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Confronto político de fanáticos religiosos contraria a espiritualidade

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Valtênio Paes (*)

A partidarização de religiosos nas eleições brasileiras vem acirrando a relação entre alguns católicos e protestantes; e mais, especificamente, entre católicos e evangélicos. Como queiram. O presidente da república diz que indicará para o Supremo Tribunal Federal (STF) um ministro “terrivelmente evangélico”. Atente-se que o advérbio provém da palavra terrível, que tem como sinônimos:  pavoroso, medonho, horrendo. O pastor Sérgio Von Helder, da Universal do Reino de Deus, chutara imagem católica em 12 de outubro de 1995. O parlamentar Frederico D’Ávila,  do PSL-SP, chama o papa e bispos de pedófilos em 14 de outubro de 2021,  porque o bispo defendera que “pátria amada não é pátria armada”, e completara, “seja uma pátria sem ódio, uma república sem mentira e fake news”. Católicos retrucam, e a judicialização se estabelece.

Restauracionismo, Anabaptistas, Protestantismo, Anglicanismo, Católicas Romana e Ortodoxa, Nestorianismo, todas são cristãs. Por que o confronto? Com certeza não é a verdadeira religião, mas o interesse para acessar o poder político que está prevalecendo nestes fatos. Josias de Souza em sua coluna do UOL, de 24 de novembro,  fala da “fachada religiosa” da ex-deputada Flordelis e desperta o eleitor para não ser enganado por pessoas que “misturam temas caros, como religião e família, com política.” Emissoras de rádio e TV, às vezes, servem de base para tais ações.

Estamos vivenciando abusos de alguns evangélicos e católicos. Não praticam espiritualidade. Na verdade, usam instituições religiosas para promoção política pessoal. Invocam Deus para assumir cargos públicos. Acham pouco e estimulam o confronto de inocentes fiéis. Não podemos retornar ao período medieval ou à perseguição religiosa de séculos passados.

Na Idade Média, as Cruzadas e guerras religiosas, dentre tantas, mataram milhares de pessoas usando o discurso religioso para controlar o poder. Hoje não cabe mais tanto retrocesso apesar de setores do mundo árabe e o Taleban medievalizarem costumes em pleno século XXI. Tais fatos ensejam conflitos e confrontos que contradizem a essência de princípios religiosos.

Por que interesseiros sem embasamento filosófico ou teológico se arvoram em iludir fiéis e se apoderaram de cada voto para chegarem ao poder político, tentando dividir o país? Se Deus é um Só para todos, qual a razão de buscar o privilégio? Usar a religião para empoderar-se na política partidária é manipular a boa-fé de fiéis inocentes.

Se Jesus, Buda, Confúcio, Moises, se encontrassem num mesmo momento histórico, com certeza, não discutiriam quem estaria certo, mas respeitariam os ensinamentos de cada um. De igual modo, do encontro de Maomé, Lutero, Gandhi, Alan Kardec a Dalai Lama não seria diferente por suas respectivas sabedorias e lideranças. Para quem pratica a verdadeira religiosidade, estudar o evangelismo reduz o ódio competitivo para crescer na espiritualidade.

“O propósito da religião é controlar a si, não criticar os outros. O que estou fazendo em relação à minha raiva, ao meu apego, meu ódio, meu orgulho e à minha inveja? Isso é que precisamos nos perguntar no dia a dia,” disse o Dalai Lama. Religiosos que partidarizam a fé precisam optar entre as duas profissões.

 

(*) Valtênio Paes de Oliveira é professor, advogado, especialista em educação, doutor em Ciências Jurídicas, autor de A LDBEN Comentada -Redes Editora, Derecho Educacional en el Mercosur- Editorial Dunken e Diálogos em 1970- J Andrade.

** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do autor.  Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.

 

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Valtenio Paes de Oliveira

(*) Professor, advogado, especialista em educação, doutor em Ciências Jurídicas, autor de A LDBEN Comentada-Redes Editora, Derecho Educacional en el Mercosur- Editorial Dunken e Diálogos em 1970- J Andrade.

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