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	<title>Arquivo para personagens - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>&#8220;Meu Amigo Lorenzo&#8221; estreia em Aracaju nesta quinta, 21</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Só Sergipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 May 2026 18:55:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>  Aracaju entra no roteiro de um dos documentários brasileiros mais sensíveis dos últimos anos. ‘Meu Amigo Lorenzo’, dirigido por André Luiz Oliveira, chega à capital sergipana nesta quinta, 21,  com uma programação especial que inclui sessão com legendas acessíveis, debate aberto ao público e a presença da musicoterapeuta Clarisse Prestes.  As exibições acontecem no Cinema do &#8230;</p>
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<p><span style="font-size: medium;">Aracaju entra no roteiro de um dos documentários brasileiros mais sensíveis dos últimos anos. ‘Meu Amigo Lorenzo’, dirigido por André Luiz Oliveira, chega à capital sergipana nesta quinta, 21,  com uma programação especial que inclui sessão com legendas acessíveis, debate aberto ao público e a presença da musicoterapeuta Clarisse Prestes.  As exibições acontecem no Cinema do Centro (@cinemadocentro) e integram o Circuito Inclusivo Petrobras, iniciativa nacional que promove a circulação de obras com temáticas sociais e ações concretas de acessibilidade.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Com 96 minutos e classificação livre, o documentário acompanha ao longo de 15 anos a relação entre o diretor André Luiz Oliveira e Lorenzo Barreto, jovem autista, a partir de sessões de musicoterapia conduzidas por Clarisse Prestes. O que começou como um simples convite para registrar esses encontros se transformou em algo raro no cinema brasileiro: um acompanhamento íntimo e continuado de uma vida — da infância à juventude —, revelando a musicalidade de Lorenzo, suas formas próprias de comunicar e sua trajetória de desenvolvimento e autonomia.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Sem narrações explicativas ou condução didática, o filme aposta no olhar direto e no tempo como matéria narrativa. A música, ali, não é apenas ferramenta terapêutica — é linguagem, é vínculo, é o fio que une todos os personagens da história.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">O reconhecimento veio também de fora do Brasil: Meu Amigo Lorenzo recebeu o prêmio de Melhor Longa-Metragem no Festival Primavera do Cine, em Vigo, na Galícia, confirmando uma obra que atravessa fronteiras e interessa a públicos muito além do universo do autismo.</span></p>
<p><strong><span style="font-size: medium;">Clarisse Prestes</span></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-size: medium;">A grande atração da passagem do filme por Aracaju é a presença de Clarisse Prestes, musicoterapeuta e um dos pilares da história contada pelo documentário. Não se trata de uma convidada externa ao filme — Clarisse é parte constitutiva dele. Foi ela quem abriu as portas das sessões com Lorenzo para a câmera, ela quem construiu, ao longo de anos, a relação terapêutica que o filme acompanha com tanta delicadeza.</span><span style="font-size: medium;">Tê-la no debate, de acordo com os produtores, é uma oportunidade rara de ouvir, em primeira pessoa, como se dá o trabalho da musicoterapia com pessoas autistas, o que significa acolher sem explicar, e de que forma a câmera e a música coexistiram naquele espaço de cuidado por mais de uma década.</span></p>
<h3><b><span style="font-size: medium;">Distribuição</span></b></h3>
<p><span style="font-size: medium;">A circulação de Meu Amigo Lorenzo faz parte de um projeto aprovado entre mais de 8 mil inscritos no último edital cultural da Petrobras — um dos 140 selecionados. A proposta é uma distribuição independente e regionalizada, que passa pelas capitais Recife, João Pessoa, Aracaju, Maceió, Fortaleza, Palmas, Cuiabá e Goiânia. Uma aposta deliberada em levar o cinema brasileiro a territórios que o circuito tradicional frequentemente ignora.</span></p>
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		<title>Vozes da nova Aracaju: como pequenos empresários moldam o futuro da capital</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Só Sergipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Mar 2025 13:49:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por  Thiago Santos (*) Neste dia 17 de março de 2025, Aracaju celebra seus 170 anos como capital de Sergipe, um marco histórico que remonta a 1855, quando a administração provincial foi transferida de São Cristóvão para a nova cidade planejada às margens do rio Sergipe. A mudança não foi apenas geográfica, mas estratégica, como &#8230;</p>
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<p data-start="0" data-end="636">Por  Thiago Santos (*)</p>
</blockquote>
<p data-start="0" data-end="636">Neste dia 17 de março de 2025, <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.aracaju.se.gov.br/aracaju/historia/" target="_blank" rel="noopener">Aracaju</a></span> celebra seus 170 anos como capital de Sergipe, um marco histórico que remonta a 1855, quando a administração provincial foi transferida de São Cristóvão para a nova cidade planejada às margens do rio Sergipe. A mudança não foi apenas geográfica, mas estratégica, como explica o historiador Renaldo Ribeiro Rocha. Ele destaca que as elites da época visavam a criação de um porto eficiente, que facilitasse a exportação de açúcar, superando os altos custos de transporte terrestre. “Aracaju nasceu com um propósito claro: ser uma cidade voltada para o comércio e a exportação”, afirma o historiador.</p>
<p data-start="638" data-end="1172">Porém, os primeiros anos da cidade não foram fáceis. Terrenos pantanosos, surtos de cólera e a falta de infraestrutura desafiaram os habitantes. Nesse contexto, a figura de Inácio Joaquim Barbosa, presidente provincial nomeado pelo Império, foi crucial para consolidar o novo arranjo urbano, simbolizando o poder das elites locais. No entanto, a história de Aracaju é feita de pessoas e suas experiências, e hoje, 170 anos depois, são os pequenos empresários e moradores da cidade que desenham o futuro da capital sergipana.</p>
<h3 data-start="638" data-end="1172">Vozes do futuro</h3>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_87375" aria-describedby="caption-attachment-87375" style="width: 217px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-17-at-10.28.00-3.jpeg"><img decoding="async" class=" wp-image-87375" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-17-at-10.28.00-3-300x300.jpeg" alt="Thaís Silva" width="217" height="217" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-17-at-10.28.00-3-300x300.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-17-at-10.28.00-3-1024x1024.jpeg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-17-at-10.28.00-3-150x150.jpeg 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-17-at-10.28.00-3-768x769.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-17-at-10.28.00-3.jpeg 1279w" sizes="(max-width: 217px) 100vw, 217px" /></a><figcaption id="caption-attachment-87375" class="wp-caption-text">Thaís Silva: valorizar iniciativas</figcaption></figure>
<p data-start="1174" data-end="1919"><strong>Entre as vozes que ajudam a construir o futuro da cidade está Thaís Silva, enfermeira e educadora de 27 anos.</strong> Com um olhar determinado, ela observa o Mercado Municipal, um ponto de encontro vibrante da comunidade, e compartilha sua visão sobre o cenário local. “A resistência a propostas inovadoras, como cafés temáticos ou lojas sustentáveis, ainda é grande. O público precisa enxergar valor nessas iniciativas”, afirma Thaís, que também se preocupa com a saúde pública. Para ela, as UPAs estão superlotadas, e muitos dos casos atendidos poderiam ser resolvidos em unidades básicas de saúde (UBSs) com campanhas educativas. Sua proposta de realizar oficinas em praças, ensinando alternativas saudáveis, reflete seu compromisso com a comunidade.</p>
<figure id="attachment_87377" aria-describedby="caption-attachment-87377" style="width: 303px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-17-at-10.28.00-1.jpeg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class=" wp-image-87377" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-17-at-10.28.00-1-300x225.jpeg" alt="" width="303" height="227" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-17-at-10.28.00-1-300x225.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-17-at-10.28.00-1-1024x768.jpeg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-17-at-10.28.00-1-768x576.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-17-at-10.28.00-1.jpeg 1280w" sizes="(max-width: 303px) 100vw, 303px" /></a><figcaption id="caption-attachment-87377" class="wp-caption-text">Everton acredita que Sergipe pode ser laboratório econômico</figcaption></figure>
<p data-start="1921" data-end="2589"><strong>Outro importante personagem dessa nova Aracaju é Everton dos Santos, empresário de 67 anos, ex-bancário e consultor.</strong> Com um olhar perspicaz, ele acredita que Sergipe tem o potencial de se tornar um laboratório econômico, diversificando setores como turismo ecológico, gás natural e agroindústria, à semelhança de estados como Santa Catarina. Ele sugere a modernização do Porto de Aracaju e o fortalecimento de parcerias público-privadas, acreditando que isso pode transformar a cidade em um hub de exportação de frutas e pescado. No entanto, Everton alerta para a necessidade de priorizar a infraestrutura e evitar que a política partidária interfira nesse progresso.</p>
<figure id="attachment_87378" aria-describedby="caption-attachment-87378" style="width: 258px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-17-at-10.28.00.jpeg"><img decoding="async" class="wp-image-87378" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-17-at-10.28.00-300x225.jpeg" alt="" width="258" height="193" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-17-at-10.28.00-300x225.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-17-at-10.28.00-1024x768.jpeg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-17-at-10.28.00-768x576.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-17-at-10.28.00.jpeg 1280w" sizes="(max-width: 258px) 100vw, 258px" /></a><figcaption id="caption-attachment-87378" class="wp-caption-text">Adelino Prata sugere uma campanha</figcaption></figure>
<p data-start="2591" data-end="3153"><strong>Adelino Prata, barbeiro de 76 anos e uma memória viva do bairro 18 do Forte</strong>, também desempenha um papel crucial na construção da identidade da cidade. Com um olhar nostálgico, ele recorda histórias do passado enquanto corta o cabelo de um cliente. Para ele, a região sempre foi difícil para o comércio, e sua barbearia, que sobrevive desde 1968, sofre com a falta de políticas públicas voltadas para a revitalização do bairro. “Campanhas como &#8216;Compre do Local&#8217; podem ajudar”, acredita Adelino, enfatizando a importância de valorizar a história e a cultura local.</p>
<figure id="attachment_87380" aria-describedby="caption-attachment-87380" style="width: 300px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-17-at-10.27.59.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-87380" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-17-at-10.27.59-300x225.jpeg" alt="" width="300" height="225" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-17-at-10.27.59-300x225.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-17-at-10.27.59-1024x768.jpeg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-17-at-10.27.59-768x576.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-17-at-10.27.59.jpeg 1280w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-87380" class="wp-caption-text">Zavanice, microempreendeora tem um sonho</figcaption></figure>
<p data-start="3155" data-end="3834"><strong>Zavanice Farias, uma confeiteira e microempreendedora, também contribui para o panorama da cidade.</strong> Com seu sorriso radiante, ela fala sobre o imenso potencial da gastronomia aracajuana, com seus ingredientes únicos, como o caju e a mangaba. No entanto, Zavanice observa que 80% dos doceiros da cidade ainda atuam na informalidade, sem acesso a cursos ou crédito. Seu sonho é ver feiras como o &#8216;Mercado do Caju&#8217; e roteiros que conectem engenhos históricos a confeitarias modernas, tornando a gastronomia local um ponto de atração e exportação. “Imagine geleias de mangaba em embalagens sustentáveis exportadas para São Paulo!”, diz ela, refletindo sua paixão pela culinária local.</p>
<h3 data-start="3155" data-end="3834">Novos caminhos para Aracaju</h3>
<p data-start="3836" data-end="4196">A cidade, que nasceu com o foco na <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://al.se.leg.br/sergipe-tem-capital-sergipana-da-cana-de-acucar/" target="_blank" rel="noopener">exportação do açúcar</a></span>, agora caminha para um novo tipo de empreendedorismo, mais diversificado e voltado para o futuro. Atualmente, Aracaju possui 12.500 microempreendimentos registrados, mas enfrenta desafios como a superlotação nas UPAs e uma alta taxa de informalidade no comércio, que chega a 62%, segundo dados do Sebrae.</p>
