Cartão do Programa Bolsa Família está nas mãos de muitos sergipanos Foto: Roberta Aline/MDS
Por Antônio Carlos Garcia (*)
Os beneficiários do Bolsa Família foram responsáveis por 104,04% do saldo líquido de empregos formais gerados em Sergipe entre janeiro de 2023 e julho de 2026, segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV). O percentual acima de 100% ocorre porque, no mesmo período, os trabalhadores que não recebiam o benefício apresentaram saldo negativo de empregos no estado. Dessa forma, o resultado positivo entre os beneficiários mais do que compensou a retração registrada no outro grupo.
Na avaliação do economista sergipano Saumíneo Nascimento, diretor do Departamento de Apoio à Inserção no Trabalho da Secretaria Nacional de Inclusão Socioeconômica, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), os números revelam, ao mesmo tempo, avanço na inclusão produtiva e um ponto de atenção para o mercado de trabalho do estado.
“Sem a geração de empregos entre beneficiários do Bolsa Família, o saldo agregado do emprego formal sergipano teria sido negativo no período, mantidos os demais valores observados”, afirmou. Para Saumíneo, o resultado representa “uma notícia favorável de inclusão produtiva e um sinal de atenção sobre a estrutura do mercado de trabalho sergipano”.
O economista levará a experiência brasileira de inclusão socioeconômica para um fórum internacional neste mês. O Diário Oficial da União publicou, em 30 de setembro, autorização para que Saumíneo participe do 41º Período de Sessões da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), que será realizado de 7 a 9 de outubro, em Santiago de los Caballeros, na República Dominicana.
O levantamento mostra que Sergipe não é um caso isolado. Maranhão, Alagoas, Ceará, Bahia, Pará, Rio Grande do Norte, Acre, Pernambuco e Sergipe apresentaram saldo negativo de empregos formais entre os trabalhadores que não recebiam o Bolsa Família.
Nesses nove estados, o saldo positivo entre os beneficiários foi suficiente para compensar as perdas do restante do mercado formal. A participação dos beneficiários no saldo estadual variou de 104,04%, em Sergipe, a 117,42%, no Maranhão.
O percentual, portanto, não significa que os beneficiários tenham ocupado mais de 100% das vagas criadas. A própria metodologia explica que participações superiores a 100% aparecem quando os dois grupos têm saldos de sinais opostos: enquanto um cria mais postos do que perde, o outro registra mais desligamentos do que admissões.
O estudo utiliza registros administrativos do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e cruza as informações com dados do Cadastro Único (CadÚnico) e do Programa Bolsa Família. A análise compreende o período de janeiro de 2023 a julho de 2026 e considera admissões, desligamentos e o saldo líquido de empregos formais.
Para Saumíneo Nascimento, o dado sergipano mostra que uma parcela da população historicamente mais vulnerável conseguiu ingressar no mercado formal de trabalho. Ao mesmo tempo, a retração registrada entre os trabalhadores que não pertencem ao Bolsa Família exige atenção para a dinâmica mais ampla do emprego no estado.
A questão, segundo ele, passa agora pela capacidade de transformar a entrada dessas pessoas no mercado formal em uma trajetória profissional mais duradoura.
“Se os beneficiários do Bolsa Família já respondem por 104,04% da geração líquida de emprego, o próximo passo é transformar essa porta de entrada em trajetórias profissionais sustentáveis”, destacou Saumíneo.
Nesse processo, a qualificação profissional, a permanência no emprego, o aumento da produtividade e a progressão de renda tornam-se fundamentais para que a inclusão produtiva não se limite à contratação inicial.
A análise também se relaciona às políticas desenvolvidas pelo governo federal para ampliar a inserção de pessoas inscritas no CadÚnico no mercado de trabalho, entre elas o Acredita no Primeiro Passo, voltado à qualificação profissional, ao empreendedorismo e ao acesso ao emprego.
No Brasil, o levantamento aponta que os beneficiários do Bolsa Família registraram 15,35 milhões de admissões e 10,77 milhões de desligamentos entre janeiro de 2023 e julho de 2026. A diferença resultou em saldo positivo de 4,58 milhões de empregos formais, equivalente a 85,18% de todo o saldo líquido do mercado formal brasileiro no período.
Quando considerados todos os trabalhadores inscritos no CadÚnico — beneficiários ou não do Bolsa Família —, foram 33,3 milhões de admissões e 27,5 milhões de desligamentos, resultando em saldo positivo de 5,84 milhões de empregos formais. Esse número superou o saldo total do Caged no período, de 5,38 milhões, porque os trabalhadores que não estavam inscritos no cadastro apresentaram saldo negativo.
O estudo mostra ainda forte presença dos jovens nesse movimento. Entre os beneficiários do Bolsa Família, a faixa de 18 a 24 anos respondeu por saldo positivo de 1,85 milhão de empregos, equivalente a 40,52% do saldo observado no recorte por idade.
As mulheres também tiveram participação majoritária no saldo líquido de empregos dos beneficiários, representando 55,40%, enquanto as pessoas com ensino médio completo responderam por 78,24% do resultado observado no recorte por escolaridade.
Os números mostram que o emprego formal alcançou de maneira significativa uma população de menor renda e historicamente mais exposta à informalidade. Para Sergipe, porém, a leitura dos dados vai além do percentual de 104,04%.
O desempenho dos beneficiários impediu que o saldo agregado do estado se tornasse negativo, ao mesmo tempo em que o resultado dos trabalhadores não beneficiários evidencia uma fragilidade que precisa ser considerada na análise do mercado de trabalho sergipano.
Por isso, na avaliação de Saumíneo, o desafio seguinte é avançar da inclusão no mercado formal para a permanência e a evolução profissional, permitindo que trabalhadores inicialmente vinculados às políticas de transferência de renda aumentem sua qualificação, produtividade e renda ao longo do tempo.
O próprio estudo ressalta que a análise do saldo líquido de empregos permite identificar a contribuição dos diferentes grupos para a geração de postos formais, mas não é suficiente, isoladamente, para avaliar aspectos como qualidade dos empregos, evolução salarial e permanência dos trabalhadores nos postos de trabalho.
Assim, os dados revelam uma mudança importante na porta de entrada do mercado formal, mas também colocam no centro do debate o passo seguinte: fazer com que a contratação se converta em trajetórias profissionais sustentáveis e maior autonomia econômica.
Por Luiz Thadeu Nunes (*) m meio à correria da vida, sempre encontro…
Sergipe está entre os 14 estados onde levantamentos recentes da Quaest e da AtlasIntel/Estadão indicam…
Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) ma das melhores e mais precisas definições…
Com o primeiro turno das eleições marcado para o próximo domingo, 04, a Energisa…
O Pix por aproximação passa a ter novas regras a partir desta quinta-feira (1º).…
Participação em uma das maiores feiras de turismo da América Latina mira agentes de viagens,…