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Comunicação nas relações de convivência

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Por Valtênio Paes de Oliveira (*)

 

Decorrentes da ganância e descuido das pessoas, o planeta morre aos poucos. Seus habitantes também!  Leonardo Boff, em 2003, preocupado, já propunha seu “Ethos Mundial”. Desastres ambientais, guerras, individualismo, globalização e tecnologias romperam antigas estruturas. Raiva, desprezo e vingança são manifestações rotineiras. A prática do ódio está presente em todos os segmentos sociais.
A convivência pacífica é primordial 

Freud afirmara: “O ódio, enquanto relação de objeto, é mais antigo que o amor: nos primórdios da origem ele tem sua fonte na recusa do mundo exterior que emite estímulos, recusa que emana do Eu narcísico” (Freud, 1915/1992: 184). Segundo o Dicionário on line “ódio é sentimento de profunda inimizade; aversão instintiva direcionada, antipatia e repugnância. Paixão que conduz ao mal que se faz ou se deseja a outrem. Ira contida, rancor violento e duradouro”.

Com a decadência do sistema feudal substituído pelo capitalismo, o individualismo do “penso, logo existo” de René Descartes – 1637, “eu quero, eu faço”, “faço o que quero…tudo eu posso, Deus me ajuda”, “não devo prestar contas a ninguém”… passaram ser argumentos ilusionistas para captar a inocência popular e estimular a prática da agressividade. Rejeita-se o sentimento de coletividade passando reforçar a desesperança e o ódio.

Esperançar necessita de uma reflexão interior de cada pessoa. Para tanto, o autoconhecimento ajuda compreender as causas. Conhecer o corpo, os efeitos da alimentação, do sono, do meio social fundado no diálogo, capacidade de ouvir, ponderar, são ações que ajudam compreender as causas das reações e os efeitos na convivência. Contribuir para o crescimento pessoal para o bom relacionamento entre as pessoas deve ser meta de quem defende a

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Uma boa opção de vida é não terceirizar a culpa nas relações de trabalho, família, escola e redes sociais.  Fomentar valores como respeito, solidariedade, honestidade, lealdade e coletividade, fortalecem a boa convivência.

Do livro “Comunicação Não Violenta” , de Marshall B. Rosemberg, fiz uma abordagem aqui neste espaço, sob o título Comentando a ‘Comunicação Não Violenta’.  “Distinguir exigência (quando se fala criticando a outra pessoa ou deixando-a culpada) de pedido (quando quem faz mostra empatia pelas necessidades do outro).

Para o autor, o “objetivo é um relacionamento embasado na sinceridade e empatia”.  Sugere necessidades humanas básicas que poderíamos compartilhar: “precisamos de empatia para dar empatia”, “mantendo a empatia, permitimos ao interlocutor sentir características mais profundas de si mesmo”, “ empatia nos permite perceber o mundo de uma maneira de ir em frente”, “quanto maior a empatia por outra pessoa, mais seguro nos sentimentos”, “a capacidade de mostrar  empatia pelas pessoas em situações  tensas pode afastar o risco potencial de violência”, “quando atentamos para os sentimentos e necessidades dos outros, não nos vemos mais como monstros, “para reanimar uma conversa, interrompa-a com empatia”, porque “a raiva rouba energia se a dirigimos para ações punitivas”.

Incluir no cotidiano a supressão do julgamento, contribuir para afeição, afeto, amizade, atração, fraternidade, capacidade de ouvir, ponderar, dialogar, esperançar, fazendo nossa parte, pode ser um bom começo.

 

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Valtenio Paes de Oliveira

(*) Professor, advogado, especialista em educação, doutor em Ciências Jurídicas, autor de A LDBEN Comentada-Redes Editora, Derecho Educacional en el Mercosur- Editorial Dunken e Diálogos em 1970- J Andrade.

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