<p data-start="4198" data-end="4625">Para que a cidade continue a prosperar, é fundamental diversificar a economia, apoiando a modernização do Porto, o turismo e a agroindústria. Além disso, é essencial promover políticas de apoio aos microempresários, garantindo acesso a crédito e incentivando a formalização dos negócios. A saúde preventiva também deve ser priorizada, por meio de ações comunitárias e educativas, para melhorar a qualidade de vida da população.</p>
<p data-start="4627" data-end="5055" data-is-last-node="" data-is-only-node="">A história de Aracaju, construída por pessoas como <strong>Adelino, Thaís, Everton e Zavanice,</strong> nos ensina que a cidade não é feita apenas de números e datas, mas de sonhos, desafios e conquistas. Ao celebrar seus 170 anos, Aracaju não apenas reflete sobre seu passado, mas também convida todos a se unirem em um futuro promissor, onde o empreendedorismo, a inovação e a cultura local se entrelaçam para traçar o caminho da prosperidade.</p>
<p data-start="4627" data-end="5055" data-is-last-node="" data-is-only-node="">(*) Estagiário de Jornalismo sob supervisão de Antônio Carlos Garcia</p>
<p data-start="4627" data-end="5055" data-is-last-node="" data-is-only-node="">
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		<title>Vila do Natal Iluminado fortalece economia e atrai turistas para Sergipe</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Só Sergipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Dec 2024 12:05:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; A segunda edição da Vila do Natal Iluminado, realizada pelo Governo do Estado, atrai milhares de turistas e sergipanos à Praça de Eventos da Orla da Atalaia, em Aracaju, e se consolida como uma iniciativa que impulsiona a economia e geração de renda para vendedores e empreendedores locais. Aberto no último dia 13, o &#8230;</p>
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<p>A segunda edição da Vila do Natal Iluminado, realizada pelo Governo do Estado, atrai milhares de turistas e sergipanos à Praça de Eventos da Orla da Atalaia, em Aracaju, e se consolida como uma iniciativa que impulsiona a economia e geração de renda para vendedores e empreendedores locais. Aberto no último dia 13, o evento segue até o dia 5 de janeiro, com uma programação cultural, religiosa e de lazer diversificada.</p>
<p>Neste ano, a vila está ainda mais atrativa e, além das já conhecidas roda-gigante, pista de patinação no gelo, árvore de Natal de 20 metros, casa do Papai Noel, igreja, apresentações artísticas e personagens temáticos, uma das novidades são as paradas natalinas. Assim como em todos os eventos realizados pelo Governo do Estado, a Vila do Natal conta, também, com praça de alimentação, espaços dedicados à economia solidária e ao artesanato.</p>
<figure id="attachment_84144" aria-describedby="caption-attachment-84144" style="width: 300px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/A-vendedora-de-pipoca-Valbia-Rodrigues-_-Foto_-Thiago-Santos.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-84144" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/A-vendedora-de-pipoca-Valbia-Rodrigues-_-Foto_-Thiago-Santos-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/A-vendedora-de-pipoca-Valbia-Rodrigues-_-Foto_-Thiago-Santos-300x200.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/A-vendedora-de-pipoca-Valbia-Rodrigues-_-Foto_-Thiago-Santos-1024x684.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/A-vendedora-de-pipoca-Valbia-Rodrigues-_-Foto_-Thiago-Santos-768x513.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/A-vendedora-de-pipoca-Valbia-Rodrigues-_-Foto_-Thiago-Santos-1536x1025.jpg 1536w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/A-vendedora-de-pipoca-Valbia-Rodrigues-_-Foto_-Thiago-Santos.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-84144" class="wp-caption-text">A vendedora de pipoca Valbia Rodrigues</figcaption></figure>
<p><span class="sigijh_hlt">A vendedora de pipoca Valbia Rodrigues ressalta a expectativa dos comerciantes para 2024.</span> “Este é o segundo ano que eu estou participando da Vila do Natal Iluminado. Ano passado, as vendas foram excelentes, nota 10. Este ano, minha expectativa é que seja melhor, porque o evento foi ampliado, tem montanha-russa, Arena Gamer, está excelente. O governo está de parabéns por dar espaço para a gente, que é vendedor autônomo, vir vender, e cada vez mais a nossa renda vai aumentando”, colocou.</p>
<p>Por meio da Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo (Seteem), o Governo do Estado também assegura a participação dos artesãos sergipanos na Vila do Natal Iluminado. Uma das contempladas é a artesã Claudjane Pereira, que trabalha com a confecção de bonecas de pano e não poupou elogios às políticas de incentivo a essa atividade econômica desenvolvidas pela atual gestão.</p>
<figure id="attachment_84145" aria-describedby="caption-attachment-84145" style="width: 300px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Claudjane-Pereira-trabalha-com-a-confeccao-de-bonecas-de-pano-_-Fotos_-Thiago-Santos.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-84145" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Claudjane-Pereira-trabalha-com-a-confeccao-de-bonecas-de-pano-_-Fotos_-Thiago-Santos-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Claudjane-Pereira-trabalha-com-a-confeccao-de-bonecas-de-pano-_-Fotos_-Thiago-Santos-300x200.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Claudjane-Pereira-trabalha-com-a-confeccao-de-bonecas-de-pano-_-Fotos_-Thiago-Santos-1024x684.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Claudjane-Pereira-trabalha-com-a-confeccao-de-bonecas-de-pano-_-Fotos_-Thiago-Santos-768x513.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Claudjane-Pereira-trabalha-com-a-confeccao-de-bonecas-de-pano-_-Fotos_-Thiago-Santos-1536x1025.jpg 1536w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Claudjane-Pereira-trabalha-com-a-confeccao-de-bonecas-de-pano-_-Fotos_-Thiago-Santos.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-84145" class="wp-caption-text">Claudjane Pereira trabalha com a confecção de bonecas de pano Foto: Thiago Santos</figcaption></figure>
<p>“É a minha segunda Vila do Natal Iluminado. Ano passado foi muito boa a divulgação, tivemos muito público, ótimas vendas. A expectativa é que este ano seja melhor que o ano passado. Além de gerar renda, essa iniciativa do governo dá oportunidade para que o artesão tenha uma noção de comércio, pois às vezes a gente sabe fazer artesanato, mas não tem esse espaço, e aqui a gente tanto vende como também aprende”, pontuou Claudjane.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Turismo</strong></p>
<figure id="attachment_84148" aria-describedby="caption-attachment-84148" style="width: 409px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Desfile-parte-do-Mundo-Maravilhoso-da-Crianca-e-vai-ate-a-Praca-de-Eventos-_-Foto_-Thiago-Santos.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-84148" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Desfile-parte-do-Mundo-Maravilhoso-da-Crianca-e-vai-ate-a-Praca-de-Eventos-_-Foto_-Thiago-Santos-300x200.jpg" alt="" width="409" height="272" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Desfile-parte-do-Mundo-Maravilhoso-da-Crianca-e-vai-ate-a-Praca-de-Eventos-_-Foto_-Thiago-Santos-300x200.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Desfile-parte-do-Mundo-Maravilhoso-da-Crianca-e-vai-ate-a-Praca-de-Eventos-_-Foto_-Thiago-Santos-1024x684.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Desfile-parte-do-Mundo-Maravilhoso-da-Crianca-e-vai-ate-a-Praca-de-Eventos-_-Foto_-Thiago-Santos-768x513.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Desfile-parte-do-Mundo-Maravilhoso-da-Crianca-e-vai-ate-a-Praca-de-Eventos-_-Foto_-Thiago-Santos-1536x1025.jpg 1536w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Desfile-parte-do-Mundo-Maravilhoso-da-Crianca-e-vai-ate-a-Praca-de-Eventos-_-Foto_-Thiago-Santos-310x205.jpg 310w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Desfile-parte-do-Mundo-Maravilhoso-da-Crianca-e-vai-ate-a-Praca-de-Eventos-_-Foto_-Thiago-Santos.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 409px) 100vw, 409px" /></a><figcaption id="caption-attachment-84148" class="wp-caption-text">Desfile parte do Mundo Maravilhoso da Criança e vai até a Praça de Eventos</figcaption></figure>
<p>Outro setor da economia fomentado por meio dos grandes eventos realizados pelo Governo de Sergipe é o do turismo. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Sergipe ABIH/SE, Antônio Carlos Franco Sobrinho, destaca que a segunda edição da Vila do Natal Iluminado é um diferencial neste período de fim de ano. “Para a rede hoteleira, representa uma oportunidade significativa. Com o aumento do fluxo turístico durante as festividades, esperamos não apenas um crescimento na taxa de ocupação, mas, também, um fortalecimento da imagem de Sergipe como um destino atrativo durante todo o ano”, observou.</p>
<p>O segmento alimentício também tem expectativas positivas quanto à segunda edição do evento. O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Sergipe (Abrasel/SE), Bruno Dórea, explica que a Vila do Natal Iluminado deve atrair muita gente para a Orla da Atalaia, beneficiando bares e restaurantes da região. “É um ambiente maravilhoso para toda a cidade, todo cidadão, todo aracajuano, e que, com certeza, encanta também o turista. É um atrativo a mais para que eles possam desfrutar da nossa cidade e frequentar também os bares e restaurantes dentro e fora da praça. O Governo de Sergipe está de parabéns por fazer um Natal em grande estilo, de altíssima qualidade”, elogiou.</p>
<p><strong>Novidades</strong></p>
<figure id="attachment_84149" aria-describedby="caption-attachment-84149" style="width: 354px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Foto-Thiago-Santos.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-84149" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Foto-Thiago-Santos-300x200.jpg" alt="" width="354" height="236" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Foto-Thiago-Santos-300x200.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Foto-Thiago-Santos-1024x684.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Foto-Thiago-Santos-768x513.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Foto-Thiago-Santos-1536x1025.jpg 1536w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Foto-Thiago-Santos.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 354px) 100vw, 354px" /></a><figcaption id="caption-attachment-84149" class="wp-caption-text">A Vila tem atraído muitos turistas</figcaption></figure>
<p>Nesta edição, a pista de patinação foi ampliada e tem 300 m², o dobro de tamanho da do ano passado, além de ganhar arquibancadas, para que o público possa assistir às manobras dos patinadores. Além disso, o evento será acrescido de outras atrações inéditas, como montanha-russa, aquário de recreação, paradas natalinas, espaço multissensorial, teatro e arena gamer, esta última promovida pelo Banese.</p>
<p>Já a parada natalina, que sai do Mundo Maravilhoso da Criança e vai até a Praça de Eventos da Orla, onde fica a Vila do Natal, é composta por diversas atrações artísticas, das tradicionais às mais novas, que vão de anjos e bailarinas a componentes de circo passeando pela avenida. Ao final, a grande atração: um carro com o Papai Noel, que, ao lado da Mamãe Noel, enche de sorrisos aracajuanos e turistas. O primeiro desfile foi realizado no domingo, 15. A parada natalina está prevista para acontecer também nos dias 22 e 25 de dezembro, sempre às 19h e no mesmo percurso.</p>
<p><strong>Vila do Natal Iluminado</strong></p>
<p>A Vila do Natal Iluminado é uma realização do Governo de Sergipe, por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap), e Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Sergipe (Fecomércio/SE), com apoio do Banese, Energisa, Netiz e Deso.</p>
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		<title>Quem conta um conto &#8211; Sílvio Romero e suas múltiplas identidades </title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/quem-conta-um-conto-silvio-romero-e-suas-multiplas-identidades/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Acacia Rios]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Dec 2024 18:33:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura&Lugares]]></category>
		<category><![CDATA[aprendiz]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[cruzamento]]></category>
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		<category><![CDATA[terror]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Acácia Rios (*) &#160; Nem tudo os mestres ensinam aos seus aprendizes, respondeu o gato. &#8220;A onça e o gato&#8221;, conto popular recolhido por Sílvio Romero. &#160; Volto ao encontro da rua Sílvio Romero com a avenida João Ribeiro (mencionado na minha antepenúltima crônica) e às inúmeras possibilidades narrativas que esse cruzamento engendra. &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Acácia Rios (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>Nem tudo os mestres ensinam aos seus aprendizes,</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>respondeu o gato.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em><strong>&#8220;A onça e o gato&#8221;,</strong></em></p>
