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	<title>Arquivo para religiosidade - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Patrimônio histórico: Eduardo Amorim reverencia a Catedral Metropolitana de Aracaju pelos 150 anos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Só Sergipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Dec 2025 12:48:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Ao completar 150 anos, a Catedral Metropolitana de Aracaju se estabelece como um ponto fundamental de religiosidade, memória, patrimônio, cultura e arquitetura. Hoje, a capital sergipana celebra esse templo que surgiu quando Aracaju tinha apenas 20 anos de fundação, e, desde então, acompanha o crescimento da cidade. Para este dia especial, a Arquidiocese Metropolitana &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/patrimonio-historico-eduardo-amorim-reverencia-a-catedral-metropolitana-de-aracaju-pelos-150-anos/">Patrimônio histórico: Eduardo Amorim reverencia a Catedral Metropolitana de Aracaju pelos 150 anos</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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<p>Ao completar 150 anos, a Catedral Metropolitana de Aracaju se estabelece como um ponto fundamental de religiosidade, memória, patrimônio, cultura e arquitetura. Hoje, a capital sergipana celebra esse templo que surgiu quando Aracaju tinha apenas 20 anos de fundação, e, desde então, acompanha o crescimento da cidade. Para este dia especial, a Arquidiocese Metropolitana preparou uma missa em ação de graças que marca a abertura do Ano Jubilar Sesquicentenário.</p>
<p>“Hoje é dia de saudar a nossa Catedral Metropolitana de Aracaju, que começou a ser construída no ano de 1862, mas só foi inaugurada em 22 de dezembro de 1875. São 150 anos de história, resistência e bênçãos para o povo aracajuano, sobretudo para os fiéis da Igreja Católica. Como gosto muito de história, ressalto que este ano a Catedral também completou 40 anos desde que sua arquitetura foi tombada como patrimônio do nosso povo&#8221;, saudou Eduardo Amorim.</p>
<p>O processo de preservação do templo, entretanto, enfrentou desafios significativos ao longo da última década. Após anos de portas fechadas para intervenções estruturais complexas, a reabertura e o início das novas fases de restauro artístico simbolizam não apenas a recuperação física de um edifício, mas o resgate da identidade visual e afetiva do centro histórico da capital sergipana.</p>
<p>A Catedral Metropolitana faz parte do imaginário da população de Aracaju. Sendo uma construção com traços da arquitetura neogótica e eclética, sempre chamou a atenção por conta das suas atividades religiosas e pela sua estrutura imponente, atraindo fiéis e turistas. Ademais, faz dois anos que as celebrações voltaram a ocorrer no próprio templo, que passou cerca de uma década em processo de reforma. Eduardo Amorim, durante seu mandato como senador, destinou cerca de R$ 1,5 milhão em emendas para o restauro da catedral, assumindo seu compromisso com a cultura e o patrimônio histórico.</p>
<p>“Durante meu mandato de senador por Sergipe, fiz questão de destinar emendas parlamentares para a reforma da catedral. Há 10 anos, no mês de junho, reuni-me com o então Arcebispo Metropolitano, Dom José Palmeira Lessa, e anunciei que a bancada de Sergipe iria destinar R$ 1,8 milhão, dos quais sempre tive o compromisso para com esse marco católico, arquitetônico e cultural do Nordeste”, lembrou Eduardo.</p>
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		<title>Esse cara é ele &#8211; falando sério com Roberto Carlos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Jul 2025 12:48:40 +0000</pubDate>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">E</span>m que pesem as suas esquisitices, manias e polêmicas, como a de se calar e ter sido omisso durante a Ditadura Militar no Brasil ou bater boca com fã em show, passados tantos anos de vida e de carreira, seu legado segue tendo uma especial atenção e importância. Com 84 anos de idade, ainda em plena atividade artística, Roberto Carlos Braga (Cachoeiro do Itapemirim-ES, 1941) está entre os maiores cantores do país, atravessando o tempo com um talento singular e um repertório que ainda inspira e diz muito ao nosso tempo.</p>
