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	<title>Arquivo para filósofo - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Do filósofo ao sábio: Quando a virtude se torna natureza</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alex Santana]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Aug 2026 08:30:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
		<category><![CDATA[aperfeiçomento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Alex Santana (*) &#160; O filósofo Clóvis de Barros Filho, em uma de suas entrevistas, faz uma reflexão que, à primeira vista, parece simples, mas revela uma profunda verdade sobre a condição humana: “Sabemos quase nada sobre quase tudo.” A partir dessa afirmação, ele nos convida a reconhecer que existem inúmeros assuntos sobre &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Alex Santana (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p class="isSelectedEnd"><span class="dropcap ">O</span> filósofo <strong>Clóvis de Barros Filho</strong>, em uma de suas entrevistas, faz uma reflexão que, à primeira vista, parece simples, mas revela uma profunda verdade sobre a condição humana:</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>“Sabemos quase nada sobre quase tudo.”</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">A partir dessa afirmação, ele nos convida a reconhecer que existem inúmeros assuntos sobre os quais nosso conhecimento é extremamente limitado.</p>
<p class="isSelectedEnd">Com exemplos do cotidiano, demonstra que, apesar dos avanços da humanidade, nossa compreensão da realidade ainda é pequena diante da imensidão do que existe para conhecer.</p>
<p class="isSelectedEnd">Essa constatação nos conduz a outra importante reflexão:</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Ninguém deseja aquilo que acredita já possuir.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Assim, quem almeja a sabedoria precisa, antes de tudo, reconhecer que ainda não a alcançou. Afinal, somente busca o conhecimento aquele que tem consciência da própria ignorância. Na Maçonaria, essa verdade é profundamente simbólica. Ao ingressarmos na Ordem, somos convidados a reconhecer que somos uma <strong>Pedra Bruta</strong>, necessitada de contínuo aperfeiçoamento.</p>
<p class="isSelectedEnd">Cada sessão, cada instrução e cada reflexão representam mais um golpe do malho e do cinzel em direção ao nosso aprimoramento moral e espiritual. Mas surge uma pergunta inevitável:</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Como se comporta um homem verdadeiramente sábio?</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Será que a sabedoria consiste apenas em acumular conhecimentos?</p>
<p class="isSelectedEnd">Ou ela se revela, sobretudo, na forma como agimos diante das situações mais simples da vida?</p>
<p class="isSelectedEnd">Para responder a essa pergunta, permitam-me compartilhar um antigo conto oriental, difundido pela professora <strong>Lúcia Helena Galvão</strong>, que ilustra, de maneira extraordinária, a diferença entre conhecer o bem e tornar-se, verdadeiramente, um homem bom.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<h3>O Sábio e o Porco</h3>
<p class="isSelectedEnd">Certo dia, um filósofo, chamado de mestre, prometeu a dois de seus jovens aprendizes que os levaria ao ponto mais alto de uma montanha para conhecerem um sábio que por lá vivia.</p>
<p class="isSelectedEnd">Mas, para que isso pudesse acontecer, os dois teriam que se esforçar em suas atividades para conquistar aquele tão apreciado prêmio.</p>
<p class="isSelectedEnd">Era preciso mérito para uma vivência tão grandiosa.</p>
<p class="isSelectedEnd">Pois eles assim o fizeram por muitos dias seguidos, aprimorando seus conhecimentos e destacando-se nas atividades que lhes foram propostas, a tal ponto de conseguirem alcançar a recompensa.</p>
<p class="isSelectedEnd">Chegado o momento, o filósofo marcou um encontro com os dois aprendizes bem cedo, ao nascer do dia, para que, juntos, subissem aquela montanha em busca do tão esperado encontro com o sábio.</p>
<p class="isSelectedEnd">E, para não perderem nada, os dois aprendizes se adiantaram no horário, fazendo questão de chegar ao amanhecer ao ponto de encontro.</p>
<p class="isSelectedEnd">Enquanto esperavam, viam o movimento de pessoas que caminhavam para uma feira local.</p>
<p class="isSelectedEnd">Muita gente, carregada de coisas e animais.</p>
<p class="isSelectedEnd">Um jovem pastor conduzia vários porcos para serem comercializados. Entre eles havia um porco gigante, que caminhava com muita dificuldade, devido ao peso e a alguma ferida incômoda em uma das patas.</p>
<p class="isSelectedEnd">Isso fazia com que o comerciante se atrasasse e, por isso, estava extremamente irritado, dando uma surra no animal.</p>
<p class="isSelectedEnd">Vendo tudo aquilo, um ancião resolveu chegar perto do pastor e pedir sua autorização para que pudesse carregar o porco.</p>
<p class="isSelectedEnd">Assustado, o jovem permitiu, não acreditando que aquilo seria de fato realizado.</p>
<p class="isSelectedEnd">Como o jovem não se opôs, o ancião carregou o porco, com muita dificuldade, lambuzando-se com a sujeira do animal.</p>
<p class="isSelectedEnd">Os dois aprendizes viam aquilo perplexos.</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Pois qual era a necessidade de fazer aquilo?</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Deixassem o animal sofrer. Afinal, era só um porco.</p>
<p class="isSelectedEnd">Naquilo, no fim do trajeto, não havia nenhum tipo de gratidão a olho nu.</p>
<p class="isSelectedEnd">O porco não agradeceria, pois não é da natureza dos porcos agradecer.</p>
<p class="isSelectedEnd">O jovem pastor e comerciante também não viu sentido naquilo e, por isso, fez-se de desentendido.</p>
<p class="isSelectedEnd">Quando o filósofo chegou até os dois, o grupo foi subindo a montanha e comentando aquele estranho caso do ancião e do porco.</p>
<p class="isSelectedEnd">O filósofo, convicto, deu-lhes uma explicação:</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>O ancião fez isso por ele mesmo.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Como a sua consciência indicava que aquilo seria o justo, se ele não o fizesse, todos os dias, quando se lembrasse daquele fato, lhe doeria.</p>
<p class="isSelectedEnd">Viria à sua mente que ele deveria ter feito o justo e não o fez.</p>
<p class="isSelectedEnd">Já no alto da montanha, numa casa simples, morava o tão respeitado sábio.</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Quanta honra poder conhecer um sábio!</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Ao baterem à porta, foram logo recebidos pelo mesmo ancião que haviam visto na feira.</p>
<p class="isSelectedEnd">Os jovens ficaram assustados com a coincidência, mas não falaram nada.</p>
<p class="isSelectedEnd">Passaram um dia de aprendizado ali.</p>
<p class="isSelectedEnd">Ao irem embora, já no fim da tarde, o sábio perguntou se poderia contribuir com eles em mais alguma coisa.</p>
<p class="isSelectedEnd">Eles ficaram relutantes, mas resolveram perguntar por que aquele ancião havia feito, na manhã daquele mesmo dia, todo aquele esforço para carregar um porco manco que era conduzido por seu pastor até a feira.</p>
<p class="isSelectedEnd">O sábio, com olhar sereno, disse:</p>
<p><strong>“Hoje de manhã? Porco? Que porco? Não estou lembrando de porco algum. Peço desculpas, mas não me recordo do que vocês estão relatando.”</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Os discípulos então agradeceram, despediram-se e desceram a montanha sem entender nada.</p>
<p class="isSelectedEnd">Foi quando o seu mestre, o filósofo, soltou uma risada para si mesmo.</p>
<p class="isSelectedEnd">Os discípulos perguntaram do que ele ria.</p>
<p class="isSelectedEnd">O mestre respondeu que havia atentado para um fato.</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Aquele homem, diferente dele, era um sábio.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">E continuou:</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>“Eu carregaria o porco por disciplina, mesmo estando em guerra interna, reclamando do porco e da má sorte de tê-lo encontrado.”</strong></p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>“Mas o sábio, não.”</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Ele carregou o porco com tanta naturalidade como quem respira, sem que a mente precisasse registrar aquilo como algo diferente da rotina do corpo.</p>

			</div></div>
<p class="isSelectedEnd"><strong>À primeira vista, pensamos que a história fala sobre um porco.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Mas ela nunca foi sobre um porco.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Ela fala sobre nós.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Quantas vezes fazemos o bem esperando reconhecimento?</p>
<p class="isSelectedEnd">Quantas vezes ajudamos alguém e ficamos decepcionados porque ninguém agradeceu?</p>
<p class="isSelectedEnd">Quantas vezes cumprimos nosso dever apenas porque entendemos que era nossa obrigação?</p>
<p class="isSelectedEnd">Existe uma enorme diferença entre fazer o bem por obrigação e fazer o bem porque nos tornamos pessoas boas.</p>
<p class="isSelectedEnd">É exatamente essa diferença que o filósofo apresenta aos seus discípulos.</p>
<p class="isSelectedEnd">Ele reconhece:</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>“Eu carregaria o porco por disciplina.”</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Que bela demonstração de humildade.</p>
<p class="isSelectedEnd">Ele não se coloca no mesmo nível do sábio.</p>
<p class="isSelectedEnd">Ele compreende que ainda existe um conflito dentro de si.</p>
<p class="isSelectedEnd">Uma parte de sua consciência sabe o que deve fazer.</p>
<p class="isSelectedEnd">Outra parte reclama.</p>
<p class="isSelectedEnd">Questiona.</p>
<p class="isSelectedEnd">Resiste.</p>
<p class="isSelectedEnd">E não é assim conosco?</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Quando alguém nos ofende&#8230;</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Nossa razão diz:</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>“Perdoe.”</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Mas nosso orgulho responde:</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>“Não.”</strong></p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Quando somos chamados a servir&#8230;</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Nossa consciência diz:</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>“Ajude.”</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Mas nossa comodidade responde:</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>“Depois.”</strong></p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Quando devemos agir com paciência&#8230;</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Nossa educação pede calma.</p>
<p class="isSelectedEnd">Mas nossas paixões querem reagir imediatamente.</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>É exatamente esse conflito que caracteriza o homem em construção.</strong></p>
<h2>A visão maçônica</h2>
<p class="isSelectedEnd">Na Maçonaria, chamamos isso de <strong>desbastar a Pedra Bruta</strong>.</p>