<p style="text-align: right;"><em><strong>conto popular recolhido por Sílvio Romero.</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">V</span>olto ao encontro da rua Sílvio Romero com a avenida João Ribeiro (mencionado na minha antepenúltima crônica) e às inúmeras possibilidades narrativas que esse cruzamento engendra. Desta vez, para falar de <span class="sigijh_hlt">Sílvio Romero. Este ano sua morte completa 110 anos</span>, e não queria deixar essa data em branco na minha coluna. Mas antes vou contar uma historinha.</p>
<p>Filha única até os cinco anos, tive o privilégio de ter uma tia &#8211; Ana &#8211;  que era exímia contadora de histórias. Olhando para trás, vejo que algumas não acalentavam nem um pouco. Pelo contrário. Eram de terror e, mal fechava os olhos, me vinham imagens assustadoras dos seres e personagens descritos por ela: um defunto falante no meio da sala, uma mulher esganada por um gato vingativo com características humanas ou ainda uma madrasta má que enterrara vivas as enteadas. Mas também algumas fábulas; uma delas, sobre o gato e a onça, da qual me lembro com detalhes e cuja moral transcrevo na epígrafe deste texto.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-20-at-14.49.05.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-83914 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-20-at-14.49.05-212x300.jpeg" alt="" width="212" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-20-at-14.49.05-212x300.jpeg 212w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-20-at-14.49.05-722x1024.jpeg 722w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-20-at-14.49.05-768x1089.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-20-at-14.49.05.jpeg 1080w" sizes="auto, (max-width: 212px) 100vw, 212px" /></a>Trago comigo essas histórias desde então. <span class="sigijh_hlt">Dito isso, qual não foi a minha alegria quando me reencontrei com uma delas no livro Contos populares do Brasil, de Sílvio Romero (publicado pela primeira vez em 1883). </span>Dividido em três partes, o autor organizou os contos populares pelas origens portuguesa, indígena e africana e mestiça. No prefácio, Sílvio Romero desenvolve a sua teoria de embranquecimento racial que é, no mínimo, contraditória, para usar um eufemismo.</p>
<p>Para além das suas defesas das teses de raça superior vigentes à época e da qual escaparam alguns poucos contemporâneos, o seu trabalho etnográfico é riquíssimo e, pode-se afirmar, inspirou e serviu de fonte para Mário de Andrade. Basta ver os Cantos populares do Brasil, músicas coletadas por Romero, dos quais o autor de Paulicéia desvairada faz uso e cujas pesquisas de campo pelo norte do Brasil foram importantes para registrar algumas de suas variantes.</p>
<p>Sergipano de Lagarto, Romero mudou-se muito jovem para o Rio de Janeiro. Considerado polímata (aquele que sabe muito) e autor de extensa obra, foi crítico, historiador da literatura, ensaísta, folclorista, polemista, professor do Colégio Pedro II e membro da Academia Brasileira de Letras. Admirador de Tobias Barreto (que, assim como ele, integrou a Escola do Recife, movimento intelectual da segunda metade do século XX), considerava-o poeticamente superior a Castro Alves.</p>
<p>Ai de quem falasse mal do seu conterrâneo e amigo. Na minha opinião, esse pode ter sido um dos motivos da briga com o crítico paraense José Veríssimo, de quem Sílvio era amigo e com quem passou a ter embates homéricos, ao ponto de reunir as suas críticas no livro Zeverissimações ineptas da crítica (1909). O título jocoso já antecipa o seu teor.</p>
<p>O mesmo ocorreu com Machado de Assis, que sofreu muitos ataques do escritor lagartense, como escritor e como homem. Uma verdadeira catilinária, como ressaltou Brito Broca.</p>
<figure id="attachment_83916" aria-describedby="caption-attachment-83916" style="width: 234px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-20-at-14.49.20.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-83916" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-20-at-14.49.20-234x300.jpeg" alt="" width="234" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-20-at-14.49.20-234x300.jpeg 234w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-20-at-14.49.20-798x1024.jpeg 798w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-20-at-14.49.20-768x986.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-20-at-14.49.20.jpeg 934w" sizes="auto, (max-width: 234px) 100vw, 234px" /></a><figcaption id="caption-attachment-83916" class="wp-caption-text">Sílvio Romero  Foto: Wikipedia</figcaption></figure>
<p>Além do percurso literário, Sílvio Romero também seguiu a carreira política, o que era comum entre alguns literatos no período republicano. Foi promotor em Estância, deputado na Assembleia da província de Sergipe e deputado federal no governo de Campos Sales e nunca se afastou da militância política. Nela, como na literatura, exerceu sua forte personalidade com tudo o que ela implicava em termos de virulência, afetação intelectual e vaidade, entre outros adjetivos.</p>
<p>Sílvio Romero morreu no Rio de Janeiro, mas recebeu diversas homenagens aqui no Estado. Além da estátua na praça principal de Lagarto e da placa indicando a casa onde nasceu, conta também com um busto na praça Camerino e, como não podia deixar de ser, foi membro da Academia Sergipana de Letras. Nada mais justo, pois segundo Brito Broca, sempre defendeu a abertura de academias em cidades pequenas.</p>
<p>Minha tia Ana encarnava o narrador e Walter Benjamin, que ressaltava o intercâmbio de experiências da arte de narrar e que se opunha à informação jornalística, considerada por ele transitória e superficial. Apesar do medo que sentia, as histórias que ela contava me atraíam e eu sempre escolhia as minhas preferidas. Elas fazem parte de mim e, puxando pela memória infantil, retransmito-as aos meus sobrinhos Renato e Paulo Emílio, que amam as histórias assustadoras e, como eu, têm também as suas favoritas. Pobre de mim se eu mudar uma vírgula, pois eles já as conhecem de cor e, mesmo assim, ouvem-nas com a mesma atenção da primeira vez.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>____________________</p>
<p><strong>A onça e o gato</strong></p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Design-sem-nome-21.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-83921 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Design-sem-nome-21-169x300.png" alt="" width="101" height="179" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Design-sem-nome-21-169x300.png 169w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Design-sem-nome-21-576x1024.png 576w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Design-sem-nome-21-768x1365.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Design-sem-nome-21-864x1536.png 864w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Design-sem-nome-21.png 1080w" sizes="auto, (max-width: 101px) 100vw, 101px" /></a>A onça pediu ao gato para lhe ensinar a pular, e o gato prontamente lhe ensinou. Depois, indo juntos para a fonte beber água, fizeram uma aposta para ver quem pulava mais. Chegando à fonte encontraram lá o calango, e então disse a onça para o gato: “Compadre, vamos ver quem de um só pulo pula o camarada calango.” — “Vamos”, disse o gato. “Só você pulando adiante”, disse a onça. O gato pulou em cima do calango, a onça pulou em cima do gato. Então o gato pulou de banda e se escapou. A onça ficou desapontada e disse: “Assim, compadre gato, é que você me ensinou?! Principiou e não acabou&#8230;” O gato respondeu: “Nem tudo os mestres ensinam aos seus aprendizes”.</p>
<p>Contos populares do Brasil, Sílvio Romero.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fquem-conta-um-conto-silvio-romero-e-suas-multiplas-identidades%2F&amp;linkname=Quem%20conta%20um%20conto%20%E2%80%93%20S%C3%ADlvio%20Romero%20e%20suas%20m%C3%BAltiplas%20identidades%C2%A0" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fquem-conta-um-conto-silvio-romero-e-suas-multiplas-identidades%2F&amp;linkname=Quem%20conta%20um%20conto%20%E2%80%93%20S%C3%ADlvio%20Romero%20e%20suas%20m%C3%BAltiplas%20identidades%C2%A0" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fquem-conta-um-conto-silvio-romero-e-suas-multiplas-identidades%2F&amp;linkname=Quem%20conta%20um%20conto%20%E2%80%93%20S%C3%ADlvio%20Romero%20e%20suas%20m%C3%BAltiplas%20identidades%C2%A0" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fquem-conta-um-conto-silvio-romero-e-suas-multiplas-identidades%2F&amp;linkname=Quem%20conta%20um%20conto%20%E2%80%93%20S%C3%ADlvio%20Romero%20e%20suas%20m%C3%BAltiplas%20identidades%C2%A0" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fquem-conta-um-conto-silvio-romero-e-suas-multiplas-identidades%2F&#038;title=Quem%20conta%20um%20conto%20%E2%80%93%20S%C3%ADlvio%20Romero%20e%20suas%20m%C3%BAltiplas%20identidades%C2%A0" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/quem-conta-um-conto-silvio-romero-e-suas-multiplas-identidades/" data-a2a-title="Quem conta um conto – Sílvio Romero e suas múltiplas identidades "></a></p><p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/quem-conta-um-conto-silvio-romero-e-suas-multiplas-identidades/">Quem conta um conto &#8211; Sílvio Romero e suas múltiplas identidades </a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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		<item>
		<title>Então você quer ser escritor?</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/entao-voce-quer-ser-escritor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Apr 2024 18:31:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura&Afins]]></category>
		<category><![CDATA[ardiloso]]></category>
		<category><![CDATA[autor]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[escritor]]></category>
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		<category><![CDATA[livro]]></category>
		<category><![CDATA[narrativas]]></category>
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		<category><![CDATA[sutil]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sosergipe.com.br/?p=76532</guid>

					<description><![CDATA[<p>Por Germano Xavier (*) &#160; Para quem gosta de contos, o livro ENTÃO VOCÊ QUER SER ESCRITOR?&#8221;, do paranaense Miguel Sanches Neto, é um prato a ser devorado com uma fome necessária. Dezesseis narrativas perfazem o miolo. Personagens aparentemente simples, mas que portam angústias e conflitos nada medíocres, todos desenrolados com maestria. A verdade é &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p>Para quem gosta de contos, o livro ENTÃO VOCÊ QUER SER ESCRITOR?&#8221;, do paranaense Miguel Sanches Neto, é um prato a ser devorado com uma fome necessária. Dezesseis narrativas perfazem o miolo. Personagens aparentemente simples, mas que portam angústias e conflitos nada medíocres, todos desenrolados com maestria. A verdade é que nada no livro impressiona muito. Nada há de exagero nem de estapafúrdio. O fantástico e o inominável passam longe de suas linhas. Há uma intensidade linear em todas as estórias, e por isso mesmo <span class="sigijh_hlt">o livro ganha créditos nas mãos de quem o lê<span class="sigijh_hlt">. É um livro suavemente denso e densamente sutil, mas ardiloso.</span></span></p>
<figure id="attachment_76534" aria-describedby="caption-attachment-76534" style="width: 230px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/livro-ser-escritor.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-76534" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/livro-ser-escritor-204x300.jpg" alt="" width="230" height="338" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/livro-ser-escritor-204x300.jpg 204w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/livro-ser-escritor-698x1024.jpg 698w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/livro-ser-escritor-768x1127.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/livro-ser-escritor-1046x1536.jpg 1046w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/livro-ser-escritor.jpg 1090w" sizes="auto, (max-width: 230px) 100vw, 230px" /></a><figcaption id="caption-attachment-76534" class="wp-caption-text">Capa do livro de Sanches</figcaption></figure>
<p>A literatura contemporânea praticada em sua excelência, talvez. Linguagem corrida, deslizante. Diálogos avessos a qualquer tipo de ostentação linguística de estilo. A comunicação em primeiro lugar. Enfim, um livro de contos, com 16 contos muito bem instalados e cada um com vida própria. Diversidade, neste caso, interessa e muito.</p>
<p>ENTÃO VOCÊ QUER SER ESCRITOR? não é nenhum mapa astral para quem quer ou está começando a se enveredar pelos caminhos árduos, traumáticos e prazerosos da literatura, como pode sugerir o título. Porém, se observado sob tal viés, o livro de Miguel Sanches Neto pode surpreender como livro-aula. É difícil dizer, numa primeira leitura, qual a principal qualidade do livro de Sanches. <span class="sigijh_hlt">O livro habita um território onde todos podem estar.</span></p>