<p>Sem a pretensão de esgotar o assunto, o que seria uma tarefa árdua, hercúlea e impossível, o presente artigo quer revisitar a obra de Roberto Carlos a partir de cinco eixos temáticos: Rock and roll; romantismo; mulher(es); religiosidade Católica; pessoa, lugares e outros temas. Em cada um deles, há canções-símbolos que marcaram épocas e se tornaram atemporais. Há, também, um esforço do artista em resistir e, ao mesmo tempo, dialogar com as demandas dinâmicas da existência humana e do mercado fonográfico brasileiro. Seja na produção anual de novos LPs, CDs, DVDs, seja através de seus especiais realizados na TV Globo, e a disponibilização de seu vasto e rico repertório nas plataformas digitais.</p>
<p>Um dos grandes nomes do movimento Jovem Guarda, anos 60, na onda dos Beatles, Roberto Carlos, ao lado de Erasmo Carlos (seu principal parceiro) e Wanderléa, sacudiram a juventude brasileira com hits como &#8220;<em>Splish Splash</em>&#8220;, “<em>É proibido fumar</em>” e “<em>O calhambeque</em>”. Nesse embalo, também fez sucesso com o filme “<em>Roberto Carlos em Ritmo de Aventura</em>” (1968), com canções como “<em>Eu sou terrível</em>”, “<em>De que vale tudo isso</em>” e “<em>Quando</em>”. Ainda na toada do rock nacional, destaque para “<em>As curvas da estrada de Santos</em>” (1969) e a minha predileta “<em>120&#8230; 150&#8230; 200 km por hora</em>” (1970), famosa também na voz do cantor sertanejo, Leonardo. Amante de carros e da velocidade, Roberto Carlos, em 1971, protagonizou o filme “<em>Roberto Carlos a 300 Quilômetros por Hora”.</em></p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/rose-9198491_1280.png"><img decoding="async" class="wp-image-91343 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/rose-9198491_1280-225x300.png" alt="rosa, flor" width="161" height="215" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/rose-9198491_1280-225x300.png 225w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/rose-9198491_1280-768x1024.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/rose-9198491_1280.png 960w" sizes="(max-width: 161px) 100vw, 161px" /></a>Quando o assunto é romantismo, Roberto Carlos, ao lado de Erasmo Carlos, é um dos maiores e consegue imprimir em suas canções sentimentos não somente de décadas anteriores à nossa, mas também de todos os tempos. Um romantismo clássico, mas também algo que lembra muito o que chamamos hoje de “sofrência”. Nessa pegada, poderia aqui enumerar diversas delas, mas, darei destaque a algumas que eu considero modelares ou até mesmo icônicas, algumas delas regravadas por vários outros artistas brasileiros. Nesse sentido, para além de “<em>Amada Amante</em>” (1971), “<em>Detalhes</em>” (1971), “<em>Outra vez</em>” (1977) e “<em>Café da Manhã</em>” (1978), destaco “<em>Evidências</em>”, composta por José Augusto e Paulo Sérgio Valle em 1989, sucesso também, no ano seguinte, com Chitãozinho e Xororó. Sem falar em “<em>Esse cara sou eu</em>”, de 2012. Para mim, a síntese do tipo ideal de homem que ama uma mulher.</p>
<p>E por falar em mulheres, Roberto Carlos está entre os artistas que melhor a traduziram, com o respeito e a atenção que elas merecem. Tendo sido casado com três delas (Cleonice Rossi, Myriam Rios e Maria Rita), esta última o grande amor de sua vida (falecida em 19 de dezembro de 1999, aos 38 anos, em razão de um câncer de útero), Roberto imprime em suas canções, além de muito romantismo, como já vimos, a essência da mulher brasileira. Em 2009, lançou um projeto em homenagens a algumas mulheres, cantando, ao vivo, com algumas delas, a saber: Hebe Camargo, Alcione, Daniela Mercury, Luiz e Sisi Possi, Fafá de Belém, Wanderléa, Fernanda Abreu, Marina Lima, Adriana Calcanhoto, Ivete Sangalo, Marília Pêra, Sandy, Rosemary, Paula Toler, Mart´nália e Nana Caymmi. Entre seus sucessos, tendo a mulher ou mulheres como tema, destaco: “<em>Pra ser só minha mulher</em>” (1977), “<em>Lady Laura</em>” (1978), em homenagem à sua mãe, Laura Moreira Braga, “<em>Mulher (sexo frágil</em>) grande sucesso com Erasmo Carlos &#8211; 1981”; além de uma sequência de tipos diferentes, fora do padrão, como “Mulher pequena” (1992), “O charme dos seus óculos” (1995) e “Mulher de 40” (1996) e, a mais recente, “A mulher que eu amo” (2012), da qual ressalto o trecho “<em>A mulher que eu amo é o ar que eu respiro e nela eu me inspiro pra falar de amor&#8230;</em>&#8220;.</p>