<p class="isSelectedEnd">Não se trata apenas de aprender símbolos.</p>
<p class="isSelectedEnd">Nem de decorar rituais.</p>
<p class="isSelectedEnd">Muito menos de acumular conhecimento.</p>
<p class="isSelectedEnd">O verdadeiro trabalho acontece dentro de nós.</p>
<p class="isSelectedEnd">Toda sessão é um convite para lapidar nosso caráter.</p>
<p class="isSelectedEnd">Cada ensinamento recebido é mais um golpe de malho.</p>
<p class="isSelectedEnd">Cada reflexão é mais um uso do cinzel.</p>
<p class="isSelectedEnd">E, pouco a pouco, aquilo que antes exigia esforço&#8230;</p>
<p class="isSelectedEnd">começa a acontecer naturalmente.</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>No início, somos honestos</strong> porque aprendemos que devemos ser.</p>
<p class="isSelectedEnd">Depois&#8230;</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>nos tornamos honestos.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Primeiro somos pacientes por disciplina.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Depois&#8230;</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>nos tornamos pacientes por natureza.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Primeiro perdoamos porque sabemos que é o correto.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Depois&#8230;</p>
<p class="isSelectedEnd">perdoar deixa de ser esforço e passa a ser parte de quem somos.</p>
<h2>O verdadeiro objetivo da iniciação</h2>
<p class="isSelectedEnd">Talvez aqui esteja um dos maiores equívocos que podemos cometer:</p>
<p class="isSelectedEnd">pensar que a Maçonaria existe para ensinar virtudes.</p>
<p class="isSelectedEnd">Não.</p>
<p class="isSelectedEnd">Virtudes podem ser aprendidas em muitos lugares.</p>
<p class="isSelectedEnd">A Maçonaria pretende algo muito maior.</p>
<p class="isSelectedEnd">Ela deseja <strong>transformar a virtude em caráter.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Porque caráter não é aquilo que fazemos de vez em quando.</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Caráter é aquilo que fazemos sem precisar pensar.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>É quando o bem deixa de ser uma escolha difícil&#8230;</strong></p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>e passa a ser nossa própria natureza.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Foi exatamente isso que os discípulos perceberam no final da história.</p>
<p class="isSelectedEnd">O sábio nem sequer lembrava do porco.</p>
<p class="isSelectedEnd">Porque, para ele, aquilo não tinha sido um grande feito.</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Foi apenas um ato natural.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Assim como respirar.</p>
<p class="isSelectedEnd">Assim como caminhar.</p>
<p class="isSelectedEnd">Assim como estender a mão.</p>
<h2>Aqui, uma reflexão para todos nós</h2>
<p class="isSelectedEnd">E eu lhes faço uma pergunta.</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Quantos porcos ainda carregamos reclamando?</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Quantas vezes fazemos o bem esperando reconhecimento?</p>
<p class="isSelectedEnd">Quantas vezes cumprimos nosso dever alimentando internamente o ressentimento?</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Talvez ainda sejamos filósofos ou aprendizes.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">E isso não é um problema.</p>
<p class="isSelectedEnd">Porque todo sábio, um dia, também foi um filósofo.</p>
<p class="isSelectedEnd">O problema seria acreditar que já chegamos ao destino.</p>
<h2>Conclusão</h2>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Meus Amados Irmãos,</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Nossa caminhada maçônica não termina quando recebemos um novo grau.</p>
<p class="isSelectedEnd">Ela não termina quando ocupamos um cargo.</p>
<p class="isSelectedEnd">Ela não termina quando aprendemos novos símbolos.</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Ela só termina quando aquilo que hoje exige disciplina&#8230;</strong></p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>amanhã se transformar em natureza.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Quando a honestidade deixar de ser um esforço.</p>
<p class="isSelectedEnd">Quando a fraternidade deixar de ser um dever.</p>
<p class="isSelectedEnd">Quando a tolerância deixar de ser uma obrigação.</p>
<p class="isSelectedEnd">Quando servir deixar de ser um sacrifício.</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Nesse dia&#8230;</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">talvez nem nos lembremos mais dos “porcos” que carregamos.</p>
<p class="isSelectedEnd">Porque teremos aprendido a fazer o bem sem esperar aplausos&#8230;</p>
<p class="isSelectedEnd">a servir sem desejar reconhecimento&#8230;</p>
<p class="isSelectedEnd">e a agir corretamente não por imposição, mas porque essa será a nossa essência.</p>
<p class="isSelectedEnd">E talvez possamos dizer que o verdadeiro objetivo da Iniciação não é formar homens que conheçam o bem.</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>É formar homens para os quais o bem se tornou tão natural quanto respirar.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Pequenos conselhos para o ano que começa</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/pequenos-conselhos-para-o-ano-que-comeca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Jan 2025 12:48:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[Ano Novo]]></category>
		<category><![CDATA[chinês]]></category>
		<category><![CDATA[conselhos]]></category>
		<category><![CDATA[ensinamentos]]></category>
		<category><![CDATA[filósofo]]></category>
		<category><![CDATA[Ling Yu Tang]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sosergipe.com.br/?p=84692</guid>

					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Não sou de fazer promessas de ano novo. Todas as vezes que as fiz, procrastinei-as, causando desilusões e perda de tempo. Também não gosto de dar conselhos. Mas, esses dias li uma série de dicas, que me enviaram, juntamente com votos de um Feliz 2025, que &#8230;</p>
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]]></description>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">N</span>ão sou de fazer promessas de ano novo. Todas as vezes que as fiz, procrastinei-as, causando desilusões e perda de tempo. Também não gosto de dar conselhos. Mas, esses dias li uma série de dicas, que me enviaram, juntamente com votos de um Feliz 2025, que servem para mim. Compartilho com você, amigo leitor, querida leitora, na esperança de que sejam úteis. Seguem os ensinamentos do filósofo chinês Ling Yu Tang.</p>
<div class="box info  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<figure id="attachment_84702" aria-describedby="caption-attachment-84702" style="width: 162px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/lin-Yutang.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-84702" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/lin-Yutang-235x300.jpg" alt="" width="162" height="207" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/lin-Yutang-235x300.jpg 235w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/lin-Yutang.jpg 360w" sizes="(max-width: 162px) 100vw, 162px" /></a><figcaption id="caption-attachment-84702" class="wp-caption-text">Ling Yu Tang</figcaption></figure>
<p>“Você já não tem muitos anos para viver, e além disso não poderá levar nada quando for embora, por isso deve ser poupado mas sem sacrificar seu bem-estar.”</p>
<p>“Gaste o dinheiro que precisa ser gasto, aproveite o que precisa ser aproveitado e doe o que for possível.”</p>
<p>“Não se preocupe com o que acontecerá quando você for embora, porque quando você se tornar pó, não sentirá se você é elogiado ou criticado, se você é visitado no cemitério ou se você é esquecido.”</p>
<p>“O tempo para aproveitar a vida é este momento, e os bens que você tão dificilmente ganhou deve desfrutá-los.”</p>
<p>“Não se preocupe muito com seus filhos, pois eles terão seu próprio destino e encontrarão seu próprio caminho.”</p>
<p>“Cuide, especialmente dos seus netos, ame-os, mime-os, e tente desfrutá-los enquanto pode.” <span class="sigijh_hlt">Em breve nasce Heitor, meu primeiro neto.</span></p>
<p>“A vida deve ter mais coisas para trabalhar desde o berço até o túmulo.”</p>
<p>“Acorde diariamente para desfrutar de mais um dia de vida sem brigas com ninguém ou rancor.”</p>
<p>“Não espere muito dos seus filhos. Os filhos, embora se preocupem com os pais, também estarão continuamente ocupados com seus trabalhos, seus compromissos e com sua própria vida.”</p>
<p>“Muitos filhos que não se importam com seus pais, lutarão pelos seus bens mesmo quando ainda estiverem vivos, e desejarão que logo deixem esta vida para poder herdar suas propriedades e riqueza.”</p>
<p>“Se você já tem 65 anos ou mais, não troque sua saúde por riqueza trabalhando em excesso, pois estará cavando sua sepultura precocemente.</p>
<p>“De mil hectares semeados de arroz, você só pode consumir 1/2 xícara diária, e de mil mansões, você só precisa de um espaço de 8 metros quadrados para descansar à noite, então se você tem comida e algum dinheiro para suas necessidades, não precisa de mais.”</p>
<p>“Tente viver feliz, pois você só tem uma vida.”</p>
<p>“Não se compare com os outros medindo sua fama, seu dinheiro ou seu status social, ou se ufanando por ver os filhos de quem são mais bem sucedidos, e em vez disso, desafie seus filhos a alcançar felicidade, saúde, alegria e qualidade de vida. “</p>
<p>“Aceite as coisas que você não pode mudar, pois se você se importar demais, você pode estragar sua saúde.”</p>
<p>“Crie seu próprio bem-estar e encontre sua própria felicidade, fazendo coisas que te divertem e alegrem diariamente.”</p>
<p>“Um dia sem felicidade, é um dia que você perde.”</p>
<p>“Tendo bom ânimo, a doença se curará, mas tendo um espírito alegre, a doença se curará mais rápido, ou nunca se aproxima.”</p>
<p>“Com bom caráter, exercício adequado, alimentos saudáveis e um consumo razoável de vitaminas e minerais, você terá vida saudável e agradável.”</p>
<p>“Mas acima de tudo, aprenda a apreciar a bondade em tudo, na família e amigos, pois eles farão você se sentir jovem, revivendo os bons momentos, e as passagens interessantes da sua vida.”</p>
<p>“Dizem que na vida quem perde o telhado ganha as estrelas e assim é.”</p>
<p>“O tempo e as oportunidades são como a água de um rio, que você nunca poderá tocá-la duas vezes, porque já passou e nunca mais vai acontecer.”</p>
<p>“Aproveite cada minuto da sua vida e não rejeite as oportunidades de conhecer o mundo e desfrutar das coisas boas da vida, pois elas podem nunca mais ser apresentadas a você.”</p>
<p>“Nunca repare na aparência, porque ela muda com o tempo.”</p>
<p>“Não procure a pessoa perfeita, porque essa não existe.“</p>
<p>“Procure se desejar, alguém que te valorize como pessoa, e se não a encontrar, desfrute da sua solidão que é muito melhor do que uma má companhia.”</p>
<p>“Acredite em Deus, seja qual for o conceito que você tem dele, e tente desfrutar da vida que é muito curta, desfrutando da família e dos amigos, pois você sairá mais cedo ou mais tarde deste mundo, e ninguém lhe agradecerá.”</p>
