A produtora Laís Andrade atua com criação de gado, em Campo do Brito Fotos: Acervo familiar
Elas representam 53,7% dos clientes do programa e contrataram R$ 135,6 milhões em microcrédito rural de janeiro a julho
As mulheres já são maioria entre os clientes do Agroamigo em Sergipe, programa de microcrédito rural do Banco do Nordeste (BNB). Elas representam 53,7% dos beneficiários no Estado, com 10.031 produtoras atendidas, e contrataram mais de R$ 135,6 milhões em financiamentos entre janeiro e julho de 2026, o equivalente a 51,5% de todo o microcrédito rural concedido pelo programa no período. A participação feminina, que já havia superado a masculina em 2024, quando chegou a 50,3%, mostra o avanço das mulheres à frente de atividades produtivas no campo sergipano.
Entre essas produtoras estão a pecuarista Laís Andrade, de Campo do Brito, no Agreste sergipano, e a produtora Juliana Cardoso, de Capela, na região Leste do Estado. Com atividades distintas, elas utilizam o crédito rural para ampliar a produção e melhorar a estrutura de suas propriedades.
É com o sol ainda escondido nas nuvens das primeiras horas da manhã que Laís começa as atividades do dia. Tira capim para moer, prepara a ração do gado, fornece água e verifica o bem-estar de cada animal. Depois das tarefas com o rebanho, o dia segue em direção à casa de produção de farinha.
Foi na zona rural de Campo do Brito que Laís começou a trabalhar no campo, aos 15 anos, seguindo uma tradição familiar. Com o tempo, descobriu uma paixão que permanece até hoje: cuidar do gado. Uma década e meia depois, ela continua na atividade e divide as tarefas com o marido, William. Durante a estiagem, a alimentação dos animais é reforçada com silagem de milho e mandioca.
Para ampliar a criação com mais qualidade e segurança, Laís entrou, em 2017, no Agroamigo. Os primeiros recursos foram utilizados para a compra de bovinos. Desde então, o financiamento ajudou a produtora a investir na propriedade, incluindo a aquisição de terreno, equipamentos para preparação da ração, pequenas reformas e melhorias sanitárias.
Hoje, o casal possui 12 cabeças de gado. “Tudo começou no quintal da minha casa e, com o microcrédito rural, compramos uma vaca para parir e logo em seguida um pedaço de terra para fazer de curral. No começo tudo é difícil, mas com o financiamento não tinha como dar errado. É desafiador ser mulher nesse meio, mas não troco por nada. Eu sou feliz acordando cedo, cuidando do meu gado e nada muda isso”, declara Laís.
Em Capela, Juliana Cardoso também encontrou no Agroamigo uma ferramenta para ampliar a atividade rural. Há sete anos, ela utiliza recursos do programa para investir na produção.
A produtora trabalha com avicultura de corte, atividade que se transformou na principal fonte de renda da família. Entre os investimentos realizados está a instalação de uma usina de energia solar, que reduziu os custos da propriedade e permitiu a produção de energia sustentável.
O financiamento também possibilitou a aquisição de um sistema semiautomático para entrada e saída de ração e de um monocultivador. “A máquina é como um mini trator, que ajuda a preparar melhor o solo para o plantio”, explica Juliana.
Segundo ela, a atividade rural também permitiu realizar projetos pessoais e profissionais. “Hoje essa atividade é a renda principal da minha família e, a partir dela, realizamos vários sonhos profissionais e pessoais”, afirma.
Laís e Juliana fazem parte das 10.031 mulheres atendidas pelo Agroamigo em Sergipe. Os números mostram uma mudança no perfil do público do programa.
Em 2024, as mulheres representavam 50,3% dos beneficiários em Sergipe. A participação avançou e chegou a 53,7% atualmente, consolidando a presença feminina como maioria entre os clientes do microcrédito rural no Estado.
O movimento também aparece nos valores contratados. Nos primeiros sete meses de 2026, as mulheres contrataram mais de R$ 135,6 milhões, correspondentes a 51,5% do total financiado pelo Agroamigo em Sergipe.
Os números mostram que a participação feminina não está restrita à condição de beneficiária do crédito. As produtoras estão utilizando os recursos para investir em pecuária, avicultura, energia, equipamentos, infraestrutura e outras atividades capazes de gerar renda nas propriedades rurais.
Em 2026, o Agroamigo celebra o Ano da Mulher Agricultora em toda a sua área de atuação. A iniciativa acompanha uma mobilização internacional da Organização das Nações Unidas (ONU) voltada à valorização das mulheres que trabalham na agricultura.
A ação é reforçada pelo Banco do Nordeste nos 11 estados onde o banco atua, abrangendo todo o Nordeste e áreas de Minas Gerais e do Espírito Santo.
Para o gerente do escritório estadual do Agroamigo, Luiz Morato, o crescimento da participação feminina acompanha uma realidade que já está presente nas propriedades rurais.
“O programa já tem o público feminino como prioritário no atendimento. Essa valorização reflete a realidade do campo, onde as mulheres empreendem, tal qual os homens, e, muitas vezes, estão à frente das atividades rurais, liderando o processo produtivo na propriedade rural familiar”, afirma.
A evolução dos números indica que o papel das mulheres no campo sergipano vai além da participação na produção familiar. Com acesso ao crédito, elas também ampliam investimentos, incorporam tecnologias e assumem a gestão de atividades que contribuem diretamente para a geração de renda e para o desenvolvimento da economia rural.
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