Ao mudarmos de ano, o marco temporal é tão intenso que influencia sensações, emoções e ações Foto Pixabay
Nossa vida é composta de ciclos. Alguns institucionalizados, outros que fazem parte do nosso organismo e alguns que dependem da nossa capacidade de mudança psíquica. Isso só para falar das mudanças que temos em nós. Também há ciclos externos, como as estações do ano, o dia e a noite e o calendário, com datas e referências temporais.
Um dos maiores ciclos que temos é a “mudança de ano”. Ao mudarmos de ano, o marco temporal é tão intenso que influencia sensações, emoções e ações. É neste momento que muitas pessoas fazem uma retrospectiva (assim como as empresas) do ano e começam a criar expectativas para o ano que chegará. Essas construções acabam, muitas vezes, cheias de perspectivas e planejadas fora da realidade, sem marcos pontuais de alcance. Promessas demais, planejamentos e etapas de menos podem levar com mais precisão ao insucesso e à frustração de fechar o ciclo sem ter atingido os objetivos desejados.
Uma técnica de gestão adaptada ao planejamento pessoal pode ajudar a alcançarmos nossos objetivos de uma forma mais precisa, dentro do nosso alcance. Vamos ao modelo:
Construa uma tabela com sete colunas. A quantidade de linhas será a quantidade de objetivos que você tem em mente. Lembre-se de que não se pode querer algo que não seja alcançável. Feita a tabela, no cabeçalho de cada coluna teremos as seguintes perguntas: o quê, quem, quando, onde, por que, como e quanto. Estas são as perguntas-chave para se atingir o que se deseja.
A segunda coluna é “quem”. Quem irá te ajudar a alcançá-lo? Na nossa tabela, penso em três principais profissionais: nutrólogo/nutricionista, professor de atividade física/fisioterapeuta desportivo e psicólogo/psicanalista. Selecionados o objetivo e quem irá nos ajudar a realizá-lo, passamos para o “quando”.
O “quando” é o prazo que pretendemos perder 10 kg, ou seja, atingir nosso objetivo. No exemplo, colocamos 12 meses, mas não necessariamente precisa conter o ano todo em seu planejamento. Além disso, o “quando” pode ser dividido em etapas. Por exemplo: no Carnaval, normalmente acabamos não praticando atividade física regular e abusando da alimentação com carboidratos. Então, neste mês, a perda de peso será menor; em compensação, na Quaresma a dieta pode ser intensificada, assim como os exercícios, compensando o período anterior. A Psicoterapia que garante o desenvolvimento de resiliência para permanecer no processo e no trabalho de autoconhecimento para a compreensão da diferenciação entre a necessidade e o desejo de comer sofre alteração com os feriados e é importante saber se há remarcações, se haverá necessidade de sessões extras ou se o tratamento já está planejado, considerando-se os feriados. O “quando” não precisa ser uniforme. Precisa ser coerente e estar dentro da realidade.
O “onde” são os locais necessários para alcançarmos nosso objetivo. Assim teremos a academia, o consultório do nutrólogo/nutricionista e o consultório do psicólogo/psicanalista.
O “por quê” é a sua motivação para o objetivo. O que te leva a buscar perder peso? Ficar com um corpo malhado, mais saúde, evitar doenças…
Uma das partes mais importantes é o “como”. Como construir sua rotina anual até que você atinja seu objetivo. No nosso exemplo, será necessário buscar a quantidade de atividades físicas necessárias por mês, mais a quantidade de ingestão de calorias diárias, mais a capacidade de suportar as mudanças de hábito. O “como” deve ser uma descrição detalhada do que será feito a cada mês de forma específica, levando em conta feriados, trabalhos, cursos, congressos e tudo o que já tenha sido programado durante o ano, com uma margem de 20-30% de folga para circunstâncias imprevisíveis.
Por último, mas não menos importante, pôr na “ponta do lápis” quanto você deverá gastar em todo o processo. Todo planejamento precisa caber no seu orçamento. Aqui, também, deve existir uma margem de segurança de 20-30% a mais para situações imprevistas.
Fizemos o 5W2H (nome da ferramenta administrativa utilizada: what – o quê, who – quem, when – quando, where – onde, why – por que, how – como, how much – quanto) do primeiro desejo de mudança para o próximo ano. Agora é só continuar com os demais.
As ferramentas administrativas podem ser adaptadas à nossa vida pessoal para dar maior direcionamento e foco quando necessário, mas a fim de utilizá-la é preciso realmente saber o que se quer. Isso é mais complicado e pede uma nova coluna específica, pois entramos em aspectos subjetivos, que dizem respeito ao aspecto individual e a um conhecimento mínimo de si, para tal.
Espero que, com esta ferramenta apresentada, sua listinha de desejos para o próximo ano realmente se concretize e diminua as frustrações e os insucessos. No próximo ano, deixe recado aqui, contando se deu certo a aplicação do 5W2H. Feliz Natal e Ano Novo para todos.
(*) Profa. Esp. Petruska Passos Menezes é psicóloga e psicanalista, integrante do Círculo Psicanalítico de Sergipe, tem MBA em Gestão e Políticas Públicas pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), Gestão Estratégica de Pessoas (pela Fanese), Neuropsicologia (pela Unit) e em curso Gestão Empresarial pela FGV.
** Esse texto é de responsabilidade exclusiva da autora. Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.
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