<p>“Que a saúde e o bem-estar estejam sempre com você.“</p>

			</div></div>
<p>Um 2025 pleno de vitórias, realizações, conquistas e proteção divina.</p>
<p>Avante! Sempre em frente, um ano novinho está apenas começando.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>“Há multidões em mim”</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/ha-multidoes-em-mim/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Só Sergipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Nov 2024 13:05:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[aprendizados]]></category>
		<category><![CDATA[certezas]]></category>
		<category><![CDATA[criança]]></category>
		<category><![CDATA[desafio]]></category>
		<category><![CDATA[filósofo]]></category>
		<category><![CDATA[multidão]]></category>
		<category><![CDATA[personalidade]]></category>
		<category><![CDATA[recomeços]]></category>
		<category><![CDATA[sábio]]></category>
		<category><![CDATA[tempo]]></category>
		<category><![CDATA[tolo]]></category>
		<category><![CDATA[velho]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes (*) &#160; “Eu sou vários! Há multidões em mim. Na mesa de minha alma sentam-se muitos, e eu sou todos eles. Há um velho, uma criança, um sábio, um tolo. Você nunca saberá com quem está sentado ou quanto tempo permanecerá com cada um de mim. Mas prometo que, se &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">“E</span>u sou vários! Há multidões em mim. Na mesa de minha alma sentam-se muitos, e eu sou todos eles. Há um velho, uma criança, um sábio, um tolo. Você nunca saberá com quem está sentado ou quanto tempo permanecerá com cada um de mim. Mas prometo que, se nos sentarmos à mesa, nesse ritual sagrado eu lhe entregarei ao menos um dos tantos que sou, e correrei os riscos de estarmos juntos no mesmo plano. Desde logo, evite ilusões: também tenho um lado mau, ruim, que tento manter preso e que quando se solta me envergonha. Não sou santo, nem exemplo, infelizmente. Entre tantos, um dia me descubro, um dia serei eu mesmo, definitivamente. Como já foi dito: ouse conquistar a ti mesmo”, texto atribuído ao filósofo Frederich Nietzsche, que li recentemente.</p>
<p>No texto o autor nos convida a reconhecer que somos compostos por diversas partes. Cada uma delas pode representar um aspecto diferente de nossa personalidade — um sábio, uma criança, um tolo, entre outros. Essa multiplicidade é uma característica intrínseca da condição humana.</p>
<p>Na semana passada, em uma entrevista, a repórter me perguntou qual palavra me definiria. Pensei por alguns segundos, e disse-lhe que seria “Desafio”.</p>
<p>Quantas foram as vezes que tive que passar por situações inimagináveis, que na minha cabeça não seria capaz de transpô-las e continuei, algumas vezes alquebrado, mas sempre em frente.</p>
<p>“A vida é aquilo que acontece, enquanto fazemos planos”, disse certa vez John Lennon, que não contava em encontrar com a libitina, de forma tão inesperada, como às 22:50 h, do dia 08 de dezembro de 1980, em frente ao edifício Dakota, em NY. Morto pelo jovem Mark David Chapman, seu fã, que lhe aguardava para matá-lo e, assim, ganhar notoriedade mundial.</p>
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<p><span class="sigijh_hlt">“A vida é feita de poucas certezas e muitos dar-se um jeito”, disse o escritor mineiro, João Guimarães Rosa.</span></p>
<p><span class="sigijh_hlt">Do mesmo Guimarães Rosa: </span>“Sentimento que não espairo; pois eu mesmo nem acerto com o mote disso ― o que queria e o que não queria, estória sem final. O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre ainda no meio da tristeza! Só assim de repente, na horinha em que se quer, de propósito ― por coragem. Será? Era o que eu às vezes achava. Ao clarear do dia”.</p>

			</div></div>
<p><span class="sigijh_hlt">O que é a vida senão a arte de nascer, crescer, colocar ou não frutos nesta Terra, costurar a colcha dos dias com retalhos de sonhos e realidades e procurar viver a cada segundo como se fosse o último, e depois partir?</span></p>
<p>Quando achamos que sabemos todas as respostas, a vida muda todas as perguntas.</p>
<p>Por isso somos eternos aprendizes, mesmo para os longevos, que já viram muita coisa nesta vida.</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p><span class="sigijh_hlt">Mas afinal de contas, o que é a vida?</span></p>
<p>Com a palavra os pensadores:</p>
<ul>
<li>Dostoiévski: Isso é o inferno.</li>
<li>Sócrates: Isso é um teste.</li>
<li>Aristóteles: É a mente.</li>
<li>Nietzsche: Isso é poder.</li>
<li>Freud: Isso é morte.</li>
<li>Marco: Essa é a ideia.</li>
<li>Picasso: Isso é arte.</li>
<li>Gandhi: Isso é amor.</li>
<li>Schopenhauer: Isso é sofrimento.</li>
<li>Bertrand Russell: É competição.</li>
<li>Steve Jobs: Isso é fé.</li>
<li>Einstein: Isso é conhecimento.</li>
<li>Stephen Hopkins: Isso é esperança.</li>
<li>Kafka: Esses são os começos.</li>
</ul>
<p><span class="sigijh_hlt">Para mim, a vida é aprendizado e recomeços.</span></p>

			</div></div>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O pedreiro Vadico e o filósofo Schopenhauer</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/o-pedreiro-vadico-e-o-filosofo-schopenhauer/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Nov 2024 15:32:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[ambições]]></category>
		<category><![CDATA[amigo]]></category>
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		<category><![CDATA[Raimundo]]></category>
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		<category><![CDATA[sofrimento]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Vadico, 62 anos, é pedreiro e uma espécie de faz tudo. Mexe com hidráulica, parte elétrica, assenta piso, conserta telhado. Autodidata, aprendeu tudo sozinho na difícil arte da sobrevivência. Trabalha comigo há mais de uma década. Foi indicação de um amigo. Vadico, que se chama Vladimir, &#8230;</p>
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<p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">V</span>adico, 62 anos, é pedreiro e uma espécie de faz tudo. Mexe com hidráulica, parte elétrica, assenta piso, conserta telhado. Autodidata, aprendeu tudo sozinho na difícil arte da sobrevivência. Trabalha comigo há mais de uma década. Foi indicação de um amigo.</p>
<p>Vadico, que se chama Vladimir, teve uma vida sofrida. Perdeu a mãe cedo, estudou pouco, passou necessidade na infância, mas nunca deixou se abater, está sempre alegre. Vive de bem consigo e com a vida. Tinha três filhos, com a sua companheira de jornada, com quem divide a única vida há quatro décadas. Dois filhos morreram, “por desobediência”, costuma dizer. Sofreu com as perdas, se refez, seguiu em frente.</p>
<p>No sábado, Vadico esteve aqui para pequenos consertos e colocação de quadros, recém adquiridos, nas paredes.</p>
<p>Enquanto Alexa tocava músicas dos anos 70 e 80, Vadico cantarolava, recordando os seus tempos de discoteca, que já não existem mais. Falou de seus namoros, e da companheira que escolheu para si, com quem divide a vida, a cama e os perrengues.</p>
<p>Vadico foi mestre de obras de grandes construtoras. Sem grandes ambições, se dá por satisfeito como pedreiro. Após logo período fazendo bico, está novamente fichado. Ou seja, está empregado: carteira assinada, férias, décimo terceiro garantido. Ganha menos, mas tem o certo todo final de mês.</p>
<p>Vadico é leve, tudo está bem pra ele.  Não é chegado a grande elocubrações. Tem visão simplista sobretudo no seu entorno; sobre a vida. Nunca leu os filósofos, os pensadores, mas tem sabedoria para não se deixar abater com o que não pode mudar. Gosto de provocá-lo para ouvir suas desconcertantes e hilárias respostas. Tudo ele tem solução, e arremata, “se tem solução, qual o problema?”</p>
<p>Nunca ouviu falar em Arthur Schopenhauer, mas é como se fossem próximos.</p>
<p>Esses dias li um artigo sobre o filósofo e pensador alemão.</p>
<p>Segundo Schopenhauer, “a relação entre inteligência e sofrimento está profundamente enraizado em sua filosofia pessimista, que ele desenvolveu em obras como &#8220;O Mundo como Vontade e Representação&#8221; (1818). Ele acreditava que a vida é dominada por uma força cega e irracional, a &#8220;vontade&#8221;, que impulsiona todos os seres vivos a desejarem incessantemente, resultando em frustração e sofrimento.</p>
<p>No contexto da frase mencionada — &#8220;quanto mais claro é o conhecimento do homem, quanto mais inteligente ele é, mais sofrimento ele tem&#8221; — Schopenhauer sugere que “a consciência e a inteligência são uma espécie de maldição. Quanto mais uma pessoa entende a realidade, mais ela percebe as tragédias e absurdos da existência humana”.</p>
<p>Vadico segue sua saga, sem se importar com os pensamentos de Schopenhauer. Ele não tem tempo a perder com problemas reais ou imaginários. Segue na linha do tempo, aproveitando cada momento.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Do Pé na Jaca ao &#8220;Noblesse Oblige&#8221;</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/do-pe-na-jaca-ao-noblesse-oblige/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 Nov 2024 11:00:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Se comes, tu bebes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Léo Mittaraquis (*) &#160; &#8220;O rumor da ressaca na praia distante chegava, transportado pela brisa do sul, como suspiros desesperados que subissem do próprio coração da Terra para os cachos de estrelas vigilantes&#8221;.      Rabindranath Tagore, Çaturanga.   E então, em nome da sanidade, da nobre preguiça caymmiana, decidimos por passar uns &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8220;O rumor da ressaca na praia distante chegava, transportado pela brisa do sul, como suspiros desesperados que subissem do próprio coração da Terra para os cachos de estrelas vigilantes&#8221;.</em></p>
<p style="text-align: right;">     Rabindranath Tagore, <strong>Çaturanga</strong>.</p>
<p><strong> </strong></p>
<figure id="attachment_82000" aria-describedby="caption-attachment-82000" style="width: 370px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-1-scaled.jpeg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class=" wp-image-82000" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-1-300x216.jpeg" alt="" width="370" height="266" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-1-300x216.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-1-1024x737.jpeg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-1-768x553.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-1-1536x1106.jpeg 1536w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-1-2048x1475.jpeg 2048w" sizes="(max-width: 370px) 100vw, 370px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82000" class="wp-caption-text">Sardinha torrada, cerveja gelada: pé na jaca no Mercado do Peixe, em Salvador</figcaption></figure>
<p>E então, em nome da sanidade, da nobre preguiça caymmiana, decidimos por passar uns dias em Salvador.</p>
<p>Motivos? Bem, em primeiro lugar pela nossa vontade, juntamente com a já citada manutenção dos miolos, depois por ser perto e mais em conta e depois por gostarmos dalgumas coisas de lá.</p>
