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Cinco municípios de Sergipe fecham acordo para adotar dentaduras digitais no SUS

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Novos contratos para próteses dentárias digitais movimentam a cadeia de saúde em Sergipe e ampliam o atendimento pelo SUS

 

Por Antônio Carlos Garcia (*)

 

Cinco municípios sergipanos estão em negociações avançadas para oferecer dentaduras produzidas com tecnologia digital pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de 2027. Os contratos deverão levar a iDenture, empresa especializada em próteses dentárias digitais, a instalar uma unidade em Sergipe. A expectativa é ampliar gradualmente a operação e chegar a até 20 municípios no Estado.

A implantação abre uma nova frente de negócios ligada à odontologia digital em Sergipe. A atividade envolve fabricação de próteses, scanners intraorais, softwares, impressão 3D, resinas, equipamentos laboratoriais e profissionais especializados. Dependendo da estrutura das prefeituras, a contratação pode incluir dentista, scanner, notebook e os demais serviços necessários ao atendimento.

O fundador e presidente da iDenture, Anderson Pires Macorin, disse que a decisão de instalar a empresa em Sergipe está tomada. Durante o X Congresso de Secretarias Municipais de Saúde de Sergipe (COSEMS/SE), realizado de 3 a 5 de setembro, em Aracaju, ele já havia identificado interesse de mais de dez prefeituras.

“Já são mais de dez cidades aqui querendo contratar. Com essas dez cidades, a gente consegue montar a base aqui para atender todo o sertão e todo o litoral”, afirmou Macorin. Questionado se isso significava uma unidade da empresa no Estado, respondeu: “Uma unidade aqui, com certeza”.

As negociações avançaram e cinco municípios devem contar com o serviço a partir do próximo ano, com possibilidade de chegar a 20. Itabaianinha foi uma das cidades citadas pelo empresário entre as interessadas.

Moldes de dentaduras digitais da empresa

Contratos abrem mercado para odontologia digital

A expansão em Sergipe ocorre justamente quando o governo federal começa a incorporar a odontologia digital à rede pública. Em maio, o Ministério da Saúde incluiu novos procedimentos odontológicos realizados por fluxo digital na tabela do SUS e estabeleceu R$ 216,13 milhões anuais em recursos estimados para financiar esses procedimentos.

Para Macorin, a digitalização não precisa substituir os laboratórios convencionais. A proposta apresentada aos gestores sergipanos é manter a produção existente e utilizar o fluxo digital para ampliar a capacidade de atendimento.

Segundo ele, o processo convencional pode exigir de seis a sete consultas e aproximadamente 90 dias, enquanto a produção digital demanda, em média, três a quatro consultas e cerca de 45 dias.

“O tempo que se leva para fazer uma analógica, eu consigo fazer duas digitais”, afirma.

A contratação pelas prefeituras ocorre por processo licitatório. Dependendo das necessidades do município, a empresa pode fornecer a estrutura necessária para o atendimento, incluindo profissional, scanner intraoral e equipamentos.

Empresa investiu R$ 10 milhões

Anderson Macorin, CEO da IDenture

A entrada em Sergipe integra a estratégia de expansão da iDenture, empresa com três anos de atuação e ligada ao grupo Gnatus, fabricante de equipamentos odontológicos.

Segundo Macorin, cerca de R$ 10 milhões foram investidos no último ano na estrutura tecnológica da empresa, incluindo equipamentos laboratoriais voltados à indústria 4.0. Algumas máquinas utilizadas na fabricação das próteses chegam, segundo ele, a custar US$ 200 mil.

“A gente é uma indústria de produtos personalizados com o serviço odontológico agregado”, define o empresário.

A tecnologia permite ainda rastrear a produção, identificando desde o profissional que projetou a prótese até o dentista responsável pela instalação e o lote da resina utilizada.

SUS fornece 1,2 milhão de próteses por ano

A aposta nesse mercado está relacionada à elevada demanda por reabilitação oral no país. Macorim afirma que 20 milhões de brasileiros precisam de prótese dentária e estão cadastrados no SUS. O número é citado pelo empresário; o Ministério da Saúde, por sua vez, reconhece a elevada necessidade de próteses no país por meio da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SB Brasil 2023).

Um dado oficial ajuda a dimensionar esse mercado: segundo o Ministério da Saúde, o SUS disponibiliza atualmente 1,2 milhão de próteses dentárias por ano.

O governo federal também vem ampliando a digitalização dessa área. A nova regulamentação permite que os Laboratórios Regionais de Próteses Dentárias incorporem scanners intraorais, impressoras 3D e softwares. Os laboratórios que adotarem o fluxo digital poderão receber acréscimo de 30% no custeio mensal.

Para o empresário, a demanda reprimida e o financiamento público criam condições para aumentar a escala da produção. “A tecnologia só faz sentido quando consegue resolver um problema real. No SUS, temos uma demanda enorme por reabilitação oral”, afirma.

Mercado mundial deve chegar a US$ 2,2 bilhões

O movimento acompanha a expansão internacional da odontologia digital. Segundo a consultoria Arizton, o mercado mundial de próteses dentárias digitais movimentou cerca de US$ 1,35 bilhão em 2024 e deverá alcançar US$ 2,2 bilhões em 2030, crescimento médio anual projetado de 8,4%.

A iDenture já atua com prefeituras de outros estados e vê Sergipe como uma base para ampliar sua presença no Nordeste.

Para o paciente do SUS, a prótese não tem custo. O interessado deve procurar a rede pública de saúde bucal do município para avaliação e indicação do tratamento.

 

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Antônio Carlos Garcia

CEO do Só Sergipe

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