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O homem que parou o WhatsApp no Brasil

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O juiz Marcel Maia Montalvão, 55 anos, que derrubou o WhatsApp por pouco mais de 24 horas e que, em março passado, mandou prender o vice-presidente do Facebook na América Latina, Diego Dzodan, é um homem recluso, anda em carro blindado, oferecido pelo Tribunal de Justiça de Sergipe, e tem segurança do Estado durante 24 horas. É firme nas decisões e honesto e investiga uma quadrilha internacional de drogas em Lagarto, daí a insistente busca dos diálogos no WhatsApp. Em Sergipe, chega a ser comparado por alguns advogados, como um Sérgio Moro – o juiz federal da Operação Lava Jato.

O perfil de Marcel e a informação da investigação sobre a quadrilha internacional que está sendo investigada são do também juiz e amigo pessoa, Manoel Costa Neto, da Comarca de São Cristóvão, região metropolitana de Aracaju. Eles se conhecem desde os 11 anos de idade. “Por Marcel ser diligente e rigoroso, a Polícia Federal sempre lhe busca como apoio na investigações”,  afirmou Costa Neto, ao lembrar que ele e Marcel passaram no vestibular para Engenharia Química. Manoel nem chegou a cursar e foi fazer Direito, mas Marcel prosseguiu.

Segundo Manoel Costa Neto, Marcel foi um aluno tão exemplar que saiu da faculdade para o emprego, na Exxon e se tornou o maior especialista na América Latina em lama de petróleo. “Ele ganhava, na época, o equivalente a R$ 100 mil por mês, até que um acidente numa plataforma no Rio de Janeiro, começou a por fim à sua carreira”, lembrou Costa Neto.

“Ele recebeu um vultosa indenização da empresa, num acordo de demissão, mas o Plano Collor confiscou o dinheiro. Ele passou três anos afastado do setor petrolífero e quando voltou ninguém o quis mais. Resultado, Marcel ficou vivendo com uma mesada do pai, de R$ 50 por mês. Se fosse um desequilibrado teria bebido veneno ou dado um tiro na cabeça” contou.

 “Marcel é tão rígido que chega a ser chato. Eu estou dizendo isso porque sou amigo de muitos anos dele”, afirmou Costa Neto. “Mas é um criatura simples demais. Quando ele entrou para magistratura, foi para Estância e lá desbaratou uma quadrilha do PCC (Primeiro Comando da Capital) e a polícia descobriu um esquema para matá-lo. Em virtude disso, pegou uma licença do Tribunal de Justiça e passou quatro meses no exterior. Hoje vive recluso em casa, porque não quer sair escoltado pela polícia. Faz audiência armado e com colete a prova de balas. Ele sempre pede desculpas aos advogados por trabalhar  armado”, narrou  Costa Neto.

Postura – “Ele fala direto, não gosta de arrodeios, como se diz aqui no Nordeste, mas isso não lhe tira a educação”, disse o presidente da Associação dos Magistrados de Sergipe (Amase), Antônio Henrique de Almeida Santos. Marcel entrou na magistratura em 2004, “é um excelente profissional e batalhador e vem de outra profissão e mudou completamente o rumo”. O juiz era engenheiro químico e depois resolveu enveredar pelo Direito e passou no concurso para juiz.

Para o presidente da Ordem dos Advogados em Sergipe (OAB-SE),  Henri Clay Andrade, Marcel é um juiz sério e diligente. “Não conheço  nenhum ato de reprovação profissional dele. As decisões são muito rigorosas e ele leva muito sério o combate ao crime organizado, ao  tráfico de entorpecentes”, afirmou. Henri Clay considerou desproporcional a  decisão de bloquear o WhatsApp, prejudicando 100 milhões de pessoas no País.

O presidente da Associação Sergipana dos Advogados Criminalistas, Emanuel Cacho, disse que Marcel é bastante rígido nas posições, mas é um homem sério e equilibrado. “A rigidez dele é dentro da legalidade. É um juiz ativo que não deixa de decidir. Assim como Moro (Sérgio Moro) revolucionou  a capacidade que o juiz tem de fazer investigação criminal, naturalmente como Ministério Público Federal e Polícia Federal,  Marcel é o que podemos chamar de um excelente juiz. Simplesmente, ele não lava as mãos, não para diante das dificuldades e tem tentado buscar soluções jurídicas, embora surpreendentes, mas dentro do campo da legalidade”, completou Cacho.

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Antônio Carlos Garcia

CEO do Só Sergipe

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