<p>Meio rasa e frouxa a resposta? Well, não há que se defender tese complexa aqui. Fomos porque fomos e pronto.</p>
<p>E reconheçamos: quem se importa? Viagens podem significar o &#8216;dolce far niente&#8217;, a despreocupada eudaimonia&#8230; Ainda que implicações de ordem prática permeiem o tecido da fruição.</p>
<p>Aportamos em Ondina. Airbnb com vista panorâmica: praia e mar. Cachorros correndo pela areia, algas em profusão e, num clima bossa nova, um barquinho a ir e à tardinha a cair. Ao avançar da noite, serenado o trânsito na avenida, fora possível ouvir, das ondas precepitosas, o escachoar quando do choque nas formações de pedras.</p>
<figure id="attachment_82005" aria-describedby="caption-attachment-82005" style="width: 1209px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Ponto-facultativo-e-feriado-confira-o-funcionamento-dos-servicos-municipais-nos-dias-1o-e-2-6.png"><img decoding="async" class="wp-image-82005 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Ponto-facultativo-e-feriado-confira-o-funcionamento-dos-servicos-municipais-nos-dias-1o-e-2-6.png" alt="" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Ponto-facultativo-e-feriado-confira-o-funcionamento-dos-servicos-municipais-nos-dias-1o-e-2-6.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Ponto-facultativo-e-feriado-confira-o-funcionamento-dos-servicos-municipais-nos-dias-1o-e-2-6-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Ponto-facultativo-e-feriado-confira-o-funcionamento-dos-servicos-municipais-nos-dias-1o-e-2-6-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Ponto-facultativo-e-feriado-confira-o-funcionamento-dos-servicos-municipais-nos-dias-1o-e-2-6-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Ponto-facultativo-e-feriado-confira-o-funcionamento-dos-servicos-municipais-nos-dias-1o-e-2-6-660x330.png 660w" sizes="(max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82005" class="wp-caption-text">Iara e o Mastodonte (Museu Geológico da Bahia), e Léo, seu par, também no museu</figcaption></figure>
<p>Diante da praia e, alhures, do oceânico mar, fui tragado pelo vórtice da memória e recordei de Homero, vale dizer, da Grécia antiga, das minhas origens. Recordei que Homero considerava &#8216;Oceanus&#8217; a origem de tudo o que existe. Belo e poético paradoxo: &#8216;Oceanus&#8217; circunscreveu o mundo e assim marcou seus limites, mas ele próprio era ilimitado. Poseidon, o, digamos, administrador do Mediterrâneo, era sobrinho de Oceanus. Ele detinha dupla função — deus dos cavalos e deus do mar. Mas também tinha de lidar com os concorrentes: Tritão, Ponto, Nereu e a, por vezes esquecida, Thalassa, um espírito feminino primitivo do mar. Como deus do mar, Poseidon era considerado destruidor e benfeitor.</p>
<p>Mas, sim, oh divagante, e Salvador, Ondina?</p>
<p>Ah, certo. E as coisas de sempre, das quais a gente gosta: Museu de Geologia, estabelecimentos especializados em vinho, performances jazzísticas e blueseiras, restaurantes à excelência e excelentes momentos no simpático Mercado de Peixe e em bibocas quase anônimas, entretanto, charmosas.</p>
<p><strong>Se comes, tu bebes.</strong> E é sobre as tocas de comer e beber, e por não atinar tema outro, que desejo tecer breves considerações.</p>
<p>Nem sempre excelência implica em sofisticação exagerada e excesso de bordadinhos.</p>
<figure id="attachment_81999" aria-describedby="caption-attachment-81999" style="width: 169px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-scaled.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-81999" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-169x300.jpeg" alt="" width="169" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-169x300.jpeg 169w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-576x1024.jpeg 576w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-768x1365.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-864x1536.jpeg 864w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-1152x2048.jpeg 1152w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-scaled.jpeg 1440w" sizes="auto, (max-width: 169px) 100vw, 169px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81999" class="wp-caption-text">Cutelo, de duvidosa procedência, adquirido de ambulante no Mercado de Peixe &#8211; &#8220;Vai encarara, fiducabrunco?&#8221;</figcaption></figure>
<p>O Restaurante da Bel, em Ondina, por exemplo, é modesto em termos de estrutura, embora muito funcional. E a boia? Muito boa. Fomos de pastel de siri e feijoada. Misturada do cabrunco. Mas deu certo. Uma dúzia de Amstel 600ml acompanharam o maravilhoso almoço pé duro.</p>
<p>Horas mais tarde, pela noite, marcamos presença no Família Frantz, no Pituba. Atendimento, cardápio e rótulos que merecem aplausos. Não só comemos e bebemos bem, como passamos pela experiência de pipetar vinho direto da barrica. Também conversamos muito com os proprietários. Eficiência, nobreza e beleza.</p>
<p>E dentre outros locais, pelos quais demos uma passadinha, o Mercado de Peixes nos fisgou mais uma vez. Cheiro forte de tudo o que é de mar, maré e maresia. Desta vez, ao chegarmos aos largos portões do mercado, veio-me, de imediato, a fariscada reflexão do ocioso filósofo Michel Eyquem de Montaigne: &#8220;É espantoso a que ponto um cheiro qualquer se impregna em mim facilmente. Quem se queixava de que a natureza não dotara homem de instrumento capaz de levar os odores ao nariz, laborava em erro, porquanto os próprios odores sabem encontrar seu caminho&#8221;.</p>
<p>Porém tudo muito limpo, boxes organizados. A exceção dos banheiros masculinos, sujos, elameados&#8230; Mas é coisa comum e o melhor é fazer que nem os pinguins: sorrir e acenar.</p>
<figure id="attachment_81998" aria-describedby="caption-attachment-81998" style="width: 169px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.16-1-scaled.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-81998" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.16-1-169x300.jpeg" alt="" width="169" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.16-1-169x300.jpeg 169w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.16-1-576x1024.jpeg 576w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.16-1-768x1365.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.16-1-864x1536.jpeg 864w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.16-1-1152x2048.jpeg 1152w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.16-1-scaled.jpeg 1440w" sizes="auto, (max-width: 169px) 100vw, 169px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81998" class="wp-caption-text">Generoso prato de ostras fresquinhas e grandes. Viva o Mercado de Peixes!</figcaption></figure>
<p>E do que gostamos no Mercado de Peixe? Bem, tem a coisa de se comprar o peixe, o camarão, o lagostim (tudo, aí sim, fresco) e pedir à cozinheira da ABO — Academia Baiana de Ostras para fritar. Banquinhos, távolas redondas e altas, bêbedos em volta, ambulantes e pedintes. Compramos sardinhas&#8230;</p>
<p>Sim, não é lugar pra gente fresca. Fresco somente o de comer, mesmo.</p>
<p>Tacamos a comer sardinha frita, quase torrada&#8230; limãozinho&#8230; pimentinha&#8230; hummmm&#8230;</p>
<p>Mas se vossa senhoria quiser ser chique e dispor dalguns merréis a mais, pode optar pelas vieiras, mesmo. Compre, entregue à sisuda cozinheira, e ela lhe entregará um prato digno dos deuses.</p>
<p>Mencionei ambulantes. Hum&#8230; Eis que, de um deles, adquirimos um cutelo, ou machete, invocado. E já o pusemos para trabalhar na minha cozinha.</p>
<p>Saltamos dali e chegamos ao Cave Wine Bar. Bons pratos autorais. Adega não muito extensa, contudo, a dispor de rótulos bem legais.</p>
<p>E assim vivemos, meu rei, dias de pé na jaca e de etiqueta. Em ambos os casos, o importante é pôr-se grato ao Senhor Pai Altíssimo e ao Senhor Jesus pela vida, pelo vinho, pelas boas pessoas, pelo amor.</p>
<p>Santé <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f377.png" alt="🍷" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Ortega e Adega</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/ortega-e-adega/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 Aug 2024 10:00:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Léo Mittaraquis (*) &#160; É Dionísio, o deus do vinho, que traz este vestígio aos homens sem-Deus envoltos pela escuridão da sua noite do mundo. Porque o deus das videiras guarda nestas e nos frutos destas, simultaneamente, a co-pertença originária da terra e do céu como o terreiro festivo onde se celebra a &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>É Dionísio, o deus do vinho, que traz este vestígio aos homens sem-Deus envoltos pela escuridão da sua noite do mundo. Porque o deus das videiras guarda nestas e nos frutos destas, simultaneamente, a co-pertença originária da terra e do céu como o terreiro festivo onde se celebra a união entre os homens e os deuses.</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Martin Heidegger</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">J</span>osé Ortega y Gasset é um dos nomes próprios mais completos e elegantes que conheço. Para começar, “Ortega” é alvo de distintas opiniões sobre sua origem. Segundo Roberto Faure, coautor do Diccionario de Apellidos Españoles, Ortega é derivado do substantivo ‘ortega’, uma denominação variante da espécie vegetal urtiga espanhola. O nome da planta é encontrado como topónimo em vários locais de Espanha, como Ortega (Burgos) ou Ortega (Jaén). O Dicionário de Sobrenomes Americanos afirma que o nome pode derivar de ortega: &#8220;perdiz-preta&#8221;. E Gasset? Bem, acredita-se que Gasset seja um nome patronímico formado a partir de um nome próprio medieval agora desconhecido. Uma forma latina mais antiga do sobrenome era Garsea, mas as raízes desse nome podem muito bem ser anteriores à era latina e vir da língua basca.</p>
<p>Prumodeduquê essa coisa toda acima?</p>
<p>Ué, pra começar dalgum lugar, pois.</p>
<p>Tava pensando como entrar mesmo no assunto, ou seja, o pensador da vez e os vinhos, então decidi meio que o apresentar.</p>
<p>Filósofo, sociólogo, historiador, esteta&#8230; O homem foi tudo isso de vera. Bom em todas esses campos do conhecimento.</p>
<p>Não queria restringir a nenhuma área de estudo em seu diálogo interminável para entender melhor o que era de importância central para ele: O QUE SIGNIFICA SER HUMANO. Ele escreveu sobre filosofia, história, crítica literária, sociologia, relatos de viagem, filosofia da vida, história, fenomenologia, sociedade, política, imprensa e romance, para citar alguns dos vários tópicos que explorou.</p>
<p>Ortega y Gasset exibia (no bom sentido), digamos, várias identidades: era filósofo, educador, ensaísta, teórico, crítico, editor e político. Ele não se esforçou para ser um &#8220;filósofo profissional&#8221;; em vez disso, ele pretendia ser um &#8220;ensaísta filosófico&#8221;.</p>
<p>Eu sei, eu sei&#8230; Tenho de incluir a obra “Rebelião das Massas”, citado à mancheia e pouco lido (que nem os livros de Walter Benjamin). Mas se não mencionar fica igual à missa em que, pelo menos, parte da bíblia não foi citada.</p>
