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	<title>Arquivo para Deus - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
	<lastBuildDate>Sun, 02 Aug 2026 01:30:11 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Antes  que teus olhos contemplassem o mundo: um breve ensaio sobre o Batismo, o ofício do padrinho e uma carta a Celine</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Hernan Centurion]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Aug 2026 09:00:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
		<category><![CDATA[afilhada]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Hernan Centurion Sobral (*) &#160; À minha afilhada Celine Querida Celi, &#160; Recebi anteontem, de teus pais, a notícia mais doce que poderia ter-me sido dada nos últimos tempos: serei teu padrinho de Batismo. Ainda ressoa em mim aquele instante, singelo, breve, despretensioso e, no entanto, repleto de emoção e imenso o bastante &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/antes-que-teus-olhos-contemplassem-o-mundo-um-breve-ensaio-sobre-o-batismo-o-oficio-do-padrinho-e-uma-carta-a-celine/">Antes  que teus olhos contemplassem o mundo: um breve ensaio sobre o Batismo, o ofício do padrinho e uma carta a Celine</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fantes-que-teus-olhos-contemplassem-o-mundo-um-breve-ensaio-sobre-o-batismo-o-oficio-do-padrinho-e-uma-carta-a-celine%2F&amp;linkname=Antes%C2%A0%C2%A0que%20teus%20olhos%20contemplassem%20o%20mundo%3A%20um%20breve%20ensaio%20sobre%20o%20Batismo%2C%20o%20of%C3%ADcio%20do%20padrinho%20e%20uma%20carta%20a%20Celine" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fantes-que-teus-olhos-contemplassem-o-mundo-um-breve-ensaio-sobre-o-batismo-o-oficio-do-padrinho-e-uma-carta-a-celine%2F&amp;linkname=Antes%C2%A0%C2%A0que%20teus%20olhos%20contemplassem%20o%20mundo%3A%20um%20breve%20ensaio%20sobre%20o%20Batismo%2C%20o%20of%C3%ADcio%20do%20padrinho%20e%20uma%20carta%20a%20Celine" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fantes-que-teus-olhos-contemplassem-o-mundo-um-breve-ensaio-sobre-o-batismo-o-oficio-do-padrinho-e-uma-carta-a-celine%2F&amp;linkname=Antes%C2%A0%C2%A0que%20teus%20olhos%20contemplassem%20o%20mundo%3A%20um%20breve%20ensaio%20sobre%20o%20Batismo%2C%20o%20of%C3%ADcio%20do%20padrinho%20e%20uma%20carta%20a%20Celine" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fantes-que-teus-olhos-contemplassem-o-mundo-um-breve-ensaio-sobre-o-batismo-o-oficio-do-padrinho-e-uma-carta-a-celine%2F&amp;linkname=Antes%C2%A0%C2%A0que%20teus%20olhos%20contemplassem%20o%20mundo%3A%20um%20breve%20ensaio%20sobre%20o%20Batismo%2C%20o%20of%C3%ADcio%20do%20padrinho%20e%20uma%20carta%20a%20Celine" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fantes-que-teus-olhos-contemplassem-o-mundo-um-breve-ensaio-sobre-o-batismo-o-oficio-do-padrinho-e-uma-carta-a-celine%2F&#038;title=Antes%C2%A0%C2%A0que%20teus%20olhos%20contemplassem%20o%20mundo%3A%20um%20breve%20ensaio%20sobre%20o%20Batismo%2C%20o%20of%C3%ADcio%20do%20padrinho%20e%20uma%20carta%20a%20Celine" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/antes-que-teus-olhos-contemplassem-o-mundo-um-breve-ensaio-sobre-o-batismo-o-oficio-do-padrinho-e-uma-carta-a-celine/" data-a2a-title="Antes  que teus olhos contemplassem o mundo: um breve ensaio sobre o Batismo, o ofício do padrinho e uma carta a Celine"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Hernan Centurion Sobral (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>À minha afilhada Celine</p>
<p>Querida Celi,</p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">R</span>ecebi anteontem, de teus pais, a notícia mais doce que poderia ter-me sido dada nos últimos tempos: serei teu padrinho de Batismo. Ainda ressoa em mim aquele instante, singelo, breve, despretensioso e, no entanto, repleto de emoção e imenso o bastante para reorganizar, de uma só vez, toda a arquitetura interior de qualquer homem cristão.</p>
<p>Existem acontecimentos cuja verdadeira dimensão somente se revela quando contemplados à distância, pois, enquanto os vivemos “no automático”, parecem apenas mais um entre tantos episódios que compõem a nossa história. Contudo, ao analisarmos com atenção, descobrimos que jamais foram fatos isolados, senão desdobramentos de um projeto infinitamente maior que nós mesmos. A Providência possui beleza e sabedoria, uma vez que não costuma impor-se por intermédio do estardalhaço ou da algazarra dos grandes espetáculos. Ao contrário, prefere o silêncio e a discrição. Aproxima pessoas sem que compreendam a razão dos encontros; amadurece afetos antes mesmo que estes reconheçam a própria intimidade; entrelaça destinos aparentemente independentes e, somente depois de muitos anos, permite-nos perceber que, desde o princípio, nenhuma página daquela história esteve fora de Suas preciosas mãos.</p>
<p>Foi justamente essa convicção que inundou meu ser quando teus pais confiaram-me a sublime missão de ser teu padrinho. Confesso-te que não experimentei apenas a alegria natural de quem recebe um gesto de carinho e confiança. Houve, logo após, um silencioso recolhimento interior, semelhante àquele que experimentamos diante das realidades verdadeiramente sagradas. Há notícias que despertam entusiasmo; outras, entretanto, convidam-nos à contemplação, porque não pertencem apenas ao universo das decisões humanas, mas ao insondável mistério do propósito. Desde aquele instante, compreendi que não me era oferecida apenas uma honra; não obstante, era-me confiada uma responsabilidade que transcende o tempo, alcança a eternidade e somente encontra pleno sentido à luz da fé cristã.</p>
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<p>Sempre que costumeiramente faço quando volto ao meu “eu” e começo a escrever, procurei compreender a origem da palavra que me foi lançada. Vou agora ensinar-te tua primeira lição de Português: o termo <strong><b>padrinho</b></strong>, derivado do latim <em><i>patrinus</i></em>, pai espiritual, jamais designou simples figura meramente protocolar destinada a participar de mais uma celebração familiar. Desde os primórdios da Igreja, indicava aquele que, por intermédio do próprio testemunho, auxiliaria os pais na condução espiritual do filho, não lhe competindo substituir a autoridade paterna, porém partilhando com ela a mais elevada das responsabilidades da nossa existência, ou seja, recordar continuamente a uma alma recém-nascida que sua verdadeira morada jamais será encontrada apenas neste mundo em que ora eu e teus pais habitamos. Não por acaso, a tradição cristã sempre compreendeu que um padrinho não é escolhido para uma cerimônia, todavia é chamado para uma caminhada.</p>

			</div></div>
<p>Essa reflexão conduziu-me, inevitavelmente, ao memorável diálogo entre Cristo e Nicodemos em João 3: 4-8, quando Jesus afirma que ninguém pode entrar no Reino de Deus se não nascer da água e do Espírito. Este evangelho não descreve apenas um rito sacramental, todavia revela uma nova antropologia, isto é, até então, o homem antigo se definia por aquilo que recebia ou herdava de sua linhagem consanguínea, sem jamais escolher seu destino. O apóstolo amado narra que não basta nascer pela carne, é preciso renascer pelo Espírito, revelando, pois, que a identidade mais profunda do homem não repousa naquilo que sua origem lhe impôs, porém no que a graça lhe oferece livremente, tornando filho de Deus aquele que, até então, era apenas filho dos homens, ou seja, um oferece-nos a vida recebida de nossos pais e o outro comunica-nos aquela recebida do próprio Deus. A água que um dia pairou sob o Espírito na criação, que abriu caminho para Israel entre as muralhas do Mar Vermelho, que santificou as margens do Jordão ao tocar a humanidade do próprio Cristo, continua, ainda hoje, a escorrer silenciosamente sobre a fronte de cada criança, não como simples símbolo de purificação, mas sim como sinal visível de uma graça invisível. O Pai Celeste jamais espera o Batismo para amar alguém, uma vez que o Batismo apenas revela ao mundo um Amor que jamais conheceu o princípio.</p>
<p>E por falar de princípio, foi então que minha memória empoeirada regressou no tempo, para muitos anos atrás, quando conheci tua mãe vivenciando a infância que lhe iluminava o olhar e o futuro permanecia inteiramente aberto. Vi-a crescer, amadurecer, descobrir a vocação para a Medicina, construir uma família, fortalecer sua fé e tornar-se uma mulher tão admirável que hoje tenho a alegria de poder chamar de irmã caçula.</p>
<p>Também tua chegada me permitiu compreender, sob nova perspectiva, a amizade construída com teu pai. A Medicina e os projetos profissionais aproximaram-nos, o prazer em viajar fortaleceu nossa convivência e até mesmo nossa obstinada fidelidade ao Vasco da Gama — essa curiosa “escola de perseverança” que tantas vezes ensina mais sobre esperança do que propriamente sobre futebol — tornou a caminhada mais aprazível. Não obstante, olhando retrospectivamente, percebo que nenhuma dessas circunstâncias explica verdadeiramente nossa amizade, posto que eram somente fios de uma tapeçaria, cujo desenho Deus já contemplava muito antes de qualquer um de nós e que, discretamente, no centro dela, estavas tu.</p>
<p>Ainda não contemplamos teu sorriso, não ouvimos tua voz, desconhecemos o brilho dos teus olhos, entretanto tua existência já modificou aqueles que te cercam. Existe um paradoxo encantador nas crianças que repousam no ventre materno, pois, embora absolutamente dependentes, tornam-se capazes de transformar adultos experientes; mesmo ainda incapazes de pronunciar uma palavra, começam a ensiná-los; ainda que não caminhem, já conduzem famílias inteiras para mais perto de Deus. Talvez por isso Cristo tenha colocado uma criança diante de Seus discípulos, quando desejou revelar-lhes a verdadeira grandeza d’alma. Os pequenos infantes recordam aos grandes adultos aquilo que a vida, por vezes, insiste em fazê-los esquecer, ou seja, que toda existência é dom divino, toda esperança nasce da confiança Nele e somente os corações puros e mansos permanecem suficientemente livres para reconhecer Deus quando Ele passa.</p>
<p>Escrevo-te estas palavras sem conhecer a mulher em quem te tornarás. Ignoro quais serão teus sonhos, tuas alegrias, teus receios ou mesmo as cruzes que inevitavelmente visitarão tua jornada. A experiência da Medicina ensinou-me que nenhuma existência humana atravessa o tempo sem feridas; já a fé, contudo, revelou-me algo infinitamente mais consolador: que nenhuma ferida cicatriza e permanece estéril sem ser tratada pelas mãos de Deus. Por isso, não poderia esperar que o Senhor te preserve de todo sofrimento (seria desejar-te uma condição incompatível com a necessidade da natureza humana), mas suplico-Lhe que jamais permita que qualquer dor obscureça, em teu coração, a certeza de que és infinitamente amada. Se um dia essa convicção permanecer inabalável, descobrirás que todas as demais respostas encontrarão, cedo ou tarde, o seu devido sentido.</p>
<p>Talvez esperes, um dia, grandes ensinamentos daquele que hoje te escreve; quem sabe? Os meus 47 anos de vida convenceram-me de que os discursos mais eloquentes dificilmente transformam alguém, mas as atitudes e os exemplos, sim! Por essa razão, eu não consiguirei oferecer-te respostas para todas as perguntas que surgirão ao longo da tua existência, tampouco impedir que experimentes as inevitáveis vicissitudes da condição humana. Prometo permanecer ao teu lado enquanto Deus me conceder esse privilégio, rezar por ti quando já não souberes ou puderes rezar e recordar-te, sempre que necessário, que tua dignidade jamais dependerá daquilo que possuis, da profissão que exercerás ou do reconhecimento que receberes dos homens, não obstante, exclusivamente, do fato de seres filha Daquele que te pensou desde toda a eternidade.</p>
<p>Permite-me, por fim, uma última revelação. Durante muito tempo imaginei que padrinhos fossem escolhidos para conduzir seus afilhados ao encontro de Cristo. Creio que não seja tão bem assim. Quiçá seja Cristo quem coloque uma criança nos braços de um padrinho, para recordar-lhe o caminho de volta até Ele, visto que, enquanto imaginamos ensinar a fé aos pequenos, são eles que restauram, sem perceber, a pureza da nossa própria fé. Ao passo que acreditamos conduzi-los ao Céu, descobrimos que são eles que, silenciosamente, nos conduzem.</p>