<p>Mariano incondicional e apaixonado, A Virgem Maria é a grande inspiração de Roberto Carlos para a sua seara de sucessos católicos. Nesse sentido, “<em>Nossa Senhora</em>” e o “<em>Terço</em>” são hits primorosos. Sem falar em sucessos outros como “<em>Força Estranha</em>”, “<em>Fé</em>”, “<em>Estou aqui</em>”, “<em>Ele está para chegar</em>”, “<em>Aleluia</em>”, “<em>Jesus Salvador</em>”, “<em>O Homem</em>” e o clássico “<em>Jesus Cristo</em>”, de 1970. Afora “<em>Todos Estão Surdos</em>”, de 1971, que embora possa ser inserida na categoria rock in roll, é uma canção religiosa, uma das minhas favoritas de seu repertório, da qual ressalto o seguinte verso que diz: “<em>Meu Amigo volte logo / Vem olhar pelo meu povo / O amor é importante / Vem dizer tudo de novo</em>”, numa clara referência a Jesus Cristo, sobretudo quando ele diz “um cabeludo falou’.</p>
<p>Por fim, do eixo temático pessoas, lugares e outros temas, dou especial atenção à música “O portão”, de 1974. A letra é uma tradução perfeita de um retorno, de uma volta para casa. Poderia ser atribuída à volta do filho pródigo, mas também de alguém que retorna de viagem com saudades de casa e por aí vai. Mas nada se assemelha ao verso “<em>meu cachorro me sorriu latindo</em>”, expressão esta que volta a ter novo sentido em “<em>Nível de carência</em>”, de Pablo, 2015, no trecho “<em>É que eu estou, num nível de carência /Que se meu cachorro late, eu escuto eu te amo</em>”.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A vivacidade dos mitos, ritos e símbolos</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/a-vivacidade-dos-mitos-ritos-e-simbolos/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Nilton Santana]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Oct 2024 11:00:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Nilton Santana (*)   É um erro grosseiro pensar que mitos são mentiras, que por isso, são descartáveis. O mito é uma maneira de explicar o mundo não somente na esfera da religiosidade, mas também na esfera da filosofia. Os mitos são uma constante do ser humano independente do tempo e do espaço. Os &#8230;</p>
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<blockquote><p><em>Nilton Santana (*)</em></p></blockquote>
<p><strong> </strong></p>
<span class="dropcap ">É</span> um erro grosseiro pensar que mitos são mentiras, que por isso, são descartáveis. O mito é uma maneira de explicar o mundo não somente na esfera da religiosidade, mas também na esfera da filosofia. Os mitos são uma constante do ser humano independente do tempo e do espaço.</p>
<p>Os padrões, narrativas e detalhes do mito são encontrados em toda parte, inclusive em biografias. Posso afirmar sem sombra de dúvidas que mesmo estando esvaziados de mitos religiosos, procuramos preencher esta lacuna com outros mitos de origem política ou até mesmo ícones propagados pelas mídias, ou cinema (XAVIER, 2015, p. 25-26).</p>
<p>Os mitos são narrativas utilizadas como equipamentos necessários à vida. Ao narrarmos eventos reais ou fictícios, estamos repetindo o uso de um equipamento conhecido desde os tempos das cavernas. Isto é, a troca de experiências que o cérebro entende como essenciais para a sobrevivência. A narrativa faz parte da vida humana, e a que mais se comunica com a nossa mente é a narrativa mitológica, pois todos os símbolos que atingem o íntimo da humanidade estão ali, gravados pela evolução.</p>
<p>Parafraseando Campbell:</p>
<p style="text-align: right;"><em>“Você tem o mesmo corpo, com os mesmos órgãos e energias que o homem de Cro Magnon tinha, trinta mil anos atrás. Viver uma vida humana na cidade de Nova Iorque ou nas cavernas é passar pelos mesmos estágios da infância à maturidade sexual, pela transformação da dependência da infância em responsabilidade, própria do homem ou da mulher, o casamento, depois a decadência física, a perda gradual das capacidades e a morte. Você tem o mesmo corpo, as mesmas experiências corporais, e com isso reage às mesmas imagens.” (CAMPBELL, 1990, p. 49).</em></p>
<p>Podemos afirmar que o mito pertence a uma dimensão do ser humano (BIERLEIN, 2003). E o mesmo podemos fazer com ideologias políticas que sempre guardam aspectos religiosos. Toda ideologia possui seus mitos e símbolos. Até mesmo podemos citar aqui ritos nacionalistas que nos remetem aos personagens nacionais que foram mitificados (Ibidem). E aqui não vamos salientar o mito como fundamental para os códigos de conduta moral de grupos sociais, nem mesmo como um padrão de crenças que dá significado à vida (Ibidem). Também não pretendo adentrar no mito como uma narrativa simbólica-imagética que preenche a lacuna existente entre o inconsciente e a linguagem lógica do consciente (JUNG, 2013, p. 23). A riqueza dos mitos é vasta e vastos também são os grandes estudiosos que se debruçaram sobre o tema.</p>
