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Punir racista é condição para uma sociedade justa. Parabéns, Vinícius Júnior!

Valtênio Paes (*)

Foram várias vezes que Vinícius Júnior sofreu e rejeitou a prática de racismo, porém em 21.05.23, no jogo Valencia e Real Madrid, foi contundente como é com seus dribles, também com o planeta futebol, reverberando no justo merecimento. Na entrada do estádio e durante o jogo palavras e gestos racistas foram entoados por seres que não merecem ser chamados de pessoas. Pasmem! Ao invés do árbitro suspender o jogo como manda a legislação esportiva, puniu o atleta com expulsão. Após pressão popular a liga espanhola, dias depois, anulou o cartão vermelho.

O racismo é ato político convergente como as práticas fascistas e nazistas. Não é à toa que o presidente da Liga espanhola critica o atleta quando deveria punir rigorosamente os autores do crime. Atente-se que no passando houve punição rigorosa contra atos nazistas no campo de futebol na Europa. O Nazismo, cruel ditadura, já em 1939 nas Olimpíadas de Berlim, esperava provar sua “supremacia ariana” e pensava usar o evento como propaganda, mas fora derrotado pelo atleta negro Jesse Cleveland Owens. Então com 22 anos, nascido no Alabama, Estados Unidos se tornou o primeiro atleta a vencer quatro ouros em uma Olimpíada.

Hitler, Mussolini e outros extremistas conservadores são xenófobos, racistas, fundamentalistas religiosos defensores de outras opiniões reacionárias, portanto não aceitam mudanças e querem um mundo somente para eles. Foi neste contexto que nasceu a sistematização do racismo no futebol, sofrido por tantos outros, porém enfrentado com rigor por Vinícius Júnior.  Atente-se que em 2021 congresso promovido por Eduardo Bolsonaro teve a participação de Santiago Abascal, líder do partido espanhol Vox dos extremistas conservadores tendo como simpatizante o presidente da liga espanhola de futebol Javier Tebas.

O jornal espanhol El País classifica a torcida do Valencia como extrema radical conservadora liderada por Ramón Castro com longa ficha criminal, um símbolo fascista tatuado em seu corpo.  Já faziam gestos nazistas e racistas desde 2019 tendo um torcedor sido banido do futebol. O lamentável é que em 2023 após tantas repetições, nem o time, nem a Liga espanhola, tampouco a justiça e FIFA se posicionaram de imediato, silenciando posição jurídico-administrativa com rigor. Somente três dias depois, dirigentes esportivos espanhóis, esfarrapadamente, simula desculpa afirmando: “se os brasileiros entenderam assim, peço desculpa”. “A emenda ficou pior que o soneto”. O que todos nós queremos é o fim da prática do racismo.

Atente-se que a CBF mantém jogo do Brasil na Espanha como se nada tivesse acontecido. Suaviza a decisão dizendo ter consultado a vítima. Belo exemplo do técnico Carlo Ancelloti que se negou falar do jogo e posicionou-se em defesa do atleta. Destaque-se também ação das autoridades brasileiras. São brasileiros que estão ultrajados fora do pais.

Tudo começou quando num programa de TV um tresloucado afirmara que Vinícius deveria parar de fazer “macaquices” nas suas comemorações em campo.  Ficou impune. A onda cresceu também em Villarreal e Bilbao. Gritos e cânticos racistas se sucederam com maior frequência entre 2022 e 2023. Ministério Público, em atos anteriores, pedira arquivamento, achando normal “coisa de futebol”, porém, como dentro do campo ante seus adversários, Vinícius não se rende, também contra os racistas fascistas continuou impávido. Enfrentou com altivez “acordando” algumas autoridades.

Somente nestes cinco meses de 2023 aconteceram mais de 20 casos de denúncias de racismo no esporte no Brasil. Em jogos da Conmebol também acontece como ocorrera no Chile contra atletas do Santos. A internacionalização do racismo no esporte impõe ações enérgicas das autoridades e das vítimas. Não basta protestar, é preciso punir!

Racismo é manifestação cruel de ódio humano. Parabéns, Vinícius Júnior, pela coragem persistente no combate para extirpar esta prática de seres, que pensam ser humanos. Humano pleno respeita e trata o outro como se fosse a si mesmo. Que a postura corajosa, altiva, necessária e histórica seja exemplo para todas as pessoas. Enfrentar para por um basta irretocável, faz brilhar a coragem e os ideais de igualdade humanos!

 

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(*) Professor, advogado, especialista em educação, doutor em Ciências Jurídicas, autor de A LDBEN Comentada-Redes Editora, Derecho Educacional en el Mercosur- Editorial Dunken e Diálogos em 1970- J Andrade.

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