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Evite discussões que não levam a nada; exercite a prudência e a tolerância

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Antônio Carlos Garcia (*)

Num final de tarde, o cidadão vai passear com a sua cadela de estimação pela rua. E o que era um ato civilizado de não querer sujar a cidade, transformou-se numa discussão inócua, mas nem por isso contundente. O dileto cidadão foi jogar as fezes do cachorro num tonel de lixo por entender que aquele seria o local mais apropriado para se desfazer daquela encomenda.

Mas eis que um rapaz,  dono do estabelecimento que vende coco verde, estava dentro do carro, fazendo o quê , só Deus sabe.  E,  justamente, quando o cidadão vai colocar em um dos tonéis de lixo os dejetos da cadela, devidamente acondicionados num saco plástico, ele grita e diz que ali não é local para isso. Sai do carro e, com o dedo em riste, inicia um monólogo, diante do moço perplexo. O cidadão reage, diz que ali é sim, para jogar lixo, e o rapaz se exalta. Temendo que a discussão acabasse em merda, o cidadão se retirou levando o saquinho com excrementos. Com o seu “coco vazio”, o rapaz ficou sozinho dizendo impropérios ao vento.

Diante da situação, literalmente, tão mal-cheirosa, há de se perguntar: onde estavam a prudência e a tolerância – duas artes importantes do saber viver – objetos de estudos de dois sábios Baltasar Gracián, em “A Arte da Prudência”, e Voltaire, em “Tratado sobre a Tolerância”?

Faltaram aos dois tais qualidades. O primeiro reclamava e defendia seu lixo e protestava para preservá-lo somente com os restos de cocos, sem uma justificativa convincente, embora outros donos de caninos já tenham despachado por lá os excrementos. O outro, por sua vez, dizia que lugar de lixo é no lixo, também sem argumento para discussão sem fundamento; pegou o saco e decidiu ir embora, mas foi acusado pelo rapaz de, habitualmente, jogar os dejetos da cadela ali. Tomado pela ira – um dos sete pecados capitais – o cidadão se defendeu, reclamou e, por fim, sugeriu que o rapaz ficasse ali a vigiar seus tonéis de lixo; e disse, ironicamente, que não tinha tempo de discutir sobre bosta, e que ele chorasse sozinho. O rapaz ficou estupefato com essa reação e permaneceu alguns segundos de pé, enquanto o cidadão e sua cadela continuavam o passeio.

Qual seria o final desta história, se os dois decidissem continuar defendendo seus pontos de vista, ou sei lá o quê? O homem dos cocos tem habilidade de trabalhar com facão, embora naquele momento, não estivesse com o tal instrumento cortante nas mãos. Mas, o facão poderia aparecer como por encanto. E o outro, o que tinha nas mãos? Bosta…

A contenda, verídica, não teve maiores consequências, mas a situação chamou a atenção, justamente, pela falta de prudência e tolerância, pois como já foi dito, a discussão poderia desencadear em algo mais grave. Afinal, mal-cheirosa já estava.

Além de Baltasar Gracián e Voltaire, recorro a São Tomaz de Aquino, intitulado Doutor da Igreja, quando ele diz que prudência, como uma das quatro virtudes cardeais, deve reger as outras três, que são a temperança, a coragem e a justiça.

Tal episódio serve-nos como alerta para que estejamos o tempo inteiro atentos, cuidando do nosso eu interior, aparando nossas arestas, nossa pedra bruta, pois só assim evitaremos tragédias.  Em alguns momentos, o silêncio é fundamental, pois é forma de evitar muitos problemas.

Para todos os dias, vale a reflexão, também, para que exercitemos os ensinamentos contidos na Escada de Jacó que podem ser lidos na Augusta e Respeitável Loja Simóblica Clodomir Silva, rito Adhoniramita: Temperança, justiça, coragem, prudência, fé, eseprança e caridade.

Com isso, harmonizamos nossa vida.

Mas para quem tem cachorro, fica o alerta: não jogue os excrementos do seu cão numa lata de lixo que contém cocos vazios e evite uma discussão por causa de uma merda.

 

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(*) Antônio Carlos Garcia é jornalista, diretor de Jornalismo do Portal Só Sergipe.

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Antônio Carlos Garcia

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