<p>Mas qual a ligação que os mitos possuem com os rituais e símbolos? A resposta é que o ritual é o mito em ação. O ritual é a prática do mito porque traz para a vivência toda a força imagética que a mitologia possui (ELIADE, 1992).</p>
<p>Em outras palavras, ao fazermos um ritual estamos recorrendo aos símbolos que estão presentes em mitos. O mito se comunica com um estágio da vida e o ritual serve para que a pessoa viva intensamente este mito e seus ensinamentos. Nesse sentido, longe de ser uma mentira, o mito é a mais nua e pura realidade humana. Isso é tão relevante que irei enfatizar mais uma vez: o mito é a mais pura realidade humana! O ritual e o símbolo tornam o mito mais acessível. Estudar rituais é o mesmo que estudar símbolos e mitos, porque todos eles estão intrinsecamente ligados.</p>
<p>No Islã podemos fazer referência aos rituais que acontecem durante a peregrinação à Meca. Esses ritos possuem símbolos que remetem ao mito do profeta Abraão e ao profeta Ismael.</p>
<p>Da mesma forma, no Judaísmo temos o rito de sábado, que se estabelecem vários símbolos lembrando o momento da criação. O sábado deste modo torna-se um mito no qual as reverências ritualísticas ao sagrado são símbolos do momento mítico da criação.</p>
<p>O rito da Páscoa é um outro exemplo disto: na Vigília Pascal cristã uma vela branca que representa a luz de Cristo é acesa. Essa vela é do Círio Pascal. Perceba que o Círio Pascal é o símbolo que representa a luz de Cristo. Símbolo presente em um ritual que nos remete ao mito cristão da ressurreição. Onde há humanos há mitos, rituais e símbolos. O ser humano é um ser mítico, ritualístico e simbólico.</p>
<p>Convém explanar sobre os rituais de passagem. Os rituais que marcam a vida humana como os rituais de nascimento, de amadurecimento e de perpetuação da vida. E esses rituais encontram-se em diferentes culturas. O ritual de passagem delimita a fronteira a ser atravessada, é o acesso que o menino possui para o adulto, a transformação do imaturo para o maduro.</p>
<p>No norte do Brasil há a etnia Sateré-Mawé, durante o ritual de passagem o menino coloca as mãos em luvas de palha trançada; a luva está infestada com formigas Tucandeiras. Ao receber as picadas o processo ritual se inicia. Pode parecer estranho e impactante observar tal ritual de passagem, sobretudo com os olhos da nossa sociedade, mas para os indígenas que o praticam valores como força e compromisso são evocados (CARVALHO, 2019, p. 56). Toda a ritualística é preparada antes com demasiada atenção, inclusive durante o período o jovem a ser iniciado deve se alimentar de chibé de farinha, formigas torradas, castanhas, frutas, verduras e iguarias provenientes da caça (Ibidem, p. 110). Havendo aí uma preparação antes do próprio ritual.</p>
<p>Outro exemplo seria no Judaísmo, o menino judeu ao completar treze anos realiza o <em>Bar Mitzvá, </em>ritual de passagem onde lê publicamente a Torá, se tornando responsável pela observância dos mandamentos que regem a vida judaica (GALINKIN, 2001, p.62). Deixa de ser menino e passa a ser um homem. Há também toda uma preparação durante a passagem, inclusive alimentar (Ibidem, p.92). O compromisso para com o povo é sempre ressaltado.</p>
<p>Já na antiga Grécia, os jovens passavam por um longo período de Iniciação, no qual se incluía casar, participar ativamente da defesa da pólis, sendo no exército ou na marinha, e a celebração de rituais sagrados (FLORENZANO, 1996, p.19-32). Somente a partir daí passaria a participar da vida social adulta da cidade. O compromisso para com a cidade era sempre ressaltado.</p>
<p>Gregos, romanos, judeus, árabes, e tantos outros povos originários da África, Ásia, Europa e América possuíam, e alguns deles ainda possuem, rituais de passagem que servem para dermarcar a mudança de mentalidade da vida infantil para a vida adulta. Ou até mesmo iniciações para estágios mentais mais amadurecidos (MOORE; GILLETE, 1993). Os rituais, símbolos e mitos são extremamente necessários para a vida humana.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>____________________</p>
<p><strong>Referências</strong></p>
<p>BIERLEIN, J. F. <strong>Mitos Paralelos</strong>. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.</p>
