Entre a astúcia de Maquiavel e a ousadia do estômago, quem venceu foi a panela Imagem: Pixabay
Por André Brito (*)
Dia desses eu estava relendo O Príncipe, de Maquiavel, relembrando a importância de sempre estarmos em contato com os clássicos, com o que formou (e deveria continuar formando) a cultura intelectual de gerações e gerações. Pena que essas verdadeiras joias estão perdendo lugar para o artificialismo, o imediato, para o culto do pragmatismo. Enfim, não quero me angustiar com essas questões típicas de um professor que se sente como um Sísifo sem pedra e sem montanha (aprofundei o assunto agora). Voltemos ao livro maquiavélico (no bom sentido).
Depois de devorar páginas e páginas em uma leitura ininterrupta, daquelas de dar água na boca, sinto o estômago me chamando para uma conversa de pé de orelha. Dizia ele:
— André, bora ali sentar à mesa e comer alguma coisa. Sinto-me em um indelével vazio existencial, mais profundo que o abismo que separa as gerações passadas da atual. Isso é fome, meu caro André! Vá fazer uma comidinha pra nós.
Parei por um instante e pensei:
— Esse órgão deglutidor de alimentos está muito ousado. Onde já se viu falar comigo assim?
Mesmo com a minha indignação prévia e inusitada, dei razão ao meu estomagozinho. O bichinho já estava há horas, de fato, sem receber víveres para manutenção do corpo. Levantei-me, fui à cozinha e marchei numa saga para produzir algo que satisfizesse o estômago e a alma.
Depois de saborear essa simplicidade deliciosa (eu acredito que o simples é sempre imbatível), eu me peguei no seguinte pensamento:
— Quem era eu! Quando morava com a minha mãe, nem fritar ovo sabia. Tinha tudo à disposição, tudo sempre pronto, a qualquer hora.
Na verdade, dei sorte porque pude observar (e aprender a repetir) tudo que ela fazia e entender que o principal ingrediente que ela usava, inclusive em todas as refeições, era amor. Nunca faltaram afeto e carinho. Nunca faltou cuidado. Desde a banana da terra com açúcar e canela pela manhã, até a moela cozida mais macia que maria-mole, sempre a mesma perfeição. Foi assim que descobri que, quando cozinhamos, colocamos muito de nós dentro da panela. E, às vezes, muitas pessoas não valorizam quem as alimenta. Triste isso.
Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) ara, Hagar, Rebeca, Lia e Raquel.…
A avenida Beira Mar, no sentido praias-Centro, será interditada neste sábado, 1º, a partir…
Diretora da Petrobras confirma início da infraestrutura do SEAP em 2027; projeto pode transformar Sergipe…
Banco Central reenquadrou banco sergipano no Segmento S3 após crescimento sustentado; mudança reconhece novo porte…
Evento será realizado no auditório da Federação das Indústrias, em Aracaju, e contará com a…
Por Cleomir Santos, consultor de marketing digital (*) as últimas semanas, usuários do…