<p>Esta, sua teoria, hum&#8230; Como diria? A mais polêmica, talvez: a rebelião das massas reflete as crises da nossa época. Isto no século XX, primeiro terço. A obra é de, creio, entre 29 e 30. O “homem-massa” contra a “minoria seleta”. Quem nunca leu Ortega y Gasset (refiro-me aos que, por seu discurso mesmo, são obrigados a fazê-lo), ou que o leu e não o entendeu (miríades), conclui que o filósofo está a propor uma divisão, uma classificação social ideológica, entre pobres e ricos. Bem, não é isso. <span class="sigijh_hlt">Mas, caso alguém queira uma aula, cobro 50,00 a hora.</span></p>
<p>Lê-lo — suas obras, quero dizer —  é o nobre e privilegiado misto de satisfação e aprendizagem constante. Minha dívida estético-filosófica para com este autor é imensa e impagável.</p>
<p>Voltemos ao vinho, ô mania de digressão, vixe!</p>
<p>Enchimento de linguiça, só isso, mon amis&#8230;</p>
<p>Ortega y Gasset, não só amava os vinhos, conhecia bem os rótulos, e se valia, com elegância, da bebida quase como uma figura de linguagem: contra o tédio, contra a dor universal, contra o vazio da existência, faz-se necessário beber vinho, de preferência os fortificados, se  possível, das adegas alheias. Em seguida devemos nos encher de arte, de doçura, de afeto. Estou a parafraseá-lo, bem entendido, adaptando-o às sórdidas intenções do meu texto.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Design-sem-nome-2024-08-30T195303.679.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-80271 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Design-sem-nome-2024-08-30T195303.679-300x300.png" alt="" width="338" height="338" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Design-sem-nome-2024-08-30T195303.679-300x300.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Design-sem-nome-2024-08-30T195303.679-1024x1024.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Design-sem-nome-2024-08-30T195303.679-150x150.png 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Design-sem-nome-2024-08-30T195303.679-768x768.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Design-sem-nome-2024-08-30T195303.679.png 1080w" sizes="auto, (max-width: 338px) 100vw, 338px" /></a>Ortega e Gasset amava o Jerez, o “Palo Cortado” notadamente o “Três Palos Cortados”. Considerava-o a plena felicidade em estado bebível.</p>
<p>Há quem discorde. Mas gosto e como&#8230; Cês sabem&#8230;</p>
<p>A bebida tem sua história começada no século XIX. Cumpre esclarecer que tal história não é lá muito exata e conhecida, embora se tenha a certeza de uma coisa: a bebida , afirma-se, é fruto de um acidente. Vamos lá.</p>
<p>Em 1863 aparece a primeira referência Palo Cortado. Vinho muito antigo, fino e perfumado com símbolos de palmeiras: um belo oloroso.</p>
<p>Hoje esse tipo de vinho está mais que consolidado, a partir dos três tipos diferentes de Palos Cortados: um blend de colheitas segundo o sistema Criaderas e Soleras; as de Añada e as de Cabeceo. Estou acossado por imensa preguiça, portanto, não me estenderei com a tipologia, com a técnica.</p>
<p>Voltemos a Ortega e Adega&#8230;</p>
<p>Para o pensador madrileno, “os êxtases diante do vinho de Jerez, diante do céu polido de Castela, diante das pupilas febris de uma mulher andaluza”, são as coisas que importam em tempos de paz.</p>
<p>Havia, e permanece em seus escritos, algo de cósmico e de mitológico, no sentido poético, em sua maneira de pensar o mundo, mas sem renegar o mundo real. Recordemos de que o conhecimento, para Ortega y Gasset, assim penso eu, tem fundamento e origem na vida humana considerada como “realidade radical”. Em outras palavras: a proposta de Ortega será do exercício intelectual que não partirá de uma suposta douta essência do ser humano, mas do essencial da vida humana.</p>
<p>Em suas produções estéticas, filosóficas, ensaísticas, críticas, a cultura do vinho (claro, tendo à frente o Jerez) é citada várias vezes, e sempre relacionado à paixão pela vida, pela realidade, ainda que, por vezes, hedonista, da vida.</p>
<p>Em suas “Obras Completas”, publicadas por “Revista de Ocidente” em parceria com “Talleres Gráficos de Ediciones Castilla”, Madri, Ortega y Gasset dirá que “O mais famoso helenista alemão do início do século disse que o Ocidente está dividido em duas massas humanas, separadas por uma fronteira composta por dois tipos de alimentos: de um lado, os povos que bebem vinho, usam azeite e comem mel; do outro, as aldeias que bebem cerveja, comem manteiga e Sauer Kraut”.</p>
<p>Quanto ao maior helenista alemão, salvo engano, está a se referir a Friedrich August Wolf. Entretanto, posso estar a dar tiro n’água, pois, outros nomes, como  Zeller ou Schleiermacher, merecem tal honra.</p>
<p>Quanto a Sauer Kraut (ou Sauerkraut), eis o chucrute, isto é, uma preparação culinária que é feita através da fermentação das folhas frescas do repolho ou da couve.</p>
<p>Penso que podemos, de certa forma, beber, e até comer, com Ortega y Gasset; ir com Ortega à Adega, se soubermos sorver os finos aromas, os raros sabores, enquanto corremos os olhos e lemos com o coração suas linhas.</p>
<p>Santé <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f377.png" alt="🍷" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Citações sobre o tempo</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/citacoes-sobre-o-tempo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Apr 2024 09:00:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por LuizThadeu Nunes (*) &#160; Dias corridos, excesso de afazeres, espiral de compromissos. Todos apressados, eu no meio. Na semana passada, para compromissos profissionais estive quatro dias em Brasília. Uma sucessão de reuniões, inclusive com ministro de Estado e chefes de autarquias. Fui para um curso de capacitação, e para a Marcha de Secretários de &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">D</span>ias corridos, excesso de afazeres, espiral de compromissos. Todos apressados, eu no meio. Na semana passada, para compromissos profissionais estive quatro dias em Brasília. Uma sucessão de reuniões, inclusive com ministro de Estado e chefes de autarquias. Fui para um curso de capacitação, e para a Marcha de Secretários de Turismo. A Marcha é um encontro anual. Retorno para a Ilha do Amor, com agenda cheia. Reuniões, encontros, simpósios; tudo para ontem. Fecho o dia e já tenho dificuldade em lembrar do que foi tratado nos encontros do dia anterior. Tenho respeito e admiração por quem guarda na memória: nomes, datas, locais e pautas. Desconfio que minha memória está gasta.</p>
<p>Para quem, como eu, que sempre se gabou de ter tempo para tudo, a coisa mudou.</p>
<p>Bastava me programar, que tinha tempo para o que gostava. Grande engano.</p>
<p>Tudo corrido, parece que o tempo acelerou, quando na verdade quem acelerou fui eu. O tempo é o mesmo. O tempo é imutável.</p>
<p>“Viver é algo tão espantoso que sobra pouco tempo para qualquer outra coisa”, escreveu Emily Dickinson.</p>
<p>Ouvi de um amigo sábio: “Você pode ter todo o dinheiro do mundo, mas nunca vai conseguir comprar o tempo. Cada instante vale muito”. Verdade!</p>
<p>Por causa dos compromissos assumidos pelo trabalho, adio o que me dá prazer. Não tenho lido os livros que se avolumam na estante. Não abro a garrafa de vinho que recebo, via Correios, com a assinatura, e que me garante meia dúzia de garrafas/mês.</p>
<p>Não visitei mais amigos queridos e familiares próximos. Semana corrida, chega o final de semana, o corpo pede para ficar em casa, de preferência de bobeira. Roupa gasta, pé no chão, uma rede por perto. Única coisa que não abro mão é de ouvir música, através da Alexa, que está rouca, e segue obediente tocando o que lhe ordeno.</p>
<p>Com as redes sociais ditando nosso dia, vejo mensagem chegando como disparo de metralhadora AK-47.</p>
<p>Não se tem mais sossego. A cada segundo chegam “demandas”, jargão dos novos tempos. Com o smartphone em mãos, fiquei refém de urgências, dos outros.</p>
<p>O tempo ensina que é preciso seguir, amadurecer e se fortalecer. É prudente usar o tempo com sabedoria. Valorizar os momentos, dos mais simples aos mais especiais, em busca de um propósito em tudo o que faz. O tempo não volta! O tempo mostra que as escolhas de hoje agem no futuro e podem mudar toda uma vida. Não despreze o tempo, não deixe para depois. O hoje é tudo o que você tem.</p>
<p>O tempo e a maré não esperam por ninguém. “Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo”, ensinou José Saramago.</p>
<p>O tempo não para nem volta atrás justamente para que sempre sigamos em frente!</p>
<p>“O tempo é um rato roedor das coisas, que as diminui ou altera no sentido de lhes dar outro aspecto”, cito Machado de Assis.</p>
<p>“Não procures esconder nada; o tempo vê, escuta e revela tudo”,  na antiguidade disse Sófocles.</p>
<p>“Chegou um tempo que a vida é uma ordem”, Carlos Drummond de Andrade.</p>
<p>“O Tempo só anda de ida. A gente nasce, cresce, envelhece e morre. É só amarrar o Tempo no Poste”, fico com a singeleza do poeta Manoel de Barros.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Crítico literário Léo Mittaraquis: “Literatura e Filosofia dialogam intimamente; são campos de conhecimento simbióticos”</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/critico-literario-leo-mittaraquis-literatura-e-filosofia-dialogam-intimamente-sao-campos-de-conhecimento-simbioticos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Antônio Carlos Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Jan 2024 09:00:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[conhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[crítico]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Antônio Carlos Garcia e Marcus Éverson Santos &#160; Leitor voraz, crítico literário, filósofo, apreciador de bons vinhos (seria um sommelier?), um Mestre Cuca. Esse é Léo Antônio Perrucho Mittaraquis, 62 anos, um carioca de Paquetá, descendente de gregos, que aos seis anos foi morar em Vitória da Conquista, Bahia, e que em 1972 chegou &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">L</span>eitor voraz, crítico literário, filósofo, apreciador de bons vinhos (seria um sommelier?), um Mestre Cuca. Esse é Léo Antônio Perrucho Mittaraquis, 62 anos, um carioca de Paquetá, descendente de gregos, que aos seis anos foi morar em Vitória da Conquista, Bahia, e que em 1972 chegou a Aracaju, vindo num caçuá com os pais – Léo Mittaraquis e  Vilma Perrucho Mittaraquis – que decidiram aportar em terras sergipanas.  “Sou sobrinho de Lia Mittaraquis, artista plástica naïf, que figurou na Times”, diz. Em Conquista, foi vizinho “parede com parede, do menestrel medieval do Nordeste, Elomar Figueira Melo. Em Aracaju, compôs a música “As coisas do Caçuá”, com Sergival, que alcançou sucesso. <span class="highlight highlight-yellow">Em tempo: o termo francês naïf, segundo o dicionário, quer dizer aquilo que retrata simplesmente a verdade, a natureza sem artifício ou esforço.</span>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/pROMO-1.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-74160 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/pROMO-1-169x300.png" alt="" width="227" height="403" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/pROMO-1-169x300.png 169w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/pROMO-1-576x1024.png 576w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/pROMO-1-768x1365.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/pROMO-1-864x1536.png 864w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/pROMO-1.png 1080w" sizes="auto, (max-width: 227px) 100vw, 227px" /></a><span class="highlight highlight-yellow">Na última terça-feira, 9 de janeiro, Léo passou a integrar a seleta equipe de articulistas do <strong>Portal Só Sergipe</strong>, com a coluna <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.sosergipe.com.br/yhvh-razao-transcendencia-e-redencao-na-poesia-de-mateus-machado/" target="_blank" rel="noopener">Leitura Crítica, quando fez uma análise de parte da obra do escritor paulista Mateus Ma’ch’adö.</a></span></strong></span>
