celebrado nesta segunda-feira, 7 de setembro,…

10 horas atrás

BC proíbe publicidade em comprovantes do Pix a partir de março de 2027

Os comprovantes de pagamento do Pix não poderão incluir publicidade, ofertas comerciais, links externos nem…

18 horas atrás

Ele, João Alves Filho, descrito por eles

  Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)   m novembro de 2020, pelo jornal Correio…

21 horas atrás

Produção de petróleo recua em Sergipe, mas gás natural cresce 16,1% no ano

A produção de petróleo em Sergipe voltou a recuar em julho, enquanto a extração de…

1 dia atrás

Senado: oposição obstrui e fim da escala 6×1 não vai a plenário

Sem ter segurança sobre os votos necessários para aprovar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC)…

2 dias atrás

CCJ do Senado aprova PEC que acaba com jornada 6×1

  A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (2), por votação…

2 dias atrás