<p>Assim, quando um dia a água do Batismo tocar tua fronte e teu nome ecoar pela primeira vez entre as paredes da Igreja, muitos acreditarão assistir, tão somente, ao início de tua vida cristã. Teu padrinho, entretanto, guardará outra certeza: que este sublime momento representará, também, uma revelação de que Deus já caminhava contigo há muito tempo e preparava tua família, teus afetos, teus encontros e até mesmo este velho padrinho – tão desejoso de ter sido pai biológico de uma menina e que hoje escreve estas linhas tortas – muito antes que qualquer um de nós pudesse imaginar tua existência. Se, muitos anos depois, esta carta sobreviver ao tempo e vier repousar novamente nas tuas mãos, desejo que conserves apenas uma única verdade: de que, bem antes que teus olhos contemplassem o mundo, Deus já contemplava teu futuro, muito antes que teu nome fosse pronunciado por teus pais, Ele já o conhecia desde toda a eternidade e, antes mesmo que eu compreendesse a grandeza da missão que me era confiada, o Senhor já escrevia, silenciosamente, esta história que agora apenas tenho o privilégio de narrar.</p>
<p>Destarte, finalizo com a esperança de que um dia possamos conversar ainda mais sobre estas histórias, já não como padrinho e afilhada, mas como dois amigos e peregrinos que, sustentados pela mesma graça recebida nas águas do Batismo, caminham confiantes em direção à Casa do Pai.</p>
<p>Com amor, de teu tio e dindo, Hernán</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O fiel e as mulheres</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/o-fiel-e-as-mulheres/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Jul 2026 12:55:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outras palavras]]></category>
		<category><![CDATA[Abraão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; &#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Sara, Hagar, Rebeca, Lia e Raquel. O que há de comum na história dessas importantes mulheres do Antigo Testamento? Uma promessa. Um Deus amoroso e presente, que por meio de nossas existências não cessa de se revelar desde a criação dos nossos primeiros ancestrais, agindo em &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">S</span>ara, Hagar, Rebeca, Lia e Raquel. O que há de comum na história dessas importantes mulheres do Antigo Testamento? Uma promessa. Um Deus amoroso e presente, que por meio de nossas existências não cessa de se revelar desde a criação dos nossos primeiros ancestrais, agindo em nossa história, ao passo que, também, nos deixa livres para tomarmos as nossas decisões e fazermos as nossas escolhas.</p>
<p>As trajetórias de vida dessas cinco mulheres deixam claro que elas estão longe de serem do tipo sexo frágil. Elas exerceram uma significativa influência nas decisões e ações de homens como Abraão, Isaac e Jacó. E de igual modo, em Esaú, Benjamin e José, o José do Egito, entre outros. Histórias comuns que se interconectam, colaborando não somente para a formação de um povo, como também de uma fé em um Deus único, capaz de mudar os destinos da história, com reflexos imediatos no tempo presente.</p>
<p>Sara e Hagar estão às voltas com a vida de Abraão, o pai da fé, como ficou conhecido. Tendo ouvido a voz de Deus, que lhe deu uma incumbência, partiu para a Terra Prometida, Canaã, a fim de iniciar o processo de afirmação de uma aliança entre o Criador e a criação, rompida com a desobediência de Adão e Eva. Sara, a mulher que não se curvava para ninguém, sequer a um homem, mas apenas para Deus, foi provada até os últimos dias de sua vida, para que nela se cumprisse a promessa que Deus fez a Abraão, gerando um filho em idade avançada: Isaac.</p>
<p>Antes disso, Sara também foi teimosa e impaciente, fazendo a serva egípcia Hagar deitar-se com Abraão e deste relacionamento gerar Ismael. Nesse particular, vemos que Deus respeita as nossas escolhas e atitudes, mas deixa claro que cada um é responsável por suas ações. O compromisso Dele era com Abraão e Sara e, portanto, o filho da promessa não era o primogênito, Ismael, mas Isaac. E disso decorre mais uma contenda entre irmãos, como já havíamos visto com Abel e Caim, embora o desfecho não tenha sido o mesmo.</p>
<p>Rebeca e Isaac tiveram filhos gêmeos. Esaú e Jacó. A julgar pelo direito da primogenitura, Esaú, impulsivo e inconsequente, seria o herdeiro do pai e continuador das promessas de Deus a Abraão (<em>farei seus descendentes tão numerosos quanto as estrelas</em>). Mas, a vontade de Deus era outra e manifestou isto não a Isaac, que preferia Esaú, mas a Rebeca. E esta teve que enfrentar inúmeras dificuldades, incompreensões, para fazer valer a vontade de Deus, que entendia que Jacó fosse mais talhado para a liderança.</p>
<p>Rebeca valeu-se até mesmo da astúcia para cumprir os designíos divinos, na famosa passagem bíblica de Gênesis 27, em que Isaac, cego e doente, abençoa Jacó achando que era Esaú. Episódio que forçou Jacó ao exílio, para as terras de origem dos avós (Sara e Abraão), o lugarejo de Harã (antiga região da Mesopotâmia, atual Síria). Ali, Jacó conheceu duas mulheres de fibra: Lia e Raquel (<em>duas irmãs, um só coração</em>, como costumavam dizer uma para a outra).</p>
<p>Jacó ficará muito tempo dividido entre o amor que Lia lhe tinha e o amor que ele tinha por Raquel. Com ambas, teve nove de seus doze/treze filhos. Com Lia, Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulom e Diná, única fêmea da prole. Com Raquel, José e Benjamim, deste último, ela morreu no parto. Sem falar nas servas Bila (serva de Raquel e mãe de Dã e Naftali), e Zilpa (serva de Lia e mãe Gade de Aser).</p>
<p>Ao contrário de Caim e Abel, em que o primeiro matou o segundo, entre Esaú e Jacó (que depois virou Israel e fundou as doze tribos do povo judeu) e Raquel e Lia, depois de longa e ruidosa contenda, eles se conciliaram amorosamente e fizeram orgulhosos vossos pais e a Deus. Por isso, Ele não se fez de rogado em abençoar a todos eles e a todas elas, sendo-lhes Fiel, apesar de suas infidelidades, inclusive no que diz respeito às relações sexuais poligâmicas, tão comuns naquela época e só regulamentadas com os Dez Mandamentos.</p>
<p>Fato é que, Sara, Hagar, Rebeca, Lia e Raquel devem ser observadas com um olhar mais atento e menos misógino em nosso tempo. Mulheres destemidas e fortes, mas ao mesmo tempo, tementes a Deus, capazes de colaborar, tanto quanto os homens, nos desígnios de Deus para a humanidade, que sempre foram e serão os melhores possíveis, ainda que isto fira e confunda a lógica e a razão humanas.</p>
<p>A representação dessas mulheres fascinantes está presente na mais nova série da Netflix: &#8220;<a href="https://www.netflix.com/br-en/title/82646328" target="_blank" rel="noopener"><span style="color: #008000;"><em>The Faithful</em></span><span style="color: #000000;">&#8220;</span></a> (2026), com destaque para sua sinopse que diz: “<em>Histórias de família, amor, ciúme e poder sob a perspectiva das célebres matriarcas do Livro de Gênesis da Bíblia</em>”. Estrelada por atores e atrizes conceituados, como Alexa Davalos (de Fúria de Titãs, 2010) e Ben Robson (Herói da Liberdade, 2020), a série procura manter a fidelidade com a narrativa bíblica, mas ao mesmo tempo permite fazer uso da licença artística para contar, de forma fascinante, histórias que colaboraram, sobremaneira, para o empoderamento da figura feminina, ainda tão questionado em nosso tempo, passados tantos séculos.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Quando a vida nos tira dos trilhos</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/quando-a-vida-nos-tira-dos-trilhos/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Jul 2026 21:49:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">F</span>oi em uma sexta-feira que minha vida mudou para sempre. 11 de julho de 2003. Acordei diante do lindo mar de João Pessoa, na Paraíba, onde me hospedava. Descortinei a janela e vi a presença de Deus no colorido das águas da praia de Tambaú. Estava na cidade a trabalho. Era perito federal agrário do Incra. Encontrava-me em uma diligência.</p>
<p>Como sempre faço ao acordar, orei a Papai do Céu, agradecendo por tudo de bom em minha vida: saúde, emprego, casa própria, família equilibrada, filhos sadios. O que é essencial para uma vida feliz e confortável.</p>
<p>Estava em João Pessoa havia três meses, longe da esposa e dos filhos. Como era julho, Rodrigo e Frederico estavam de férias escolares.</p>
<p>Programei com Luís Henrique, meu irmão, para levá-los de carro para Fortaleza. Eles saíram cedo de São Luís; eu, de João Pessoa. Nos encontraríamos em um restaurante em Fortaleza, nosso favorito, no final da tarde daquele dia.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Cedo peguei o ônibus de João Pessoa para Natal. De lá tomaria outro até o destino final. Desci em um entroncamento em Parnamirim, próximo a Natal, na esperança de pegar o primeiro ônibus para a capital alencarina.</p>
<p>Começou aí a sucessão de erros. O ônibus para Fortaleza já havia passado. Começou a chover. Não havia abrigo. Na esperança de chegar até o ônibus que perdi, peguei um táxi de linha, desses que entram e saem passageiros. Não rodamos muito, e o táxi quebrou. Descemos. Continuava chovendo. Tomei outro táxi. No banco da frente, ao lado do motorista, estava um senhor com largo chapéu.</p>
<p>Ele desceu no posto de gasolina, onde o motorista reabasteceu o táxi. Na parada, aproveitei para ir para o banco da frente. O motorista me convenceu a voltar para o banco de trás. Obedeci. Proteção divina. Saberia logo em seguida o porquê.</p>
<p>Carro abastecido, pegamos a BR-304, que liga Natal a Mossoró. Já na BR, Juvenal, o motorista, atendeu um telefonema. Tinha urgência em chegar ao destino final.</p>
<p>Chovia muito. Pista escorregadia, Juvenal perdeu o controle do carro. Batida frontal com uma Scania que vinha no sentido contrário.</p>
<p>Com o impacto da batida, o banco do passageiro correu no trilho, esmagando minha perna esquerda. Desmaiei. Acordei no assoalho de uma Pampa, utilitário da Ford, todo ensanguentado. Não sabia da gravidade do acidente. Todos os objetos pessoais foram roubados, inclusive os sapatos.</p>
<p>Atordoado, perguntei: “Isto é um sonho?&#8221;</p>
<p>— Não se mexa, você sofreu um grave acidente, tiramos você agora das ferragens.</p>
<p>— Onde estou?</p>
<p>— Na BR-304, perto de Assu, no Rio Grande do Norte.</p>
<p>Desmaiei novamente, só fui acordar na maca enferrujada de uma ambulância que trepidava muito, a caminho do hospital.</p>

			</div></div>
<p>Conto esta história para mostrar como a vida pode mudar abruptamente, sem que tenhamos nenhum poder sobre ela.</p>
<p>Não tinha noção de como minha vida mudaria para sempre a partir daquele dia.</p>
<p>Naquela noite, dei entrada em um hospital de Natal. O ortopedista que me operou cometeu um erro médico, iniciando minha Via Crucis. Tive osteomielite, infecção óssea. De Natal fui removido para São Luís, depois para São Paulo. Levei longos períodos internado em hospitais, fui submetido a 43 cirurgias. Passei um tempo em cadeira de rodas. Muita fisioterapia e, finalmente, cheguei às muletas, companheiras inseparáveis, com as quais desbravei o mundo.</p>
<p>Nunca saberemos a força que temos até precisar dela. Nunca imaginei que, após tantos percalços, a vida fosse me mostrar uma nova face.</p>
<p>Já são 162 países visitados em todos os continentes do mundo. Para quem não tinha nenhuma perspectiva de voltar a ter uma vida “normal”, hoje só posso agradecer ao bom e maravilhoso DEUS, que não me deixou fraquejar em nenhum momento.</p>
<figure id="attachment_99864" aria-describedby="caption-attachment-99864" style="width: 1179px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-10-at-15.06.41-1.jpeg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-99864 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-10-at-15.06.41-1.jpeg" alt="" width="1179" height="740" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-10-at-15.06.41-1.jpeg 1179w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-10-at-15.06.41-1-300x188.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-10-at-15.06.41-1-1024x643.jpeg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-10-at-15.06.41-1-768x482.jpeg 768w" sizes="(max-width: 1179px) 100vw, 1179px" /></a><figcaption id="caption-attachment-99864" class="wp-caption-text">Luiz Thadeu fazendo o que mais gosta &#8211; viajar</figcaption></figure>