<p>Os leitores são rapidamente levados a vivenciar tudo, pelo simples fato de que nada ali é irrealizável. Nota-se um esmero nas frases e no discurso das entrelinhas. Um livro de contos sem romantismo, mas com alto teor de nostalgia. Há sempre um momento a ser revisitado, não se sabe se pelo próprio autor ou se pelas personagens. Uma obra embriagada por ela mesma, posto que se sabe dentro de si e existível além: precondição nada para o tornar-se diferenciado. Longe de querer classificar o livro de Sanches utilizando de qualquer artifício, ele, o livro, é digno de leitura.</p>
<p>Coisa rara hoje em dia, onde tudo que é escrito parece sair das genitálias dos &#8220;escritores&#8221;, descarregados de muitos elementos básicos e fundamentais para o elaborado exercício da prática da escrita ficcional.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Hemingway já dizia: &#8220;A maioria dos escritores vivos não existe&#8221; &#8211; esta citação está destacada no último conto de ENTÃO VOCÊ QUER SER ESCRITOR?, e me serve agora para dizer o fim destas poucas ideias. Miguel Sanches Neto está vivo e existe. Você duvida? Sugiro começar o livro pelo segundo conto, intitulado de Árvores Submersas. Talvez ele só já te prove alguma coisa em caráter de urgência, e aí você pode continuar o nado sem grandes tribulações na consciência sobre o uso do seu tempo.</p>

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		<title>Os abismos de Trevisan</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/os-abismos-de-trevisan/</link>
					<comments>https://www.sosergipe.com.br/os-abismos-de-trevisan/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Mar 2024 11:00:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura&Afins]]></category>
		<category><![CDATA[abismos]]></category>
		<category><![CDATA[aliciadores]]></category>
		<category><![CDATA[aligeiradas]]></category>
		<category><![CDATA[leitura]]></category>
		<category><![CDATA[personagens]]></category>
		<category><![CDATA[rosas]]></category>
		<category><![CDATA[Toca Literária]]></category>
		<category><![CDATA[Trevisan]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Germano Xavier (*) &#160; Para começo de conversa, que capa belíssima a da segunda edição deste livro, datada de 1979! O título: ABISMO DE ROSAS. Que título, Dalton Trevisan! Só podia ser mesmo um livro escrito por vossa senhoria, mestre da amplificação semântica das palavras mínimas. Os minimamente iniciados nesta lida chamada de literatura &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p>Para começo de conversa, que capa belíssima a da segunda edição deste livro, datada de 1979! O título: ABISMO DE ROSAS. Que título, Dalton Trevisan! Só podia ser mesmo um livro escrito por vossa senhoria, mestre da amplificação semântica das palavras mínimas. Os minimamente iniciados nesta lida chamada de literatura já podem desconfiar: <span class="sigijh_hlt">ABISMO DE ROSAS é um petardo vindo em direção ao coração do humano</span>. Um sedutor furacão feito de palavras-além que arrasta homens e mulheres, meninos e meninas, crianças e adultos, para os centros das vivências instantâneas, para o vértice das experiências mais fugidias, furtivas, aligeiradas. Lugares triviais e espaços inesperados formam a selva representativa por onde as personagens nadam de braçadas em busca da vida e da morte, seduzidas pelas fragrâncias inequívocas das horas mais cotidianas.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/abismos-de-rosas.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-75821 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/abismos-de-rosas-202x300.jpg" alt="" width="202" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/abismos-de-rosas-202x300.jpg 202w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/abismos-de-rosas.jpg 313w" sizes="auto, (max-width: 202px) 100vw, 202px" /></a>Há alguns anos, eu tinha bastante dificuldade em engolir Dalton Trevisan. Não gostava do modo peculiar de escrita dele. Hoje, mais maduro, com mais envergadura leitora, consigo degluti-lo e também confirmar o grande literato que é. O ABISMO DE ROSAS é mais um livro poderoso do Vampiro de Curitiba. São 21 contos curtos por onde putas, “degracidos”, aliciadores, bêbados e outros personagens típico-clássicos de seu já consagrado repertório se integram num microcosmo que resume bem toda a aurora de nossos dias, tanto a que é vista/revista quanto a que é insistentemente camuflada e/ou interrompida propositalmente pelos meios de comunicação de massa, primordialmente.</p>
<p>Dia desses, participando eu de uma edição da Toca Literária, oficina de criação literária regida por Marcelino Freire, o autor pernambucano reiterou a importância do Dalton Trevisan para a literatura nacional e, também, como influência em sua carreira de contista. Convenhamos, todo livro do Trevisan é uma aula particular de como elaborar diálogos arrebatadores. Só por isso, já vale a leitura, não obstante o toque lírico que dá à temáticas envolvendo o escatológico, o bestial, o insano, ao que é tido como sendo de natureza imoral, às sanhas e idiossincrasias humanas. Enfim, eis um autor de estilo marcado, próprio, personal. Condenados estamos a este abismo gutural que é a vida. De rosas ou não, só vivendo e lendo mais para saber.</p>
<p>Evoé, Trevisan!</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Dias Perfeitos — Sobre o falar ou o dizer somente o necessário</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/dias-perfeitos-sobre-o-falar-ou-o-dizer-somente-o-necessario/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 Mar 2024 11:00:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Leitura Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[belíssimo]]></category>
		<category><![CDATA[consciência]]></category>
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		<category><![CDATA[Takashi]]></category>
		<category><![CDATA[verniz]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Léo Mittaraquis (*) &#160; “Mesmo quando me tornei cineasta, no que diz respeito às imagens, continuei a aprender mais com as pinturas do que com os filmes” Wim Wenders &#160; O Leitura Crítica, neste sábado, ao invés de comentar um livro, comentará um filme. É, concordo, coisa fora da curva. Talvez possa fazê-lo &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/dias-perfeitos-sobre-o-falar-ou-o-dizer-somente-o-necessario/">Dias Perfeitos — Sobre o falar ou o dizer somente o necessário</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></description>
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<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>“Mesmo quando me tornei cineasta, no que diz respeito às imagens, continuei a aprender mais com as pinturas do que com os filmes”</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Wim Wenders</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">O</span> Leitura Crítica, neste sábado, ao invés de comentar um livro, comentará um filme. É, concordo, coisa fora da curva. Talvez possa fazê-lo como se, além de ver, tenha, logrado êxito em ler a fita.</p>
<p>O fato é que, ao término da história, nós, eu e a cúmplice de todas as horas, Iara Chagas Mittaraquis, nos mantivemos sentados, tomados de um sentimento, algo como a combinação do sutil êxtase com a pulsante felicidade.</p>
<p>Daqui em diante, aqui e alhures, incursões no plural. Há traços das impressões manifestas pela radiopatroa. Reconheço-lhe o crédito.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-07-at-08.36.20.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-75748 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-07-at-08.36.20-212x300.jpeg" alt="" width="212" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-07-at-08.36.20-212x300.jpeg 212w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-07-at-08.36.20.jpeg 533w" sizes="auto, (max-width: 212px) 100vw, 212px" /></a><span class="sigijh_hlt">&#8220;Dias Perfeitos&#8221;, de Wim Wenders, é, sim, obra-prima.</span> E é mais que isto. Numa mesma narrativa, dramas pessoais e distintos entre si cruzam um ambiente comum: os banheiros públicos de Tokio. O trânsito entre eles se dá na mais bem proporcionada medida ou, se quisermos, intensidade.</p>
<p>Mas, quem é Wim Wenders? Em plena segunda década do século vinte e um, esta pergunta se reveste de todo o sentido: poucos sabem responder.</p>
<p>Não que se tenha obrigação de conhecer sua trajetória. Este desconhecimento se aplica a outras áreas da atividade humana e, eu mesmo, fracassaria desgraçadamente, por exemplo, em relação ao futebol, caso aceitasse um desafio tipo “quem é quem”.</p>
<p>O desconhecimento, aqui, mais próximo ao esquecimento, tem a ver com minha geração. Sob nenhuma hipótese estou a esperar algo que preste, quanto ao assunto, da geração hodierna. Afinal, assisti, numa postagem no Instagram, a uma acéfala encantar seus acólitos afirmando que o filme de Wenders não tem enredo. Bem, quem tem boca fala e bebe o que quer&#8230;</p>
<p>Mas, como diria o monge Adso de Melk, “Retoma o fio, ó meu artigo, que este articulista senescente se demora demasiado nos marginalia” [é assim mesmo que se escreve].</p>
<p>E os velhos?</p>
<p>Nós, velhos, próximos à senilidade, nos esquecemos como somos esquecidos. Assistimos ao cinema alemão? Discutimos sobre ele? Sim, há mais de vinte anos, ainda o fizemos. Mas, é fato, começamos a fazê-lo ao final dos anos setenta e ao longo dos anos oitenta e noventa. E nesta última década da sequência, até a metade. O novo milênio se avizinhava, trazendo a superficialidade, a aceitação fingida, o receio frouxo de criticar e de ser criticado.</p>
<p>Então, abandonamos os botequins, as escadarias das catedrais, as praças mal iluminadas. Voltamos para casa, nos enfurnamos em nossas bibliotecas, nos abraçamos às nossas garrafas, sopramos, como nostálgicos vidreiros, o cristal das nossas bolhas. Eu, pelo menos, assumo que fiz isso mesmo.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Pois sim, oh, digressivo senhor&#8230; E seu Wenders?</span></p>
<figure id="attachment_75751" aria-describedby="caption-attachment-75751" style="width: 200px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-07-at-08.37.38.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-75751" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-07-at-08.37.38-200x300.jpeg" alt="" width="200" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-07-at-08.37.38-200x300.jpeg 200w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-07-at-08.37.38-683x1024.jpeg 683w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-07-at-08.37.38-768x1151.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-07-at-08.37.38.jpeg 1024w" sizes="auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px" /></a><figcaption id="caption-attachment-75751" class="wp-caption-text">O diretor Wim Wenders</figcaption></figure>
<p>A responder, então, sem incorrer num relato biográfico encorpado: Wim Wenders nasceu em 14 de agosto de 1945 em Düsseldorf. Depois de abandonar os estudos de medicina e filosofia, ingressou no mundo do cinema. A partir de 1968 e, se não estou enganado, até 1971, escreveu críticas de cinema.</p>
<p>Foi premiado por vários filmes. Entre estes cito “O Amigo Americano”, “Estado de Coisas” e “Asas do Desejo”. Chegou a ocupar a função de presidente do júri em alguns dos festivais de Cannes.</p>
<p>Quando foi questionado, numa entrevista, por Michael Hofmann, poeta, tradutor e crítico alemão, sobre os motivos que o levaram a fazer filme, disse que nunca soube como responder a contento a esta pergunta. Se tivesse que responder pela manhã, daria uma resposta. Caso fosse à noite, a resposta seria outra. Para Wenders, na condição de diretor e roteirista, o fazer filmes está entre a compulsão e o pressentimento de que é algo como o dever. Cumpre informar que Wenders, além de diretor de cinema, é artista plástico e fotógrafo.</p>
<p>Creio que basta para o leitor ter uma ideia do homem.</p>
<p>Voltemos, portanto, ao filme em torno do qual escrevi este artigo: “Dias Perfeitos”.</p>
<figure id="attachment_75750" aria-describedby="caption-attachment-75750" style="width: 263px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-07-at-08.37.20.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-75750" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-07-at-08.37.20-246x300.jpeg" alt="" width="263" height="321" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-07-at-08.37.20-246x300.jpeg 246w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-07-at-08.37.20.jpeg 300w" sizes="auto, (max-width: 263px) 100vw, 263px" /></a><figcaption id="caption-attachment-75750" class="wp-caption-text">Kōji Yakusho, personagem principal de &#8220;Dias Perfeitos&#8221;, dirigido por Wim Wenders</figcaption></figure>
<p><span class="sigijh_hlt">O cerne da narrativa é a vida cotidiana, quase perfeita, de Hirayama, interpretado pelo premiado e muito respeitado ator Kōji Yakusho.</span></p>
<p>Hirayama é funcionário do Tokyo Toilet, um projeto de renovação de banheiros públicos em Shibuya, Tóquio, que começou em 2018. Contou com a participação de arquitetos e designers, e criou, a partir das suas visões, banheiros públicos de estilos incomuns em dezessete locais da cidade.</p>
