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Nosso repúdio à diretora do Flamengo

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Valtênio Paes (*)

No último dia primeiro de novembro mais uma vez aparecem insinuações pejorativas aos nordestinos. A senhora Ângela Machado, diretora do Flamengo e esposa do presidente do clube, senhor Rodolfo Landin, cabo eleitoral do atual presidente do país, publicou no Instagram após o resultado das eleições: “Ganhamos onde se produz, perdemos onde se passa férias, bora trabalhar porque se o gado morre, o carrapato passa fome”.

O Flamengo não merece esta diretora, como qualquer outro clube esportivo no Brasil. Não merece continuar no cargo. O clube pertence ao povo e povo que tem sentimentos, portanto a xenofobia deve ser extirpada.

Pasmem! Ela é nordestina de Aracaju, e, por opção, contraiu o vírus do xenofobismo associado ao “complexo vira-lata”, expressão criada pelo saudoso Nelson Rodrigues. A derrota de seu candidato estimulou o ódio? Esperamos que deputados, senadores, vereadores, membros dos executivos em nosso Estado se posicionem. Devem ao nosso povo posicionamento público contra a prática de  xenofobia  inconsequente.

Crueldade de derrotada, esquece que “aos derrotados o recolhimento, aos vencedores o reconhecimento”. É assim no esporte, na política e na vida.  Este desprezo e aversão aos nordestinos soa agressivamente, fere nossos brios para com o respeito, acolhimento e genialidade de um povo. Tal preconceito deixa triste dezenas de nordestinos que honraram a camisa rubro-negra como: Junior Maestro, Bebeto, Zagalo, Ricardo Rocha, Obina, Dida, Junior Baiano, Nunes, Ronaldo  Angelin,  Fábio Baiano, Denis Marques, Vampeta, Marcelinho Paraíba, Hernane Brocador, Renê, Babá,  Índio, Márcio Araújo, Tomires, Dequinha, Duca e tantos outros. Com certeza, também hoje existem jogadores profissionais e amadores no mencionado clube oriundo da mesma região.

A contribuição cultural, religiosa, esportiva, política e científica para o Brasil representa, pela sua diversidade, entre regiões brasileiras, uma das maiores do país – música, política, ciências, letras e artes nordestinas influenciaram e influenciam todas as regiões do Brasil.   Mesmo que assim não acontecesse, exigimos respeito. Não é a senhora Ângela Machado ou quem quer que seja, que vai nos tirar do sério. Mesmo porque carrapato e urubu têm extremas semelhanças. Enquadrar-se na insignificância será razoável!

Parafraseando Mirian Melo: Não se atira pedras em árvore que não dá frutos. Ainda bem que a maioria da torcida do Flamengo não pensa e nem age assim. Assis Chateaubriand, Padre Cícero, Luiz Gonzaga, Chico Anísio, José Wilker, Wagner Moura, Lula, Alcione, Lazaro Ramos, Nise Silveira, Paulo Freire, Maria da Penha, Maria Bonita,  Zumbi dos Palmares, Patativa do Assaré, Lampião,  Adalgisa Rodrigues Cavalcante, Dandara, Castro Alves,  Djavan, Gilberto Gil, Caetano, João Gilberto, Chico Cesar, Elba Ramalho, Alceu Valença,  Dominguinhos,  Jackson do Pandeiro,  Raul Seixas, Graciliano Ramos, José de Alencar, Jorge Amado, Nelson Rodrigues, Josué de Castro são alguns nomes, dentre tantos, que orgulham o nordeste e servem para avivar a consciência dessa senhora.

Dentre centenas de cientistas e universidades seguem alguns para derrubar a memória da xenófoba. Aldo Ângelo Lima, Jorg Heukelbach, Daniel da Costa, Vietla Rao, Fabiano Fernandes, Luiz Drude, Sueli Rodrigues e Ronaldo de Albuquerque Ribeiro, Henrique Douglas Melo Coutinho, Antônio Gomes de Souza Filho, André Lima Férrer de Almeida, Cristiano André Köhler, Flávia Almeida Santos, Joaquim Albenisio Gomes Silveira e Luciana Rocha Barros Gonçalves, Tobias Barreto, Gumercindo Bessa e Sílvio Romero. Todos, em seus campos de ação produziram saberes para todo povo brasileiro e para o mundo.

Pena que esta senhora preteriu o saber, preferindo o preconceito e ódio. Não é a senhora desconhecedora da história brasileira e do cabedal nordestino que mudará este patrimônio inesgotável.

Avante nordestinos!

__________

(*) Valtênio Paes de Oliveira é professor, advogado, especialista em educação, doutor em Ciências Jurídicas, autor de A LDBEN Comentada-Redes Editora, Derecho Educacional en el Mercosur- Editorial Dunken e Diálogos em 1970- J Andrade.

** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do autor.  Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.

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