<p>Autor dos livros “Versos Inviáveis” e “sob a régua do expediente”, Léo Mittaraquis pretende, com a coluna e a sua conta no Instagram da Leitura Crítica (@leo.mittaraquis), “promover a cultura literária, estimular a autoinstrução, recuperar a prática do confronto civilizado dos pontos de vista [divergentes] relacionados às leituras realizadas”, dentre outros.</p>
<p>Mestre em Educação pela Universidade Federal de Sergipe, em 2010, onde se graduou em Filosofia Licenciatura Plena (2007), Mittaraquis conta que ingressou “tarde” na academia, aos quarenta anos. Tentou o doutorado em Letras, mas não obteve êxito. “E a responsabilidade é toda minha, fui incapaz”, diz com uma fina ironia. Só que não é bem assim.</p>
<p>Ao ingressar na UFS, em 2007, Mittaraquis já possuía um vasto alicerce literário,  que remonta a sua tenra idade, pois cresceu cercado pelos volumes da &#8220;Larousse&#8221;, da &#8220;Mirador&#8221;, da &#8220;Biblioteca da Criança&#8221;. Aos oitos anos de idade, ganhou dois livros, com ilustrações em xilogravura, fundamentais: “Vinte Mil Léguas Submarinas” e “Viagem ao Centro da Terra”, de Júlio Verne. “Li e reli inúmeras vezes”, assegura.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Esta entrevista tem a participação do filósofo, mestre e doutor em Educação, Marcus Éverson Santos, “irmão de armas” de Mittaraquis, que o questiona, por exemplo, sobre a diferença entre Literatura e Filosofia. </span>Léo entende que “Literatura e Filosofia dialogam intimamente. São campos de conhecimento simbióticos”. Também pede uma análise sobre crítica literária, passa sobre Ulisses, obra de James Joyce, que Mittaraquis é um estudioso. “Mas, creio, não passo vergonha numa conversa sobre Ulisses em torno de algumas garrafas de vinho&#8221;, arremata.</p>
<p>Sobre os autores sergipanos que admira, Léo diz que é o tipo de pergunta que “só amigos fazem: armadilha sobre a qual saber saltar é necessário e estratégico”.</p>
<span class="highlight highlight-yellow">Leia a <strong>entrevista</strong>, divirta-se, aumente seu cabedal de conhecimentos e sabia como Léo saltou dessa “armadilha”</span>.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; O senhor mantém no Instagram, Leitura Crítica, e me chamou a atenção uma parte do enunciado no qual, entre outras coisas, cita “velharias”. Como ela combina com os demais enunciados? Seria interessante, incluir uma boa música?</strong></p>
<p><strong>LÉO MITTARAQUIS &#8211; </strong>O termo &#8220;velharias&#8221; foi incluído de caso pensado. Aliás, como os demais que constituem o texto curto para apresentação do perfil. Refere-se, antes de tudo, à consciência que tenho de que eu e demais pessoas com percepção de mundo próximas da minha fazem parte de um espectro sociocultural em extinção. Sinto muita saudade dos tempos de antanho. Tempos nos quais a Alta Cultura não era [mal] vista, não era [mal] percebida como algo fútil, chato. Até mesmo uma animação, como Pernalonga, trazia referências inteligentes, até com certa complexidade. Tempo em que a série &#8220;Sitio do Picapau Amarelo&#8221; [versão de 1977] foi reconhecida pela Unesco como patrimônio cultural. Tempo de comerciais altamente criativos [dispondo-se, não raro, de poucos recursos]. E, principalmente, para mim, tempo em que uma criança, a partir dos dois anos, ouvia a leitura compassada, elegante, feita pelos dedicados cultos pais, dos textos relacionados à cultura geral, publicados em jornais, revistas e, evidentemente, nas coleções de livros adquiridas com muito sacrifício, pois, éramos pobres.</p>
<p>Cresci cercado por volumes da &#8220;Larousse&#8221;, da &#8220;Mirador&#8221;, da &#8220;Biblioteca da Criança&#8221; [na qual estavam incluídas, além dos contos e novelas, peças de teatro], da coleção &#8220;Tesouro da Juventude&#8221;. Aprendi, com amor e fascínio, consultar os pesados e maravilhosos quatro volumes do dicionário &#8220;Lelo Universal&#8221;.</p>
<p>Assisti, em companhia do meu extremoso pai, no cine Madrigal, em Vitória da Conquista, em 1969, à insuperável, no gênero, produção cinematográfica &#8220;2001 — Uma Odisseia no Espaço&#8221;.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Assisti, com a família, ao lançamento do Saturno V, pela televisão e meu pai construiu, com latas de óleo Castrol, uma réplica com o intuito de explicar funcionamento e finalidade.</span></p>
<p>Por volta dos oito anos, ganhei dois livros, com ilustrações em xilogravura, também fundamentais: &#8220;Vinte Mil Léguas Submarinas&#8221; e &#8220;Viagem ao Centro da Terra&#8221;. Li e reli inúmeras vezes.</p>
<p>Depois, mediante a presença atuante dos meus pais, tive acesso a outras publicações: &#8220;A Ilha do Tesouro&#8221;, &#8220;Robinson Crusoe&#8221;&#8230;</p>
<p>Não me alongarei mais. Passaria horas e horas a responder somente a esta primeira pergunta.</p>
<p>E nem incluí a boa música. Iria de Pixinguinha, Jorge Ben [das antigas], Pink Floyd. Passaria pelos mestres do blues e do jazz, chegaria a compositores denominados clássicos, com predileção por Bach, Brahms, Vivaldi, Borodin, Mozart, Erik Satie entre outros.</p>
<p>No perfil há limitação de caracteres. Optei pelas &#8220;velharias&#8221;.</p>
<p>Porém, creio que proporcionei, nesta resposta, uma ideia razoável do significado subjetivo, transcendental, diria até, do termo &#8220;velharias&#8221;.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE – Embora possa parecer redundante, pelo próprio título, qual o objetivo da Leitura Crítica?</strong></p>
<p><strong> </strong><strong>LÉO MITTARAQUIS &#8211;</strong> O termo &#8220;crítico&#8221; [no feminino, crítica] tem sua etimologia em termos como separar, peneirar, julgar. &#8220;Leitura&#8221;, vem do Latim &#8220;legere&#8221;, e tem relação com atividades como eleger, colher, selecionar. Há quem diga que remonta a expressões ligadas à agricultura. Então, vejamos só, há algo de atávico, digamos assim, no exercício do criticar. Revolver e preparar a terra. Plantar, irrigar e colher.</p>
<p>Há que proceder com o julgamento do objeto em questão. No meu caso, no tocante ao perfil, às produções literárias, viso promover a cultura literária; estimular a autoinstrução; recuperar a prática do confronto civilizado dos pontos de vista [divergentes] relacionados às leituras realizadas; levar a efeito o trânsito investigativo [estético, reflexivo — pelo viés materialista e dialético, vale dizer, produção de cultura como produção humana] pelo macrocampo das Humanidades. Todavia sem me afastar in toto da condição transcendente.</p>
<p>Penso, sem perder o senso, e dizendo, no entanto, que talvez haja algo de exequível nesta proposta.</p>
<figure id="attachment_74153" aria-describedby="caption-attachment-74153" style="width: 426px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/Design-sem-nome-49.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-74153" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/Design-sem-nome-49-300x250.png" alt="Léo Mittaraquis" width="426" height="355" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/Design-sem-nome-49-300x250.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/Design-sem-nome-49.png 600w" sizes="auto, (max-width: 426px) 100vw, 426px" /></a><figcaption id="caption-attachment-74153" class="wp-caption-text">Amante da cozinha e de um bom vinho</figcaption></figure>
<p><strong>SÓ SERGIPE – Também me chamou a atenção, seus conhecimentos em culinária e vinhos. Seria um casamento perfeito? </strong></p>
<p><strong>LÉO MITTARAQUIS &#8211;</strong> Sem dúvidas. A Literatura aborda, com frequência, a arte culinária. Como também os vinhos. &#8220;Almas Mortas&#8221;, de Gogol; &#8220;Em Busca do Tempo Perdido&#8221;, de Proust; &#8220;A Montanha Mágica, de Mann; &#8220;Rua das Ilusões Perdidas&#8221;, de Steinbeck; &#8220;Ilíada&#8221; e &#8220;Odisseia&#8221;, de Homero; &#8220;O Nome da Rosa&#8221;, de Eco; &#8220;Comédia Humana&#8221;, de Balzac&#8230;</p>
<p>Nessa pequena e injusta lista, comida e vinho desempenham algum papel em maior ou menor grau.</p>
<p>E, sim, amo cozinhar. Penso que cozinho bem. A esposa gosta, os amigos gostam. Amo o espaço da cozinha.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Na última terça-feira, o senhor estreou no Portal Só Sergipe e fez uma análise profunda sobre o escritor Mateus Ma’ch’adö.  Como está a preparação para os próximos artigos?</strong></p>
<p><strong>LÉO MITTARAQUIS</strong> &#8211; Abordar o livro &#8220;YHVH&#8221;, de Mateus Ma&#8217;ch&#8217;adö, foi [e ainda está a ser, pois, estou a lidar com a segunda e última parte do artigo], foi, como bem descreveu João Ubaldo Ribeiro, &#8220;trabalho de estivador&#8221;.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">E nem sei se consegui chegar próximo da excelência da obra.</span></p>
<p>Quanto aos próximos artigos, creio que escreva sobre um autor sergipano. Penso que me moverei assim: entre os clássicos e os contemporâneos; entre literatura de pertinho e produções doutras plagas.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; O senhor é crítico literário e essa condição me remete a uma pergunta. Na sua opinião, o brasileiro é um bom leitor ou está longe disso?</strong></p>
<p><strong>LÉO MITTARAQUIS</strong> &#8211; Quanto ao hábito da leitura, no Brasil, há leitores altamente qualificados [comprometidos com as implicações de uma leitura atenta, densa, profunda]; leitores que só desejam ler, sem maiores complicações [considero isso tocante e legítimo]; os maus leitores [ironicamente pululam entre os que se arrogam acadêmicos, intelectuais] e os muitos que simplesmente não gostam de ler. E estão no direito deles de não gostar. Não tenho inclinação alguma ao panfletário.</p>
<p>Mas, algo que já verifiquei, o descaso para com a boa leitura, não é privilégio do Brasil. EUA e Europa seguem, neste sentido, ladeira abaixo, com, é claro, as devidas exceções.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE – Ao falar de leitura, recordo-me de uma frase polêmica do escritor italiano Umberto Eco, em 2015, na Universidade de Torino. Ele disse que “a internet deu voz a uma legião de imbecis”.  Há muitas críticas que, em alguns casos, a internet é terra sem dono onde cada um fala o que quer. Essa frase de Umberto ainda ecoa?</strong></p>