<p>CAMPBELL, Joseph. <strong>O Poder do Mito</strong>. &#8211; Entrevistas com Bill Moyers. São Paulo:Editora Palas Athena, 1990.</p>
<p>CARVALHO, Joelma Monteiro de.<strong> Ritual de passagem: das terras indígenas às áreas urbanas dos Sateré-Mawé. </strong>Manaus: Editora UEA, 2019.</p>
<p>FLORENZANO, Maria Beatriz Borda. <strong>Nascer, viver e morrer na Grécia Antiga</strong><em>.</em> São Paulo: Atual, 1996.</p>
<p>GALINKIN, Ana Lúcia. <strong>Os filhos dos mandamentos</strong>: uma discussão sobre a identidade judaica no contexto dos rituais de maioridade Bar Mitzvá e Bat Mitzvá. 2001. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2001.</p>
<p>JUNG, Carl.<strong> Civilização em transição</strong>. Petropólis: Vozes, 2013.</p>
<p>XAVIER, Adilson. <strong>Storytelling: Histórias que deixam marcas.</strong> Rio de Janeiro: BestSeller, 2015.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Livro mostra que o “olhado” e o “quebranto” são tratados com rezas há mais de 2.000 anos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Só Sergipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Apr 2024 18:28:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; No sertão da Bahia, povoado de Olhos D&#8217;Água, município de Tucano, Dona Florência de Jesus, na segunda década do nosso século XXI, rezava quem a procurava com “olhado”, “quebranto” e principalmente o “mal do ar”, capaz, segundo a sertaneja, de provocar congestão, dormências, dor de cabeça e outros problemas. Dona Florência (e outros rezadores) &#8230;</p>
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<p>No sertão da Bahia, povoado de Olhos D&#8217;Água, município de Tucano, Dona Florência de Jesus, na segunda década do nosso século XXI, rezava quem a procurava com “olhado”, “quebranto” e principalmente o “mal do ar”, capaz, segundo a sertaneja, de provocar congestão, dormências, dor de cabeça e outros problemas. Dona Florência (e outros rezadores) é herdeira de uma tradição que remonta a Antiguidade. Nas “Cartas Paulinas” do Novo Testamento, São Paulo se referia como uma tradição de sua época os perigos existentes no ar onde habitavam os “espíritos do mal” a espalhar seus malefícios nas pessoas. Outras moléstias como o “cobreiro” e a “erisipela” já eram conhecidas e tratadas por assírios e egípcios mil anos antes de Cristo. Mas, ainda hoje é possível encontrar benzedores no Brasil que se dizem capazes de livrar as pessoas desses problemas.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/CAPA-Divulgacao-scaled.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-76566 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/CAPA-Divulgacao-219x300.jpg" alt="" width="234" height="321" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/CAPA-Divulgacao-219x300.jpg 219w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/CAPA-Divulgacao-749x1024.jpg 749w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/CAPA-Divulgacao-768x1050.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/CAPA-Divulgacao-1123x1536.jpg 1123w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/CAPA-Divulgacao-1498x2048.jpg 1498w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/CAPA-Divulgacao-scaled.jpg 1872w" sizes="auto, (max-width: 234px) 100vw, 234px" /></a>O livro “<strong>Com dois te botaram/com três eu te tiro &#8211; Um estudo sobre religiosidade popular, suas rezas, benditos e excelências</strong>”, de Helenita Monte de Hollanda e Biaggio Talento, procura identificar no mundo contemporâneo as reminiscências da prática milenar das benzeduras dentro da “medicina popular” que surgiu na Antiguidade, absorveu e adaptou rezas no Cristianismo, foi tolerada num período da Idade Média; e num outro &#8211; que se estendeu até a Idade Moderna &#8211; confundida com bruxaria.</p>
<p>O início da pesquisa que resultou no livro foi a coleta de informações a campo feito por Helenita, potiguar, médica de formação, psicanalista e pesquisadora da cultura popular brasileira, autora do livro “Como diz o ditado&#8230;”. As entrevistas com rezadoras e rezadores ganharam impulso quando ela trabalhou como médica da família em cinco municípios baianos: Mucugê, na Chapada Diamantina, Xique-Xique, na região do Rio São Francisco, Tucano, no sertão, Maragogipe e São Félix, no Recôncavo baiano. Primeiro anotava tudo e registrava com um gravador cassete. Depois passou a gravar as entrevistas com um Ipad. Ao longo de dois anos (2011 e 2012) trabalhando e morando nessas cidades, acumulou um bom acervo de histórias, lendas, benzeduras, rezas, benditos e excelências. Ao conhecer de perto a vida e a religiosidade do sertanejo foi possível penetrar um pouco na sua alma.</p>