<p>Muito chão pela frente. Muitos sonhos a realizar, muitas coisas a conquistar.</p>
<p>A vida não me cansa, pois, a cada nascer do sol, é tempo de renovação. Tempo de novas experiências, novas conquistas, novas oportunidades, novos aprendizados.</p>
<p>O bacana da vida é agradecer mais do que pedir. Saí com cicatrizes das armadilhas do caminho, mas continuo vivo. Ativo. Que estou superando tristezas que nunca nem consegui expressar. Florecer de novo após tantos desertos.</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Neste 11 de julho completo 23 anos de vida nova. Como homem de fé no DEUS VIVO, só posso dizer: “Obrigado, Senhor, por ter me trazido até aqui”.</p>

			</div></div>
<p>Desculpem-me a intensidade, mas só tenho essa vida e procuro vivê-la intensamente.</p>
<p>Em qualquer circunstância, a vida é mágica, a vida é encantadora, a vida é para ser vivida. Sempre!</p>
<figure id="attachment_99867" aria-describedby="caption-attachment-99867" style="width: 1179px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-10-at-15.06.41.jpeg"><img decoding="async" class="wp-image-99867 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-10-at-15.06.41.jpeg" alt="" width="1179" height="814" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-10-at-15.06.41.jpeg 1179w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-10-at-15.06.41-300x207.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-10-at-15.06.41-1024x707.jpeg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-10-at-15.06.41-768x530.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-10-at-15.06.41-110x75.jpeg 110w" sizes="(max-width: 1179px) 100vw, 1179px" /></a><figcaption id="caption-attachment-99867" class="wp-caption-text">Luiz Thadeu em Auckland, Nova Zelândia — a maior vitória é nunca deixar de viver</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Da depressão à meliponicultura: o recomeço que encontrou nas abelhas um caminho</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/da-depressao-a-meliponicultura-o-recomeco-que-encontrou-nas-abelhas-um-caminho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juliana Melo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Jun 2026 12:55:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
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		<guid isPermaLink="false">https://www.sosergipe.com.br/?p=99132</guid>

					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Juliana Melo (*) &#160; Fé, mel e propósito movem o Meliponário Santa Terezinha, reflexo do avanço da meliponicultura em Sergipe e da união entre empreendedorismo, preservação ambiental e produção de mel &#160; &#160; Assim como as abelhas retiram o néctar para produzir o mel, Adolpho Lima aprendeu, desde 2011, a extrair das situações &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Juliana Melo (*)</p></blockquote>
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<h3>Fé, mel e propósito movem o Meliponário Santa Terezinha, reflexo do avanço da meliponicultura em Sergipe e da união entre empreendedorismo, preservação ambiental e produção de mel</h3>
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<span class="dropcap ">A</span>ssim como as abelhas retiram o néctar para produzir o mel, Adolpho Lima aprendeu, desde 2011, a extrair das situações mais difíceis a matéria-prima para o seu sustento financeiro. Por consequência, o jovem poliniza Aracaju com empreendimentos que levam doçura e sabor aos mais diferentes tipos de consumidores. Do <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.sosergipe.com.br/pandemia-parado-ha-quatro-meses-empresario-do-aloha-drinks-se-reinventa-para-retornar-a-sua-rotina-de-trabalho/" target="_blank" rel="noopener">Aloha Drinks</a></span> à comercialização de enxames e mel, Adolpho encontrou na meliponicultura uma forma de superar a depressão após fechar o seu primeiro empreendimento com ponto fixo devido à pandemia da Covid-19. Buscando apoio na fé, o empreendedor nato iniciou um novo negócio, dando origem ao Meliponário Santa Terezinha, projeto dedicado a homenagear a avó paterna de 90 anos, considerada por Adolpho como a abelha-rainha da sua vida.</p>
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<p>Segundo informações do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Sergipe (<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://senarsergipe.org.br/" target="_blank" rel="noopener">Senar Sergipe</a></span>), o interesse pela criação de abelhas vem ganhando espaço no estado. Atualmente, Sergipe conta com cerca de 200 meliponicultores, número que tende a aumentar, já que a atividade envolve espécies de abelhas sem ferrão, mais mansas e fáceis de criar. Além disso, a prática é vista como hobby, ao mesmo tempo em que se configura como uma alternativa de renda, devido ao alto valor comercial do mel produzido por essas espécies. Ainda de acordo com o Senar, o crescimento da meliponicultura nos últimos anos é estimado em mais de 50%. A instituição também destaca que atualmente Sergipe vive um momento de ascensão da meliponicultura e da apicultura.</p>

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<p>A gerente da Assistência Técnica e Gerencial do Senar Sergipe, Taynã Matos, ressalta a importância da entidade para capacitar e qualificar os interessados em manejar as abelhas sem ferrão, contribuindo para o desenvolvimento profissional e o crescimento do setor em Sergipe. “Hoje, a nossa organização acompanha 205 apicultores e meliponicultores, por meio da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), levando orientação contínua para melhorar a produção, a gestão e a rentabilidade das propriedades. Esse trabalho é complementado pelas capacitações da Formação Profissional Rural, que qualificam os produtores em áreas como manejo, multiplicação de colmeias, beneficiamento e boas práticas de produção”, explica.</p>
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<figure id="attachment_99432" aria-describedby="caption-attachment-99432" style="width: 654px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-11.14.35.jpeg"><img decoding="async" class="wp-image-99432 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-11.14.35.jpeg" alt="Adolpho" width="654" height="849" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-11.14.35.jpeg 654w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-11.14.35-231x300.jpeg 231w" sizes="(max-width: 654px) 100vw, 654px" /></a><figcaption id="caption-attachment-99432" class="wp-caption-text">Após aprender a divisão de colônias no Senar Play, Adolpho coloca o conhecimento em prática para formar novos enxames  Foto: Juliana Melo</figcaption></figure>

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<p>Cadastrado na plataforma <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://ead.senar.org.br/senar-play/busca?gad_source=1&amp;gad_campaignid=23493908346&amp;gbraid=0AAAAAB7MUjfAjkGGiX-O8hrZPDiQFtP_Z&amp;gclid=CjwKCAjwuuPRBhAnEiwA2Ji8ep3YKQpj5UI8r9RitlNk5WBku29mdqO9K8y26MvP8OEb9Mjwc3OAihoCVvoQAvD_BwE" target="_blank" rel="noopener">Senar Play,</a></span> desde 2023 Adolpho é certificado nos cursos de criação e manejo de abelhas sem ferrão e de captura dessas espécies. Segundo ele, o conhecimento adquirido reflete diretamente na qualidade da manutenção das colônias realizada atualmente.</p>
<p>“Pude aprender de forma gratuita sobre a captura responsável de abelhas com iscas e atrativos, além de como construir um meliponário, realizar a multiplicação das colmeias e cuidar do meu enxame. Isso foi extremamente importante na minha formação, porque não adiantava partir para uma atividade sem entender como ela funciona. No Senar Play, tive acesso a apostilas, vídeos, cartilhas e também realizei as avaliações de cada módulo. Sem dúvida, todo esse aprendizado me fez sentir mais seguro e confiante para iniciar meu trabalho com as abelhas seguindo as boas práticas”, conta o empreendedor rural.</p>
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<p>De acordo com a Associação de Meliponicultores e Apicultores de Sergipe (Asmase), na década de 90 a uruçu-nordestina, uma das espécies criadas por Adolpho, esteve próxima da extinção no estado. Contudo, graças ao trabalho dos meliponicultores, a espécie foi preservada. Ainda segundo a associação, hoje Sergipe é responsável por uma produção anual estimada entre uma e duas toneladas de mel de uruçu, uma das principais abelhas representantes da atividade no estado.</p>

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<p>Para o presidente da entidade, Ricardo Thairon, a produtividade das abelhas sem ferrão deve ser analisada de forma proporcional ao tamanho de suas colônias, que são menores do que as das abelhas com ferrão. “Nossa associação reúne 37 produtores de mel, muitos deles com uma produção média de mil quilos por colônia anualmente. As abelhas sem ferrão produzem menos mel em volume absoluto porque possuem colônias menores. Uma colônia forte de uruçu reúne cerca de cinco mil abelhas, enquanto uma colônia de abelhas com ferrão pode chegar a aproximadamente 100 mil operárias. Ainda assim, quando a produção é analisada proporcionalmente ao tamanho das colônias, a uruçu apresenta um desempenho bastante expressivo, sendo uma das espécies mais importantes para a meliponicultura sergipana”, ressalta.</p>
<p>Na percepção de Rogério Alves, engenheiro agrônomo, pesquisador, professor do <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://ifbaiano.edu.br/portal/" target="_blank" rel="noopener">Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano</a></span> e orientador de Adolpho na meliponicultura, o interesse pela criação de abelhas nativas vem crescendo desde a pandemia, período em que algumas pessoas encontraram na atividade uma forma de gerar renda e passaram a desenvolver uma cultura de preservação e valorização das espécies brasileiras. Foi no pós-pandemia que Adolpho ressignificou as incertezas sobre o futuro, buscando informações e iniciando uma trajetória de estudos sobre as abelhas sem ferrão depois de pedir a ajuda de Deus. O atual meliponicultor pontua que o novo projeto vai além de uma atividade financeira, sendo também uma resposta às suas orações e um chamado para colaborar com a conservação da biodiversidade de Sergipe.</p>
<p>“Honestamente, eu não sabia mais o que fazer. Enfrentando a depressão, em um dos meus vários momentos com Deus, pedi direção para entender qual caminho seguir, porque já não tinha forças para continuar. Dias depois, comecei a ver conteúdos sobre abelhas e descobri que um amigo próximo criava algumas espécies. Bastou uma visita à criação dele para entender que aquilo não era coincidência, mas sim a misericórdia de Deus estendendo a mão e dizendo: Vamos, Adolpho. Siga em frente. Daí, comecei a estudar incansavelmente sobre elas. Quanto mais eu entendia sobre as abelhas, mais apaixonado eu ficava pelo assunto”, destaca Adolpho.</p>
<p>Formado em Engenharia de Pesca, o meliponicultor afirma ainda que sempre teve amor pela natureza e que um dos seus objetivos com a formação acadêmica era seguir nessa área, plano que acabou sendo interrompido por alguns contratempos ao longo da vida. “Trabalhar com as abelhas é voltar às minhas raízes e também uma forma de preservar um polinizador extremamente importante para a produção de alimentos e para a qualidade de diversos frutos. Se as pessoas entendessem a importância das abelhas na cadeia alimentar e os benefícios do mel das espécies sem ferrão, que também possui uso medicinal, talvez existisse uma valorização maior das espécies nativas. Fora isso, estar junto delas é algo que me traz força física e emocional”, compartilha o empreendedor.</p>
<h2>Muitas aventuras e uma Abelha-rainha</h2>