<p>Hirayama realiza meticulosa faxina nos banheiros e é o encarregado de orientar outro funcionário, Takashi [Tokio Emoto], que está sob suas ordens.</p>
<p>A rotina de Hirayama raramente muda de um dia para o outro, e ele parece contente, num bem-estar que beira à meditação, com a simplicidade de sua vida.</p>
<p>Poder-se-ia dizer que Wenders opera de forma magistral com o encanto do “agora”. O conceito tempo tem um valor especial para este diretor. Tudo tem de ter começo, meio e fim. Ou seja, oh, burralda metida a crítica de cinema, tem de ter enredo.</p>
<p>Mais de uma vez Wenders defendeu que a continuidade do movimento e da ação deve ser verdadeira, sem concessão a qualquer choque na sequência de momentos que são apresentados. O “eterno retorno” que compõe parte essencial da plástica de “Dias Perfeitos” firma bem isto.</p>
<p>Entretanto, não é um repetir pelo repetir. Cada dia, em que as mesmas coisas são realizadas em casa e no trabalho, revela matizes distintos. O amanhecer, o olhar iluminado do faxineiro ao mirar o céu pela manhã. Algo de diferente se revela, quase que imperceptível.</p>
<p>A luz que Hirayama traz nos olhos, todos os dias, em seus dias perfeitos, está sempre a brilhar com intensidade. O que nos levou a entender que ele está grato por estar vivo, por poder trabalhar, poder seguir cuidando da própria vida, falando muito pouco, procurando não incomodar ninguém, mas sem traços de egoísmo.</p>
<p>Mais de uma vez sua generosidade será requisitada na história, e Hirayama será solícito, ainda que, num caso específico, um tanto relutante.</p>
<p>Este é o &#8220;fato&#8221; elementar que esboça o campo geral onde os demais eventos e pessoas comporão, também, toda a trama.</p>
<p>Hirayama é o protagonista? Sim, mas aos outros personagens não foram dadas atuações menos proeminentes. E isto, por sinal, independe do tempo da presença de cada um deles na história. Nenhum pesa menos, nenhum ocupa mais espaço do que lhe cabe.</p>
<p>E esta condição [vale, claro, também, para Hirayama] é definida pelo que cada personagem é e faz no dia a dia.</p>
<p>Seu auxiliar no serviço de limpeza dos banheiros públicos é um inconsequente, apaixonado por uma garota que trabalha em casa noturna. Esta, por sua vez, é melancólica e desconfiada. Contudo, o diálogo entre ela e Hirayama, quando decide devolver ao faxineiro uma fita cassete que Takashi, o auxiliar, roubou para ela, é tocante, breve e descomplicado. Contra tudo com o que a julgamos pela aparência, até então, a personagem é movida pela sensibilidade moral para a qual o &#8220;jeito de ser&#8221; de Hirayama a desperta.</p>
<p>A chegada repentina da sobrinha de Hirayama é uma solução roteirística de mestre [Wenders e Takashi demonstram saber bem como conduzir os acontecimentos] para que algo do passado de Hirayama seja apontado, porém, não necessariamente revelado.</p>
<p>É o que basta para entendermos o motivo do tempo presente ser tão importante para ele. Hirayama. Observamos que o personagem é rígido quanto aos seus princípios de rotina. Ele responde a um determinado passado, e dele se protege. E o faz com elegância e dignidade.</p>
<p>Hirayama é faxineiro de banheiros públicos. Possui o próprio equipamento de limpeza. Vale-se mesmo de pequenos espelhos com cabo e de lupas para verificar pontos quase invisíveis de sujeira.</p>
<p>Seu trabalho o mantém, mas, não o define. Como ficamos sabendo disso? Após o expediente, janta num restaurante do qual se tornou &#8216;habitué&#8217;, e onde os atendentes o têm como alguém especial. Ao chegar em casa, sempre lê durante um tempo antes de dormir. Sua leitura? &#8220;Palmeiras Selvagens&#8221;, de William Faulkner, por exemplo. Duvido que a esta obra [e as demais presentes no filme] tenha sido inserida na história de forma aleatória. A assinatura, em termos de argumento, do escritor americano, nesta obra [inclua-se “Santuário”, também] é a busca sofrida que seus personagens empreendem por algo que entendem ou aceitam como liberdade. Eles estão sempre em movimento, seus dias são trepidantes, seja no bom ou no mau sentido. Costuma prevalecer o mau. Há fugas no romance. E, de Hirayama, saberemos, após metade do filme, que ele também está a fugir.</p>
<p>O outro fator de caracterização do personagem é a referência da qual criei o título deste artigo: fala ou diz tão somente o necessário.</p>
<p>Sua fala mais longa e um tantinho alterada acontece quando Takashi se demite e ele, por causa disso, terá de fazer jornada dupla neste dia até altas horas da noite. Ao telefonar para a empresa, é firme em exigir que consigam um substituto o mais rápido possível.</p>
<p>Por ser o personagem que opta por manter-se calado a maior parte do tempo, Hirayama sabe se comunicar com os olhos e expressões faciais. Há outros dois coadjuvantes que não dizem uma palavra sequer. Entretanto, o dedicado faxineiro e apaixonado leitor os compreende e estabelece tênues fios de ligação com eles.</p>
<p>Estes dois personagens se encontram sempre no parque, onde Hirayama costuma almoçar. E o faz debaixo de uma árvore da qual produz, todos os dias, uma fotografia. Talvez a tentar captar o perene e o mutável em simultâneo.</p>
<p>A título de curiosidade, o nome Hirayama significa “montanha pacífica”. Estaria a forçar a barra, se disser que o personagem lembra mesmo uma montanha? Sólido em sua constituição, na sua firmeza de conduta e em manter-se, na maior parte do tempo possível, em silêncio?</p>
<p>Quem sabe? O certo é que, repito, Wenders não é de deixar as coisas soltas, ao acaso.</p>
<p>Os poucos conhecedores do cinema, da estética, do discurso de Wim Wenders, como roteirista e diretor, muito provavelmente dirão que é recomendável não esquecer de que, em produções cinematográficas passadas, e mais de uma vez, o diretor alemão adotou, como tema, jornadas sem rumo empreendidas por pessoas perplexas, sem esperanças. Concordarei com a observação. E, na verdade, a tomarei em contraponto ao filme recente de Wenders.</p>
<p>É certo que as observações especuladas acima aplicam-se a “O Amigo Americano”, a “Estado de Coisas”, por exemplo, e, com toda a certeza, a “Paris, Texas” – um filme em que o personagem principal sofre, mesmo, um abalo sísmico espiritual. Travis é um homem bipartido.</p>
<p>Já Hirayama é o espírito coeso e operante. Sabe o que quer, o que esperar e do que abriu mão.</p>
<p>Portanto, “Dias Perfeitos” vai em direção oposta. Muito provavelmente, para além do gênio do diretor, pelo fato de que, de início, não era para ser um longa de ficção. Seria um documentário de 45 minutos.</p>
<p>O verniz ficcional está ali, na produção. Mas a perspectiva cinematográfica de Wenders, até onde sei, jamais faria do tema algo esdrúxulo, ao mero capricho da estilização. Wenders respeita o expectador. Evita o excesso de estilo em detrimento da clareza.</p>
<p>Eis, então, nossas modestas impressões.</p>
<p>Comentar, descrever, implica em enfatizar alguns aspectos e sonegar outros. Temos consciência disso.</p>
<p>Nossa percepção, minha e de Iara, deste belíssimo filme, se manifestará insuficiente, ainda que fascinada, para valorizá-lo com justiça.</p>
<p>The End&#8230;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Marcelo Ribeiro em Dois Tempos</title>
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					<comments>https://www.sosergipe.com.br/marcelo-ribeiro-em-dois-tempos/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 10 Feb 2024 11:00:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[alma]]></category>
		<category><![CDATA[corpo]]></category>
		<category><![CDATA[cronista]]></category>
		<category><![CDATA[desejo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Léo Mittaraquis (*)                                                                        “Quando escrevo,                                                                         respiro a solidão                                                                         dos que ainda se calam                                                                         por dever de ofício”                                                                 &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmarcelo-ribeiro-em-dois-tempos%2F&amp;linkname=Marcelo%20Ribeiro%20em%20Dois%20Tempos" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmarcelo-ribeiro-em-dois-tempos%2F&amp;linkname=Marcelo%20Ribeiro%20em%20Dois%20Tempos" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmarcelo-ribeiro-em-dois-tempos%2F&amp;linkname=Marcelo%20Ribeiro%20em%20Dois%20Tempos" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmarcelo-ribeiro-em-dois-tempos%2F&amp;linkname=Marcelo%20Ribeiro%20em%20Dois%20Tempos" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmarcelo-ribeiro-em-dois-tempos%2F&#038;title=Marcelo%20Ribeiro%20em%20Dois%20Tempos" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/marcelo-ribeiro-em-dois-tempos/" data-a2a-title="Marcelo Ribeiro em Dois Tempos"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p style="text-align: right;">                                                                       “Quando escrevo,</p>
<p style="text-align: right;">                                                                        respiro a solidão</p>
<p style="text-align: right;">                                                                        dos que ainda se calam</p>
<p style="text-align: right;">                                                                        por dever de ofício”</p>
<p>                                                                                                                                                            Marcelo Ribeiro</p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">M</span>arcelo Ribeiro é médico, nasceu em Aracaju, Sergipe, em 1949. É membro da Academia Sergipana de Medicina e da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, dentre outras instituições. Escritor prolífico, firmou-se um dos nomes mais importantes da literatura em Sergipe e no Nordeste. Meu artigo crítico desta semana revisita duas de suas obras.</p>
<p>O título nada traz de original. Eu o sei e folgo por isso. Tenho horror à pretensão à originalidade. Pouca coisa, muito pouca coisa no mundo, pode ser considerada original. E, creio, estou em uníssono ao autor, nestas mal traçadas letras, a ser criticado: Marcelo Ribeiro – poeta, cronista, novelista. Sua lavra é única em muitos sentidos, mas bebe em águas diversas. Não esconde, por exemplo, sua grande admiração por Manoel de Barros, poeta pantaneiro. Há de se notar algumas aproximações, porém, não é assunto para agora.</p>
<p>Num acesso de preguiça extrema, decidi por reproduzir, aqui, em dois tempos, considerações sobre dois livros de Marcelo Ribeiro: “Quem não sabe ler, leva carta pra morrer” e “Nem que seja só – Torquato Neto &amp; Tropicália”.</p>
<p>Não só por preguiça, confesso. Também porque minha opinião não mudou quanto aos dois livros desde que os li.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>PRIMEIRO TEMPO</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>LUÍZA, UMA EPOPEIA DO CABRUNCO – A PROPÓSITO DE “QUEM NÃO SABE LER, LEVA CARTA PRA MORRER”</strong></p>
<p>Eleger, como personagem principal da obra literária, como alma em torno da qual translada o mundo do autor, alguém dentre os tantos e únicos em si, que compõem o universo de gente humilde, não é, decerto, algo incomum.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-07-at-10.55.58.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-74959 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-07-at-10.55.58-221x300.jpeg" alt="" width="221" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-07-at-10.55.58-221x300.jpeg 221w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-07-at-10.55.58.jpeg 552w" sizes="auto, (max-width: 221px) 100vw, 221px" /></a>Porém, mesmo às mãos de um escritor e poeta calejado, como Marcelo Ribeiro, constitui-se, a meu ver, notável tour de force. Exige-se a maestria do bem aplicar às devidas proporções, na qual o pitoresco deve escapar, com elegância, ao caricato. Tranquilizo, nesse sentido, o leitor: Marcelo logra pleno êxito.</p>
<p>Contudo, é também considerável esforço, ainda que em menor magnitude, quando comparado ao ato mesmo da criação, o pôr-se a ler pelo viés crítico – impulso temerário, desavergonhadamente disfarçado de abordagem analítica racional.</p>
<p>Tanto mais quando o título da obra é, também, um alerta técnico e moral, devidamente recoberto pelo doce verniz da ironia: “Quem não sabe ler, leva carta pra morrer”.</p>
<p>Mais ainda pela dimensão epopeica da obra, vale dizer, pela capacidade do autor em nos envolver numa sucessão de eventos extraordinários, de ações gloriosas, retumbantes, provocando a admiração, a surpresa, o maravilhar-se.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Nesta cria recente de Marcelo Ribeiro, o rebuliçoso núcleo, a promover deliciosos abalos sísmicos nas searas gramatical e moral [e há uma sem outra?], a fornecer linguajar muito bem aproveitado pelo escritor, é Luíza, personagem no qual, já de batismo, pespegaram-lhe, mediante nome, a sina. Em sua origem nórdica, renascida nordestina, Luíza é nome a carregar honrosos significados: “combatente gloriosa”, “ilustre guerreira”&#8230;</span></p>
