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Crise da laranja une Bahia e Sergipe contra preços abaixo do custo

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Os produtores também cobram uma atuação emergencial da Conab. Uma portaria do governo federal destinou cerca de R$ 10 milhões para ações emergenciais de apoio à citricultura nacional

 

Por Antônio Carlos Garcia (*)

 

Produtores de laranja da Bahia e de Sergipe devem se reunir em 4 de setembro, às 8h30, no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Umbaúba (SE), para discutir uma reação conjunta à crise que atinge a citricultura na região. A proposta é organizar os produtores, aprovar uma carta em defesa da atividade e discutir a criação de um Fórum de Defesa da Citricultura. Um ato simbólico com distribuição de laranjas para a população também poderá ser realizado, mas a decisão será tomada durante o encontro. No início deste mês, em Rio Real, agricultores distribuíram laranjas gratuitamente às margens da BR-101.

Segundo o produtor rural Ronaldo Cardoso da Silva, um dos articuladores da reunião, “precisamos fazer o alinhamento e nos atualizar diante dessa crise que a categoria está passando”. A reunião ocorre em meio a uma forte divergência sobre o preço da laranja. Fernando Braz, presidente da Associação de Citricultores de Rio Real, afirma que os agricultores estão recebendo cerca de R$ 200 pela tonelada, enquanto o custo de produção chega a aproximadamente R$ 480.

TropFruit contesta o valor. Segundo o gerente-geral, Diorane Morais Araújo, a indústria paga atualmente cerca de R$ 400 pela tonelada, continua comprando e mantém a fábrica em operação contínua. “Estamos trabalhando sem parar”, garantiu.

Segundo ele, a TropFruit recebe, em média, 100 caminhões de laranja por dia. A empresa também possui estoque de suco concentrado suficiente para aproximadamente dois anos. Diorane atribui parte da crise à queda do consumo de suco de laranja e afirma que toda a cadeia citrícola está sofrendo. “Ninguém quer saber dos custos da empresa”, disse.

A produção permanece elevada

Produção elevada, mercado retraído

O problema de baixo consumo, ocorre em uma região de forte produção. Rio Real produziu 251,4 mil toneladas de laranja em 2023, 41,2% da produção baiana naquele ano, segundo dados do IBGE citados em debate na Assembleia Legislativa da Bahia.

A Bahia produziu aproximadamente 632 mil toneladas em 2025, de acordo com dados do IBGE utilizados pelo Banco do Nordeste, e a previsão para 2026 permanece próxima desse volume. Ao mesmo tempo em que a produção permanece elevada, o consumo de suco caiu, segundo a indústria.

Reivindicações

A crise dos produtores baianos chegou à Assembleia Legislativa da Bahia. Em abril, uma audiência pública discutiu medidas para o setor. Entre as reivindicações estão a instalação de uma indústria de processamento na Bahia, inclusão da laranja na merenda escolar, criação de espaço na Ceasa para venda direta, renegociação das dívidas e atuação da Conab na compra da produção excedente. Rio Real foi reconhecida pela Assembleia, em 2025, como Capital Estadual da Laranja.

Os produtores também cobram uma atuação emergencial da Conab. Uma portaria do governo federal destinou cerca de R$ 10 milhões para ações emergenciais de apoio à citricultura nacional. Para Fernando Braz, porém, o recurso é insuficiente diante da dimensão da crise no Norte da Bahia.

“Se eles lançarem R$ 10 milhões para o Brasil todo, não vai mudar em nada aqui a nossa realidade. A safra acaba agora em agosto. Se a Conab demorar um pouquinho, coisa de 30 dias, todo mundo que tinha que perder já perdeu. Vai ser laranja caindo do pé e apodrecendo na roça”, afirmou.

Na esfera federal, o preço mínimo da laranja para a safra 2026/27 foi fixado em R$ 28,76 por caixa de 40,8 quilos, equivalente a aproximadamente R$ 705 por tonelada. O valor é uma referência da Política de Garantia de Preços Mínimos e não representa um preço obrigatório de compra pelas indústrias.

Fórum de Defesa da Citricultura

A proposta apresentada para a reunião de Umbaúba é ampliar a articulação para além de manifestações pontuais. Segundo Ronaldo, os participantes pretendem discutir uma carta em defesa da citricultura e a criação de um Fórum de Defesa da Citricultura. A ideia é buscar apoio dos deputados estaduais para a aprovação de uma lei que dê caráter permanente à iniciativa.

Após o período eleitoral, os produtores também pretendem promover uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Sergipe. A reunião deverá reunir agricultores familiares, pequenos, médios e grandes produtores, além de técnicos, agrônomos e outros integrantes da cadeia. A intenção é construir uma pauta comum entre Bahia e Sergipe.

 

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