<p>Hoje, o Meliponário Santa Terezinha, com sede na Fazenda Juranda, a aproximadamente 34 km de Aracaju, oferece consultoria para a criação de abelhas, caixas com enxames e produtos personalizados. A área de criação está registrada na Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (<span style="color: #003300;"><a style="color: #003300;" href="https://emdagro.se.gov.br/" target="_blank" rel="noopener">Emdagro</a></span>), que hoje conta com cerca de 233 produtores entre apicultores e meliponicultores em seus registros ativos.</p>
<p><strong>Yuri Porto, estudante de Medicina, e Marcelo Fonsêca, empresário e piloto de drone, uniram-se a Adolpho, formando o grupo dos três mosqueteiros do mel,</strong> que trabalham como as próprias abelhas. Cada um tem uma função para a continuidade do projeto: Yuri aplica seus conhecimentos para entender as propriedades medicinais das diferentes floradas, Marcelo ajuda no marketing do meliponário, e Adolpho é a mente por trás das colmeias.</p>
<figure id="attachment_99435" aria-describedby="caption-attachment-99435" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-11.27.43.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-99435 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-11.27.43.jpeg" alt="Os mosqueteiros do mel" width="1280" height="960" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-11.27.43.jpeg 1280w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-11.27.43-300x225.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-11.27.43-1024x768.jpeg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-11.27.43-768x576.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /></a><figcaption id="caption-attachment-99435" class="wp-caption-text">Os três mosqueteiros do mel: Marcelo por trás das câmeras, Yuri no estudo medicinal e criação, e Adolpho na criação e mentoria</figcaption></figure>
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<figure id="attachment_99439" aria-describedby="caption-attachment-99439" style="width: 302px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-11.15.27.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-99439" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-11.15.27-150x150.jpeg" alt="Yuri estuda as propriedades medicinais do melFoto: Jorge Henrique" width="302" height="302" /></a><figcaption id="caption-attachment-99439" class="wp-caption-text">Yuri estuda as propriedades medicinais do mel  Foto: Jorge Henrique</figcaption></figure>
<p>Quem tem a oportunidade de conhecer o espaço se encanta com a beleza, a paz e a doçura presentes no meliponário. Entretanto, quem pensa que o resgate das abelhas e o trabalho realizado por Adolpho são um mar de mel se engana. Adentrando uma mata densa, uma das histórias de aventura do rapaz inclui um tronco de árvore, duas motosserras e quatro homens tentando atravessar o Rio São Francisco em uma canoa no meio da madrugada.</p>
<p>Adolpho relembra um dos episódios mais inusitados vividos durante o resgate de um enxame próximo à fazenda da mãe. Durante uma conversa com um pescador da região, o meliponicultor comentou que criava abelhas e ouviu que, em uma propriedade nas redondezas, um grupo de pessoas pretendia derrubar uma árvore oca para matar um enxame e retirar o mel. O convite veio logo em seguida: “Quer ir pegar elas para criar antes que as matem?”. A resposta foi imediata: “Quero sim, na hora. Vamos lá!”.</p>
<p>A primeira coisa que chamou a atenção do aventureiro das abelhas ao chegar na mata foi uma pele de cobra quase do tamanho dele. “Quando vi aquilo, pensei: vixi Maria, mas continuei. O tronco era extremamente rígido, não conseguíamos serrá-lo, sem falar das muriçocas, que não paravam de atacar a gente. Nessa hora, pensei: meu Deus do céu, que aventura doida é essa? Mas foi extremamente  gratificante fazer esse resgate. Depois de muito sacrifício para levar a parte do tronco que tinha o enxame até a canoa, veio um desafio ainda maior: voltar para a fazenda da minha mãe atravessando o Rio São Francisco, no completo breu, com um tronco maior que eu, três homens e duas serras elétricas dentro de uma canoa”, conta Adolpho, rindo.</p>
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<figure id="attachment_99576" aria-describedby="caption-attachment-99576" style="width: 1088px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-29-at-12.45.39.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-99576 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-29-at-12.45.39.jpeg" alt="canoa com madeira" width="1088" height="1324" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-29-at-12.45.39.jpeg 1088w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-29-at-12.45.39-247x300.jpeg 247w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-29-at-12.45.39-841x1024.jpeg 841w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-29-at-12.45.39-768x935.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 1088px) 100vw, 1088px" /></a><figcaption id="caption-attachment-99576" class="wp-caption-text">Missão impossível? Para quem tem fé, não existe</figcaption></figure>
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<p>Com a alegria de quem sabe viver e ama o que faz, o meliponicultor conta que a canoa não virou, apesar do risco de qualquer mínimo movimento dos corajosos da mata dentro da estrutura ser suficiente para ocasionar isso, acrescido da angústia momentânea  de não enxergar a entrada da fazenda da mãe devido à escuridão da travessia. Além de ser apaixonado pelas abelhas, Adolpho deu um outro sentido às suas novas aventuras no empreendedorismo: dedicar cada vitória conquistada à sua avó Terezinha, a matriarca que sempre esteve com ele.</p>
<p>“Quando me deparei com a missão de escolher um nome para o meliponário, me perguntei quem era a abelha-rainha da minha vida, e a resposta que encontrei, olhando para toda a minha trajetória, foi Terezinha. Amo muito meus pais, mas dedicar esse projeto à minha avó foi consequência da ligação forte que sempre tivemos. Desde pequeno, compartilho minha vida, meus sonhos e minhas conquistas com ela. Me envolver na meliponicultura me ajudou a sentir novamente o sabor da vida e entender que, às vezes, esse gosto também tem um lado amargo. Mas o segredo é desfrutar da parte doce e trazer esse sabor para o centro da vida. Minha avó representa essa doçura para mim, porque sempre levou leveza aos meus momentos mais difíceis”, ressalta o neto.</p>
<figure id="attachment_99487" aria-describedby="caption-attachment-99487" style="width: 1209px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Design-sem-nome-1-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-99487 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Design-sem-nome-1-1.jpg" alt="" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Design-sem-nome-1-1.jpg 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Design-sem-nome-1-1-300x149.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Design-sem-nome-1-1-1024x510.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Design-sem-nome-1-1-768x382.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Design-sem-nome-1-1-660x330.jpg 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a><figcaption id="caption-attachment-99487" class="wp-caption-text">Adolpho e a Abelha-rainha Terezinha, que além da homenagem no meliponário, ganhou um presente muito especial do neto</figcaption></figure>
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<p>Adolpho ainda compartilhou que decidiu pesquisar se a santa que tem o mesmo nome da avó possuía alguma ligação com o mel. Foi então que descobriu a relação de Santa Teresinha com as flores e a semelhança entre a doutrina da “Pequena Via” e o trabalho realizado pelas abelhas, marcado pelo cuidado, esforço e simplicidade na produção do mel, que silenciosamente leva doçura às pessoas. Ao encontrar a referência na internet, o meliponicultor sentiu Deus ainda mais próximo e afirmou, emocionado, que a cada dia tem mais certeza de que está no caminho certo, vivendo o extraordinário de Deus.</p>
<h2>Vai encarar?</h2>
<p><strong><b> </b></strong>Quem pretende empreender com a criação de abelhas sem ferrão tem a oportunidade de ir além da teoria e vivenciar uma imersão cercada pela Mata Atlântica e pela restinga brasileira, a apenas 3 km do Centro do Conde (BA), com o curso do professor-doutor Rogério Alves.</p>
<p>Instrutor de Adolpho na formação em meliponicultura, Rogério também ministra aulas práticas em Sergipe com a caravana Kuapab e oferece mentoria aos meliponicultores por meio de um grupo no WhatsApp, onde constantemente transmite um vasto conhecimento, resultado de mais de 50 anos dedicados ao estudo dessas espécies.</p>
<figure id="attachment_99561" aria-describedby="caption-attachment-99561" style="width: 282px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Design-sem-nome-5.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-99561 " src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Design-sem-nome-5.jpg" alt="Professor Rogério " width="282" height="334" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Design-sem-nome-5.jpg 719w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Design-sem-nome-5-254x300.jpg 254w" sizes="auto, (max-width: 282px) 100vw, 282px" /></a><figcaption id="caption-attachment-99561" class="wp-caption-text">Professor Rogério é proprietário do Meliponário Kuapab, nome também dado à caravana que utiliza para levar seu conhecimento sobre as abelhas nativas</figcaption></figure>
<p>“As abelhas nativas passaram muito tempo sendo estudadas pelas universidades e ficaram restritas ao meio acadêmico. Por isso, muita gente conhece sua biologia, mas ainda existe carência em manejo e produção. Meu trabalho é ajudar a transformar esse conhecimento na prática da criação. Mesmo sendo um animal silvestre, a espécie pode ser manejada de forma produtiva, desde que isso aconteça com respeito à natureza. Diferente de outras criações, a abelha  precisa permanecer integrada ao ambiente natural para sobreviver. Por isso, a meliponicultura precisa ser boa para as abelhas, o meio ambiente, o produtor e o consumidor. Esse é o objetivo do meu curso, mostrar como as pessoas podem ter sucesso nesse ramo”, destaca Rogério.</p>
<p>Para o professor, a condução das abelhas só é bem-sucedida quando o meliponicultor compreende aspectos como alimentação, manejo, genética e clima, destacando que as abelhas são extremamente sensíveis às variações de temperatura e que mudanças de apenas 1 grau podem gerar impactos significativos nas colônias. Rogério também chama atenção para o valor nutricional dos produtos dessas abelhas, como o samburá, que explica ser um pólen fermentado. Segundo ele, esse alimento é rico em nutrientes, sendo uma alternativa natural aos suplementos alimentares.</p>
<p>Ainda de acordo com o professor, o mel dessas espécies passa por um processo natural de fermentação e maturação que contribui para a presença de compostos bioativos. Por isso, o pesquisador destaca que o produto é frequentemente associado ao conceito de alimento nutracêutico. E como saber se o mel é verdadeiro ou falso? Rogério faz questão de salientar que não é possível identificar a autenticidade do mel dessas  abelhas apenas pela aparência ou degustação. Segundo ele, a confirmação da veracidade do produto depende exclusivamente de análises laboratoriais.</p>
<p>Lembra do Ricardo Thairon, presidente da Asmase, citado no início da matéria? Atualmente, ele está junto com o professor Rogério, realizando um trabalho de mapeamento das espécies de abelhas sem ferrão em Sergipe, com o objetivo de elaborar um guia que identifique quantas e quais delas existem no estado, além de indicar em quais municípios estão localizadas. A intenção é apresentar o projeto no <strong>3º Encontro Sergipano de Apicultores e Meliponicultores, que acontece de 3 a 4 de julho, no <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://sergipetec.org.br/" target="_blank" rel="noopener">SergipeTec</a></span>, em Aracaju.</strong></p>
<p>Entendendo os diferentes mecanismos de defesa utilizados pelas abelhas conhecidas como sem ferrão, que na verdade possuem um ferrão atrofiado, e sabendo identificar desde as mais mansas até as mais defensivas, Adolpho, que também presta serviço de mentoria, afirma que as abelhas possuem um valor simbólico por ensinarem lições de comportamento aos que iniciam na meliponicultura. Ele explica que esses animais não gostam de muita interferência humana na produção do mel e que esse comportamento já traz um importante aprendizado.</p>
