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 Presidente Bolsonaro em Israel: risco diplomático, filigrana religiosa e consequências para o país

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Valtênio Paes

A visita do presidente brasileiro em Israel, retribuindo a presença do primeiro ministro em Brasília, reacendeu em nossa pátria a curiosidade sobre a relação entre árabes e judeus, mormente quando o filho do presidente desejou que segmentos árabes “se explodam”. Empresários brasileiros se assustam com a ameaça de retaliação comercial dos árabes para com nossos produtos, podendo ter fortes consequências para patrões e empregados na economia nacional.

As correções

A ingenuidade diplomática, se mantida, trará prejuízos econômicos e desprestígio internacional por um capricho do presidente em atender um desejo de Israel, vencidos detalhes de alguns religiosos. O religioso pleno não usa o nome de Deus para prejudicar.

Misturar religião, desconhecimento conceituais de história, política e diplomacia com disputas dos dois povos no epicentro da geopolítica mundial, beira a irracionalidade administrativa apequenando nosso país.

Foi ao Chile recebeu correção. Novamente em Israel, seus conceitos sobre nazismo “de esquerda” foram retificados, semelhante à persistência de que 1964 não foi golpe. Até os alemães questionaram a sapiência do presidente e seus assessores. Eis exemplos que merecem ser substituídos por ações concretadas de administração.

 O conflito entre árabes e judeus, apesar de atual, têm origem milenar e carrega uma longa história de desavenças religiosas e de disputa de ocupação de território. Desde os tempos bíblicos judeus e árabes, ambos de origem semita, ocuparam parte do território do Oriente Médio. Com sistemas religiosos diversos, cresceram as divergências agravando-se com o islamismo no século VII.

Relações diplomáticas

Com a Primeira Guerra Mundial, a Palestina passou a ser administrada pela Inglaterra com uma população árabe de um milhão de pessoas e judeus próximos de 100 mil. Na década de 20, ocorreu uma grande migração de judeus para a Palestina acelerada com a perseguição nazista depois de 1933.

Após a Segunda Guerra, a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, em 1947, a partilha da Palestina em dois Estados: um judeu, ocupando 57% da área, e outro palestino (árabe), com o restante das terras.

 Doravante, várias guerras aconteceram e o estado de tensão continua reforçado pelos interesses geopolíticos e econômicos dos grandes países como EUA, Inglaterra, França, China, Rússia, dentre outros.

O Brasil manteve sempre relações diplomáticas com ambos os povos. Atualmente, os indícios de partidarização pelo presidente Bolsonaro e seu filho, membro do legislativo pátrio, fragilizam o país econômica e internacionalmente.

Dados oficiais do Ministério da Economia comprovam o risco para exportações brasileiras com a decisão do presidente Jair Bolsonaro de abrir um escritório de negócios em Jerusalém.

Em 2018, o Brasil exportou US$ 14,223 bilhões para os países do Oriente Médio, sem contar Israel (Emirados Árabes, Turquia, Egito, Arábia Saudita, Irã, Palestina, Bahrein, Catar, Chipre, Iêmen, Jordânia, Kuwait, Líbano e Omã e Síria); este montante representa 5,92% do total das exportações brasileiras.

Já para Israel, o Brasil exportou apenas US$ 321 milhões. A matemática confirma, pela disparidade, juntamente com a diplomacia, a história: o interesse de patrões e empregados brasileiros de que filigrana religiosa não resolve o interesse da nação brasileira cabendo ao presidente Bolsonaro redirecionar sua estratégia antes que seja tarde.

(*) Valtênio Paes de Oliveira é professor, advogado, especialista em educação, doutor em Ciências Jurídicas, autor de A LDBEN Comentada -Redes Editora, Derecho Educacional en el Mercosur- Editorial Dunken e Diálogos em 1970- J Andrade.

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