<p>A pesquisa que seria usada na produção de livro, abriu espaço antes do material escrito, para que ela e o companheiro, o jornalista baiano Biaggio Talento, criassem o Canal Cultura Popular Brasileira no You Tube, (<strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://l.instagram.com/?u=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fc%2FCulturaPopularBrasileira&amp;e=AT2aDBx0o36i2AjsyznoEz8kt-oSHhbFfemVfS6DuVR5ZLPXHRTbbHs0hTwzpT1Aw4fkKxz3GBsCPs8hfbhp5jfRzdih8W84UjjCc0-9M4qAmpY_rqVqYA">www.youtube.com/c/CulturaPopularBrasileira</a></span></strong>) no qual parte dessa pesquisa foi transformada em vídeos com o objetivo, não só divulgar, mas preservar essa rica vertente da cultura popular brasileira. O canal é um sucesso. Alcançou mais de 4,1 milhões de visualizações até março desse ano. E, o mais importante, atraiu uma nova geração de rezadores e rezadoras a mostrar as rezas, benditos e excelências que conhecem. <span class="sigijh_hlt">Com isso, a pesquisa se expandiu presencialmente e de forma virtual a vários estados além da Bahia: <strong>Sergipe</strong>, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí de onde benzedores e benzedoras enviaram suas contribuições.</span></p>
<p>“A astrolatria é um dos primeiros rituais das tribos primitivas do mundo. E os cultos à Lua e ao Sol, se destacavam nesse período em que os humanos começavam a conhecer os astros. É incrível que um culto milenar de povos tão distantes esteja presente no Brasil do século XXI”, diz Helenita, citando um dos mais afamados rezadores que conheceu em Tucano-BA, em 2012, Pedro Santinho. “Entre suas rezas incluía o Sol e a Lua para curar a bicheira nos animais”. Outra, Veneranda Ferreira de Souza, de Mucugê-BA, tirava &#8220;friage&#8221; com ajuda dos astros: “Deus é o Sol, Deus é a Lua da melhor claridade, de sereno e Sol da melhor afinidade. Eu rezo com o poder de Deus e da Virgem Maria”. <span class="sigijh_hlt">Outro, Domingos Fraga, de Lagarto-Sergipe, usava ao benzer a força “dos 13 raios do Sol que esquentou o raio da Lua que esfriou. Enfriou, retirou, desligou”.</span></p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/REZADORES-Com-legendas-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-76570 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/REZADORES-Com-legendas-1-214x300.jpg" alt="" width="469" height="658" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/REZADORES-Com-legendas-1-214x300.jpg 214w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/REZADORES-Com-legendas-1-729x1024.jpg 729w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/REZADORES-Com-legendas-1-768x1078.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/REZADORES-Com-legendas-1.jpg 1064w" sizes="auto, (max-width: 469px) 100vw, 469px" /></a></p>
<p>O tempo, os animais, os elementos da natureza. Tudo pode ser “controlado” pelas benzeduras ou encantamentos. O livro cita, entre outras, uma fórmula para se apagar incêndios recolhida na década de 1940 na cidade paulista de São Luiz de Paraitinga. Pega-se um tição do fogo de casa e assopra até surgir labareda fazendo com que a chama entorte para o lado do incêndio na mata. O rezador garantia que os dois fogos se encontravam e o de fora se extinguia. A explicação era de que “o fogo da casa é batizado, por isso acaba com o outro que é pagão”.</p>
<p>Para Talento magia, religião e ciência tem convivido ao longo da história e permanecem trilhando vias paralelas até os dias de hoje. “Como escreveu o antropólogo Claude Lévi-Strauss, magia e ciência são modos de conhecimento desiguais quanto aos resultados teóricos e práticos. A ciência acerta mais que a magia na medida que esta às vezes também tem êxito. Por outro lado, a ciência pode falhar. Deve ser por isso que alguns astronautas antes de embarcar num foguete para o espaço, realizam rituais supersticiosos”.</p>
<p>A “Reza para talhar sangue” também conhecido como “Tomar o sangue de palavra” é exemplo de uma sobrevivência que dura mais de 300 anos. Os pesquisadores colheram com o rezador Pedro Santinho, em 2012:</p>
<p>“Sangue tu tem com ti</p>