<p>“Ficar abrindo a caixa da criação é algo ruim, elas precisam do espaço delas. Quando interferimos de forma mais persistente, podemos alterar a temperatura daquele ambiente ou ainda deixar que algum pequeno predador tenha acesso a elas. As abelhas trabalham com excelência sozinhas, mas também precisam do apoio e da ajuda dos seres humanos. Temos que entender o que elas estão precisando para prestar ajuda. Os seres humanos são iguais nisso. Precisamos do nosso espaço, mas também precisamos do apoio e da cooperação uns dos outros. Temos a necessidade de alguém que esteja do nosso lado nos dando apoio”, explica o meliponicultor.</p>
<h2>O sabor do futuro</h2>
<p>Para quem se envolve com a criação de abelhas, um dos assuntos que logo se torna uma preocupação é a conservação das espécies. Edilson Divino foi o fundador do Conselho Estadual de Apicultura e Meliponicultura de Sergipe, onde atualmente é membro titular, representando a Universidade Federal de Sergipe (<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.ufs.br/" target="_blank" rel="noopener">UFS</a></span>). Edilson, que também pesquisa abelhas há mais de 30 anos, é professor de Genética e Evolução da UFS e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação da universidade.</p>
<figure id="attachment_99560" aria-describedby="caption-attachment-99560" style="width: 381px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Design-sem-nome-4-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-99560 " src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Design-sem-nome-4-1.jpg" alt="Edilson Divino" width="381" height="292" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Design-sem-nome-4-1.jpg 600w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Design-sem-nome-4-1-300x230.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 381px) 100vw, 381px" /></a><figcaption id="caption-attachment-99560" class="wp-caption-text">Para Edilson, a falta de valorização e a perda de habitats são grandes desafios para as abelhas nativas</figcaption></figure>
<p>Divino avalia algumas ameaças enfrentadas atualmente pelas abelhas nativas. “Um dos grandes problemas é o fato de elas ainda serem pouco conhecidas pela população em geral. Em função disso, há uma desvalorização dessas espécies. Outro ponto que merece atenção é a perda de habitats. Regiões que antes eram ocupadas pela caatinga, por exemplo, estão sendo transformadas em lavouras de milho. O mesmo ocorre em áreas de Mata Atlântica. Dessa forma, as abelhas passam a viver em ambientes cada vez mais fragmentados. Como são muito sensíveis à fragmentação dos habitats, elas podem entrar rapidamente em endogamia, tornando-se mais vulneráveis e podendo até desaparecer desses ambientes.”</p>
<p>O coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação também aborda a importância da meliponicultura para a conservação das espécies, chamando a atenção para uma atitude inadequada de alguns profissionais da área.</p>
<p><strong>“A meliponicultura é boa no sentido da conservação ex situ (fora do habitat natural) das espécies</strong>. O meliponicultor pode ser a pessoa que multiplica, e essa multiplicação faz com que novas colônias surjam ao redor daquela região. Desse ponto de vista, é excelente, além de ser um meio de vida. Sem falar que, quando alguém cria abelhas, acaba adotando o meio ambiente também, porque é disso que elas precisam, e você passa a entender essa importância. O lado ruim são alguns meliponicultores que acham que sabem de tudo e querem fazer uma coleção de abelhas, trazendo abelhas de outros biomas para a região onde estão. É imprevisível o que pode acontecer em termos de doenças e de concorrência dessas espécies com outras que sejam nativas”, alerta.</p>
<p>Adolpho afirma que atualmente seu principal objetivo é preservar a espécie e ampliar sua reprodução  para levar o consumo do mel dessas abelhas a um número cada vez maior de pessoas. Considerado uma iguaria por muitos apreciadores, o produto ganha cada vez mais espaço na gastronomia e também pode ser apreciado no preparo das bebidas do Aloha Drinks, empresa do meliponicultor que atualmente atua em eventos particulares.</p>
<figure id="attachment_99540" aria-describedby="caption-attachment-99540" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-11.18.26.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-99540 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-11.18.26.jpeg" alt="Mel" width="1024" height="1024" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-11.18.26.jpeg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-11.18.26-300x300.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-11.18.26-150x150.jpeg 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-11.18.26-768x768.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption id="caption-attachment-99540" class="wp-caption-text">Gostos cítricos, doces e diferenciados. O mel da abelha sem ferrão é extremamente saboroso</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>“Eu sempre quis levar um produto de qualidade para as pessoas. Nos drinks que faço, algo que também estudei muito ao longo dos anos, trabalho com diversos sabores e sempre utilizo frutas selecionadas. Para os clientes que já conhecem os méis que produzo e desejam aplicá-los nas bebidas, nós fazemos essa combinação. O sabor fica incrível, porque, dependendo da florada, é surpreendente a diversidade de toques cítricos ou doces que podem ser encontrados”, explica o meliponicultor, que também é mixologista.</p>
<p>Além da venda de produtos naturais, o propósito do meliponário também é valorizar as abelhas nativas, que ensinam até hoje Adolpho a viver. Além disso, o empresário finaliza salientando que, há mais de um ano, o Santa Terezinha leva mais do que sabor, sendo um empreendimento que busca fortalecer a fé e mostrar que a amizade com Deus é a doçura mais verdadeira da vida.</p>
<p>“Eu acredito que as abelhas me ajudaram a vencer a depressão, mas, se não fosse Deus, eu nunca chegaria até elas. Eu não tenho dúvidas de que esse projeto foi algo que Deus me confiou e sou extremamente grato por isso, assim como sou grato ao Yuri e ao Marcelo, que estão juntos comigo nessa caminhada. Antes de ser nosso, esse meliponário é Dele”, disse, referindo-se a Deus.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Solstício, os dois São Joões e a vitória da Luz</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/solsticio-os-dois-sao-jooes-e-a-vitoria-da-luz/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Hernan Centurion]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jun 2026 09:00:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Hernan Centurion (*) &#160; Todos os anos, quando o mês de junho se aproxima do fim, a natureza parece convidar-nos, discretamente, à contemplação e a tradição cultural aos festejos juninos. Enquanto seguimos absorvidos pelas exigências da rotina, um fenômeno extraordinário acontece sobre nossas cabeças, repetindo-se com absoluta precisão desde que Deus ordenou o &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Hernan Centurion (*)</p></blockquote>
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<span class="dropcap ">T</span>odos os anos, quando o mês de junho se aproxima do fim, a natureza parece convidar-nos, discretamente, à contemplação e a tradição cultural aos festejos juninos. Enquanto seguimos absorvidos pelas exigências da rotina, um fenômeno extraordinário acontece sobre nossas cabeças, repetindo-se com absoluta precisão desde que Deus ordenou o universo, <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://brasilescola.uol.com.br/geografia/solsticio-de-inverno.htm" target="_blank" rel="noopener">o solstício</a></span>. Poucos o percebem, menos ainda refletem sobre ele, entretanto, quanto mais procuro compreender seus significados, mais me convenço de que a criação também é uma forma de revelação.</p>
<p>Na astronomia, o solstício corresponde ao momento em que o sol atinge sua maior declinação em relação à linha imaginária do Equador. A própria origem da palavra, derivada do latim <em><i>sol sistere</i></em>, “sol imóvel”, faz referência à impressão de que o astro interrompe, por um breve instante, seu deslocamento aparente antes de iniciar lentamente o caminho inverso. Esse movimento acontece duas vezes por ano, em junho e dezembro, marcando o início do inverno e do verão em cada hemisfério e compondo, juntamente com os equinócios, o admirável ciclo das estações. Hoje sabemos que essa alternância decorre da inclinação do eixo terrestre durante sua órbita ao redor do sol, e não da distância entre ambos, como outrora se imaginava. Ainda assim, muito antes de a ciência oferecer essa explicação, o homem já intuía que ali existia uma linguagem que se reporta à espiritualidade.</p>
<p>No Hemisfério Sul, o solstício de junho inaugura o inverno e assinala a noite mais longa do ano. Poderíamos imaginar que as trevas finalmente triunfaram. O curioso, porém, é que ocorre exatamente o contrário. É justamente a partir desse instante que a luz inicia sua lenta reconquista. Os dias começam a crescer quase imperceptivelmente, alguns segundos de cada vez, num movimento tão discreto que somente o tempo é capaz de revelar sua grandeza. A criação parece recordar-nos que Deus raramente age com estrondo. Quase sempre prefere a delicadeza do silêncio. A esperança costuma nascer quando ainda acreditamos estar cercados pela escuridão.</p>
<p>Talvez por isso praticamente todas as grandes civilizações da Antiguidade tenham celebrado o solstício como um acontecimento sagrado. Persas, egípcios, gregos e romanos enxergavam naquele renascimento da luz um símbolo da vitória da vida sobre a morte, da ordem sobre o caos e da esperança sobre o desalento. Mitra, venerado pelos persas, e posteriormente o <em><i>Sol Invictus</i></em> romano, representavam justamente esse sol que jamais se deixava vencer pelas trevas. Ainda que desconhecessem as explicações astronômicas, percebiam, intuitivamente, que o universo obedecia a uma ordem muito superior à simples sucessão dos dias.</p>
<p>Quando o <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Cristianismo" target="_blank" rel="noopener">Cristianismo</a></span> se difundiu pelo mundo antigo, não rejeitou esse simbolismo, contudo, conferiu-lhe plenitude. A luz que retornava a cada inverno deixava de representar apenas um ciclo da natureza para anunciar Aquele que o Evangelho proclamaria como “a verdadeira Luz que ilumina todo homem” (João 1:9). Afinal, o Deus que estabeleceu o movimento dos astros é o mesmo que conduz, com igual perfeição, a história da salvação da humanidade.</p>
<p>Não considero mera coincidência, portanto, que as celebrações dos dois São Joões estejam tão próximas dos solstícios. Existe, a meu ver, uma admirável harmonia entre o ritmo da natureza e o calendário litúrgico da Igreja, como se ambos narrassem, sob perspectivas diferentes, a mesma história da relação entre Deus e o ser humano.</p>
<figure id="attachment_99537" aria-describedby="caption-attachment-99537" style="width: 1402px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/sao-joao-batista-e-joao-evangelista.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-99537 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/sao-joao-batista-e-joao-evangelista.png" alt="São João Batista e São João Evangelista" width="1402" height="1122" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/sao-joao-batista-e-joao-evangelista.png 1402w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/sao-joao-batista-e-joao-evangelista-300x240.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/sao-joao-batista-e-joao-evangelista-1024x819.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/sao-joao-batista-e-joao-evangelista-768x615.png 768w" sizes="auto, (max-width: 1402px) 100vw, 1402px" /></a><figcaption id="caption-attachment-99537" class="wp-caption-text">São João Batista e São João Evangelista</figcaption></figure>