<p>Não por acaso, creio, que, já a primeira narrativa, transcorra por longa e insone jornada noite adentro. Falta de sono? Oh, sim, batalha das batalhas. Insônia, impiedosa deidade que, nos corações e mentes, cultiva o pesadelo das noites em claro. É na cama, campo de disputa, que Luíza luta.</p>
<p>Bate-se, plena de ira, de desejo carnal, de impaciência. E a trilha sonora, tão essencial à estruturação dessa peça matizada de incidentes, é constituída pelo descontínuo e tonitruante tráfego caminhoneiro. E deitada insone que se preza, tem de ser agourada pela presença, real ou imaginária, duma coruja a piar, “a furar o escuro da noite”.</p>
<p>É de primeira que Marcelo Ribeiro demonstra, mais uma vez, saber lavrar sob o signo da pertinência. A valer-se de inconveniente vigília a acossar Luíza, Marcelo a apresenta. As duas sentenças entrelinhadas, «Esta é Luíza» e «Eu sou Luíza», evitam a descrição antropológica, distanciada, bem ao gosto dum François Laplatine, mas, que, neste caso, resvalaria para o maçante.</p>
<p>O leitor [posso afirmar, pelo menos, por mim], torna-se sabedor íntimo sobre quem é Luiza. Corpo e alma radiografados com raras habilidade e delicadeza. Sem excesso de mística e nem de gordura.</p>
<p>A segunda narrativa, de nome “Luíza”, não apresenta a mulher mais uma vez. Desnecessário. Nos vemos, isso sim, diante do evento, a título de ponto de partida, que provocará as ondas espaciotemporais subsequentes. Estas que trarão, nas águas da existência, a significação maior, humana, diária, por vezes espantosas do contagiante ‘thauma luizaniano’. Luíza, imersa em sua vida, e a perscrutar as demais sem pretensão ao profundo. O conhecer Luíza, o conviver com Luíza, o [re]conhecer o mundo mediante aqueles olhos livres.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Luíza também rebatiza: antigas culturas nos proporcionaram meios de compreendermos, inclusive numa perspectiva transcendental, o alto valor de dois significados: do nome e do ato de nomear. A recordar Foucault, em “As Palavras e as Coisas”, Luíza é hábil na arte da linguagem, em “fazer signo e de significar, ou seja, de nomear”.</span></p>
<p>Luíza nomeia as pessoas com as quais, em diferentes situações, se defronta. Na verdade, renomeia, subsume nomes de batismo e registro numa identificação mais ampla, mais instrumental, denominando aquele e aquela de acordo com as características, a seu ver, inerentes e intransferíveis. E o faz pelo assuntar do jeito e do falar das pessoas. Não pretende ultrapassar o aparente. O logos, como diria Heráclito, fala a Luíza. O discurso diz, por ela, o que coisas e pessoas são.</p>
<p>Com o título “Frustração”, a terceira narrativa é mais uma armadilha de visgo para arisco pássaro ledor como eu. Às primeiras linhas, deparo-me com “Segunda Guerra Mundial” e “Lupicínio Rodrigues”. Seria de bastar para manter este velho leitor, aqui, docemente emaranhado nos fios da bem urdida trama prosadora de Marcelo Ribeiro. Linhas abaixo, dou de cara com um nome muito querido: Ezequiel Monteiro. Devo sustar as lágrimas que lentamente assomam? Não, não&#8230; Sou tomado pela melancolia. Lembro do semblante grave do autor de “Contos de Jornal”, livro meio que de contos, meio que de crônicas. Entre os maravilhosos escritos de Ezequiel, neste livro, nutro predileção por “Menino Regressivo”, refinada alusão a “Ulisses”, de Joyce.</p>
<p>Marcelo Ribeiro, o poeta, o escritor, o memorialista&#8230; Patentes que se confundem.</p>
<p>Por falar em memória, Marcelo registra, no cartório poético e literário, o nascimento de Luíza, a anti-amélia: “Sua vida seca, dura e áspera hipertrofiou a independência e altivez inatas, embora circunstancialmente sufocadas pelo meio em que foi jogada no mundo”.</p>
<p>Os acontecimentos que, em seguida, nos são passados, legitimam à larga o título “Frustração”, esse sentimento de insatisfação, de contrariedade, causados pela não concretização dos desejos. E se manifesta mediante várias situações: cuidar de crianças e da roça, por isso não estudar; encher a cara e, bêbeda, apalavrar venda da própria casinha por mixaria&#8230;</p>
<p>Mas, a Vênus Luíza não se deixa derrotar. Volta por cima, emerge, boticcelliana, sobre as ondas do tempestuoso, escuro como o vinho, oceano das doloridas memórias, merecedora das mais altas honrarias.</p>
<p>E então chego, feliz com leitura tão da boa, à quarta narrativa, “Três por quatro”.</p>
<p>Os dois primeiros parágrafos compõem seu retrato falado. Calete,</p>
<p>indumentária, ritual de maquiagem, vazões oníricas&#8230;</p>
<p>Luíza, a convite dos patrões, vai a Recife, até Nova Jerusalém, assiste à Paixão de Cristo. Dá-se a catarse, fenômeno tão bem explorado pela clássica cultura grega: Luíza sofre ao lado do Filho do Homem, durante a tragédia encenada.</p>
<p>Ao voltar para Sergipe, ainda sob efeito do “explícito” sofrimento pelo qual passou o Nosso Senhor, cai de cama, purificada e enferma.</p>
<p>“Casamento”, a quinta narrativa, é um renascimento existencial. Contudo, o vir à luz pela segunda vez não se dá de maneira fácil, menos dolorida. Pelo contrário, é à torquês, rediviva pela extração de si por si do insalubre contexto em que se afundava. A venusiana Luíza torna-se seletiva, tática e estratégica. Mediante a própria experiência, habilita-se, devidamente certificada pelas agruras e suavidades física e mentalmente processadas, a traçar, com perícia, perfis femininos.</p>
<p>Tão hábil quanto, além de cavalheiro, põe-se Marcelo a permitir, como diria Steinbeck, que a história apenas escorra.</p>
<p>A sexta narrativa, “Liberdade e desejo”, ao contrário do que poder-se-ia especular, não é uma apologia ao comportamento tipo “banda voou”. O escritor concede palavra a uma Luíza [embora fogosa, sequiosa, no que concerne ao namoro, ao sexo] equalizadora. A buscar equilíbrio, dentro do possível, entre a atávica pulsão pagã e a razão de fé. A apaixonada e devota ao filho de Afrodite, soube, ainda assim, honrar a si, a administrar impulso, trabalho e reflexão.</p>
<p>“Treta”, sétima narrativa. A eficiência bem recebida, com simpatia, pelo leitor, do híbrido relatar, tão bem explorado por Marcelo, é forte aspecto notado nas sete páginas componentes. Um complexo mundo feminino, representado por ajuntado de conversaria, expõe dramas humanos dos mais diversos, todos a girar em torno dum eixo tragicômico. Mas a massa presencial das falantes não fermenta de súbito animada por aparecer gratuito. Se sabemos dessas vidas, é porque Luíza conta, relembra, revela. E o faz em louvor à satisfação à qual sente-se obrigada a dar à doutora que lhe deu emprego. É divertido e interessante a confissão enquanto ardil usado para conseguir o trabalho.</p>
<p>“Intuição”, a oitava narrativa em torno da mulher de batom. Douta, por ser ciente da sua ignorância, no tocante às letras, principalmente, afina cordas e lâminas da percepção instintiva dos dados imediatos, elabora sua posição no mundo e, sendo a fêmea pegadora de “rato” que é, estabelece “leis naturais”, no ato permanente de responder aos anseios do corpo e às obrigações para com sua fé.</p>
<p>Como se fosse pouco, defende a ativa vida sexual como fator salutar em todos os aspectos. Prescreve, à sua maneira, boticária do amor e do prazer, recorrência sistemática ao “divirtimento”. Para tanto, é necessário, evidentemente, a parceria bem combinada entre mulher e homem [o “rato”]. Nesse sentido, prossegue num hilário discurso classificatório. A mim coube o rir e rir: o escritor, pela boca de Luíza, exercita uma taxiologia dos homens a partir das suas condições e características sexuais.</p>
<p>“Jovina”, assim intitulada a nona narrativa, traz o nome da irmã querida de Luíza. Marcelo recria personagem e universo. Jovina, mana querida da analfabeta Luíza, é gente letrada, humanizada pela poesia. Sabedora de que a “beleza salvará o mundo”. Se não todo o mundo, ao menos o dela e o da irmã Luíza. Por isso leva ao conhecimento da impetuosa e excitada morena, com delicada paciência, a mínima ilustração: “Oferecia-se como instrumento para lhe arejar o espírito, ampliar a visão do mundo, não a deixar restrita ao lavor e à cama”.</p>
<p>Um quê de Weltanschauung joviniana. Instrumento para tanto? Ora, os poetas! Com predileção pelo matuto, que nem elas duas, Manoel de Barros e suas “ignoranças”.</p>
<p>Luíza, por vezes, ela tão pulsional, resiste às líricas licenças e racionaliza, recusando-se a aceitar situações impossíveis descritas em versos. E, sem que se desse conta, Jovina caiu nas boas graças de Suzy, a cadelinha. Ao ouvir, declamadas e explicadas, palavras tão a si familiares, Suzy passou a acompanhar tais conversas com grato interesse.</p>
<p>A cachorra apreciando poesia? Oh, sim. É o universo pessoal, porém compartilhado, finamente elaborado por Marcelo. Nesse campo, tudo o quanto existe toca e canta sob regência do escritor demiurgo. Cenários pautados pela cotidiana banalidade mesclam-se com outros em que algo de realismo mágico descentraliza o foco, às vezes, excessivamente racional do leitor, numa inconsciente tentativa de reorganização não autorizada do andar das coisas.</p>
<p>“Um mundo de quintal” [“Eu tenho um ermo enorme dentro do olho”, Manoel de Barros]. Se o escritor brilha no comando do seu universo, por ele criado, logra êxito, também, ao demonstrar sensível competência de interpretar o alheio, tão complexo quanto, construído por outro poeta: Marcelo nos oferece, em boa embalagem e excelente conteúdo, o mundo do Manoel de Barros. É quando percebemos que a nona narrativa, “Jovina”, opera como nota introdutória, como uma síntese ritualística de iniciação.</p>
<p>Quintalesca nomenclatura é coisa dos dois competentes “emes”: Manoel e Marcelo. Este último não dana a explicar o primeiro. Não é menino bobo, não há de meter mãos pelos pés. “Um mundo de quintal” é hábil exercício de metaverbalização. Nós que nos viremos para tornarmo-nos dignos do poder de ver, ouvir, apreender e compreender. A chave é a compaixão. Esse sentimento benévolo e solidário manifesta-se pleno em Marcelo Ribeiro. Vale dizer, no caso aqui, sua lavra abraça, convida, senta-se à mesa conosco, compartilha a mesma garrafa de vinho&#8230; E mais uma.</p>
<p>Ou uma cachacinha. É uma poética da paciência, do compreender, do pragmático ao abstrato, o que seu leitor é e o que pode passar a ser após comer e beber das palavras, das [im]possibilidades da língua, da escrita. Marcelo faz-se digno de transitar pelo quintal do sinhô Manuel. Tem a permissão do amigo poeta, de desimperaltada infância, de sentar-se no mesmo banco, de saber dos mistérios&#8230;</p>
<p>Ora, sim, certo, tudo muito bonito, como diria Erza Pound, mas, e quanto à Luíza? Hum&#8230; Embora não citada por explícito, la donna libidinosa paira sobre as linhas. Seu suor, seu batom, seu dizer, estão ali, bem ali. Deidade merece pompas e circunstâncias. A ela, a música, a recitação encomiástica.</p>
<p>Na décima primeira narrativa, “Secura de Vidas”, a incandescente luzivenusiana é homenageada por menestrel de altitude. Resumo biográfico muito bem deitado em versos. Marcelo, com muito jeito, dá o alerta: se há vidas severinas, há, no conversor transmutante do escritor, igualmente, um viver graciliano. À Luíza é apresentada obra de primeira linha, o cordelista convidado fala-lhe, pondo-a, em certa medida, mais elevada que Fabiano: mais mulher, por ser mulher; bem mais homem do que ele.</p>
<p>As duas narrativas seguintes, “Suzy” e “A vida que poderia ter sido”, tratam da vida e da morte da cadela Suzy. Quanto a estas não me alongarei. É frouxidão, confesso. Basta a imensa e profunda dor que os eventos me fizeram sentir no coração e na alma. Já me debulhei em lágrimas. Me doeram e dilaceraram porque são muito bem elaboradas. Construção cortante e delicada. Diante dessas duas histórias, não sou tão forte como Luíza e sou ainda menos homem que Fabiano. Exumaram, em mim, remorsos nem tão mortos, nem tão esquecidos. Sei, contudo, que mais adiante, as lerei, e o farei mais de uma vez.</p>
<p>Poder, como reconhecimento da autoridade e da moral com as quais alguém é investido, é coisa bem entendida, até pela mente mais simples. E eis que, de repente, Luíza é promovida: funcionária do consultório médico. Na décima quarta narrativa, “A funcionária”, não obstante atuar, então, num lugar de ciência, onde predomina o ato de interpretar a linguagem da biologia em cada corpo feminino examinado, não abre mão do procedimento ritualístico, do convocar das forças espirituais positivas contra as negativas, manifestadas mediante ação nefasta dos “vizinho cu de chumbo que bota oio”. Enverga uniforme, doravante. Leva a sério a diferenciação, a simbologia, a concessão de posto. Ante tal responsabilidade, não fez feio, reafirmando sua natureza de ser grata, zelosa e fiel.</p>
<p>Em mãos inábeis, o preâmbulo da décima quinta narrativa, “Religião e Sexo”, tornar-se-ia, para minha decepção, mero panfleto. O que, felizmente, não acontece. Marcelo, também dotado de lastro clínico, sabe dosar bem o grau de indignação no que toca a situação trágica do sertanejo “diante das agruras”. Realidade climática inclemente, fator ideal para o cultivo concomitante do desespero infernal e da fé inabalável na proteção divina, a conjuntura descrita leva em consideração a injustiça, a pobreza, a violenta imposição dos interesses dos abastados sobre os humildes desprovidos de quase tudo.</p>