<p><strong> </strong><strong>LÉO MITTARAQUIS &#8211;</strong> Ecoa em alto e bom som. E ecoará cada vez mais. Contudo, apesar de concordar com Eco, sempre mantive uma percepção realista e prática da Internet. A vejo como um amplificador de males que já existiam e que, face à natureza mesma da Internet, foram exponenciados. Mas, desejo frisar, há boas fontes de conhecimento em diversas áreas na Internet. Depende, então, de quem está a buscar o quê.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE – O senhor é autor do livro Versos Inviáveis, que está à venda no Amazon.</strong></p>
<p><strong>LÉO MITTARAQUIS &#8211;</strong>   Sim, Versos Inviáveis é um livreco, o qual, por excesso de falta de dinheiro, não tive como materializá-lo em papel e tinta. E, até onde sei, está à venda por dois contos. Penso que os poemas ali reunidos não são de todo ruins. Também sou autor de &#8220;Sob a Régua do Expediente&#8221;, este em papel. Até que foi bem recebido.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-6.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-74168 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-6.png" alt="" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-6.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-6-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-6-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-6-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-6-660x330.png 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a></p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Léo, conte-nos um pouco sobre sua trajetória acadêmica.</strong></p>
<p><strong>LÉO MITTARAQUIS &#8211;</strong> Ingressei tarde na universidade. Ali pelos quarenta anos, creio. Até então, minha formação fora, quase que em sua totalidade, autodidata.</p>
<p>Não porque eu defendesse esse tipo de aprendizagem. Coisas da vida mesmo. Altos e baixos, como diria Jorge Luís Borges, nesta imensa confusão que é a existência.</p>
<p>Mas, aos trancos e barrancos, aprendi algumas coisas. Provavelmente o que me ajudou neste processo foi minha paixão pela leitura.</p>
<p>Ao ingressar, meu lastro literário, teórico possuía já alguma densidade.</p>
<p>Como aluno, na academia, fui do medíocre ao razoavelmente bom. Tanto durante a graduação como durante o mestrado. Muitas vezes cometi erros infantis, inclusive no que concerne às estratégias para sobreviver naquele ambiente.</p>
<p>Mas houve coisa boa: amizades maravilhosas que firmei, tanto entre colegas como entre professores.</p>
<p>Mas, no geral, minha atuação como aluno e, depois, como professor, ficou longe de ser uma Brastemp.</p>
<p>Por sinal, tentei, há coisa de dois anos, o doutorado para Letras. Não obtive êxito. E a responsabilidade é toda minha, fui incapaz. Aproveito, então, por respeito às normas da SUNAB, e aviso, aos que porventura se ponham a seguir-me, que sou mercadoria avariada e próxima ao final do prazo de validade. Assim, ninguém sentir-se-á enganado. Quem comprar o produto, o fará sabendo das deficiências.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-2-1.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-74191 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-2-1.png" alt="" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-2-1.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-2-1-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-2-1-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-2-1-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-2-1-660x330.png 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a></p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Se tivesse que escolher entre a filosofia e a literatura, qual dentre essas duas você se sente mais atraído?</strong></p>
<p><strong>LÉO MITTARAQUIS</strong> &#8211; Não há distinção em termos de importância, para mim, entre as duas áreas. Literatura e Filosofia dialogam intimamente. São campos de conhecimento simbióticos.</p>
<p>Basta ler um Nietzsche, um Pascal, para perceber a Poesia. E o que dizer do extraordinário Merleau-Ponty? &#8220;A Prosa do Mundo&#8221; é uma das minhas leituras recorrentes.</p>
<p>E ao lermos Musil? Eis nele algo do legado de Arthur Schopenhauer, na minha percepção. E quanto a Hermann Broch? Autor do monumental, &#8220;Os Sonâmbulos&#8221;? Dialogou direta ou indiretamente com Wittgenstein, Karl Kraus e Sigmund Freud — ainda que, em relação a este último, eu vivo às turras, pois, o conceito de &#8220;inconsciente&#8221; é misterioso para mim. Quanto a isto, sou um bocó.</p>
<p>Devo, no entanto, ressaltar que esta é a minha perspectiva. Estou, como sempre, à disposição para receber percepções divergentes.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Como você avalia o conceito de &#8220;Gênio&#8221; segundo o crítico literário Harold Bloom?</strong></p>
<p><strong>LÉO MITTARAQUIS &#8211;</strong> Há uma frase muito antiga, que li aos doze ou treze anos, salvo engano: &#8220;ninguém sabe realmente como a mente de um gênio funciona&#8221;. Pode ser que haja algo de romântico nisso. Mas não deixa de ser interessante para uma reflexão ao final de uma tarde fresca, com uma garrafa de Montrachet.</p>
<p>Harold Bloom está entre os pensadores que ratificam minha condição intelectual. Ao lê-lo, percebo-me tolo, estúpido, estulto e abestado. Ou seja, sou o radical oposto do que seria um gênio. Sei pouco, oh céus, muito pouco. E este pouco não sei bem pra que serve.</p>
<p>Quanto ao conceito mesmo de &#8220;gênio&#8221;, recomendável, antes de tudo, lembrar que o próprio Bloom observa que Bloom confessa que a sua escolha é totalmente arbitrária e que representa uma idiossincrasia.</p>
<p>Sua perspectiva, portanto, é assumidamente particular. Entretanto, quem não se identificaria com a lista bloomiana?</p>
<p>Quem discordaria de alguns dos nomes por ele elencados? Claro, não vamos mistificar, sempre há a possibilidade. Mas creio que não será longa a fila de discordantes.</p>
<p>Fascina-me à larga, parte do conceito que o gênio do momento, para consolidar sua posição, luta para superar, transcender e continuar o trabalho do gênio anterior.</p>
<p>Sou extremamente simpático a essa percepção. E razão literária, esta que adoto, compreende esta dialética: construir um sistema, elaborar uma crítica é, sempre, construir e elaborar contra alguém ou contra outras culturas.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Como você avalia a crítica literária nos dias atuais? Você segue alguma escola? Qual? </strong></p>
<p><strong>LÉO MITTARAQUIS &#8211;</strong> Não posso afirmar que sigo. Apesar de buscar manter-me atualizado até certo ponto. Pois há coisas que não me interessam.</p>
<p>Tenho me valido do materialismo filosófico, a partir da obra de Gustavo Bueno, aplicado à crítica da razão literária. A produção literária como produção cultural, portanto, humana, histórica e socialmente localizada, constituída de autor, obra, leitor e intérprete. E, queiramos ou não, ideologizada. No que concerne a esta condição, a este fenômeno, podemos e devemos também aplicar a lente taxonômica.</p>
<p>Sou também simpático à perspectiva crítica de Alfred Kazin, o qual sempre alertou quanto aos riscos de se ler mal e julgar mal uma obra a partir de conexões totalmente arbitrárias, formuladas num vocabulário crítico mecânico, sem o senso estético pessoal devidamente fundamentado. Kazin faleceu no final do século passado, mas suas observações continuam pertinentes. E comentamos, aqui, nesta entrevista, sobre o pensamento crítico de Bloom, alguém de quem não podemos, de forma alguma, nos esquecer.</p>
<p>Levo em consideração, também, a abordagem crítica e histórica de Paul Fry.</p>
<p>Mas não largo mão das minhas leituras outras: Guilherme Merquior, Augusto Meyer, Afrânio Coutinho, Susan Sontag, I. A. Richards [meu caso perene de amor com a respectiva teoria crítica], Pierre Bourdieu, o grande Almeida Fischer e Davi Arrigucci Jr.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-3-1.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-74190 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-3-1.png" alt="" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-3-1.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-3-1-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-3-1-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-3-1-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-3-1-660x330.png 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a></p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Quais são os seus próximos projetos? </strong></p>
<p><strong>L</strong><strong>ÉO MITTARAQUIS &#8211;</strong> Meu projeto, isto é, minha intenção, é levar adiante este projeto, o Leitura Crítica. A idade provecta previne-me quanto a ir devagar com o andor que o santo é de barro. No mais viver e deixar viver.</p>
<p>Beber bons vinhos, fumar bons fumos, contar com os leais amigos. Continuar a ler e ler, revisitando, sempre, os clássicos. <span class="sigijh_hlt">Dedicar-me à minha Imperatriz Absoluta do Meu Coração, Iara. Devo muito a ela. Sempre a apoiar-me, sempre ao lado.</span></p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Quem dentre os escritores sergipanos você mais aprecia? </strong></p>
<p><strong>LÉO MITTARAQUIS &#8211;</strong> É o tipo de pergunta que só amigos fazem: armadilha sobre a qual saber saltar é necessário e estratégico.</p>
<p>Desde já, ao citar uns e não citar outros, cometerei, ainda que involuntariamente, injustiças. Resta-me contar com a compreensão dos não citados.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Eis então: Célio Nunes, Alberto Carvalho, Renato Mazze Lucas, Jackson da Silva Lima, Antônio Carlos Viana, Petrônio Gomes, Santo Souza, Ronaldson, Jozailto Lima, Marcelo Ribeiro, Wagner Ribeiro, Sílvio Romero, Jeová Santana, Francisco Dantas, Newman Sucupira&#8230; Ufa!</span></p>
<p>Apelo para minha terceira idade e ao prenúncio de senilidade, e rogo indulgência ante o esquecimento doutros.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Conte-nos um pouco sobre sua trajetória de estudos sobre o Ulisses, de James Joyce.</strong></p>
<p><strong>LÉO MITTARAQUIS  &#8211;</strong> Amor antigo, amor sofrido. Com direito ao mútuo mandar às favas: eu ao autor, o autor a mim.</p>
<p>Ulisses foi, é e sempre será um desafio à leitura e, muito mais, à crítica. E sei da minha insuficiência intelectual diante desta obra. Imaginem que até mesmo Carpeaux desistiu de continuar a decifrar a esfinge joyceana. Não por falta de competência. No caso de Carpeaux, foi saco cheio, mesmo.</p>
<p>Penso que, no que me diz respeito, ter lido disciplinadamente o livro, página a página, recorrendo a fontes autorizadas ao encontrar obstáculos, de início, aparentemente intransponíveis, já foi um feito e tanto. Ao concluir a leitura [leitura que se repetiria dali em diante] pela primeira vez, sabia que, a partir daquele instante, passara a fazer parte do segmento que, de fato, lera Ulisses na íntegra.</p>
<p>Não estou a afirmar, com isto, que compreendi muito bem a obra. Mas, creio, não passo vergonha numa conversa sobre Ulisses em torno de algumas garrafas de vinho.</p>
<p>Na minha modesta opinião, vale a pena o esforço.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Nota de falecimento</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/nota-de-falecimento/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rocelito Paulo Pinto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Mar 2023 08:59:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lamentamos informar que faleceu no dia 1º de março de 1923, o senhor Rui Barbosa de Oliveira, jurista, poliglota, político, poeta, escritor, membro fundador da Academia Brasileira de Letras e, sobretudo, brasileiro, desses com “Bê” maiúsculo dos maiores. Lamentamos informar que faleceu no dia 6 de março de 1855, o senhor Manuel da Mota Coqueiro, &#8230;</p>