<p>São João Batista ocupa um lugar absolutamente singular nesse enredo. Filho de Zacarias e Isabel, santificado ainda no ventre materno ao estremecer diante da presença do Menino Jesus trazido no ventre por Maria, ele encerra o tempo dos profetas e abre as portas da Nova Aliança. Sua vida inteira resume-se numa única missão: preparar os caminhos, vivendo no deserto, desapega-se do supérfluo, conclama os homens à conversão e batiza nas águas do Jordão como sinal de purificação interior. Entretanto, sua maior grandeza talvez esteja justamente no fato de jamais desejar ocupar o lugar daquele que anunciava. Ao reconhecer Jesus, aponta para Ele e pronuncia uma das mais belas profissões de humildade de toda a Escritura: “Convém que Ele cresça e eu diminua.”</p>
<p>Há uma delicada sintonia entre essa passagem e o próprio solstício. Enquanto os dias começam lentamente a crescer, João compreende que sua missão se aproxima do fim. Assim como a noite cede lugar à luz, o precursor retira-se para que Cristo apareça. Não há tristeza nesse aparente desaparecimento, mas sim plenitude, pois João ensina que toda verdadeira vocação alcança seu ápice quando deixa de conduzir os homens para si e passa a conduzi-los para Deus.</p>
<p>Já São João Evangelista, filho de Zebedeu e Salomé, irmão de Tiago Maior, representa o movimento complementar. Se Batista prepara o encontro, Evangelista ensina a permanecer nele. É o discípulo amado, aquele que reclina a cabeça sobre o peito de Jesus durante a Última Ceia, permanece firme aos pés da Cruz quando quase todos fogem e recebe do próprio Mestre a missão de acolher Maria como mãe. Seu Evangelho distingue-se dos demais porque não começa pela história, mas pela eternidade: <strong><b>“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”</b></strong> Antes do nascimento em Belém, antes de Abraão, antes da própria criação, João contempla o Cristo eterno. Se Batista aponta para a Luz, Evangelista revela quem é essa Luz.</p>
<p>Talvez por isso a tradição maçônica tenha acolhido ambos como patronos simbólicos de suas lojas. Herdando das antigas corporações de ofício a celebração dos solstícios, encontrou nos dois São Joões uma extraordinária síntese da caminhada iniciática. Primeiro é necessário preparar o coração, vencer as paixões, reconhecer as próprias limitações e permitir que o orgulho diminua, como ensina João Batista. Em seguida, torna-se indispensável permanecer junto à Verdadeira Luz, aprofundando a sabedoria, fortalecendo a fraternidade e aprendendo a contemplar, como descreve João Evangelista. Neste sentido toda verdadeira iniciação deve percorrer esse mesmo itinerário.</p>
<p>Enquanto escrevia estas linhas, ocorreu-me que todos nós experimentamos sucessivos solstícios ao longo da vida. Existem períodos em que a alma atravessa seus próprios invernos, marcados pelas perdas, pelas enfermidades, pelas dúvidas, pelas decepções e pelos inevitáveis desertos da existência. Nessas ocasiões, somos levados a acreditar que a noite será permanente e fria. Entretanto, basta voltarmos os olhos para a própria criação para, então, compreendermos que Deus nunca interrompe Seus ciclos, ainda que quase imperceptivelmente, a luz continua crescendo.</p>
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<p>Destarte seja essa a maior catequese que o céu nos oferece a cada mês de junho, posto que o fenômeno do solstício deixa de ser apenas um evento astronômico para tornar-se um permanente convite à esperança. Ensina-nos que nenhum inverno é eterno, que nenhuma sombra consegue aprisionar definitivamente o amanhecer e que a graça de Deus costuma agir exatamente como a luz após a noite mais longa: silenciosamente, sem precipitação, porém de maneira irresistível.</p>

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<p>Auguro que a claridade, a partir deste dia, volte lentamente a expandir-se sobre a Terra e encontre também espaço em nosso templo interior, dissipando a ignorância pela ação da sabedoria, a intolerância pela caridade e fraternidade, a inquietação pela confiança e o orgulho pela humildade e perdão. Inspirados por São João Batista, aprendamos a diminuir para que Cristo cresça em nós; inspirados por São João Evangelista, permaneçamos juntos à Verdadeira Luz até que ela ilumine plenamente nossa mente e nosso coração.</p>
<p>Porque, ao final de tudo, talvez o mais importante dos solstícios não aconteça no firmamento, mas no instante em que Deus, discretamente, faz nascer um novo amanhecer dentro da alma humana.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Entre a fé e o amor: a jornada que transforma vidas</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/entre-a-fe-e-o-amor-a-jornada-que-transforma-vidas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Hernan Centurion]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Jun 2026 09:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Hernan Centurion (*) &#160; Há momentos na vida em que o céu parece tocar a terra, não porque Deus se torne mais presente do que já é, mas porque, por alguns instantes, conseguimos afastar o excesso de ruídos que nos cercam e permitir que Sua voz encontre espaço para ecoar no silêncio da &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Hernan Centurion (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">H</span>á momentos na vida em que o céu parece tocar a terra, não porque Deus se torne mais presente do que já é, mas porque, por alguns instantes, conseguimos afastar o excesso de ruídos que nos cercam e permitir que Sua voz encontre espaço para ecoar no silêncio da alma.</p>
<p>Vivemos tempos tumultuados por agendas cheias, redes sociais, metas incessantes e preocupações que se acumulam umas sobre as outras como ondas que não cessam de chegar à praia. Corremos para cumprir compromissos, resolver problemas, alcançar resultados e corresponder às expectativas de um mundo que nos cobra produtividade constante e sucesso desmedido, enquanto, muitas vezes, deixamos para depois aquilo que verdadeiramente sustenta a existência humana: a vida espiritual. E talvez seja exatamente por isso que tantas pessoas, mesmo cercadas por conforto, conquistas e reconhecimento, ainda carreguem dentro de si uma sensação de incompletude que nem sempre conseguem explicar.</p>
<p>A tradição cristã sempre compreendeu algo que o homem moderno frequentemente esquece: de que fomos criados para algo maior do que nós mesmos e que transpõe a nossa fugaz existência na Terra. Existe em cada coração humano uma sede de infinito que não pode ser plenamente saciada por bens materiais, status social ou realizações profissionais. Santo Agostinho já havia percebido essa verdade há muitos séculos, quando escreveu que nosso coração permanece inquieto enquanto não repousa em Deus e é justamente nesse conforto da alma que encontramos a forma mais elevada de felicidade, aquela que não depende das circunstâncias externas, não obstante, emerge da certeza íntima de estarmos caminhando corretamente em direção à “Luz, que alumia todo homem que vem a este mundo&#8221; (João, 1-9).</p>
<p>Ao longo desta jornada terrena, somos, então, chamados a percorrer muitos caminhos, alguns são concretos, feitos de estradas, trilhas e quilômetros percorridos com os próprios pés, já outros, invisíveis, desenhados no interior da essência, exigindo coragem para atravessar desertos emocionais, superar limitações e encontrar significados mais profundos para a existência. Aprendi, durante minha peregrinação pelo Caminho de Santiago de Compostela, que toda jornada exterior é, na verdade, uma metáfora de uma viagem interior e que, a cada passo, deixamos algo para trás; a cada subida, somos confrontados com nossas fragilidades e, a cada horizonte alcançado, percebemos que a verdadeira transformação não acontece na paisagem que nos cerca, todavia, dentro de nós mesmos.</p>
<figure id="attachment_99301" aria-describedby="caption-attachment-99301" style="width: 957px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Captura-de-tela-2026-06-13-114202.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-99301 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Captura-de-tela-2026-06-13-114202.png" alt="Casal Hernan e Aline" width="957" height="762" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Captura-de-tela-2026-06-13-114202.png 957w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Captura-de-tela-2026-06-13-114202-300x239.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Captura-de-tela-2026-06-13-114202-768x612.png 768w" sizes="auto, (max-width: 957px) 100vw, 957px" /></a><figcaption id="caption-attachment-99301" class="wp-caption-text">Hernan e Aline: conexão com o espiritual</figcaption></figure>
<p>Talvez por isso as experiências espirituais mais marcantes tenham algo em comum com as grandes peregrinações. Ambas nos retiram temporariamente da rotina, nos afastam das distrações habituais e nos convidam a enxergar a vida sob uma perspectiva diferente, lembrando-nos de que o importante não é tão somente chegar ao destino, contudo sermos transformados e evoluirmos durante o percurso.</p>
<p>Nesse contexto, a Igreja Católica continua exercendo um papel ímpar e insubstituível. Ao longo de mais de dois mil anos, ela tem preservado não apenas uma firme doutrina, mas uma experiência viva de encontro com Cristo, oferecendo ao homem caminhos de oração, comunhão, serviço e pura transcendência. Ao mesmo tempo, protege e valoriza aquela que continua sendo a célula fundamental da sociedade, a família, na qual aprendemos a amar antes mesmo de compreender o significado do amor, experimentamos os primeiros gestos de cuidado, de renúncia, de perdão e de pertencimento e onde a fé encontra terreno fértil para florescer perenemente, atravessando gerações.</p>
<p>Nesse contexto, estou convicto de que tenha vivido, ao lado de Aline, um dos finais de semana mais significativos e extraordinários dos últimos tempos em nossas vidas. Participamos de um encontro — a priori despretensioso — promovido pelos Campistas de Assis, movimento católico que nasceu em Presidente Prudente com a missão de evangelizar e fortalecer matrimônios e famílias por meio da convivência fraterna, da oração e da experiência comunitária, muito provavelmente inspirado na espiritualidade de São Francisco de Assis. O movimento convida homens e mulheres a redescobrirem a simplicidade e pureza do amor, a beleza da entrega e a presença concreta de Deus no cotidiano da vida individual e conjugal.</p>
<p>Nosso caminho, entretanto, já vinha sendo trilhado nos bancos da Capela São Lucas e enriquecido pelas Equipes de Nossa Senhora, movimento fundado pelo Padre Henri Caffarel, na França, em 1939, e que hoje reúne milhares de casais ao redor do mundo em torno de um mesmo propósito, isto é, buscar a santidade dentro do próprio matrimônio. Há poucos meses, fazemos parte dessa bela espiritualidade, aprendendo que o casamento não é apenas uma convivência entre duas pessoas, entretanto uma verdadeira vocação, um caminho de crescimento mútuo em comunidade e uma peregrinação compartilhada em direção a Deus.</p>
<p>Ainda assim, por mais que caminhemos, entre desvios e quedas, Deus sempre encontra maneiras de nos surpreender. E como fomos surpreendidos! Durante aqueles três dias, cercados por dezenas de casais que carregavam histórias, desafios, alegrias e cicatrizes semelhantes às nossas, fomos convidados a retirar as máscaras que normalmente utilizamos no cotidiano e a nos apresentar diante do Pai e de todos os irmãos ali presentes exatamente como somos, pecadores, frágeis, imperfeitos e necessitados de Sua graça.</p>
<p>Naquele lugar sagrado, na pacata cidade de Malhador, vivenciamos muitos instantes de oração intensa, de meditação em silêncio, de partilha edificante, momentos em que a presença de Nossa Senhora parecia envolver cada ambiente com uma ternura maternal difícil de traduzir em meras palavras. Houve também experiências em que o Espírito Santo parecia incendiar os corações com sua força renovadora, reacendendo a chama da fé e devolvendo sentido a muitos questionamentos que permaneciam adormecidos dentro de nós. Bem ali, em meio à natureza, olhando para minha própria história, esposa, família e para tudo aquilo que Deus havia construído ao longo dos anos, senti-me profundamente pequeno diante do Amor e, ao mesmo tempo, imensamente agraciado por Ele.</p>