<p>Dada ciência ao leitor, cumpre narrar o papel de Luíza nesse contexto, levando em consideração ser ela também uma sertaneja acossada por dissabores semelhantes. Todavia, é indiscutível que, nela, o místico e o visceral atuam com força redobrada. Um esforço sincero em contemplar ambas as possibilidades. Diz respeito ao sentimento religioso, que prevê, no caso, a purificação mediante a sublimação dos desejos carnais e, também, o natural, atávico clamor do sexo.</p>
<p>Luíza, fogo e paixão, também é crente, é devota, “apegada a Deus”. Mas não reconhece a instituição religiosa, a Igreja. Respeita as “leis divinas e as leis dos homens”. Porém traçou seu próprio caminho, numa perspectiva sincrética, a qual lhe permite incluir cultuar a rainha das águas.</p>
<p>Como já assinalei mais acima, o sexo, a “lambada”, na concepção de vida de Luíza é, lembrando, aqui, Jean-Pierre Vernant, “restauradora e curandeira” no que concerne às necessidades do corpo e, em certa medida, do espírito. Quando em falta, “o sofrer é grande. Fica impaciente. Um maltrato”.</p>
<p>Lampião e Maria Bonita, emblemática dupla, inseparável do imaginário popular sertanejo, são os notáveis coadjuvantes da décima sexta narrativa. Luíza, à cata de nome para um casal de cágados que adotara, resolve-se por aqueles. Coerente, entendendo o sexo como motor central dos eventos pelo mundo, atenta para esse aspecto da quelônia convivência.</p>
<p>Impressiona-se e brinca ao comentar o jeito do «divirtimento” dos retráteis animais. Enxerga, ao mesmo tempo, vantagens em criar bichos que ficam quietos na maior parte do tempo. Nesses tímidos representantes de um passado habitado por gigantes monstruosos, Luíza, talvez, veja um jeito de vida boa e simples, condições pelas quais já se revelou radicalmente afeita. Em tempo: a história dos cágados traz um quê de incidental cômico e curioso ao longo da composição que dá corpo ao livro. Mas não fica deslocada. Na minha opinião, atua quase como uma pausa. Um vagar, um desocupar-se, por instantes.</p>
<p>Em tom de reflexão socioantropológica, mas, preservando o lirismo, a firmar divisas entre campo de ciência humana e a literatura, a penúltima narrativa, “Boa Noite, Cinderela” traz o melhor das possibilidades oferecidas pelos gêneros crônica e ficção. Mais uma vez, o traquejo memorialista, documental, de Marcelo Ribeiro nos contempla de forma generosa. O périplo cobre, numa síntese abrangente, nossa formação nacional [o que implica na cultural] sob a ótica da música e da religião; da crítica social, da distorção intelectual da realidade a descambar em preconceito.</p>
<p>Para, mais uma vez, deixar claro sobre o quê e quem se trata “Quem não sabe ler, leva carta pra morrer”, coisa de oito páginas mais adiante, ressurge Luíza. Tudo o que fora dito antes revela-se como pano de fundo para o evento memorável que irá coroar uma fase da vida dessa incomum personagem criada a partir do meio mais comum.</p>
<p>Todo escritor sabe que é ao final da exposição de um acontecimento ou de uma série de acontecimentos mais ou menos encadeados, reais ou imaginários, que dar-se-á o veredito do leitor. Recordo de Borges revelando que iniciava seus contos pelo começo e pelo fim. Depois resolveria o meio. O bardo argentino sabia bem das armadilhas. Uma má conclusão pode ser o fim do reconhecimento ao escritor como escritor. Morre-se na praia, como dizem.</p>
<p>Marcelo Ribeiro conclui seu livro de maneira feliz. A última narrativa, “Cupim 19” aborda o fenômeno da pandemia. Luíza, como sempre, nomeará a coisa como a coisa merece: cupim.</p>
<p>Metáfora das mais acertadas. Comendo de dentro para fora, invisível, por vezes letal, o coronavírus solapou grande parte das instituições, remodelou comportamentos, aterrorizou os espíritos mais serenos, desafiou a ciência ao extremo, inspirou discursos apocalípticos e populistas. Impôs distâncias.</p>
<p>Sim, Luíza, mais uma vez, exibe perícia semântica. Entre o que é ficção e o que é realidade, Marcelo retrata a mulher que decide “tomar as rédeas do destino”. Nela, ainda que haja a batalhadora, a insubmissa, há, também, a pessoa boa e generosa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>SEGUNDO TEMPO</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>NUNCA SERÁ SÓ&#8230; — A PROPÓSITO DE &#8220;NEM QUE SEJA SÓ&#8221;</strong></p>
<p><strong><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-07-at-10.57.43.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-74960 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-07-at-10.57.43-226x300.jpeg" alt="" width="274" height="364" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-07-at-10.57.43-226x300.jpeg 226w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-07-at-10.57.43.jpeg 559w" sizes="auto, (max-width: 274px) 100vw, 274px" /></a></strong>Exumar terríveis dores de consciência. Mediante leitura atenta, eis minha percepção de &#8220;Nem que seja só&#8221;, do poeta, cronista, pesquisador e memorialista Marcelo Ribeiro — Os &#8220;títulos&#8221; são mais que justos e legítimos. E Marcelo os traz, sem ostentação, heráldicos sob o signo da verdade e da honra.</p>
<p>Voltando à obra: creio que, do que li, até agora, da produção de Marcelo, esta é a que ele mais se dedicou a compor cuidadosas construções frasais, às quais agrega-se, de imediato, um bem aplicado verniz filosófico, emprestando ao livro, de forma elegante, leveza estética e densidade de exposição dos dados e dos argumentos. E, então, sim, Marcelo exuma, vale dizer, retira das insuspeitas galerias subterrâneas da história, o que se encontrava guardado, desfigurado, maquiado, escondido.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Marcelo Ribeiro não nos relata um acontecido de forma distante, com imparcialidade pedante, num &#8220;toma aí, e veja o que acha&#8221;. O autor se compromete, se envolve, toma partido, mas, de maneira honesta, contando o que foi do jeito que foi.</span></p>
<p>Isso quer dizer que não interpreta? Maneira alguma afirmo tal disparate. Marcelo o faz e, como bem orienta a Crítica da Razão Literária, se interpreta o faz contra alguém ou contra alguns. O sentido do que se ouve, do que se lê ou vê [ou todas essas possibilidades ao mesmo tempo], de acordo com cada um, do modo como se vê as coisas do e no mundo, seja sempre contraposto a outros sentidos. É uma tomada de posição.</p>
<p>Em todo o livro, duma forma equilibrada, manifesta-se as atitudes, as opiniões do escritor diante das situações descritas. E o que poder-se-ia considerar, numa desavisada percepção, como mera digressão é, em verdade, composição de contextos que bem fundamentam, como de certa forma este crítico aqui já observou mais acima, o que é mencionado, denunciado, revelado.</p>
<p>Destacara eu, às primeiras linhas, o cuidado formal com o qual Marcelo Ribeiro produziu o texto. O autor é notório conhecedor da língua portuguesa. Transita bem pelo linguajar popular e pelo tecido complexo do discurso adloquial, aqui e ali, sem, contudo, incorrer no rebuscamento gratuito.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Marcelo também é poeta, não nos esqueçamos. Domina, como poucos, aos estados metálicos, físico-químicos de rigidez, de maleabilidade, de inércia, sabendo, muitíssimo bem, aplicar a força motriz sob medida exata. É de conhecimento de todos nós que tivemos e temos algum contato proveitoso com os clássicos: quem bem domina a palavra, domina os fatos – sejam os pertencentes à mais comum realidade operatória, sejam os revisitados pelo escritor.</span></p>
<p>O núcleo duro de &#8220;Nem que seja só&#8221; é a breve, todavia marcante, existência de Torquato Neto no cenário político-cultural dos anos 50 e 60. Décadas emblemáticas, queiramos ou não.</p>
<p>As coisas ocorrem entre o Rock&#8217;n&#8217;roll da Poesia, a Poesia Concreta e o movimento Tropicália. Ou seja: pós-guerra da Coreia, bipolarização ideológica e consequentemente guerra fria; guerra do Vietnam e revolução cubana.</p>
<p>O Brasil contribui com a inauguração de Brasília e com os &#8220;anos de chumbo&#8221;. Há muito mais, evidentemente. Cito, em retalhos, pequenas partes de imenso cenário.</p>
<p>Marcelo Ribeiro o sabe muito melhor do que eu. Ele viveu, diretamente, o que eu soube pelos livros e pelas pessoas.</p>
<p>Portanto, é a composição narrativa do autor que é interessante, acima de tudo, nestas pobres linhas que traço. Sua veia de pesquisador, investigador, desentranhador de coisas olvidadas, enfiadas, varridas para baixo do tapete, recontadas, reescritas, o leva a percorrer e desenredar labirintos.</p>
<p>Na leva de tantas e tantas quase perdidas ocorrências — pois, ignorar, esquecer, também é perder —, velados pontos ao longo da trama do tempo e do espaço, é provável que emane, dos acontecimentos, &#8220;uma estranha energia das coisas quando elas precisam acontecer, mas não é incomum fazer-se raridade a ela apor o mérito devido&#8221;.</p>
<p>Marcelo cuida de que o fenômeno ocorra livremente. E tudo o que pode ser e foi observado por Marcelo recebeu, deste, o valor ao qual fez jus. <span class="sigijh_hlt">A Tropicália é descrita numa fascinante dinâmica: “No longo e sinuoso caminho, não se mostraria firme o amor como começara. Tisnou-se o mar de água clara, alva, muito clara. Por outros mares de loucura, foi”. Pois é: a cambraia viu-se em trapos e manchada, o vermelho não mais era apenas do cravo, senão, da mágoa, do inferno interior e do ressentimento.</span></p>
<p>Marcelo Ribeiro deita e rola dentre paráfrases competentes, oportunas, bem encaixadas. Fez o dever de casa: ouviu e leu as letras; ouviu e leu depoimentos&#8230; Enxergou entre as linhas e entre os acordes. Soube compreender quando o compositor e cantor baiano disse sim ao sim e não ao não. Caetano não bebeu, sem refletir, o anarquismo-cocacólatra. Tipo: derrubem prateleiras, sim; porém, não as minhas. &#8220;Auto exigente, perfeccionista e imodesto, não admitia ser mais um; buscava trabalho forte, singular, qualidade internacional&#8221;.</p>
<p>Página a página, o livro de Marcelo Ribeiro é exposição de capas de vinis no sebo da memória. Pelo menos na dos que ainda a detêm. E, neste sentido, o exumar/recordar/recolocar Torquato começa no capítulo quatro. Experiente, sagaz, Marcelo, apesar de assumidamente &#8220;agoniado&#8221;, não se deixa levar pela pressa, não atropela o andar duma carruagem que já andou, já percorreu o caminho da História. Aquele poeta e compositor e, em breve, suicida, entra em cena aos poucos. A figura que se fará presente sem saber o que fazer da própria presença no mundo, o deixará, sem planejamento, traços indeléveis.</p>
<p>Enquanto isso, à sombra da dupla superbacana Cae &amp; Gil, outras figurinhas se movimentavam com maior ou menor timidez: Nara, Tom Zé, Capinan, Gal&#8230; Betânia tratava de si.</p>
<p>Mas, as brincadeiras trópico-anarco-antropofágicas são levadas muito a sério pelos governantes militares. E o tempo fechou.</p>
<p>Marcelo soube aproveitar muito bem o &#8220;tudo ao mesmo tempo e agora&#8221;. A realidade política da época é retratada num estilo tragicômico sem carregar nas tintas.</p>
<p>Em &#8220;Nem que seja só&#8221;, o fenômeno Tropicália/Tropicalismo, o buscar dum sentido existencial pela juventude politizada, o efeito devastador das constantes ondas de choque cultural — contra ou a favor, a depender dos valores e perspectivas —, os processos criativos, os conceitos de família, nação, identidade, liberdade, são coisas descritas e avaliadas não com pretensões à imparcialidade, mas, sim, com a condução segura do leme da nave na qual o capitão é o autor, dando um chega prá lá crítico, embora não violento, valendo-se dum remanso bem calculado, naquela, a outra, a Navilouca.</p>
<p>Torquato Neto, autor da letra da qual Marcelo Ribeiro, de forma perspicaz, extraiu o título do livro [&#8220;Pra Dizer Adeus&#8221;], ganha mais destaque no epílogo, página 69. Nada mais adequado, com o toque, sem exageros, de melancolia. Ele, Torquato, que, mal chegando ao Rio de Janeiro, já é acordado com a notícia da tomada de poder pelos militares.</p>
<p>Marcelo Ribeiro traça com economia e riqueza a trajetória do poeta e compositor piauiense. Sua personalidade sanguínea, sua capacidade reconhecida de compor com maestria, mesmo não sendo músico.</p>
<p>Alcoólatra, por vezes dotado de simplicidade extrema, a manifestar falta de senso prático, Torquato ergue bandeiras contra a corrupção, a canalhice, em nome da liberdade, contra o regime militar, mergulhando nas experiências alucinógenas.</p>
<p>Imolou-se rompido com o mundo.</p>
<p>Querem saber como, por que e quando? Leiam &#8220;Nem que seja só&#8221;, do escritor e memorialista de altíssimo calibre, Marcelo Ribeiro. Por enquanto é &#8220;apenas&#8221; um livro. Desconfio de que, para todos os que o lerem com atenção, não permanecerá somente isso.</p>
<p>Sou leitor da lavra de Marcelo Ribeiro, e não é d’oje. Aprendi a admirar o escritor polivalente, na linha dos que sabem fazer bem seja em qual for o gênero no qual decidem por produzir sua literatura.</p>