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<p>Lamentamos informar que faleceu no dia 1º de março de 1923, o senhor Rui Barbosa de Oliveira, jurista, poliglota, político, poeta, escritor, membro fundador da Academia Brasileira de Letras e, sobretudo, brasileiro, desses com “Bê” maiúsculo dos maiores. Lamentamos informar que faleceu no dia 6 de março de 1855, o senhor Manuel da Mota Coqueiro, produtor rural e também brasileiro, mas a este, basta saber que foi um brasileiro, como qualquer um de nós.</p>
<p>Mas por que lamentar? Lamentamos somente por lamentar! Lamentamos porque todos vão morrer um dia, apesar de o senhor Rui ter alcançado a morte lutando pela justiça no Brasil, apesar de o senhor Manuel ter alcançado a morte, enforcado pela falta de justiça no Brasil.</p>
<p>Apesar de morto há 100 anos, o senhor Rui ainda vive, sendo lembrado na frase a ele atribuída “a pior ditadura do mundo é a ditadura do Poder Judiciário, contra ela não há a quem recorrer.” Apesar de morto há mais de 150 anos, o senhor Manuel ainda continua morto, mas tendo sido o último brasileiro a ser executado, inocente e por isso injustamente, sob a pena da Justiça.</p>
<p>Mesmo decorrido tanto tempo, pessoas ainda morrem condenadas injustamente, pela lentidão da justiça ou por uma amplitude de leis que não produzem efeitos justos.</p>
<p>Ainda que o senhor Rui tenha, quando vivo, clamado ao mundo a beleza da justiça pela paridade das armas metafísicas, aquelas que permitem a justiça alicerçar-se na consciência de se pertencer à humanidade, e ainda que tenha demonstrado a injustiça no poder das armas bélicas, o senhor Rui morre hoje pela insensatez de uma humanidade que se posta sob ameaça de guerra nuclear, devastando povos que deveriam ser irmãos, condenando o próprio mundo a uma imprevisível insegurança alimentar.</p>
<p>Mesmo que o senhor Manuel tenha, quando vivo, sucumbido ao laço da forca, sob o peso de uma condenação injusta, autuada em investigação oficial e interesseira, sua inocência amplamente reconhecida tornou o Brasil o primeiro país a abolir, na prática, e em tese, a pena de morte.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Gravura-da-execucao-de-Mota-Coqueiro-Divulgacao.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-64239" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Gravura-da-execucao-de-Mota-Coqueiro-Divulgacao.png" alt="" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Gravura-da-execucao-de-Mota-Coqueiro-Divulgacao.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Gravura-da-execucao-de-Mota-Coqueiro-Divulgacao-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Gravura-da-execucao-de-Mota-Coqueiro-Divulgacao-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Gravura-da-execucao-de-Mota-Coqueiro-Divulgacao-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Gravura-da-execucao-de-Mota-Coqueiro-Divulgacao-660x330.png 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a></p>
<p>A abolir na prática, porque desde o senhor Manuel, nunca mais na história deste país ninguém foi condenado à pena capital de modo público e oficial&#8230; Abolir em tese, porque desde o senhor Manuel, desgraçadamente todos os dias neste país, alguém é condenado à pena de exclusão social, a pior das mortes, porque se mantém o cidadão morto em vida, sem voz, sem culpa ou inocência, e sem direito a ter razão.</p>
<p>Hoje cancelam-se pessoas, redes sociais, reputações, respeito, como se enforca o senhor Manuel&#8230; Hoje criam-se tensões, falácias, imposições, acusações e condenações no cadafalso da hipocrisia, porque ficou mais fácil e maior o poder de enforcar o senhor Manuel.</p>
<p>A sociedade não está mais apta a ouvir a razão humana, porque o ser primitivo grita tão alto em suas concepções, que ficou óbvio rir-se da honra e tornou-se vergonhoso ser honesto&#8230; E mesmo transcorrido 100 anos, o senhor Rui não consegue se dar ao luxo de permanecer morto.</p>
<p>A sociedade não está mais apta a perseguir a verdade, porque a vontade de criticar tornou-se necessária, e o poder de manifestar passou a ter prioridade maior que a arte de escutar, isso num mundo em que todos querem ter razão, não importa qual, não importa sobre o quê&#8230; E mesmo transcorrido mais de 150 anos, o senhor Manuel vive sendo morto, diariamente, por caprichos pessoais, por interesses difusos.</p>
<p>Talvez a sociedade de hoje devesse lamentar a morte do senhor Rui, não por ele morrer, mas por ela conservar, com todo o rigor, a mesma ausência de justiça que o senhor Rui tanto combatera em vida com a sua palavra tão forte e poderosa.</p>
<p>Quiçá a sociedade de hoje devesse lamentar a morte do senhor Manuel, não por ele ser enforcado, mas por ela manter as razões para que se sacrifiquem pessoas, como se o cancelamento fosse justiça.</p>
<p>Transcorrido mais de 150 anos, a humanidade não prosperou sob razões justas, ou pelo menos perfeitamente humanas e, exatamente por isso, não lhe cabe nota de falecimento, pois mesmo ostentando incomensuráveis conquistas tecnológicas ou científicas, ainda não se fez digna de humanamente viver.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>__________</p>
<p>(*)  Militar, filósofo, torcedor da Estrela Solitária, apaixonado pela vida e amante da liberdade, Fluminense por acidente, sergipano por opção.</p>
<style></style><div class="wplp_outside wplp_widget_55014" style="max-width:100%;"><span class="wpcu_block_title">Domingo em desbaste</span><div id="wplp_widget_55014" class="wplp_widget_default wplp_container vertical swiper wplp-swiper default cols3" data-theme="default" data-post="55014" style="" data-max-elts="10" data-per-page="10"><div class="wplp_listposts swiper-wrapper" id="default_55014" style="width: 100%;" ><div class="swiper-slide" style=""><div class="insideframe"><div id="wplp_box_top_55014_100882" class="wpcu-front-box top equalHeightImg" ><div class="wplp-box-item"><a href="https://www.sosergipe.com.br/aprendiz-de-poeta/"  class="thumbnail"><span class="img_cropper" style="margin-right:4px;margin-bottom:4px;margin-left:4px;max-width:100%;"><img decoding="async" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome-2.jpg" style="aspect-ratio:4/3;" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome-2.jpg 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome-2-300x149.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome-2-1024x510.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome-2-768x382.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome-2-660x330.jpg 660w" alt="Aprendiz de poeta" class="wplp_thumb" /></span></a><a href="https://www.sosergipe.com.br/aprendiz-de-poeta/"  class="title">Aprendiz de poeta</a></div></div><div id="wplp_box_left_55014_100882" class="wpcu-front-box left wpcu-custom-position" ><div class="wplp-box-item"></div></div><div id="wplp_box_right_55014_100882" class="wpcu-front-box right wpcu-custom-position" ><div class="wplp-box-item"></div></div><div id="wplp_box_bottom_55014_100882" class="wpcu-front-box bottom " ><div class="wplp-box-item"><span class="custom_fields">
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		<title>Edvaldo Nogueira toma posse como novo presidente da FNP</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/edvaldo-nogueira-toma-posse-como-novo-presidente-da-fnp/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Antônio Carlos Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Apr 2021 15:58:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[Covid-19]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“O ser humano é ele e suas circunstâncias”.  Foi com esta frase do intelectual espanhol José Ortega Y Gasset que o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, iniciou o seu discurso de posse como presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), durante a 79ª Reunião Geral, ocorrida hoje pela manhã, de forma virtual. De acordo com &#8230;</p>
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<p style="text-align: justify;">Edvaldo, que comandará a FNP por dois anos, diz que quando se encontra em momentos cruciais, tende a buscar em alguma filosofia uma frase que lhe dê consistência para enfrentar os desafios. “E foi nesta frase de Ortega Y Gasset que encontrei isso. Estamos vivendo numa pandemia que adoece, mata, deixa sequelas, potencializa a crise econômica. Torna mais grave a intolerância, as pessoas ficam sem saber para onde vão. Exacerbam e potencializam o ódio e o medo. São nessas circunstâncias que estou tomando posse, enfrentando uma pandemia”, destacou.</p>
<p style="text-align: justify;">O novo presidente da FNP ressaltou que a trajetória da instituição, desde os anos 80, tem sido de união. “Que nos unamos. Precisamos da força de cada um de nós. A FNP soube fazer isso de forma brilhante, Donizete”, disse referindo-se a Jonas Donizete que deixava o cargo de presidente da FNP e é também ex-prefeito de Campinas (SP). Para Edvaldo, o município, apesar de ser um ente federado, fica com maior responsabilidade e a menor parte do bolo tributário.</p>
<p style="text-align: justify;">“Vamos olhar para o futuro e espalhar esperança. Temos que ir pensando na retomada do desenvolvimento econômico. A saúde vai precisar de um olhar especial. A pandemia teve ação importante no transporte, gerando uma crise gigantesca neste setor. Temos a necessidade de retomarmos as discussões sobre o Pacto Federativo que não pode continuar como está. São 66% do governo federal, 22% do estadual, 15% a 16% dos municípios. Mais Brasil, menos Brasília”, defendeu.</p>
<p style="text-align: justify;">Edvaldo garantiu que dará o melhor de si como presidente da FNP e ressaltou que a instituição não é partidária. “Somos a favor dos prefeitos e a favor do Brasil. Queremos construir com todos os entes um novo modelo e com os municípios funcionando cada vez mais e melhor”.</p>
<p style="text-align: justify;">“Tenho quatro mandatos de prefeito. Tenho no municipalismo a crença que os municípios serão o centro do desenvolvimento mundial. O século 21 é o século das cidades”, frisou.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim como começou seu discurso citando José Ortega Y Gasset, Edvaldo encerrou com uma frase do primeiro-ministro do Reino Unido, Winston Churchill, em seu discurso de posse em 1940. “Não tenho nada a oferecer senão sangue, trabalho, lágrimas e suor”.</p>
<h3 style="text-align: justify;">Saudado pela OMS</h3>
<p style="text-align: justify;">Além dos prefeitos que saudaram Edvaldo Nogueira, o presidente da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, em um vídeo ressaltou a importância dos prefeitos brasileiros no combate à pandemia da Covid-19, assim como Mariângela Simão, diretora-geral assistente para Acesso a Medicamentos, Vacinas e Produtos Farmacêuticos da OMS.</p>
<p style="text-align: justify;">
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