<p>Como Jesus Cristo teve em si</p>
<p>Sangue tu tem nas veias</p>
<p>Como Jesus Cristo teve na sua ceia,</p>
<p>Sangue não vem tão forte,</p>
<p>Como Jesus Cristo teve na</p>
<p>Hora de sua morte. Amém.”</p>
<p>Posteriormente, encontraram versão muito semelhante, em latim, da mesma reza citada em livro do século XVIII como revelada por um feiticeiro julgado pela Inquisição em Portugal:</p>
<p>“Sanguis mane in te;</p>
<p>Sicut Christus fecit in se;</p>
<p>Sanguis mane in tua vena;</p>
<p>Sicut Christus in sua paena;</p>
<p>Sanguis mane fixus;</p>
<p>Sicut Christus fuit crucifixus.”</p>
<p>“O poder da oralidade é imenso e explica como essas rezas chegaram até os nossos dias”, assinalou Helenita. O livro, que marca a segunda parceria entre Helenita e Biaggio (a primeira foi “<strong>Basílicas e Capelinhas</strong>” já em 4a edição) sai, por enquanto, em formato Ebook Amazon, trazendo mais de 300 rezas e orações, além de inúmeros benditos e excelências que mostram a força da religiosidade popular brasileira.</p>
<p><strong>Outras rezas</strong></p>
<p><strong>Azia</strong></p>
<p>Indo eu por uma carreirinha,</p>
<p>Encontrei a uma portinha</p>
<p>A Virgem Maria</p>
<p>Com seus livrinhos na mão:</p>
<p>Num lia</p>
<p>Noutro escrevia</p>
<p>Noutro talhava a azia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Olhado e quebranto</strong></p>
<p>“Com dois deitaram</p>
<p>Com três eu tiro,</p>
<p>Com o poder de Deus</p>
<p>E da Virgem Maria</p>
<p>Tiro esse quebranto e</p>
<p>Esse olhado.</p>
<p>O que é que tem fulana?</p>
<p>Tem quebranto, tem olhado?</p>
<p>Eu tiro com o poder</p>
<p>De Deus e da Virgem Maria.”</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Erispela</strong></p>
<p>“Eu vinha por um caminho,</p>
<p>Encontrei Nossa Senhora,</p>
<p>Perguntei à Virgem Maria:</p>
<p>&#8211; Como sararia?</p>
<p>&#8211; Com reza.</p>
<p>Vermelha é bicha fera que</p>
<p>Dá no osso, dá na carne,</p>
<p>Dá na pele.</p>
<p>Assim como tu é uma bicha fera</p>
<p>Que dá no osso, dá na carne,</p>
<p>Dá na pele, com os poderes</p>
<p>De Deus, da Virgem Maria eu</p>
<p>Te corto o pescoço.”</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Engasgo</strong></p>
<p>Senhor São Brás</p>
<p>Disse a seu moço</p>
<p>Que subisse</p>
<p>Ou que descesse</p>
<p>A espinha do pescoço.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Espinhela caída</strong></p>
<p>Seja em nome do Senhor</p>
<p>Este seu mal curado</p>
<p>Espinhela caída</p>
<p>e ventre derrubado</p>
<p>Eu te ergo, curo e saro</p>
<p>Fica-te, espinhela, em pé!</p>
<p><strong>Jogo do Bicho</strong></p>
<p>“Minha Santa Martha, vós não fostes aquela que estavas sentada na ponta do bote com uma vela acesa na ponta do rabo? Assim eu quero com a vossa força que me mande um dos cavaleiros mais fortes, cão coxo, satanás, barrabás, caifaz, e <em>maiorá </em>me trazer o milhar, a centena ou o animal de amanhã. 3 Pai Nosso a Santa Martha e a São Silvestre.</p>
<p>No inferno tem uma pedra debaixo da pedra tem um milhar, quem vem trazer <em>Cordér</em>, <em>Noizer, Satanaz e Lucifér</em>”.</p>
<p>&nbsp;</p>
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<p><strong>Contatos com os autores</strong></p>
<p>Helenita, zap 84 8135-3193</p>
<p>Biaggio, zap 71 9621-3522</p>

			</div></div>
<p>&nbsp;</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A máscara que chamamos de rosto</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/a-mascara-que-chamamos-de-rosto/</link>
					<comments>https://www.sosergipe.com.br/a-mascara-que-chamamos-de-rosto/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Nilton Santana]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Jul 2023 08:59:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
		<category><![CDATA[coragem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Nilton Santana (*) &#160; Nos arredores da cidade, toda pessoa na infância recebia uma máscara. Essa máscara se enrijeceu no seu rosto e cresceu com a pessoa ao longo do tempo. Com o passar dos anos um dos rapazes foi moldando a sua máscara de acordo com os costumes da sociedade. Cada um tinha &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p>Nos arredores da cidade, toda pessoa na infância recebia uma máscara. Essa máscara se enrijeceu no seu rosto e cresceu com a pessoa ao longo do tempo. Com o passar dos anos um dos rapazes foi moldando a sua máscara de acordo com os costumes da sociedade.</p>