<p>Nem sempre é confortável olhar para dentro, uma vez que também fui conduzido a um reencontro comigo mesmo, quando por vezes nos ocupamos com os defeitos alheios, poupando-nos do medo de encarar nossas próprias limitações. Somos todos, pois, obras inacabadas, pedras ainda em desbaste, constantemente trabalhadas pelas mãos amorosas e misericordiosas do Criador.</p>
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<p>Curiosamente, essa percepção me remeteu novamente ao Caminho de Santiago de Compostela. Recordei-me de que os peregrinos não carregam apenas mochilas, mas sim culpas, arrependimentos, sonhos interrompidos, medos silenciosos e perguntas sem respostas. Com o passar dos quilômetros, porém, compreendem que a verdadeira bagagem que precisa ser deixada para trás não é aquela que pesa sobre os ombros, mas aquela que pesa sobre a alma. Talvez por isso a experiência vivida naquele encontro tenha produzido algo semelhante, sem, contudo, montanhas a escalar nem longas jornadas a pé, mas sim uma travessia interior igualmente profunda e impactante.</p>

			</div></div>
<p>Pude perceber ainda, com mais clareza, que a santidade não está reservada aos grandes heróis da fé ou aos personagens extraordinários da história cristã. Ela se manifesta também nos gestos simples, no pedido sincero de perdão, na lágrima de arrependimento que escorre sobre a face vultuosa, na voz que embarga na garganta seca, na escuta atenta do cônjuge, no abraço apertado oferecido no momento certo, em ouvir cansado: &#8220;volta&#8221; e na capacidade de recomeçar quantas vezes forem necessárias.</p>
<p>Infelizmente, estamos vivendo tempos em que muitos casamentos se perdem não por falta de amor, mas por falta de propósito, em que casais dividem o mesmo teto, porém já não compartilham os mesmos sonhos e princípios. Famílias permanecem fisicamente próximas, mas espiritualmente distantes. Por isso mesmo é que movimentos como os Campistas de Assis, as Equipes de Nossa Senhora e tantas outras iniciativas autênticas da Igreja são tão valiosos, pois nos recordam que o matrimônio não é somente uma união entre dois seres humanos, contudo, é também uma experiência espiritual que precisa ser cultivada, protegida e constantemente alimentada pela graça divina.</p>
<p>Ao final daquele encontro, enquanto observava tudo o que havia vivido, compreendi que a vida talvez seja uma sucessão de peregrinações. Algumas percorremos pelas estradas do mundo; já outras, pelos caminhos invisíveis do coração, e , em ambas, o destino final importa menos do que a transformação produzida ao longo da jornada. E foi exatamente isso que aconteceu, quando me dei conta da beleza daquele instante, da presença amorosa de Deus em nossa história, da caminhada construída ao lado de Aline, da bênção que são Henrique e Osório, dos amigos que conhecemos e reencontramos, das fragilidades reconhecidas e da esperança que renascia dentro de nós, percebi limpidamente que existiam sentimentos grandes demais para serem contidos por palavras. Como um peregrino que, depois de longa caminhada, finalmente alcança um ponto elevado e contempla toda a estrada percorrida, pude enxergar com mais nitidez o quanto fui conduzido pela graça, mesmo nos momentos em que julgava caminhar sozinho. Vi os desvios que me ensinaram, as quedas que me<br />
fortaleceram, as pessoas que Deus colocou em meu caminho e os inúmeros sinais de amor que, por vezes, passaram despercebidos pela correria da vida. Então, compreendi que algumas experiências não chegam para nos ensinar algo novo, mas para nos recordar aquilo que, no fundo, sempre soubemos: que Deus permanece presente, que a família continua sendo nosso maior patrimônio e que amar é, talvez, a mais sublime das  vocações humanas.</p>
<p>Retorno mais uma vez para casa diferente, não porque tenha encontrado respostas definitivas para todos os desafios da vida, mas porque redescobri algo ainda mais importante: a confiança de que Deus continua conduzindo cada passo do caminho, mesmo quando não conseguimos compreender plenamente Seus desígnios.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Sou ser de travessia, sou giramundo</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/sou-ser-de-travessia-sou-giramundo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Só Sergipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Jun 2026 13:59:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
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		<category><![CDATA[Deus]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes (*) &#160; De volta ao Brasil após dez dias de férias. Viajei pelos Estados Unidos. Desembarquei em Guarulhos, SP, o maior aeroporto da América Latina. Madrugada fria e chuvosa, o termômetro acusava 11 graus. Sou nordestino que gosta de frio. O frenesi do aeroporto mostra a movimentação de pessoas chegando &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>De volta ao Brasil após dez dias de férias. Viajei pelos Estados Unidos. Desembarquei em Guarulhos, SP, o maior aeroporto da América Latina. Madrugada fria e chuvosa, o termômetro acusava 11 graus. Sou nordestino que gosta de frio. O frenesi do aeroporto mostra a movimentação de pessoas chegando e partindo. Somos seres de travessia. Vamos e viemos de todas as partes. Gosto da liberdade de andar pelo mundo, conhecendo lugares, descobrindo sabores, odores e, principalmente, pessoas.</p>
<p>A jornalista Sandra Coutinho, sediada em Nova York, ao escrever o prefácio do meu livro “Das muletas fiz asas” chamou-me carinhosamente de Luiz giramundo. Gostei. Gosto de andar pelo mundo. Sou frasista. Uma de minhas frases preferidas: “Terra, aproveite enquanto está em cima dela”. Vim ao mundo uma vez, e essa única vez é suficiente para usufruir do que existe de melhor, entre isso, viajar.</p>
<div class="box warning  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Sempre me perguntam: “Por que andas tanto pelo mundo?” Após anos com respostas vagas, respondo, hoje: “É promessa, pedi ao bom e maravilhoso DEUS para visitar todos os países da Terra”. Já são 162 países visitados. Meu DEUS tem me abençoado, permitido cumprir a promessa. Oxalá eu possa pisar, com minhas inseparáveis muletas, em todos os 194 países, segundo a classificação da ONU.</p>

			</div></div>
<p>Os dez dias que estive na América do Norte foram suficientes para conhecer pessoas interessantes, que só conheci por que me dispus a cruzar a soleira de casa e me aventurar por esse enorme mundão de meu DEUS.<br />
Pessoas que são verdadeiras enciclopédias de vidas, tamanha riqueza de trajetória.</p>
<p>No hotel onde me hospedei em Seattle, no café da manhã, conheci Luís Mariano Fernandez, espanhol, jornalista e psicólogo, residente entre as cidades de San Diego, Califórnia e Tijuana, México. Entabulamos conversa rápida e, logo, perguntou-me se seria possível uma entrevista para seu canal no YouTube e nos jornais em que trabalha. Em quinze minutos de conversas, discorri sobre viagens, visão de mundo, atualidade. Nossa conversa abordou atemporais e universais.</p>
<blockquote><p>Somos dois Luízes, dois jornalistas, dois entusiastas das boas coisas do mundo. Luís Mariano, como psicólogo, faz um trabalho com pessoas que têm problemas mentais pós-pandemia. Tem o olhar voltado para ajudar pessoas. “Harmoso”, como dizem os espanhóis.</p></blockquote>
<p>Também no hotel em Seattle, no final da noite, conheci o casal Sérgio Navarro e Victoria Crespo. Espanhóis, maestros, residem em Chicago há dois anos e gostam de viajar. No jantar, regado a várias taças de vinho californiano, conversamos sobre viagens, vida, arte, futuro; coisas edificantes. Convidei-os para cruzarem o Atlântico e virem conhecer o que temos de melhor em nosso território.</p>
<p>De Seattle voei para Orlando, meu canto preferido no mundo, depois de São Luís do Maranhão. No aeroporto, a esperar-me, José Leônidas da Silva. Potiguar de nascimento, cearense de coração, americano de adoção; são dessas pessoas que é sempre bom ter por perto. Seu José Leônidas, que completa 74 anos, no próximo 20 de junho, é um desbravador. Residente nos EUA há quarenta anos, é um entusiasta da vida. Assim como eu, é sonhador. Apaixonado por Orlando; privar da amizade de José Leônidas é um deleite.</p>
<p>Como hóspede de José Leônidas, conheci Fernando Carvalho. Pernambucano, cantor, cidadão do mundo. Aos 62 anos, Fernando é um aprendiz contumaz da arte de viver. Andar por esse mundão e conhecer pessoas é um privilégio, reservado a poucos. Como diz Mário Quintana, poeta gaúcho de Alegrete, “viajar é mudar a roupa da alma”. Volto para casa de alma renovada.</p>
<p>Cruzei a soleira de casa. A Ilha do Amor, tórrida, faz 32º à sombra. São Luís é a minha casa.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Por uma igreja sinodal e missionária</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/por-uma-igreja-sinodal-e-missionaria/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 11:41:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)   Encerra hoje a 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A primeira edição aconteceu em 1953. A partir de 1967, o evento passou a ser anual. Até o ano de 1974, o local da reunião era o Centro de Estudos do Sumaré (RJ) &#8230;</p>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p><strong><b> </b></strong></p>
<span class="dropcap ">E</span>ncerra hoje a 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A primeira edição aconteceu em 1953. A partir de 1967, o evento passou a ser anual. Até o ano de 1974, o local da reunião era o Centro de Estudos do Sumaré (RJ) e, posteriormente, Itaici, município de Indaiatuba (ambos, no interior do Estado de São Paulo). E, desde 2011, é sediada no Santuário Nacional de Aparecida (SP). De quatro em quatro anos, são definidas as diretrizes pastorais, ocorre a eleição de líderes da instituição e também são discutidos temas de interesse da Igreja e da sociedade brasileira.</p>
<p>Na 62ª Assembleia Geral da CNBB, acontece a aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), com o foco em uma “Igreja peregrina e sinodal&#8221;. Para tanto, antes de nos debruçarmos sobre as principais decisões que irão nortear o próximo sexênio (2026-2032), precisamos compreender e refletir sobre algumas questões de ordem histórica e teológica.</p>
<p>Entre as muitas frases atribuídas a Tertuliano (século III), uma chama a minha atenção no que se refere aos primeiros tempos do Cristianismo: <em><i>Vide, inquint, ut invicem se diligant</i></em> (veja como se amam). É dessa época e à luz desta sua assertiva a origem do “sínodo”. Embora, enquanto Igreja Católica, modernamente, os chamados Sínodos dos Bispos passem a acontecer oficialmente a partir de 1965, com o papa Paulo VI, vale ressaltar que a prática já ocorria entre aqueles primeiros cristãos, na perspectiva etimológica do grego <em><i>synodos</i></em> (&#8220;caminhar juntos&#8221;). Muito comum na chamada Igreja Primitiva (dos primeiros tempos de Jesus, após a sua crucificação e ressurreição) &#8211; ver Atos 2,44-45; 4,32.</p>
<p>Seu significado atual é o de uma assembleia ou reunião eclesiástica, convocada por autoridades religiosas (como o papa ou bispos), com o objetivo de discutir, consultar e tomar decisões sobre temas doutrinários, pastorais ou administrativos. Que é diferente de Concílio, do latim <em><i>concilium </i></em>(assembleia, reunião), que passa, necessariamente, pela ideia e necessidade, dentro da Igreja, de se buscar conciliar algo, como fora no Concílio Vaticano II (1962-1965).</p>
<p>Coube ao Papa Francisco (2013-2025) a iniciativa de revisitar, teológica e pastoralmente, a ideia de sínodo da Igreja Antiga. Esta ressignificação passa pela ideia e reflexão do tipo de &#8220;Caminho que Deus espera da Igreja no terceiro milênio&#8221;. Foca na comunhão, corresponsabilidade e participação de todos os batizados na missão evangelizadora, com ênfase na escuta recíproca e no diálogo, superando lógicas autoritárias e o clericalismo. Pensamento que começou em 2021 com o Sínodo da Sinodalidade e foi amadurecido, sobretudo em documentos, em 2024, à luz da temática: “Por uma Igreja Sinodal: comunhão, participação e missão”.</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>No que se refere às Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) para 2026-2029, o foco é, portanto, na sinodalidade, na missão em um contexto urbano e digital, e na transformação social através da cultura da paz e da defesa da vida, tendo como pontos chave: Ação Evangelizadora (não apenas Pastoral) / Proposta, não imposição / fortalecimento das Comunidades Eclesiais Missionárias / Cultura da Paz e Defesa da Vida / e Proteção aos Vulneráveis. Entre os Caminhos da Missão: Iniciação à Vida Cristã / Comunidades de Discípulos Missionários / Liturgia e Piedade Popular / Cuidado das fragilidades: das pessoas e da Casa Comum.</p>