<p>E o homem, irrequieto, “agoniado” ainda teima em nos oferecer novos e deliciosos títulos. Aguardemos.</p>
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		<title>Loja Clodomir Silva, seu trabalho justo com a perfeita sabedoria dos ideais maçônicos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Antonio Carlos Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Nov 2023 11:00:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Antônio Carlos Garcia (*) &#160; Na quarta-feira, 29 de novembro, a Loja Maçônica Clodomir Silva número 1477 completa 66 anos de fundação. Há muito o que comemorar, e há muito o que fazer ao longo dos próximos 66 anos. Sim, pensemos no futuro, pois devagar se vai ao longe. A Clodomir Silva, seus abnegados veneráveis, &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p>Na quarta-feira, 29 de novembro, a Loja Maçônica Clodomir Silva número 1477 completa 66 anos de fundação. Há muito o que comemorar, e há muito o que fazer ao longo dos próximos 66 anos. Sim, pensemos no futuro, pois devagar se vai ao longe. A Clodomir Silva, seus abnegados veneráveis, suas respectivas diretorias e demais irmãos, deram, ao longo deste tempo, contribuições valiosas para que esta instituição chegasse ao patamar em que se encontra atualmente.</p>
<figure id="attachment_46256" aria-describedby="caption-attachment-46256" style="width: 225px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/11/selo-loja-clodomir-silva.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-46256" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/11/selo-loja-clodomir-silva.png" alt="" width="225" height="225" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/11/selo-loja-clodomir-silva.png 225w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/11/selo-loja-clodomir-silva-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px" /></a><figcaption id="caption-attachment-46256" class="wp-caption-text">Selo da loja</figcaption></figure>
<p><span class="sigijh_hlt">Ocorreram tempos tranquilos e outros nem tanto. “Mar calmo nunca fez bom marinheiro”, diz o ditado popular.</span> Digo isso para assegurar que foram durante os desafios que os irmãos mais estiveram unidos, ligados um ao outro pela corda de 81 nós, que simboliza a união fraternal e espiritual que deve existir entre todos os maçons do mundo.</p>
<p>E não é só isso. Ao navegarmos pela literatura mundial, comparo as diretorias e os irmãos da Clodomir aos personagens Arronax, Conseil e Ned Land, que a bordo do submarino Nautilus viajaram por 20 mil léguas submarinas, no romance homônimo de Júlio Verne.  Uma fundamental diferença entre o Nautilus e a Clodomir, é que no romance de ficção científica os rapazes foram capturados pelo capitão Nemo, enquanto na Clodomir os irmãos foram “capturados” pelo amor, pelo desejo incessante de desbastar a pedra bruta, deixando que a maçonaria entrasse no coração deles. Quem não quer ser capturado pelo amor, principalmente tendo a certeza de que o amor sempre vence?</p>
<p>Mas qual o ponto em comum entre os Arronax, Conseil, Ned Land e os irmãos da Clodomir Silva? Os primeiros visitaram o fundo dos oceanos, descobriram lugares totalmente desconhecidos e encantaram-se com riquezas e maravilhas jamais imaginadas. Os irmãos da Clodomir mergulharam fundo, também, nos belos mistérios da sabedoria maçônica, renovaram os seus templos interiores, cavaram masmorras ao vício e fizeram progressos. Como ensina a linda canção “Onde Deus possa me ouvir”, do cantor mineiro já falecido, Vander Lee, os irmãos viajaram “ao interior do meu [seu]  interior”.</p>
<figure id="attachment_63954" aria-describedby="caption-attachment-63954" style="width: 1209px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Design-sem-nome-2023-03-05T075446.565.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-63954 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Design-sem-nome-2023-03-05T075446.565.png" alt="Ações das fraternas" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Design-sem-nome-2023-03-05T075446.565.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Design-sem-nome-2023-03-05T075446.565-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Design-sem-nome-2023-03-05T075446.565-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Design-sem-nome-2023-03-05T075446.565-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Design-sem-nome-2023-03-05T075446.565-660x330.png 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a><figcaption id="caption-attachment-63954" class="wp-caption-text">Ações das mulheres da Fraternidade Helena Cabral Monteiro da Loja Simbólica Clodomir Silva</figcaption></figure>
<p>Essa viagem continua com os irmãos que hoje lotam, em todas as sessões, as colunas do sul e do norte e o oriente na Clodomir Silva, erguendo templos à virtude. Os irmãos não estão sozinhos nesta jornada de autoconhecimento e engrandecimento da loja. As esposas – tratadas como cunhadas – têm um papel preponderante ao lado dos maridos. Elas são o porto seguro, o aconchego, o olhar terno, a palavra firme e muita atuação nas ações solidárias, unidas na Fraternidade Feminina Helena Cabral Monteiro.</p>
<p>Que comece uma nova era para a  Clodomir Silva.</p>
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		<title>Os bichos somos todos nós</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/os-bichos-somos-todos-nos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 May 2023 19:00:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura&Afins]]></category>
		<category><![CDATA[A Revolução dos Bichos]]></category>
		<category><![CDATA[Benjamim]]></category>
		<category><![CDATA[bichos]]></category>
		<category><![CDATA[Bola de Neve]]></category>
		<category><![CDATA[classe operária inglesa]]></category>
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		<category><![CDATA[George Orwell]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“(…) Doze vozes gritavam, cheias de ódio, e eram todos iguais. Não havia dúvida, agora, quanto ao que sucedera à fisionomia dos porcos. As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já se tornara impossível distinguir, &#8230;</p>
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<p style="font-weight: 400; text-align: right;"><em>“(…) Doze vozes gritavam, cheias de ódio, e eram todos iguais. Não havia dúvida, agora, quanto ao que sucedera à fisionomia dos porcos. As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já se tornara impossível distinguir, quem era homem, quem era porco.”</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>(Último parágrafo de A REVOLUÇÃO DOS BICHOS, de George Orwell)</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Qual é mesmo a natureza dessa nossa vida se eu sou um ser humano?</p>
<p>Eu sou, sim, um ser humano. Eu sou um ser porco também. Eu sou um ser cachorro. Eu sou um ser cavalo, aliás. Eu sou um ser corvo, vez em quando. Eu sou todos os seres bichos possíveis e não sou diferente de você, que lê este texto agora. Somos aquilo de que participamos e aquilo de que não participamos, aquilo de que compartilhamos e aquilo de que não compartilhamos, aquilo de que protestamos e aquilo de que deixamos de protestar, aquilo que dissemos e mais ainda aquilo que não saiu de nossas bocas. Somos e ao mesmo tempo não somos, enfim, bichos.</p>
<figure id="attachment_66049" aria-describedby="caption-attachment-66049" style="width: 174px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Design-sem-nome-70.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-66049" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Design-sem-nome-70.png" alt="" width="174" height="261" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Design-sem-nome-70.png 400w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Design-sem-nome-70-200x300.png 200w" sizes="auto, (max-width: 174px) 100vw, 174px" /></a><figcaption id="caption-attachment-66049" class="wp-caption-text">Eric Arthur Blair</figcaption></figure>
<p>Utilizando-se da imagética confabulatória de uma fazenda, repleta de animais diversos e de situações também as mais variadas possíveis, o escritor Eric Arthur Blair, ou simplesmente George Orwell, dirige-se ao leitor com uma sanha mordaz por reflexão acerca do comportamento humano de todos os tempos, e principalmente a tocar sobremaneira em algumas passagens históricas importantes ao mundo, tal como a Revolução Russa, fator que serviu de alvo para a obra.</p>
<p>A REVOLUÇÃO DOS BICHOS pode ser considerada uma fábula, não como as que o grego Esopo e o francês La Fontaine escreviam, sem dúvida, mas uma fábula mais longa, onde o desejo de um porco por criar uma granja gerida somente por animais, e que estivesse bem distante de qualquer espécie de exploração humana, termina por elaborar uma concepção vital moderna e tida como revolucionária, fato que provoca uma mudança total no modo como a categoria dos bichos lidavam com suas próprias existências.</p>
<p>A moral da história já nos é bem conhecida, ou nem tanto. De uma &#8220;revolução&#8221; para a gestão de um sistema de governo baseado na tirania é apenas um pulo, e justamente o que acontece no decorrer da trama de Orwell. O poder existe para ser apoderado. Alguém ou algo o exerce perante o outro. Com alguém à frente dos outros a liderar os passos e a caminhada de uma coletividade, a voz imperativa de quem ordena logo se transforma na voz que oprime uma massa de meros ouvintes, de agentes sem-ação, partícipes de uma miserável e indefinível desgraça que mais atinge os que estão por baixo.</p>
<p>Tendo como pano de fundo a Revolução Russa, a historieta deixa claro o ideário de que “todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais do que os outros”. Posto que sim, sempre existem os com privilégios. E os devotos. Quem não se lembra dos cavalos no livro AS VIAGENS DE GULLIVER, de Jonathan Swift, que tal qual o personagem Sansão, possuía caracteres de abnegação e devoção demasiado destacados? O livro de Orwell satiriza a facilidade humana de nos desfigurarmos moralmente, esquecendo-nos de máximas éticas e racionais em prol de uma conduta totalmente arbitrária, ligada essencialmente ao momento.</p>
<p>A classe operária inglesa dos anos 1930 passava por dificuldades sociais e econômicas. Eis o leitmotiv. A alegoria de Orwell pincela o processo evolutivo da Granja do Solar, nome da granja onde ficavam os bichos antes da &#8220;tomada de poder&#8221;, que vai de um sonho socialista a um pesadelo ditatorial em cerca de cem páginas.</p>
<p>Garganta, Mimosa, Moisés, Major, Napoleão, Sansão, Bola de Neve, Benjamim e Quitéria são os personagens de um livro que fala sobre a busca por liberdade. O homem, para todos eles, era visto como um agente inimigo e por isso deveria ser extirpado. Para isso, os porcos liderariam o movimento, pois eram tidos como os mais inteligentes. Criaram um sistema de pensamento, ao qual chamaram de Animalismo. 7 mandamentos regeriam a turma inteira.</p>
<p style="font-weight: 400;">Todavia, o senso de democracia é maculado aos poucos, sempre no desígnio de favorecer os mais &#8220;poderosos&#8221;. Alguma semelhança com a realidade não é mera coincidência, aviso. O discurso é mudado, os rostos também se transformam. Não se sabe mais a quem os bichos serviam e por que lutar. Os líderes, antes iguais aos demais, começam a se diferenciar e a ostentar suas regalias sem fazer nenhuma cerimônia até os estados de alma serem sufocados de uma vez por todas pela insegurança. A REVOLUÇÃO DOS BICHOS é um livro fundamental para entender o homem e as circunstâncias que o perfazem. Eu não passaria a vida inteira sem lê-lo se fosse você.</p>
<style></style><div class="wplp_outside wplp_widget_46365" style="max-width:100%;"><span class="wpcu_block_title">Últimas do Literatura & Afins</span><div id="wplp_widget_46365" class="wplp_widget_default wplp_container vertical swiper wplp-swiper default cols3" data-theme="default" data-post="46365" style="" data-max-elts="10" data-per-page="3"><div class="wplp_listposts swiper-wrapper" id="default_46365" style="width: 100%;" ><div class="swiper-slide" style=""><div class="insideframe"><div id="wplp_box_top_46365_77884" class="wpcu-front-box top equalHeightImg" ><div class="wplp-box-item"><a href="https://www.sosergipe.com.br/nivaldo-tenorio-e-as-camadas-do-conto/"  class="thumbnail"><span class="img_cropper" style="margin-right:4px;margin-bottom:4px;margin-left:4px;max-width:100%;"><img decoding="async" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91.png" style="aspect-ratio:4/3;" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91-660x330.png 660w" alt="Nivaldo Tenório e as camadas do conto" class="wplp_thumb" /></span></a><a href="https://www.sosergipe.com.br/nivaldo-tenorio-e-as-camadas-do-conto/"  class="title">Nivaldo Tenório e as camadas do conto</a></div></div><div id="wplp_box_left_46365_77884" class="wpcu-front-box left wpcu-custom-position" ><div class="wplp-box-item"></div></div><div id="wplp_box_right_46365_77884" class="wpcu-front-box right wpcu-custom-position" ><div class="wplp-box-item"></div></div><div id="wplp_box_bottom_46365_77884" class="wpcu-front-box bottom " ><div class="wplp-box-item"><span class="custom_fields">
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