<p>Cada um tinha que usar uma máscara na sociedade, para que ninguém fosse um problema. A sociedade não queria resolver os problemas de seus indivíduos, apenas almejava que seus membros não fossem um problema. O mesmo pode-se dizer dos grupos que buscavam modificar a sociedade por meios moderados ou revolucionários: moldavam as máscaras das pessoas para que se adequassem ao seu sumário de valores, ideias e costumes do conjunto. Assim, tanto os que seguiam as regras quanto os revolucionários usavam máscaras. Não importa quais os costumes ou grupos, as pessoas viviam tanto com a máscara que a chamavam de rosto.</p>
<p>Ninguém mais tinha a coragem de retirar a máscara, nem mesmo quando estava sozinho. Estar sozinho era o momento certo para fazer retoques na máscara que pensavam ser seu rosto. Pessoas se apaixonavam por máscaras, se casavam com pessoas mascaradas e ninguém percebia viver na maior parte das vezes uma ilusão.</p>
<p>Até que um dia ao estar com o Livro Antigo, um jovem rapaz leu que aquela máscara não era o seu rosto. O Livro Antigo já era conhecido por todos, a sua mensagem estava exposta em todos os lugares da sociedade, porém, pouquíssimos entendiam profundamente o significado da Tradição. O Livro dizia que a máscara era apenas um rosto ilusório, e quem tinha a coragem de retirar o seu segundo rosto seria verdadeiramente livre.</p>
<p>Tais ideias demoraram a adentrar no coração do rapaz. Foi demasiadamente doloroso saber que aquele seu rosto, era uma ilusão. Saber que havia algo bem mais bonito debaixo daquela camada. Em frente ao espelho procurou retirar sua máscara com muita dor. Parecia estar colada, por isso, não conseguiu retirar.</p>
<p>Resolveu deixá-la colada, desta vez sabendo que não era seu rosto. Apenas a observando. Como se não aguentasse mais aquele olhar consciente, a máscara caiu por si mesma. Ao cair em suas mãos, o rapaz viu o mais lindo semblante. E, ao olhar para dentro de si, percebeu que a máscara era frágil, que seu rosto era resistente, pois não precisava de retoques. Não destruiu e nem teve raiva da máscara. Resolveu apenas deixá-la escorregar de suas mãos.</p>
<p>A partir desse dia foi cada vez mais liberto, e estava cada vez mais profundamente em paz. E quando o seu interior mudou, tudo mudou no exterior. As suas atitudes mudaram, e tudo nele se tornou mais profundo. Havia realmente começado outra vida.</p>
<style></style><div class="wplp_outside wplp_widget_55014" style="max-width:100%;"><span class="wpcu_block_title">Domingo em desbaste</span><div id="wplp_widget_55014" class="wplp_widget_default wplp_container vertical swiper wplp-swiper default cols3" data-theme="default" data-post="55014" style="" data-max-elts="10" data-per-page="10"><div class="wplp_listposts swiper-wrapper" id="default_55014" style="width: 100%;" ><div class="swiper-slide" style=""><div class="insideframe"><div id="wplp_box_top_55014_100998" class="wpcu-front-box top equalHeightImg" ><div class="wplp-box-item"><a href="https://www.sosergipe.com.br/o-aperto-de-maos-e-o-triplice-abraco-fraterno/"  class="thumbnail"><span class="img_cropper" style="margin-right:4px;margin-bottom:4px;margin-left:4px;max-width:100%;"><img decoding="async" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/09/A-arte-de-escutar-—-atencao-muda-vidas-4.jpg" style="aspect-ratio:4/3;" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/09/A-arte-de-escutar-—-atencao-muda-vidas-4.jpg 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/09/A-arte-de-escutar-—-atencao-muda-vidas-4-300x149.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/09/A-arte-de-escutar-—-atencao-muda-vidas-4-1024x508.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/09/A-arte-de-escutar-—-atencao-muda-vidas-4-768x381.jpg 768w" alt="O aperto de mãos e o tríplice abraço fraterno" class="wplp_thumb" /></span></a><a href="https://www.sosergipe.com.br/o-aperto-de-maos-e-o-triplice-abraco-fraterno/"  class="title">O aperto de mãos e o tríplice abraço fraterno</a></div></div><div id="wplp_box_left_55014_100998" class="wpcu-front-box left wpcu-custom-position" ><div class="wplp-box-item"></div></div><div id="wplp_box_right_55014_100998" class="wpcu-front-box right wpcu-custom-position" ><div class="wplp-box-item"></div></div><div id="wplp_box_bottom_55014_100998" class="wpcu-front-box bottom " ><div class="wplp-box-item"><span class="custom_fields">
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