Léa Cristina Bomfim afirma que o estado vive um momento decisivo com a expansão da atividade petrolífera Foto: Antônio Carlos Garcia
Por Antônio Carlos Garcia (*)
Com cerca de 180 empresas qualificadas integrando atualmente a Rede Petrogas Sergipe, o Sebrae e instituições do ecossistema estadual de inovação assinaram, durante a Sergipe Oil&Gas 2026, um acordo para desenvolver tecnologias voltadas à indústria de petróleo e gás. Batizada de Petrogas Open Innovation, a iniciativa pretende aproximar empresas, universidades, institutos de pesquisa e entidades de fomento para transformar conhecimento em soluções inovadoras capazes de atender às demandas do setor e ampliar a competitividade de Sergipe.
A coordenadora da Rede Petrogas Sergipe e analista de competitividade do Sebrae, Léa Cristina Bomfim, afirma que o estado vive um momento decisivo com a expansão da atividade petrolífera, impulsionada pelo Projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), pelos investimentos da Petrobras e pelo processo de descomissionamento de plataformas marítimas.
“Estamos vivendo um movimento muito intenso. O desafio da Rede Petrogas, do Sebrae e das demais instituições é acompanhar esse ritmo e preparar as empresas sergipanas para responder rapidamente às demandas desse mercado”, afirmou.
Segundo ela, a Rede Petrogas reúne atualmente cerca de 180 empresas qualificadas para fornecer bens e serviços à indústria de petróleo e gás. O potencial, no entanto, é ainda maior. “Se considerarmos todas as empresas que podem fornecer para essa cadeia, certamente ultrapassamos 300. Muitas ainda precisam atender aos requisitos técnicos exigidos pelo setor.”
Léa explica que o Petrogas Open Innovation nasce para integrar os diversos atores do ecossistema de inovação de Sergipe em torno de um objetivo comum: desenvolver tecnologias voltadas ao setor de petróleo e gás. “É um acordo para coordenarmos melhor nossos esforços na geração de tecnologia e inovação para esse segmento. Isso está alinhado ao ecossistema local de inovação e ao plano de desenvolvimento industrial do Estado.”
Segundo ela, embora o Nordeste venha ampliando sua participação na indústria petrolífera, boa parte da pesquisa e do desenvolvimento tecnológico continua concentrada nas regiões Sul e Sudeste. “O setor possui recursos destinados obrigatoriamente à pesquisa, desenvolvimento e inovação. Precisamos preparar nossas instituições de ciência e tecnologia, nossas universidades e nossas empresas para acessar essas oportunidades.”
As ações previstas no acordo já começaram durante o Sergipe Oil&Gas. Um bootcamp de inovação reuniu estudantes, pesquisadores, startups e empresários para desenvolver soluções para desafios apresentados pela indústria.
Ao final da atividade, foram estruturados 17 projetos, que passarão por uma jornada de desenvolvimento com o apoio das instituições que integram o pacto. “Agora vamos avaliar quais soluções têm maior potencial de aplicação no mercado. Essas receberão apoio para alcançar maturidade tecnológica e chegar à indústria.”
Além de estimular a inovação, a Rede Petrogas atua para ampliar a participação das micro e pequenas empresas sergipanas na cadeia de fornecedores das grandes operadoras.
O Sebrae oferece capacitação, apoio à obtenção de certificações e aproximação entre pequenos negócios e grandes empresas do setor, reduzindo uma das principais barreiras de acesso ao mercado. “A indústria exige elevados padrões de saúde, segurança, meio ambiente e qualidade. Nosso papel é preparar essas empresas para atender a esses requisitos e criar oportunidades de negócios.”
Outro eixo de atuação destacado por Léa Bomfim é o desenvolvimento territorial. Segundo ela, a expectativa de aumento da arrecadação de royalties exige planejamento para que a riqueza gerada pelo petróleo resulte em desenvolvimento econômico permanente.
“O petróleo passa. O desenvolvimento precisa ficar. Estamos trabalhando para que os municípios utilizem esses recursos em políticas públicas, inclusão produtiva e diversificação econômica, evitando que a economia fique dependente apenas dessa atividade.”
Para a coordenadora da Rede Petrogas, o avanço da exploração em águas profundas, aliado ao descomissionamento de plataformas e à expansão da infraestrutura logística, abre uma janela de oportunidades para Sergipe em áreas como engenharia, economia circular, construção naval, portos e serviços especializados, consolidando o estado como uma das principais fronteiras energéticas do país.
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