<p style="text-align: left;">
			</div></div>
<p>Tendo a Eucaristia como fonte, os católicos são convidados a uma ação missionária concreta (missionariedade) à luz de uma Igreja Sinodal, a assumirmos uma postura apostólica e profética num tempo marcado pela injustiça social, pela polaridade e pelo egoísmo. Lutarmos para recuperar a dignidade humana que Deus nos legou na Criação e caminharmos juntos, como os primeiros discípulos e apóstolos de Jesus, somando esforços e colocando os nossos talentos em comum.</p>
<p>Nesse sentido e já nessa expectativa pela concretização das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, animamos a fala do Papa Francisco, em 2001, que diz:  “O Espírito nos guiará e concederá a graça de <u>avançarmos em conjunto</u>, de nos ouvirmos mutuamente e iniciarmos um <u>discernimento no nosso tempo</u>, tornando-nos <u>solidários</u> com as fadigas e os anseios da humanidade”.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>Tudo por causa de um grande amor*</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/tudo-por-causa-de-um-grande-amor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Apr 2026 09:00:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Não. Não estou me referindo ao clássico Romeu e Julieta, de William Shakespeare (1595). Mas à essência da Semana Santa. A paixão de um Deus por sua criação e por suas criaturas, jamais narrada ou registrada por religião alguma ao longo da história da humanidade. Não há &#8230;</p>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">N</span>ão. Não estou me referindo ao clássico <em>Romeu e Julieta</em>, de William Shakespeare (1595). Mas à essência da Semana Santa. A paixão de um Deus por sua criação e por suas criaturas, jamais narrada ou registrada por religião alguma ao longo da história da humanidade. Não há notícia afora esta, de um ser divino que se rebaixou ao mais alto grau para declarar todo o seu amor por seres inferiores, fracos, vacilantes, pecadores e mortais.</p>
<p>Por isso mesmo, a Semana Santa é o momento mais oportuno para agradecer por algo que não somos e do qual nunca fomos merecedores, mas assim nos tornamos pelo sangue de um inocente. Conforme preconizou o sumo sacerdote do povo judeu, Caifás:</p>
<blockquote><p>“(&#8230;) <em><i>que morra um só homem pelo povo, e que não pereça toda a nação</i></em>” (Jo 11,50)</p></blockquote>
<p>Da representação cinematográfica de Franco Zeffirelli (1977) a Mel Gibson (2004), narrativas de uma história de amor de encher o coração da gente, que nos toca profundamente, mas nem sempre converte. Fato é que o gesto de Jesus Cristo, de entrega total e absoluta na cruz, está entre os mais nobres já testemunhados por olhos humanos.</p>
<p>O que poderia ser resultado de uma loucura, de um profundo delírio e de uma atitude inconsequente e sem razão, tornou-se uma declaração de amor nunca realizada ao extremo por quem quer que existisse antes e depois de Jesus Cristo.</p>
<blockquote><p>“<em><i>A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina</i></em>”, afirma São Paulo na Primeira Carta aos Coríntios 1,18.</p></blockquote>
<p>Ele derramou seu sangue até a última gota. Doou-se por inteiro, sem murmurar, maldizer a quem o entregou, torturou e matou.  Tudo por expiação de uma culpa que jamais foi sua. Revertendo, desse modo, toda uma lógica, confundindo poderosos, sábios, ricos e inteligentes. Fez-se Rei para além da realeza. Coroado de espinhos, cuspido, maltratado, humilhado, ridicularizado, carregou sobre seus ombros todo o peso de nossa ignomínia.</p>
<p>A Paixão e Morte de Nosso Jesus Cristo revelaram o que tem de pior na raça humana: vaidade, arrogância, orgulho, soberba, ambição, prepotência, ganância, ingratidão, traição. Quem é o ser humano para ser capaz de julgar, condenar e matar seu próprio Criador? E ainda assim, ser amado por Ele, com tamanha doação e entrega?</p>
<p>Definitivamente, ainda não somos capazes de compreender a dimensão daquele ato nobre, generoso e divino. Insistimos em julgar, maltratar, humilhar e matar Jesus Cristo novamente, por meio de guerras, devassidão, corrupção, pobreza, indiferença, injustiça e ambição.</p>
<p>Enquanto não formos suficientemente sensíveis e gratos por tão grande e incomparável prova de amor, penaremos em nossa existência breve, fútil e medíocre, cujo fim será sempre a cova nossa de cada dia.</p>
<p>Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><i>* Título e texto inspirados na <a href="https://www.youtube.com/watch?v=LtdKrnMweUE" target="_blank" rel="noopener"><span style="color: #000000;">canção</span> <span style="color: #008000;">“</span></a></i></em><em><i><span style="color: #008000;">Tudo por Causa de um Grande Amor”, de autoria de Ir. Miria T. Kolling</span>.</i></em></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Guerra e rock and roll – um tapa na cara da hipocrisia</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/guerra-e-rock-and-roll-um-tapa-na-cara-da-hipocrisia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Mar 2026 12:21:04 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Ucrânia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Além de ser uma das maiores aberrações produzidas pela raça humana (com o perdão do termo humano), a guerra insiste em fazer seus estragos ao longo dos anos, não sendo diferente em nosso tempo. Os senhores da guerra, muitas vezes em nome de Deus e da paz no &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">A</span>lém de ser uma das maiores aberrações produzidas pela raça humana (com o perdão do termo humano), a guerra insiste em fazer seus estragos ao longo dos anos, não sendo diferente em nosso tempo. Os senhores da guerra, muitas vezes em nome de Deus e da paz no mundo, seguem arrastando jovens para a sandice dos conflitos bélicos, que, em sua maioria, vitimizam crianças e inocentes.</p>
<p>Na iminência de uma terceira guerra mundial, sobretudo desde a invasão da Ucrânia pela Rússia (que teria começado mesmo em 2014 e não, necessariamente, em 2022), e agora com essa dupla diabólica (Trump e Netanyahu) tocando o terror no Irã, com consequências para o resto do planeta, estamos à mercê dos humores dessa gente que faz da vida um detalhe, quando o fim último é apenas riqueza e poder.</p>
<p>Com base nisso, para fins de reflexão, recorri a quatro bandas e canções: “War Pigs” (Black Sabbath); “Goodbye Blue Sky” (Pink Floyd); Civil War (Guns N&#8217; Roses) e “A canção do senhor da guerra” (Legião Urbana). A ideia é mostrar como a guerra só interessa a poucos privilegiados e apontar o poder da arte em sua capacidade de pôr o dedo na ferida, a fim de despertar as consciências e reumanizar e sensibilizar as pessoas, a fim também de que possamos enxergar a hipocrisia dos líderes mundiais, sobretudo das nações mais ricas, e fazer com que elas reforcem o desejo de paz e de prosperidade, com justiça social e irmandade.</p>
<p>Banda de heavy metal britânica, fundada em 1968, cujo líder foi o vocalista e multiartista Ozzy Osbourne (1948-2025),  <strong>Black Sabbath</strong> lançou em 1970 “War Pigs” (porcos de guerra). Com uma batida forte e intensa, entrecortada por riffs de guitarras estridentes, dá bem a tônica da sua letra certeira. Até o final de sua carreira solo, fez parte do repertório de seu líder, levando o público ao delírio. A canção denuncia as maquinações dos generais, que com suas “mentes malignas”, “tramam destruição”. Compara-os a feiticeiros que “edificam a morte”. Enquanto isso, reina o ódio à humanidade. Também faz uma dura crítica aos políticos que, além de promoverem uma lavagem cerebral coletiva, se escondem, “fazendo guerra só por diversão”. Na última parte, a canção profetiza o fim dessa gente, afirmando que a “mão de Deus marcou a hora”, anunciando a sua queda no “Dia do Julgamento”, onde Deus os punirá, enquanto eles, os porcos de guerra, de joelhos, rastejam, “Implorando misericórdia por seus pecados”.</p>
<p>Nove anos depois, em 1979, foi a vez da banda <strong>Pink Floyd</strong> dar o seu recado, com “Goodbye Blue Sky” (Adeus Céu Azul). Criada em 1964, também é uma banda britânica de grande sucesso internacional, famosa pela canção “Another Brick in the Wall, Pt. 2”, com também famoso refrão “<em>Hey, teacher, leave them kids alone</em>”, assim como pela estética revolucionária das capas de seus álbuns, a exemplo do disco “Wish You Were Here”. Em “Goodbye Blue Sky”, que tem uma melodia mais leve e lenta em relação à “War Pigs”, e também mais curta, apenas dois minutos e quinze segundos, destaque para as guerras aéreas, em seus aviões a soltar bombas do céu. O foco da canção é o trauma que uma guerra provoca, sobretudo nas crianças. Destaque para a passagem que diz: “<em>Did you hear the falling bombs?</em>” (Você já ouviu as bombas caindo?) / “<em>The flames are all long gone, but the pain lingers on</em>” (As chamas já estão todas muito distantes, mas a dor persiste).</p>
<p>Num tempo mais recente, última metade do século XX, a banda norte-americana <strong>Guns N&#8217; Roses</strong> (fundada em 1985) lança mão de seu talento para também musicar sobre o flagelo da guerra na canção “Civil War” (1991). Com sete minutos e quarenta segundos, ela começa com uma fala introdutória e um fundo musical que faz lembrar os filmes de faroeste. Em seguida, a singular interpretação de Axl Rose (64 anos), vai dando a tônica do assunto, reforçando seu grave à medida que o enredo se desenrola. Fala em falha de comunicação, de jovens lutando e mulheres chorando, do ódio e do medo, enquanto “<em>as guerras continuam com o orgulho dos alienados / Pelo amor de Deus e dos nossos direitos humanos</em>”. Denuncia o genocídio e as mentiras, e vai recorrendo à própria história dos EUA para destacar sua sangrenta trajetória. Ao fim, destaca ainda as consequências da guerra, “que alimenta ricos enquanto pobres são enterrados”,</p>
<p>Por fim, a banda brasileira <strong>Legião Urbana</strong> (1982-1991). “A canção do senhor da guerra” foi lançada em 1992. De autoria de Renato Manfredini Júnior (Renato Russo), sintetiza e aprofunda, com nosso jeito todo particular de fazer arte no Brasil, todas as canções anteriores. Do começo ao fim, com uma refinada ironia, Russo desmistifica a ideia de que a guerra traz um bem. A canção tem quatro minutos e cinquenta e sete segundos e tem uma batida bem pop, mas com uma bela consistência sonora. Algumas passagens são bem atuais, como “<em>Mais uma guerra sem razão” </em>e, principalmente, a estrofe que diz<em>: “E quando longe de casa/ Ferido e com frio o inimigo você espera / Ele estará com outros velhos / Inventando novos jogos de guerra</em>”. Renato se dirige de modo muito particular ao jovem, à juventude, procurando mostrar que a guerra é uma tolice, um engodo, e no final das contas o “senhor da guerra”, além de não gostar de criança, também mente com promessas de uniformes lindos e de “<em>que Deus está do lado de quem vai vencer</em>”.</p>
<p>Como cristão que sou, sonho com um mundo melhor, mas temo que finde meus dias sem que possa alcançá-lo, como também meus filhos e talvez netos. Tudo isso em razão deste absurdo que é a guerra e sua capacidade de se reinventar e de se tornar cada vez mais letal, injusta e desumana. Que possamos cultivar em nossos corações essa consciência que as canções aqui escolhidas nos apresentam. Ao mesmo tempo, que tenhamos a coragem de denunciar e resistir a todos aqueles que pregam a guerra como recurso para se alcançar a paz e o desenvolvimento ou que venha a representar a vontade de Deus. Ao fim e ao cabo, não existe uma guerra justa ou santa, mas uma paz verdadeira e duradoura.</p>
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